Mídia golpista: a economia joga água no Chopp da vitória de Temer

A pesada agenda de ajustes que os empresários e a grande mídia quer. Redução de salários, não aumento das aposentadorias e benefícios sociais, desvinculação dos gastos obrigatórios com saúde e educação, privatizações. Um rosário de maldades que exigem um governo forte para aplicá-lo. Mas como pode um governo golpista fazer isto, ainda mais sem apoio da principal oposição parlamentar, o PSDB? Como ficará a economia se Temer não tiver sucesso?

Leandro Lanfredi
Rio de Janeiro | @leandrolanfrdi   –   24 de abril de 2016

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Nem terminou de consumar-se o golpe que levará ao poder Michel Temer os sinais de alerta ecoam em toda a mídia golpista. Bem-sucedida em sua tarefa combinada ao PMDB, o PSDB, à operação Lava Jato e o aval ao golpe dado pelo supremo, O Globo, o Estado e a Folha preocupam-se com sua criatura.

No dia seguinte a aprovação do impeachment na Câmara os editoriais dos grandes meios davam uma linha de conselho a Temer de conduzir as duras medidas econômicas exigidas pelos empresários via “canetadas”. As preocupações persistem.

O Estado de São Paulo dedica em seu editorial “Falta de Espírito Público” e na coluna de sua importante comentarista Eliane Catânhede uma linha de pressão sobre os tucanos para que se comprometam com um futuro governo Temer. Esta linha é reforçada por entrevistada destaca com Serra, que dirige uma ala do PSDB que quer assumir cargos no futuro governo (e assim alçar-se a 2018). Já as alas de Aécio e Alckmin se opõe a esta investida deixando Temer, o PMDB e seus parceiros fisiologistas do PP e PSD arcarem com os ônus de um governo que nasce ilegítimo, golpista e com pesada agenda de ajustes a realizar.

Sem apoio político a este governo o Estado augura que haverá estagnação econômica e que se afundará a nação o que não levará a bons resultados para o PSDB. É um chamado de atenção com a gravidade da situação.

O Globo estampa em seu “O Orçamento à espera do desfecho do impeachment” preocupações com o terceiro ano seguido de déficit fiscal (quando os gastos são maiores que as arrecadações) e desenvolve a pisada e pesada liturgia que para livrar-se desta situação “que quebrou o país” é preciso desindexar os gastos com o funcionalismo e aposentados (ou seja que não sofram aumentos segundo a inflação ou segundo o salário mínimo) e realizar a reforma da previdência. Toda uma análise da quebra para exigir ações rápidas, apressar-se. Canetadas, já. Para culminar o golpismo querem um governo que ataque via decretos.

A Folha dando continuidade a hipocrisia que reinou nos editoriais dos três grandes jornais no dia do impeachment quando argumentavam em defesa do que nunca importa a eles, os empregos e salários dos trabalhadores, hoje se diz preocupada com o “apartheid social” do país. Para o jornal da família Farias havia que se livrar das polarizações da “esquerda” e da “direita” e ter tanto reforma da previdência e desindexação dos gastos (agenda que também dominou o Globo) com “maior justiça tributária”. Quer promover uma mudança grande no Estado: “Governos mínimos” é como se intitula o editorial. Saído das cabeças de liberais do ILISP, do MBL a argumentação neoliberal da Folha resume-se a fazer alguma alteração no imposto de renda mas promover grandes ataques para que assim o governo tenha mais liberdade no manejo dos recursos e assim possa efetivamente atender as necessidades da população.

Tal como os ilusionistas a grande mídia chama a atenção para ruidosos movimentos de uma mão enquanto o truque se desenvolve na outra. Em uma mão a demagogia popular sobre emprego, saúde, na outra a pesada agenda de ajustes. Sem otimismo preocupam-se se será possível atacar tanto, daí a preocupação do Estadão com a governabilidade e pressão no PSDB. Daí o desprezo do Globo com os “ritos democráticos”, os “amplos debates” e exige canetadas, pressa.

Nas batalhas das próximas semanas joga-se não só os últimos momentos do golpe mas também qual será o desfecho desta pesada recessão econômica, rumará mais abaixo, sem saída, a uma depressão ou poderá Temer do alto de seu golpismo implementar duros ataques que agravem a recessão porém, as custas do desemprego, perdas salariais erguer um futuro lucrativo para que os empresários sorriam?

A mídia teme o dia de amanhã porque tirar Dilma está sendo mais fácil do que pensar em como promover a “Ponte para o Futuro”. Está preocupada apesar de que a classe trabalhadora, graças a inação da CUT, não promoveu nenhuma forte ação contra o golpe.

A maior central sindical do país ergue a voz contra o golpe, mas não coloca data nas greves que diz que fará. Ela, e diversos movimentos sociais afins ao governo Dilma se dizem contra os ajustes mas não promovem o verdadeiro apoio às greves que acontecem para que elas sejam vitoriosas, como os professores de Contagem-MG que se enfrentam com o corte de ponto pelo governo do PCdoB, ou os professores, estudantes e servidores do Rio que em greve com mais de 30 dias de duração e mais de 71 escolas ocupadas enfrentam-se com um duro ajuste onde os aposentados sequer receberam seus salários de Abril até a presente data.

Sem o “sujeito perigoso” mostrar seu perigo a burguesia sente-se livre para exigir mais e mais ajustes, ir de um golpe institucional a uma “normalidade” bonapartista (“canetadas”), e até encher suas penas com a tinta da hipocrisia. Como se a Folha não só se importasse com os empregos como disse uma semana atrás, mas com a saúde neste domingo. É preciso tirar das mãos destes senhores as preocupações sociais e dar-lhes o verdadeiro sujeito e vozes, por isto este Esquerda Diário insiste na exigência que a CUT, a UNE, CTB impulsionem um imediato plano de luta contra o golpe e os ataques dos distintos governos. Neste plano de luta reside a importância não só da viva resistência ao golpe mas com que organização a classe trabalhadora e a juventude preparam-se para mais bonapartismo e mais ajustes que os que já vinham sendo promovidos pelo PT.

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http://www.esquerdadiario.com.br/Midia-golpista-a-economia-joga-agua-no-Chopp-da-vitoria-de-Temer

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