O espectro ameaçador da recessão indica que há uma grande expectativa de que o Federal Reserve dos Estados Unidos (o banco central norte-americano) reduza ainda mais as taxas de juros na quarta-feira, depois da redução de emergência da semana passada, em 75 pontos-base. A única incerteza parece ser a de saber se são necessários outros 25 pontos-base ou 50 pontos-base de tranqüilidade monetária.
Os números de quarta-feira sobre o produto nacional bruto dos EUA vão mostrar que o crescimento se desacelera drasticamente, mas os dados desta semana podem revelar se os receios dos investidores sobre a aparentemente inevitável recessão são totalmente justificados pelos dados mais atuais de atividade econômica.
As esperanças de que o mercado imobiliário americano esteja chegando a um ponto de virada foram disseminadas por um encorajador declínio no estoque de casas à venda em dezembro, anunciado na semana passada.
As vendas de casas novas tiveram uma retração para seu nível mais baixo em quase 13 anos e uma nova queda é esperada, de 647.000 em novembro, para 645.000 nos dados de dezembro, que serão divulgados esta segunda-feira (28). Mais fragilidade nos preços de imóveis parece ser inevitável, com a queda em relação ao ano anterior, no indicador Case-Shiler Home Price, que será divulgado na terça-feira, e se espera que vá de 6,1% em novembro para 7,2% em dezembro.
Prevê-se que a confiança do consumidor americano, a ser divulgada na terça-feira, caia de 88,6 em dezembro, para 87 em janeiro, refletindo os elevados custos da energia e a desaceleração no mercado de trabalho dos EUA.
A previsão de consenso para o PIB do quarto trimestre, que sai na quarta-feira, é de que o crescimento anualizado se desacelere de 4,9% no terceiro trimestre para 1,2%. Os mercados monetários estão avaliando os preços com uma nova redução nas taxas de juros nos EUA para 2,5% até o final do ano e a declaração do Fed, acompanhando o anúncio da taxa na quarta-feira será vital para avaliar se já foi calculado o preço de um excesso de tranqüilidade monetária.
As pressões inflacionárias serão fundamentais para o julgamento dos responsáveis pelas instâncias decisórias, com a medida de inflação preferida do Fed, esperando-se que o deflator do núcleo do consumo pessoal fique em 2,2% em dados de dezembro a serem divulgados na quinta-feira.
A desaceleração no mercado de trabalho americano é evidente com a alta na taxa de desemprego de 4,4% em março para 5% em dezembro. Os ganhos em empregos forneceram um apoio crucial para gastos com consumo, e um grau mais elevado de sensibilidade da parte dos investidores pode ser esperado ante qualquer novo abrandamento no crescimento de empregos. A previsão de consenso para as folhas de pagamento do setor não-agrícola de janeiro, que sai na sexta-feira, é de uma alta de 55.000 depois de uma desanimadora alta de 18.000 em dezembro.
A atividade industrial está se enfraquecendo, esperando-se que a medida da pesquisa do Institute of Supply Management (ISM) a ser divulgada na sexta-feira mostre queda de 47.7 em dezembro, para 47 em janeiro.
Financial Times
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/fintimes/