Chico César em Estado de Poesia

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“A cada dia mais poesia. Eu acho que a poesia é o grande elemento pra gente contrapor a tudo que contraria os direitos, contraria o amor, contraria o direito de amar, o direito de vir”, assim, Chico César definiu seu“Estado de Poesia”, último trabalho, lançado em 2015.

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O papo aconteceu após a passagem de som de seu show, no SESC Belenzinho, em São Paulo. Chico, muito simpático, falou sobre carreira e a importância da poesia em sua vida. Paraibano, formado em jornalismo, lançou seu primeiro disco em 1995, daí pra cá se passaram mais de vinte anos de sucesso.

“Eu sinto que o disco chegou muito ao coração das pessoas, e não foi uma coisa só em um nicho, só na Paraíba, só em São Paulo”, remete, Chico sobre a receptividade do público diante de seu novo trabalho. A turnê do novo show já passou por Brasília, Belém do Pará, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador, entre outros.

O músico, nascido na cidade de Catolé do Rocha, na Paraíba, ainda na adolescência se mudou para João Pessoa, e depois para São Paulo, “Catolé é a minha mãe, me deu a luz, foi lá que eu nasci. João pessoa é a minha namorada de adolescência, fui pra lá com 16 anos, foi o meu primeiro amor, de certa forma. E São Paulo é a minha amante, que é onde dou vasão as minhas fantasias artísticas, pessoais, as mais profundas, ela junta tudo”, confessou.

E a respeito de seu encontro com a poesia, Chico finalizou, “Meu pai, todo sábado, morávamos na zona rural, ia para Catolé fazer a feira, voltava com alguns víveres, farinha, macarrão, arroz, feijão, sal, açúcar, às vezes um pedacinho de carne, quando o negócio estava melhor, e junto disso, sempre, poderia faltar carne, farinha, feijão, sempre tinha, ou um folheto de cordel, ou uma página de oficio com um romance. “O Romance da Bela Teodora”, “História da Bela Inês”, “O Pavão Misterioso”, eu sempre lia essas histórias para a família e acho que ali me deu uma noção de que a poesia é algo gregário. Porque tem gente que pensa “ah, a poesia é uma coisa de elite”, que a poesia afasta as pessoas. Pelo contrário, a poesia lá em casa juntava as pessoas, uma casa simples, que não tinha energia, que não tinha rádio”.

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Chico César em Estado de Poesia

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