Quem foi Carlos Marighella e por que você deveria saber disso?

O que ambas as histórias têm em comum? São incríveis, cinematográficas, e protagonizadas por um negro, pobre e portador de ideais de libertação.

A pergunta é: Por que se fala tão pouco de pessoas como Carlos Marighella? De pessoas que colocaram um ideal de libertação acima da própria vida?

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Carteira de filiação ao Partido Comunista

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Nascido na Bahia, de pai operário italiano, mãe negra da etnia dos Haussás e origem humilde. Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e um dos líderes da Ação Nacional Libertadora (ALN). Preso em duas ditaduras, torturado, guerrilheiro e poeta. Para a grande mídia e os que escrevem a História: terrorista.

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Dispensa legendas
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“1964 — Com o golpe de abril, instaura-se a ditadura militar. Perseguido pela polícia, Marighella entra num cinema do bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, e lá resiste aos policiais até ser diversas vezes baleado, espancado e finalmente preso. Sua resistência transformou sua prisão em um ato político que teve repercussão nacional. É solto depois de 80 dias, depois de um habeas corpus pedido pelo advogado Sobral Pinto”.

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(FONTE: http://pcb.org.br/fdr/index.php?option=com_content&view=article&id=327:breve-biografia-de-marighella&catid=6:memoria-pcb)

Esse trecho foi retirado de uma biografia resumida no site do PCB e possivelmente é como a maioria das pessoas — dentre as poucas que conhecem o episódio — devem se referir a ele. Uma anedota da história.

O que eu sei sobre o fato: em 9 de maio de 1964, Carlos Marighella e Clara Charf estavam em um aparelho — nome dado as casas usadas de esconderijo na ditadura — vivendo de forma ilegal e escondendo quaisquer rastros de existência. Marighella tinha marcado um encontro com uma amiga em frente a um cinema na Tijuca para reaver algumas roupas que haviam ficado para trás na última fuga.

Clara diz, no documentário, que o companheiro teve um pressentimento e começou a recolher todos seus pertences do apartamento, pedindo para ela fazer o mesmo. Quando saiu do apartamento, de frente para o elevador, Marighella optou pela escada. A polícia, pelo elevador. Oxóssi protege seus filhos.

Próximo ao cinema, agora sozinho, Marighella percebeu a polícia de tocaia, vigiando. Fez sinal para a amiga entrar e seguiu atrás. Pegou o pacote, se despediu rapidamente e sentou-se em meio a sessão da tarde, lotada de crianças e famílias. Pouco tempo depois, as luzes do cinema foram acesas e ele foi cercado pelos policiais instaurando o caos no local. Lutou o quanto pôde com socos e gritos de “Abaixo a ditadura militar fascista” e “Viva a democracia”, mesmo baleado covardemente a queima roupa.

A bala fez quatro furos, entrando pelo lado esquerdo do tórax, saindo pelo direito e atravessando o braço de Marighella. Ainda assim, relatos dizem que quase uma dezena de policiais foram necessários para colocá-lo dentro da viatura. Desse episódio, surgiu o relato de próprio punho que deu origem ao livro “Porque resisti a prisão”.

Vê a diferença?

“Reaja ao revés, seja alvo de inveja, irmão
Esquinas revelam a sina de um rebelde, ó, meu
Que ousou lutar, amou a raça
Honrou a causa que adotou, o aplauso é pra poucos
(Carlos Marighella)
Revolução no Brasil tem um nome (Marighella)”

A primeira vez que realmente ouvi sobre Carlos Marighella foi nesse clipe do Racionais MC’s. Podia não ser um nome estranho para mim, mas estava longe da grandiosidade desse personagem.

Quem era esse mano que merecia um som do Racionais e eu, universitário, morador da periferia e negro, não fazia a menor ideia de onde tinha saído?

“Às oito e meia da manhã de 15 de agosto de 1969, um destacamento de doze guerrilheiros da ALN (Ação Libertadora Nacional) invadiu a estação transmissora da Rádio Nacional em Piraporinha, perto de Diadema (Grande São Paulo). Dominados os funcionários, um dos invasores interrompeu a ligação com o estúdio e ligou ao transmissor de ondas curtas uma gravação. Com o Fundo musical do Hino da Internacional Comunista e do Hino Nacional, a gravação anunciou o nome da Carlos Marighella e reproduziu o manifesto lido por ele. Na meia hora em que a estação esteve sob controle da ALN, deu tempo para repetir a gravação. No mesmo dia 15, o jornal paulistano Diário da Noite lançou uma segunda edição com o texto integral do manifesto de Marighella captado pelo o rádio escuta ”.

(FONTE:http://www.documentosrevelados.com.br/repressao/forcas-armadas/espetacular-tomada-da-radio-nacional-de-sao-paulo-pela-resistencia-a-ditadura/)

A imagem que eu tenho da tomada da Rádio Nacional é Mano Brown, KL Jay, Edi Rock, Ice Blue e Dexter chegando em um fusca, fortemente armados, vestidos como se estivessem em 1964 e gritando: “Quieto senão morre. Quieto. Quieto. Entra caralho”. O vigia rendido é levado até a sala de transmissão onde se encontra o locutor, que é enquadrado por KL Jay ao som de “Ajoelha, caralho! ”.

E o discurso feito por Marighella no ato entrando na sequência.

Teria como ser diferente?

Carlos Marighella era muito diferente do Brown ou do Dexter? Ou de mim e de você?

Por que a gente não aprende isso na escola?

Por que o inimigo número um da Ditadura Militar nunca é citado nos livros didáticos?

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Inimigo Nº1 do pior governo que o Brasil já teve

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Quem é Carlos Marighella pra mim?

Um pardinho qualquer que pode ter nascido da ponte pra cá ou no extremo da leste. Contra tudo e todos, não mirou carro importado, correntes de ouro ou dinheiro como salvação. Sua ambição era muito maior.

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Coisas do Brasil super-herói mulato, defensor dos fracos, assaltante nato”, sintetiza Brown em sua homenagem.
Pra mim, vai além. Carlos Marighella é o nosso anti-herói perfeito. Seu amor maior era a liberdade, que não bastava só a si, teria que ser plena e total para todo seu povo. Independente da ideologia escolhida, libertação era o foco e a vida era só mais uma variável a se apostar.
Por isso os assaltos a banco, os atos da ALN, a resistência à prisão, a guerrilha e a integridade de assumir atos que não eram nem mesmo seus, para defender outras pessoas — sobre o sequestro do embaixador americano.
Liberdade, a qualquer custo. Foi isso que esse preto, pobre e comunista ensinou para mim. E esse é só um relato puramente passional dessa figura ainda pouco conhecida por nós mesmos. Ademais, deixo por último mais uma das mil faces de um homem leal, a de poeta:

Liberdade

“Não ficarei tão só no campo da arte,

e, ânimo firme, sobranceiro e forte,

tudo farei por ti para exaltar-te,

serenamente, alheio à própria sorte.

Para que eu possa um dia contemplar-te

dominadora, em férvido transporte,

direi que és bela e pura em toda parte,

por maior risco em que essa audácia importe.

Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,

que não exista força humana alguma

que esta paixão embriagadora dome.

E que eu por ti, se torturado for,

possa feliz, indiferente à dor,

morrer sorrindo a murmurar teu nome”

36 Comentários

  1. Tudo mentira! Mariguela era um terrorista safado, comunista, escreveu o mini manual do guerrilheiro urbano. Tentou junto com seus companheiros instalar uma ditadura comunista no Brasil.

  2. E vem falar que a era ditadura, que ditadura libera por meio de habeas corpus, gente, bando de baderneiro querendo fama e poder.

    • Isso foi antes do decreto do AI-5 em 1968, quando ainda havia essa possibilidade. A ditadura foi realmente rígida e repressora de 1968 a 1975.

  3. Então Atila.. já ia dizer isso… uma ditadura que libera preso político por meio de habeas corpus? Alguém aqui não enxerga a contradição? uehuehuehueheue… brincadeira óhh kkkk

    • Muito bom o texto parabéns! As autoridades fazem de tudo para esconder os atos de coragem do povo brasileiro, querem sempre a imagem de que devemos aceitar tudo.

  4. Seria bom se o mundo fosse dividido entre as pessoas batalhadoras e as que amam o comunismo. Assim nós pessoas direitas poderíamos viver em paz.

  5. Parabéns pelo texto. A periferia precisa conhecer pessoas que representaram e que lutou pela raça.
    Lamento que você seja alvo de comentários tão ignorantes.

  6. Acho que foi uns dos únicos que honraram aquele verso do nosso hino “nem teme, quem te adora, a própria morte”. Viva Marighella!!!

  7. Na verdade, a luta era também por uma democracia burguesa. Pelo direito simplemente, de livre expressão, livre manifestação de pensamento, livre associação, livre votação, liberdade de escolha e coisas assim. Eu também, se vivesse na época, combateria a falta de liberdade. Acho ruim, viver sem liberdade, tipo um pássaro na gaiola! Kkkkkk

  8. Na verdade, ninguém é comunista. Essa taxação, essa “vala comum” é uma estratégia de reacionários contra a luta pela liberdade. Comunismo só existe em sociedades primitivas, na ausência do Estado. O resto é perfumaria. Os nativos sim, são comunistas!

  9. Devemos respeitar a opinião de todos, para mim esse tal de mariguella era só um safado baderneiro, mas está é a minha opinião, não significa que é a correta ou a sua.

  10. Vi alguns comentários aqui, mas gostaria de saber onde sequestrar um embaixador faz parte de alguma luta a favor da liberdade, você luta pela liberdade privando outras pessoas da mesma ???

    • Ele não sequestrou “um qualquer”, “um qualquer” era justamente quem ele defendia! A intenção era causar efeito pra garantir sua exigência, que era o embaixador por 15 companheiros presos.
      E outra quem priva a liberdade é o governo que não investe em educação e julga R$ 880 como um salário sabendo que está mais pra ajuda de custo !

    • Leia alguns livros de história ao invés da Veja e vc vai entender direitinho como o sequestro de um embaixador fazia parte dos planos.

  11. Besteira… curto racionais mcs e tive curiosidade de saber quem era esse senhor… pela histórias já vejo q era um hipócrita que usava a desculpa de “lutar pela liberdade” para cometer roubos, assaltos, sequestros e outras coisas mais… é do mesmo time de uma senhora ex presidente Dilma… tudo pilantra !! Quanto a ditadura… costumo falar o seguinte, meus pais e avós viveram a ditadura e nenhum deles tem do q reclamar, td q escuto eles falarem é de como aquela época era boa em termo de segurança, se gabam de sair pra rua a hora que quisessem e até mesmo dormir com janelas de casa abertas… coisas simples que hj em dia nem sonhamos ser possível.

  12. O cemitério tá cheio de “heróis”!….A inversão de valores no Brasil é vergonhosa!O povo padece por falta de conhecimento… Não me importa quem era mariguela , conheço a sua história,e ele nunca vai ser um exemplo a ser seguido pra mim….O problema é que muitos so querem ganhar no “grito”.. Não querem se esforçar,lutar,estudar,se profissionalizar….. Querem tudo fácil.. Exemplo o caso do espírito santo, a polícia saiu das ruas e o caos e instaurado!…Sem ordem estamos fudidos.

  13. A eterna luta entre o bem e o mal, entre a ditadura e a liberdade do homem. E o que é pior: ninguém sabe quem é do bem e quem é do mal. Quem lê Marighella não tem apetite para ler “A Verdade Sufocada”. Quem lê “A Verdade Sufocada” não tem apetite para ler Marighella. Entre a ditadura e a liberdade do homem, eu prefiro a ditadura e a liberdade de Deus.

  14. Triste ver como em pleno século 21, com tantos meios de acesso a informação, as pessoas continuam não enxergando. Mais cego é aquele que não quer ver. Ditadura !!! Como a que está a caminho no Brasil.. Fiquem espertos!

  15. É inacreditável alguns comentários sobre Marighella, tenho a certeza que aqueles que os criticaram só conheceram suas histórias através da midía, os seus ideais e a sua resistência deveriam ser exemplos para todo esse povo de hoje. Se houvesse um pouco desse sentimento em cada um de nós hoje, tenho certeza que não estariamos passando por essa situação castratófica que está o Brasil, hà aqueles que reconheceram o Marighella como um lider nato meus parabéns pois acredito que ainda podemos virar este jogo.

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