Odebrecht admite crimes e denuncia metade da República por corrupção

Duas páginas no Jornal O Globo só para começar. Além disso, um acordo de leniência onde paga multa de R$ 6,7 bi (20 vezes maior do que a aplicada a Samarco, por exemplo, por destruir o meio ambiente em MG e ES). Por fim, a maior delação da história onde nomes até agora protegidos sob o manto da cumplicidade e da vergonha surgem como envolvidos em altos esquemas de corrupção. A delação dos executivos da Construtora Odebrecht promete revirar o país de cabeça para baixo. Haja prisão. São esquemas de pagamento de propina em todas as esferas do poder e não apenas no Brasil. Mas há um porém: caberá ao ministro Teori Zavascki a decisão se a delação será ou não aceita na sua integralidade. É aí que começa o perigo.

Por Lisandra Paraguassu – 02 de Dezembro de 2016

Nomes como o de Michel Temer, Romero Jucá e Aécio Neves, por exemplo, já figuraram em algumas das delações.

A reportagem é da agência Reuters:

Marcelo: prisão e delação envolvendo políticos

Marcelo: prisão e delação envolvendo políticos

BRASÍLIA (Reuters) – A construtora Odebrecht assinou nesta quinta-feira acordo de leniência com os procuradores da operação Lava Jato e aceitou pagar multa de 6,7 bilhões de reais, disse à Reuters uma fonte ligada ao Ministério Público.

Segundo a fonte, que falou sob condição de anonimato, o acordo abre caminho para a assinatura de acordos de delação premiada com 77 executivos e funcionários da Odebrecht, entre eles o ex-presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht, preso em Curitiba e já condenado a 19 anos e 4 meses de prisão em ação penal da Lava Jato.

De acordo com a fonte, o acordo prevê pena de 10 anos para Marcelo Odebrecht, sendo que ele deverá ficar no regime fechado até o final de 2017.

A fonte disse ainda que o valor da multa será pago pela empreiteira ao longo de 20 anos. O valor da multa será dividido entre Brasil, Estados Unidos e Suíça, segundo a fonte, acrescentando que a maior parte dos recursos ficará no país.

Com o acordo de leniência, a Odebrecht garante que seguirá apta a contratar com o setor público.

A delação da Odebrecht, maior empreiteira da América Latina, tem sido apontada como uma das mais aguardadas da Lava Jato e a que tem maior potencial de provocar abalos ainda maiores no cenário político.

Nas investigações da operação Lava Jato, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal encontraram uma planilha que, afirmam, indica pagamentos feitos pela empreiteira a políticos de vários partidos. Não ficou claro à época se os dados da planilha se referiam a repasses de propina, a doações legais para campanhas eleitorais ou a doações não contabilizadas, o chamado caixa dois.

Como na delação da empreiteira e de seus executivos e funcionários devem ser citados políticos com mandato, os acordos terão de ser analisados pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator da Lava Jato na corte.

Caberá a Teori decidir se valida esses acordos e permite que as delações sejam usadas no processo ou se os rejeita e os declara nulos.

Procurada, a Odebrecht não se manifestou sobre o acordo.

(Com reportagem de Eduardo Simões, reportagem adicional de Aluísio Alves em São Paulo)

http://www.conexaojornalismo.com.br/colunas/politica/geral/odebrecht-admite-crimes-e-denuncia-metade-da-republica-por-corrupcao-74-45797

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