E a mídia foi seduzida por Kolinda, a presidenta extremista da finalista Croácia

Julinho Bittencourt – Aplaudida pela nossa imprensa, a presidenta da Croácia desfraldou bandeira de inspiração nazista e se elegeu com discurso de extrema direita.

O jornal O Globo estampou, na capa de sua edição desta quinta-feira (12), uma foto da seleção da Croácia comemorando a vitória sobre a Inglaterra bem acima da manchete: “Justiça proíbe Lula de fazer campanha na prisão”. O recado é claro. No entanto, por mais assustador que possa parecer, coincidência ou não, há muito mais água por baixo dessa ponte do que a simples e eterna perseguição das empresas da família Marinho ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Aplaudida pela grande imprensa brasileira

A seleção da Croácia, nova queridinha da mídia nacional, não é aplaudida sozinha. Na reta final do evento da Fifa parte da mídia tem deitado elogios também à sua presidenta, Kolinda Grabar Kitarović. Ela ganhou os holofotes durante a semana ao torcer pelo seu país das arquibancadas, misturada ao ‘seu povo’, ao invés de ir às tribunas de honra. Além de fazer chegar às manchetes com maestria que estava na Rússia com recursos próprios e que nem sequer receberia seu salário por aqueles gloriosos dias ali desfrutados.

Kolinda é membro da União Democrática Croata de centro-direita (Croatian Democratic Union – HDZ), o principal partido conservador da Croácia. Ela foi eleita, em 2015, ao vencer por pequeníssima margem o então presidente Ivo Josipović, com 50,74% dos votos. Josipović, além de jurista é compositor e entrou para a política como membro da Liga dos Comunistas da Iugoslávia. Sua campanha foi marcada pela proteção dos direitos individuais e a promoção de valores fundamentais como igualdade, direitos humanos, direitos LGBT, justiça, diligência, empatia social e criatividade.

Kolinda com a bandeira Ustachi

Kolinda, por sua vez, se deixou fotografar com a bandeira do Ustashe, partido nacionalista croata, que foi colocado no poder como um Estado de apoio aos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, entre 1941 e 1945. Ela disse não se importar com a divulgação da foto, que foi publicada com a sua permissão pela professora ultranacionalista de Toronto (Canadá) Tihomir Janjicek.

“A presidente viu a bandeira e, como você pode ver na foto, ela a segurou. Felicito a presidente pelo seu sincero croataísmo. Esta bandeira é minha cópia pessoal e foi comprada em Zagreb na época em que era a bandeira oficial croata. Esta bandeira reúne todos os croatas, na Croácia, na Bósnia e Herzegovina, na Sérvia, em Montenegro e em todo o mundo, onde quer que estejam”, escreveu Janjicek.

Note que no neologismo croataísmo, no orginal em inglês croatianism, há um trocadilho com cristianismo, ou seja, alguém que é religiosamente devoto à causa.

O brasão que aparecia na bandeira croata se tornou emblema do Partido de inspiração nazista Ustashe e foi removido depois que os fascistas foram derrotados na Segunda Guerra Mundial. Durante a Iugoslávia, a Croácia usou diferentes brasões, que após a independência foram preservados como símbolo da República Croata.

Desfile nazista em Zagreb com a bandeira Ustache

Saudação nazista para comemorar gol

Os pendores nazistas da presidenta da Croácia, no entanto, não foram os únicos problemas dessa seleção durante a Copa da Rússia. Nas quartas de finais, o zagueiro Demogoj Vida e o assistente técnico Ognjen Vulkojevic apareceram em vídeos repetindo a expressão “Slava Ukraini”, que pode ser traduzida como “Glória à Ucrânia”.

“Glória à Ucrânia” foi a saudação preferencial do Exército Insurgente Ucraniano (UPA) e da Organização Ucraniana Nacionalista (OUN), cujos membros lutaram pela independência da Ucrânia antes e depois da Segunda Guerra Mundial, mas que também cometeram atrocidades contra inimigos como poloneses e judeus.

UPA e OUN representavam a resistência contra o governo da União Soviética e estavam alinhados aos nazistas da Alemanha. Nessa época “Glória à Ucrânia” era a versão local do “Heil Hitler”, a tradicional saudação nazista.

De acordo com artigo de Gabriel Santos, no Esquerda On Line, “o vídeo repercutiu de forma imediata na Rússia, onde os telejornais criticaram a atitude do defensor. A Comissão Disciplinar da Fifa multou em 12 mil euros o zagueiro croata. A Fifa, porém, não atuou no caso por ser uma declaração fascista, mas pelo fato de proibir qualquer manifestação de caráter político. A Federação Croata de Futebol (HNS) demitiu o observador técnico e emitiu uma nota pedindo desculpas pelo vídeo, porém, afirmou que não havia interesses políticos por trás do mesmo”, escreveu Gabriel.

Canção ultranacionalista

Mas a coisa não para por aí. Antes disso, em outro vídeo publicado pelo zagueiro Dejan Lovren, logo após a vitória da seleção contra a Argentina, ainda na primeira fase da Copa, vários jogadores da equipe cantavam a canção nacionalista e xenófoba Bojna Cavoglave, que faz apologia à ajuda da Croácia aos nazifascistas na segunda guerra.

A música é da banda Thompson, que ganhou fama por fazer apologia ao partido de inspiração nazista Ustashe, o mesmo que a presidente empunhou a bandeira.

E a mídia foi seduzida por Kolinda, a presidenta extremista da finalista Croácia

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