Lemann quer o apartheid social desde a escola

Paulo Henrique Amorim – Essa desigualdade só se resolve com uma guerra!

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Lemann: a desigualdade tem berço

A crise na Educação não é uma crise, mas um projeto.

PEC da Morte, que congela os gastos em Educação, Saúde e todas as áreas sensíveis ao povo, é um dos instrumentos para concentrar a renda e aprofundar a desigualdade.

A chamada reforma do Ensino Médio, na prática, torna medíocre o último passo do jovem antes na educação básica.

É por meio dela que o presidente ladrão quer, por exemplo, que até 40% do Ensino Médio seja a distância.

Ele tenta, também, desidratar o investimento anual de R$ 50 bilhões em educação básica pública que a Campanha Nacional pelo Direito à Educação reivindica.

Enquanto isso, as Universidades públicas definham: o Conversa Afiada mostrou em maio como a Universidade de Brasília (UnB) pode, em breve, fechar as portas.

A Universidade Federal do Rio de Janeiro é outro exemplo de decadência.

Na verdade, as 63 universidades federais do País vivem em asfixia financeira, e a tendência é de piora: neste ano, o Ministério da Educação investirá 32% menos que em 2017.

(Em 2017, foram destinados R$ 6,6 bilhões para investimentos na Educação, enquanto a Lei Orçamentária Anual de 2018 reserva apenas R$ 4,52 bilhões).

E o corte de quase 20% o orçamento em Ciência e Tecnologia?

É no vácuo dessa estratégia deliberada de destruir o ensino público que entra em cena Jorge Paulo Lemann, o homem mais rico do Brasil.

Ele fabrica cerveja, ketchup e, agora, aqui no Brasil vai fabricar um apartheid social.

(Não se esqueça, amigo navegante, de que ele é um dos financiadores diretos do Golpe no Brasil: quando os manifestoches começaram a ir para a rua a favor da deposição da Presidenta Dilma, o site do Vem pra Rua, um desses grupelhos de extrema-direita à la MBL, estava registrado em nome da Fundação Estudar, que pertence a Lemann).

Ele tem um patrimônio de US$ 30 bilhões (segundo a Forbes) e se liga a, no mínimo, 20 empresas offshore, em paraísos fiscais.

Lemann também acha a coisa mais normal do mundo não pagar imposto no Brasil e explorar mão de obra semi-escrava no Brasil.

Depois, sai a fazer filantropia, como bancar um curso de Capitalismo Itinerante, numa barraca em Harvard, para onde manda uns wanna-be brasileiros.

(Outra benevolente ação do Lemann foi  estimular o empreendedorismo e associar-se à filha do Careca, o maior dos ladrões, numa certa sorveteria…).

Por isso ele é o ídolo do Historialista!

No fim de março, o Globo Overseas publicou notinha escondida numa colona:

Depois de Botafogo, escola de Jorge Paulo Lemann abrirá unidade na Barra da Tijuca

A Eleva, escola de Jorge Paulo Lemann, abrirá uma unidade na Barra da Tijuca, em 2019. Inicialmente, serão aulas só para Educação Infantil e Ensino Fundamental I.

A unidade de Botafogo, onde ficava a Casa Daros, começou a funcionar em 2017. Aliás, quem assinará o projeto da nova escola é Miguel Pinto Guimarães, o arquiteto responsável também pela unidade de Botafogo.

***

Nessa Eleva, uma escolinha para os filhos da Casa Grande, a mensalidade mais barata custa R$ 4 mil.

E Miguel Pinto Guimarães, o arquiteto da escola é casado com Paula Marinho, filha de um dos filhos do Roberto Marinho e a beneficiária da operação de lavagem de dinheiro da Mossack Fonseca para comprar o triplex de Paraty – que o Judge Murrow considera que não vem ao caso investigar, embora a Mossack seja vizinha do triplex que não é do Lula, no Guarujá…

(Não deixe de ouvir a Rádio Navalha sobre a palpitante matéria).

Lemann, Marinho, Murrow … tudo a mesma sopa, diria o Mino Carta.

A QuantoÉ, no começo deste ano, saudou a chegada de “mais dois colégios bilíngues a São Paulo em 2019”.

Um deles é ideia de um canadense que quer inaugurar a escola com mensalidades de R$ 5 mil.

O outro… é uma unidade da Eleva, do Lemann.

A QuantoÉ ainda destaca o “conteúdo inovador”…

E dá espaço para a escola dizer que “quer transformar o país por meio da Educação”.

Um levantamento de 2017 da Forbes, a revista dos bebedores de champanhe de R$ 20 mil, mostrou que São Paulo é a cidade que abriga o maior número de escolas para ricos – logo a seguir vem o Rio.

Nenhuma das escolas que a revista lista cobra mensalidades inferiores a R$ 1400!

Uma das que recebem mais destaque é a Concept, que já tem unidades em São Paulo, Ribeirão Preto (SP) e Salvador (BA) – lá, a mensalidade mais barata custa  R$ 4,2 mil!

O dono da Concept é Chaim Zaher, que era o segundo maior acionista individual da Estácio e, depois da venda dessa faculdade para a Kroton, comprou também o  Colégio e Vestibular de A a Z, no Rio.

Pesquisa que o IBGE publicou no fim de 2017 mostra que na educação infantil 73% dos alunos estão em escolas públicas; no ensino médio, 83,4%. Essa lógica se inverte no ensino superior: 74,3% vão parar nos braços das faculdades particulares.

Jessé Souza na TV Afiada demonstrou o papel da Educação, do berço e ocupação do tempo livre na formação das estruturas sociais.

Mais ainda, Jessé demonstrou que a gritaria contra a corrupção (só a do PT) não passava de desculpa para o ódio oculto, a repulsa ao filho do negro entrar na Universidade pública – obra-prima do Lula e disputar emprego com a filhinha da Madame.

O economista francês Thomas Piketty atestou que o 1% mais rico Brasil concentra uma riqueza correspondente ao 1% dos petro-estados do Oriente Médio.

A concentração de renda do Brasil só tem similar na Zâmbia e no Lesoto.

Se perguntar ao Mino Carta, ele dirá que só se resolve isso com sangue na calçada.

E o Piketty, com uma guerra.


Escola do Lemann (E) oferece ensino bilíngue para os filhos dos ricos, enquanto o Golpe mata o que sobrou da educação pública

https://www.conversaafiada.com.br/brasil/lemann-quer-o-apartheid-social-desde-a-escola1

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