Educação paulistana em tempos de Doria

João Doria Jr. e Eduardo Cunha

Luiz Carlos de Freitas – Deveria ter sido uma ingênua sessão de “treinamento” dos novos Supervisores contratados a partir de 02/01/17, na rede de ensino da Prefeitura Municipal de São Paulo sob gestão do marqueteiro Doria.

Para quem acredita que o problema da educação pública se resolve com imitação da gestão privada, era previsível que seria feito algum contrato com alguma fundação para que este novo contingente de profissionais fosse “adequadamente treinado” – mesmo tendo sido aprovado em concurso. Toda gestão adepta da reforma empresarial vai por este caminho: chamar algum empresário para dar um cursinho sobre como se pode tornar eficiente o serviço púbico.

Seguindo a tradição, chamou-se um Instituto e uma Fundação para “treinarem” o pessoal em um cursinho de 100 horas que teve início dia 20-03-17 e deveria terminar a parte teórica amanhã 22-03-17 – tendo continuidade à distância. Mas parece que o curso tem dificuldades para prosseguir.

Para surpresa dos servidores presentes, a formação idealizada pautava uma gestão empresarial com o foco nos resultados e ignorava os conhecimentos acumulados pela Rede. Com uma proposta cronometrada de tempo, buscou-se propor a transformação da figura do Supervisor Escolar em uma espécie de “fiscal” da relação professor-aluno e do processo de aprendizagem.

Logo, o público presente questionou o formato do curso, que priorizava o preenchimento de tabelas e não possibilitava reflexões. E o resultado só poderia ser o descontentamento geral. Fato que fez com que os organizadores viessem presencialmente no dia de hoje explicar as concepções que pautam suas filosofias e tentar convencer o pessoal.

Defenderam a Educação por Resultados como solução para as dificuldades de aprendizagem e não se dispuseram a estabelecer uma proposta dialogada com os conhecimentos da Rede e com as necessidades apresentadas pelos Supervisores ingressantes no cargo, porém com experiência em outros cargos de gestão da própria Rede. Alegaram que a formação era oferecida da mesma forma para todo o país, portanto, era essa a proposta que deveriam aceitar: gestão empresarial e meritocrática, goela a baixo de um grupo recém aprovado em concurso para gestor da Rede.

Diante do debate e da recusa do grupo contratado para dar o curso em adequar a proposta de formação, incluindo os saberes e necessidades da Rede, coube ao grupo de Supervisores em assembleia, mediada pela SME, a decisão de suspender a formação e produzir uma pauta formativa, cuja temática estivesse de acordo com as aspirações dos participantes a as necessidades da Rede.

A proposta da Fundação, aparentemente, foi bravamente recusada pelos novos gestores. Se as proposições da assembleia de supervisores serão aceitas ou não, é algo incerto. Pelo jeito estourado de administrar de Doria, pode ser que não. Mas, qualquer que seja o desfecho, valeu a resistência.

https://avaliacaoeducacional.com/2017/03/21/educacao-paulistana-em-tempos-de-doria/

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