QUE EXÉRCITO É ESSE?

Fernando Rosa & Felipe Camarão – “Temos algumas jabuticabas que a gente sabe que são uma mochila nas costas de todo empresário. Jabuticabas brasileiras: 13º salário. Se a gente arrecada 12, como é que nós pagamos 13? É complicado. E é o único lugar onde a pessoa entra em férias e ganha mais. É aqui no Brasil. Então, são coisas nossas. A legislação que está aí é sempre aquela visão dita social, mas com o chapéu dos outros, não é com o chapéu do governo”.

As palavras acima são do general Hamilton Mourão, candidato à vice-presidente do capitão Jair Bolsonaro, proferidas em um evento no interior do Rio Grande do Sul. Além de aumentar sua lista de truculências verbais, a posição reforça a ignorância do general sobre mais um tema caro ao povo brasileiro. Ele não só mostrou desconhecer a Constituição Federal, como também ter faltado as aulas de matemática financeira nos colégios militares por onde passou.

Um corte no 13º Salário significa, objetivamente, uma perda mensal de 8,3% nos ganhos dos trabalhadores, e recursos que deixam de entrar na economia. Não devia escapar ao conhecimento do general a movimentação que o 13º promove na economia, com aumento de vendas e contratações de mão-de-obra no final do ano. O que, em resumo, a chapa Bolsonaro-Mourão-Guedes está propondo é a redução dos salários dos trabalhadores.

O que mais espanta na declaração do general Mourão, no entanto, não é apenas “desconhecer a Constituição” e “ofender os trabalhadores” – de acordo com o pito que tomou do capitão-presidente. O mais grave é, com isso, expor a instituição que representa com posições que demonstram desconexão com a vida do povo e a história do país. Na semana passada, ele “zerou” conhecimento em geopolítica nacional, ao renegar nossa formação “mulamba” e multilateralista– inclusive defendida pelo general Ernesto Geisel.

A sociedade brasileira a essas alturas deve estar se perguntando que tipo de soldados, ou melhor, de generais, o país está formando em suas fileiras. Como alguém com este nível de despreparo intelectual e humano, evidenciado em tudo que fala, atualmente chega ao generalato do Exército nacional? Se este é o padrão de formação de um general, então, quem está precisando de uma profunda reforma em seu papel e missão é o Exército.

Ainda mais grave, tanto para o Exército, quanto para a sociedade, é tal perfil orientar uma “equipe” que pretende chegar ao poder máximo do Brasil. Estamos no centro de um grande rearranjo geopolítico mundial, em que precisamos ter a Nação unida, com instituições fortes e objetivos nacionais claros. O presente e o futuro exigem Forças Armadas com visão de Estado, não de vivandeiras em busca de golpes ou zumbis do golpe de 64, viúvas do general Silvio Frota, alinhadas aos Estados Unidos.

Que Exército é esse?

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