PSOL não é antipetista, está à esquerda do PT

A Folha publicou nesta quarta (21) o artigo “PSOL deveria mirar o exemplo europeu ao tentar fragilizar o PT, de Mathias de Alencastro.

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GILBERTO MARINGONI
ESPECIAL PARA A FOLHA  –  22/09/2016 

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Walter Pomar – PT e Gilberto Maringoni – PSOL

O mote é aparentemente nobre: como unificar as candidaturas progressistas e evitar uma vitória da direita na eleição paulistana?

Segundo o articulista, “a duas semanas do primeiro turno, está claro que para o PSOL as eleições municipais são uma oportunidade histórica de tomar o lugar do PT como líder da esquerda”.

Claro para quem, cara pálida?

O objetivo do PSOL é engrossar o movimento social que cresce de norte a sul contra o golpe de direita, perpetrado por PMDB, PSDB e DEM, impulsionado pela mídia e sob os auspícios do grande capital.

O objetivo do PSOL é combater a onda reacionária que se materializa no tripé congelamento dos gastos públicos, retirada dos direitos dos trabalhadores e avanço das privatizações.

É impedir o rompimento dos pactos democráticos de 1988 (Constituição Cidadã) e de 1943 (CLT).

Apesar de os governos petistas terem propiciado avanços sociais em tempos de demanda externa aquecida, quando os ventos mudaram, logo capitularam ao ajuste fiscal radical, que marcou o segundo mandato de Dilma Rousseff.

O PSOL não almeja ser um partido antipetista, mas um partido à esquerda do PT.

Até porque o PT não se resume à sua direção e há incontáveis petistas de valor. É algo vital em uma sociedade que enfrenta a mais grave recessão desde 1933.

Por força de sua pequena e aguerrida bancada e de sua militância, o PSOL saiu com grande autoridade política do processo de golpe, denunciando e iniciando o processo que resultou na cassação do mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Por isso, o partido foi brindado com a chamada Lei da Mordaça —13.165/2015—, que o condena à invisibilidade de dez segundos nas inserções de TV e rádio. Obra de Eduardo Cunha, sancionada por Dilma.

Este espaço não me permite examinar as rasas apreciações de Alencastro sobre partidos de outros países.

Petros Giannakouris/Associated Press
Premiê grego, Alexis Tsipras, em discurso no Parlamento grego
Ex-premiê grego, Alexis Tsipras, em discurso no Parlamento da Grécia

Vou me ater ao Syriza. Em um cenário complexo, a agremiação de Alexis Tsipras sofreu pesado ataque da troika —Banco Central Europeu, Comissão Europeia e FMI— e conheceu forte isolamento internacional.

O país de 11 milhões de habitantes e com um PIB quase 1/14 o da Alemanha foi derrotado por uma correlação de forças adversa.

Mathias de Alencastro não vê isso, assim como passa por cima de situações intrincadas aqui no Brasil.

Apenas quero lembrá-lo que unidade se faz a partir de um programa comum e não por negociações de tempo de TV ou acertos pouco claros.

O resto é briga de torcida.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/eleicoes-2016/2016/09/1815636-psol-nao-e-antipetista-esta-a-esquerda-do-pt.shtml

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