Sinais, fortes sinais

Alvaro Costa e Silva – Cenas de violência, censura e intolerância se multiplicam.

Cena 1: levantamento da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo mostra que em 2018 se registraram mais de 120 agressões a jornalistas em contexto político-eleitoral. Foram 64 ocorrências de assédio em meios digitais e 59 vítimas de atentados físicos.

Cena 2: no Rio, por pressão de pais de alunos, o colégio Santo Agostinho suspendeu a adoção do livro “Meninos sem Pátria”, de Luiz Puntel, inspirado na história do jornalista José Maria Rabêlo, perseguido pela ditadura militar. Um grupo de estudantes —a maioria meninas— protestou em frente à escola, mas a censura continua.

Cena 3: na Universidade de Brasília, livros que abordam a temática dos direitos humanos foram rasgados na biblioteca. O vandalismo também atingiu obras de referência sobre artistas do Renascimento.
Cena 4: no metrô da Sé, em São Paulo, uma multidinha grita: “Ô bicharada, toma cuidado/ O Bolsonaro vai matar viado”. Cantos semelhantes invadiram os estádios de futebol.

Cena 5: na cidade de Muniz Ferreira, Bahia, um cachorro —de nome Marley— foi baleado durante uma carreata. Ele começou a latir enquanto os carros passavam buzinando. “O homem saiu do carro e deu um tiro numa pata. Depois que o cachorro correu, ele deu dois tiros. Eu pedi: ‘Não atire, não atire!’. Mas ele ainda deu mais dois tiros. Meu cachorro correu para dentro de casa e, quando vimos, estava morto no chão”, contou a dona. Segundo o jornal O Povo, era uma carreata bolsonarista.

Cena 6: usando o cano de uma pistola, um eleitor digitou e confirmou o número de seu candidato— 17. Filmou a ação e postou nas redes sociais.

Cena 7: num bar de Salvador, Bahia, o mestre capoeirista Moa foi morto com 12 facadas nas costas na madrugada de segunda-feira (8) depois de revelar o voto em Fernando Haddad (PT).

Como costuma profetizar Eymael, o eterno presidenciável, são “sinais, fortes sinais”.

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