Comentários de Bob Fernandes

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Jornal da Gazeta

Bob Fernandes e o processo de impeachment

Publicado em 11 de mai de 2016

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No Brasil já ecoam panelas e “Fora Temer”. Mundo afora, críticas e deboche.

Publicado em 16 de mai de 2016

“Temer não tem legitimidade para conduzir o País…”

Essa é a opinião de Joaquim Barbosa, que presidiu a condenação ao PT no “Mensalão”. Barbosa diz ter “sinceras dúvidas” sobre “justeza e acerto político do impeachment”.

O ministério é só de homens e brancos, recheado de investigados e citados em crimes. Vários deles serviram a FHC, Lula e Dilma.

Hélio Bicudo, auxiliar na cobertura à gambiarra jurídica para o impeachment, já cobra: “O povo foi às ruas contra a cleptocracia”; um Estado governado por ladrões.

NYTimes, Guardian, BBC, El País, imprensa alemã, francesa, russa, portuguesa etc. A mídia gringa batendo pesado.

Críticas ao governo Dilma afastado, mas os adjetivos duros, e o deboche, reservados aos que afastaram Dilma:

-Grande e orgulhoso Brasil ao lado de Honduras e Paraguai (…) impeachment é falência do Brasil (…) irregular (…) recuo aos velhos tempos…

Segue a pancadaria:

-(…) traída (…) chocantes e ridículos (…) casta política corrupta (…) vexame (…) espetáculo indigno prejudica de forma duradoura instituições e a imagem do país…

Domingo. Quarto dia do interino. Temer no “Fantástico” e panelaço Brasil adentro. Já outras panelas…

Estilingue agora é vidraça, vidraça é estilingue. Multiplicam-se manifestações e ocupações.

Na concha acústica do Teatro Castro Alves, na Bahia, no Beira-Rio, no Pará, em estádios, escolas, teatros, ruas, nos coros e cartazes pelo país as mesmas fotos e frases:

-…Fora Temer… golpístas…

Em São Paulo, caminhada de 10 mil. Sem o glamour de transmissão ao vivo e o imã de helicópteros sobrevoando.

A organização Repórteres Sem Fronteiras rebaixou o Brasil do 58º para 104º lugar em 180 países. E explicou seus motivos:

-Concentração de propriedade dos meios de comunicação (…) fortemente dependentes dos centros de poder político e econômico.

Disse ainda a Repórteres Sem Fronteiras:

-De maneira pouco velada, os principais meios de comunicação incitaram o público a ajudar na derrubada da presidenta Dilma Rousseff.

Mundo afora jornalistas leram tal relatório. E não fizeram de conta não ter lido.

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Envolvidos confessaram… E o Papa Francisco condenou o “golpe suave”

Publicado em 30 de mai de 2016

Reunido com bispos, o Papa Francisco disse estar preocupado com “golpes suaves” na América Latina. Sua Santidade referia-se ao Brasil também.

O Papa manifestou tal opinião antes de conhecida parte das conversas gravadas por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro.

As gravações com Sarney, Renan Calheiros, Romero Jucá, são tomografia da derrubada de Dilma Roussef.

O que o PMDB articula nas conversas vazadas é um “acordo”. Um “pacto” para derrubar Dilma e fazer “Michel” presidente.

Escancarado na expressão “estancar a sangria”, motivo óbvio é tentar conter a Lava Jato, que ameaça todos eles.

Além do desespero de alvos da operação, o que esse converseiro mostra?

Mostra entranhas do topo do Poder. E da Política, do PMDB de Eduardo Cunha -personagem oculto das gravações- depondo Dilma para tentar salvar seus pescoços.

Os vazamentos buscam desobstruir o caminho da Lava Jato em direção a alvos secundários. E alargá-lo rumo ao alvo primordial.

O vazamento das conversas entre Lula e Dilma havia contraído a Lava Jato. Por que ilegal ao menos parte da gravação e o vazamento. E por então ter atiçado as outras ruas.

Ruas cada dia mais ocupadas por oposições que hoje estão adiante de partidos e movimentos sociais tradicionais. Agora oposições ao governo interino.

As gravações de Machado foram em março. O procurador Janot teve acesso ao teor das conversas, e a essa trama, antes do afastamento de Dilma ser autorizado, só em maio?

Governo Temer, terceira semana. Balança o segundo ministro. Como Romero Jucá, vitimado pelo mesmo delator, Sérgio Machado.

Fabiano Silveira, ministro da Transparência, foi gravado aconselhando Renan sobre como driblar a Lava Jato.

A propósito de conselhos… Em editorial, a Folha recomenda a Gilmar Mendes “evitar atitudes que destoem das práticas do judiciário”.

O ministro preside o TSE. E a Segunda Turma, que julga processos da Lava Jato.

Sábado à noite Gilmar Mendes foi ao Palácio do Jaburu. Diz o ministro do Supremo que foi discutir com o interino Temer o “orçamento do TSE”.

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