Mensagem de 2008

Mensagem de 2007
2007 foi um ano igual aos outros:
As revistas exibiram as belas faces de garotas maquiadas, brancas, loiras com seus dentes reluzentes e suas roupas caras. Entrevistaram-nas e elas, aos sorrisos, expuseram seus planos de vida e os trabalhos vindouros.
Os jornais publicaram que as leis de mercado são maravilhosas, cai dólar e sobe Bolsa, num balanço próprio da natureza, manipulado pelos céus e inquestionável em seus fundamentos. A mensagem subliminar martela insistentemente: é assim que funciona e nada podemos fazer.
Os pappers rapidamente noticiaram que o CEO de uma grande multinacional agora mudara de camisa e comandaria outra grande emprersa. Seu contentamento expresso na foto evidenciava que se tratava de um grande negócio onde todos ganham.
As TVs, por sua vez, deram a maior contribuição ao ano de 2007 e não deixaram parecer que 2006 havia acabado. Muita gente deu o ar da graça e despejou seus adjetivos aos borbotões.
Na política caiu político, mas o sistema não muda e as regras permanecem as mesmas. Enfim, troca-se o título mas a nobreza é a mesma.
O destaque ficou diante das denúncias sobre o aquecimento global. Páginas e mais páginas foram publicadas mostrando fotos de gelo derretendo, pinguins com calor e ursos se depilando.
Mas 2008 não será igual:
Pobres e miseráveis continuam lutando brava e cotidianamente por sua sobrevivência, catando papelões e latas nas ruas, batalhando por emprego e salário, a despeito das platinadas e globais que merecem destaque.
A economia não é uma ciência exata e nem tampouco o mercado capitalista insubstituível. Uma sociedade que tenha o ser humano, suas necessidades e dignidade como foco, e não resultados de negócios, é possível e necessária.
Uma nova educação que se apegue nos saberes acumulados, que desenvolva as capacidades de nossos jovens e projete um futuro apoiado no conhecimento tornaria a escola um centro de atração e prazer. Nada de disputa em vestibulares por vaga, nada de shoppings universitários, nada de carreiras de moda.
A essência do fazer político vai, aos poucos, sendo alterada, à despeito da grande imprensa que fustiga a população permanentemente com a mensagem da desilusão e da descrença. Dinheiro e projetos políticos futuros não combinam, eleições devem priorizar propostas e debates de conjuntura, soluções para os problemas e a participação popular. Queres acabar (ou ao menos minimizar) com a corrupção? Participe da política mais intensamente e não se afaste dela.
E quanto ao meio ambiente não se preocupe: o alarmismo está a serviço do capital e dos lucros das grandes empresas. Devemos nos preocupar sim com a natureza, mas não devemos nos culpar pelo estrago que dela se promove. Os países ricos e o consumo exacerbado destroem impiedosamente o meio natural, e não você quando lava suas mãos e escova seus dentes. A natureza, para o capitalismo, é uma mercadoria que se compra e vende sem dores de consciência e muito menos preocupações ambientais. Afinal, por que tanto alarde? Se diariamente pessoas são compradas e vendidas a preço vil, por que não sê-lo um pedaço de madeira ou um bocado de minério?
Enfim ao prevalecer a crença de que os badulaques que o capitalismo nos oferece são o verdadeiro sentido da felicidade humana, 2008 será absurdamente igual a 2007, 2006, 2005, 2004…… Se você não se conforma com uma organização social que moe impiedosamente pessoas, destroe a natureza em nome do consumo e se mobiliza por uma outra sociedade e uma outra ordem econômica, 2008 promete ser diferente.
Boas festas aos lutadores incansáveis à todos aqueles que enxergam o verdadeiro foco dos problemas. Boas festas também aos que querem incoporar esta luta que se desenvolve no seu local de trabalho, na escola em que estudas, no ônibus que viaja, na roça de seu terreninho, no seu culto por dias melhores ou no quintal de sua casa.
Grande abraço.
Ricardo Alvarez
blog.controversia.com.br