Medidas de austeridade no Brasil podem aumentar mortes em menores de 5 anos, segundo estudos de pesquisadores da Fiocruz

Agência de Notícias Fiocruz – Os resultados vêm de uma nova pesquisa, publicada na revista internacional PLOS Medicine e liderada por pesquisadores do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia – UFBA, da Fiocruz, do IPEA e do Imperial College de Londres.

Usando modelos matemáticos e estatísticos para simular resultados futuros, os pesquisadores verificaram que as taxas de mortalidade em menores de 5 anos poderiam ser 8,6% mais baixas até 2030 se os níveis de proteção social Programa Bolsa Família(PBF) e da Estratégia Saúde Família (ESF) fossem protegidos das medidas de austeridade fiscal atuais.

Até o momento há poucas evidências de como a crise econômica, as medidas de austeridade e a redução da cobertura de tais programas sociais podem afetar a saúde das crianças em países de renda média, como o Brasil.

Neste artigo os pesquisadores desenvolveram e validaram modelos matemáticos para medir os efeitos da crise econômica, pobreza, bem como o impacto dos cortes nesses dois programas na saúde infantil em todos os 5.507 municípios brasileiros para o período 2017-2030.

Além disso, suas simulações revelaram que a manutenção dos níveis de proteção socialdesses programas reduziriam as mortes evitáveis na infância em quase 20 mil e as hospitalizações evitáveis na infância até 124 mil entre 2017 e 2030, comparadas à austeridade. Também foi constatado que os municípios mais pobres do país seriam mais afetados.

O professor Christopher Millett, do Imperial College of London e autor do estudo, disse: “Está claro que esses programas têm um impacto altamente benéfico na saúde das crianças brasileiras. “Convidamos os formadores de políticas no Brasilpara proteger a saúde e o bem-estar das crianças, revertendo as propostas de medidas de austeridade que afetam esses importantes programas sociais”.

O pesquisador da Fiocruz, Davide Rasella, que liderou o estudo, acrescentou: “Nosso estudo sugere que a redução da cobertura de programas de alívio da pobreza e de cuidados primários podem resultar em um número substancial de mortes e hospitalizações na infância evitáveis no Brasil. Essas medidas de austeridade terão um impacto desproporcional sobre a mortalidade em menores de 5 anos nos municípios mais pobres, impedindo avanços importantes feitos no Brasil para reduzir a desigualdade na saúde infantil nos últimos anos”.

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