Reitor da UFRJ fala sobre ocupações de escolas e universidades

O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Roberto Leher, escapou da prisão – ou uma detenção, ou, se preferir, de uma condução coercitiva. O fato aconteceria na sexta-feira (4) quando a polícia foi buscá-lo para prestar esclarecimentos sobre sua participação em ato político que tinha no seu chamamento a expressão “Democracia”. Isso, sob o olhar do procurador Fábio Aragão, o mesmo que determinou o fim dos protestos contra Temer no Pedro II, soa a provocação. Faz sentido. Nesta segunda-feira (7) os alunos prometem ocupar a Reitoria da Universidade.

Da Redação  –  06 de Novembro de 2016

Na entrevista por um estudante cujo nome não foi revelado, ele fala sobre as ocupações em todo o país, o modelo de Educação do governo Temer e a aprovação da PEC 241. A entrevista aconteceu no mesmo dia em que foi constrangido pelo MP.

Sobre a ação que quase conduziu Roberto Leher:

O procurador Fabio Aragão, do Ministério Público Federal, intimou o reitor Roberto Leher a esclarecer uma manifestação política organizada pela administração central, em abril. O dirigente foi até mesmo ameaçado de condução coercitiva para prestar um depoimento sobre o ato ocorrido em frente ao IFCS/IH, no início do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. A iniciativa do procurador causa espanto à comunidade acadêmica.

Pelo Portal de Transparência do MPF, não é possível consultar o conteúdo do processo, instaurado por Fábio Aragão. O procurador é o mesmo que determinou às unidades dos colégios Pedro II, em Realengo e no Humaitá, a retirada de cartazes com os dizeres “Fora Temer”. O procurador não daria entrevista sobre o caso, informou a assessoria.

O processo de nº 13001001982201628 aparece no site como não “disponível ou tramita em segredo de justiça”. Ao telefone, a assessoria do procurador da República alegou que, para acesso ao documento, seria necessário comparecer pessoalmente ao “sistema de atendimento ao cidadão”.

Já o procurador-geral da UFRJ, Jezihel Lima, esclareceu que “não há qualquer acusação. O reitor foi chamado para uma conversa”. Segundo informou, “o entendimento do procurador (do MPF) era que o reitor não poderia participar da atividade. Mas, se a universidade não puder promover debates, vai ter que fechar as portas”, argumentou.

A ameaça de condução coercitiva ocorreu depois de a reitoria tentar reagendar uma audiência. A primeira, marcada para 4 de outubro – a agenda do reitor foi atropelada pelo incêndio do prédio da administração central, na véspera. Houve nova convocação para o dia 27, o que acabou coincidindo com uma sessão do Consuni. “Depois, o procurador voltou atrás e remarcou. Deve ser na próxima semana”, acrescentou Jezihel Lima.

No grupo virtual “Diálogo UFRJ”, o reitor Roberto Leher enviou uma mensagem na tarde de hoje afirmando que foi intimado a esclarecer um Ato pela democracia realizado na universidade em uma data e horário que coincidiam com uma sessão do Consuni. Segundo o dirigente, houve então a ameaça do Ministério Público de condução coercitiva. Contudo, não de prisão, conforme circulava na rádio corredor da UFRJ. “Mas isso não reduz a gravidade” do fato, destacou Leher, na mensagem.

Ato foi no dia 6 de abril

A atividade que causou a confusão aconteceu no Largo São Francisco de Paula, em frente ao Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS)/Instituto de História (IH), em 6 de abril. E reuniu cerca de mil pessoas sob o mote “em defesa dos direitos sociais, políticos e das conquistas democráticas no país”.

Da Adufrj

http://www.conexaojornalismo.com.br/colunas/educacao/reitor-da-ufrj-fala-sobre-ocupacoes-de-escolas-e-universidades-video-54-45574

1 Comentário

  1. Carta Aberta
    Aos Reitores e aos Conselheiros Universitários, brasileiros e democráticos.
    EXORTAÇÃO À DEFESA DO ESTADO DE DIREITO
    Diante do avanço da “ditadura da toga” consubstanciada em medidas repressivas utilizadas contra legítimas manifestações em defesa de direitos sociais, sustentadas pela ação de membros do Ministério Público e do Poder Judiciário, com autoritário atropelo do Direito e da Justiça, urge toda forma de admoestação por parte da sociedade.
    Nessa hora, cabe cobrar o fiel cumprimento do Juramento ao Direito, mediante ao qual foi outorgado o grau acadêmico.
    “Juro, no exercício das funções de meu grau, acreditar no Direito como a melhor forma para a convivência humana, fazendo da justiça o meio de combater a violência e de socorrer os que dela precisarem, servindo a todo ser humano, sem distinção de classe social ou poder aquisitivo, buscando a paz como resultado final. E, acima de tudo, juro defender a liberdade, pois sem ela não há Direito que sobreviva, justiça que se fortaleça e nem paz que se concretize.
    Juro respeitar sempre os princípios éticos e morais, baseando minhas ações no Direito, valendo-me deles para assegurar aos Homens os seus direitos fundamentais e inatacáveis.”
    Aos que faltam a esse juramento, imponha-se a anulação da outorga de grau, através de competente processo administrativo, a fim de que não mais traiam a Cidadania além de traírem a Academia que os nutriu de Saber. Seja, tal remédio, mais um processo de quassação do que de cassação.
    Porque o Saber é uma produção coletiva da Humanidade para uso em seu próprio benefício.
    Roberto Marques Ferreira

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