Lava Jato teme reação de PMDB e PSDB contra operação

Investigadores veem maior capacidade de resistência do que tinha PT

KENNEDY ALENCAR

10-02-2017

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Os integrantes da Lava Jato, especialmente do Ministério Público, temem a capacidade de reação política do PMDB e PSDB contra a investigação de corrupção. Investigadores avaliam que o governo Michel Temer tem demonstrado maior capacidade de reação contra avanços da Lava Jato do que a gestão Dilma Rousseff.

A indicação de Alexandre de Moraes, ex-ministro da Justiça próximo do presidente da República, amigo de tucanos e filiado até pouco tempo atrás ao PSDB, foi vista pelo Ministério Público como um má notícia para a Lava Jato. Na visão de procuradores da República que integram a operação de combate à corrupção, Moraes deverá fazer coro com o ministro Gilmar Mendes, que questionou abertamente a extensão de prisões preventivas em Curitiba e o possível uso delas para forçar delações premiadas.

Para esses integrantes da força-tarefa, a nomeação de Moreira Franco para ministro da Secretaria Geral da Presidência, dando a ele foro privilegiado perante o Supremo, também faria parte de um movimento de resistência coordenado por políticos do PMDB e do PSDB que temem o que será desvendado pelas delações da Odebrecht. Há preocupação também com a indicação do futuro ministro da Justiça, a quem se subordina a PF (Polícia Federal)

Da parte do PSDB e PMDB, há um claro desejo de minimizar danos ao governo e às cúpulas dos dois partidos. Tucanos e peemedebistas consideram que há abusos na Lava Jato. É fato que as duas legendas têm muito mais capacidade de articulação política para resistir às investigações do que tiveram o PT e a então presidente Dilma. Uma série de fatos ilustra isso.

Em dezembro, teve sucesso no STF (Supremo Tribunal Federal) a articulação para manter Renan Calheiros no comando do Senado contra decisão liminar do ministro Marco Aurélio Mello. A indicação de Alexandre de Moraes para o Supremo reforça o trânsito de tucanos e peemedebistas no Supremo.

A decisão que o ministro Celso de Mello tomar sobre a indicação de Moreira Franco para a Secretaria Geral será importante para a estratégia de PMDB e PSDB.

Se Celso de Mello mantiver a indicação e o foro privilegiado, será uma grande vitória dessas forças políticas, mas poderá haver dano de imagem para o Supremo. Seria difícil sustentar que não houve dois pesos e duas medidas em relação aos casos de Moreira Franco e do ex-presidente Lula, que teve a indicação para a Casa Civil no governo Dilma barrada por Gilmar Mendes.

Se Celso de Mello derrubar a indicação de Moreira, o presidente Michel Temer sofrerá desgaste.

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Retoque na foto

O depoimento de FHC ao juiz Sérgio Moro foi positivo para Lula, especialmente quando o tucano disse que um presidente não pode saber de tudo. Isso reforça o discurso de defesa de Lula e pode preservá-lo em relação a desvios de ex-auxiliares e ex-diretores da Petrobras.

Mas o depoimento, dado em relação à investigação sobre o armazenamento do acervo presidencial do petista, foi mais positivo para a imagem de FHC. O tucano, de fato, ajudou Lula em meio a um bombardeio ao petista. Mas FHC foi o principal avalista político do apoio do PSDB ao impeachment de Dilma. Sem esse aval à estratégia tucana de fazer oposição duríssima a Dilma, dificilmente o PT teria perdido o poder.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

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1 Comentário

  1. Estes partidos perntecem a quadrilha do crime organizado e aguns magistrados estão apoiando.Basta notar quem foram alçados á minsitro do CCJ, STF e agora ministro da justiça…Somente uma guerra poderá mudar algo.

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