Requião relembra Banestado: roubalheira tucana desviou meio trilhão

O senador Roberto Requião fez um duro pronunciamento esta semana sobre a mãe de todas as corrupções.

Não foi mensalão, não foi petrolão.

Foi o Banestado.

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banestado-corrupção-privataria

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(Na época, a imprensa não dava apelido com “ão”, não fazia infográficos, charges, não fazia campanha).

Os desvios chegaram a mais de US$ 124 bilhões, ou quase R$ 500 bilhões.

Calculem aí quem souber o quanto isso significaria hoje, contabilizando a inflação.

O próprio Requião lembra que o valor correspondia a bem mais do que as reservas internacionais do Brasil.

É um escândalo totalmente tucano, mas nenhum tucano foi preso.

O juiz do caso foi Sergio Moro, alguns procuradores eram os mesmos da Lava Jato. Não fizeram nada.

Moro soltou Youssef, o principal doleiro do escândalo, e Youssef voltou a roubar.

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Discurso de Roberto Requião.

Senhoras e senhores senadores,

Quero aproveitar hoje esse clima justiceiro que faz arder em santa ira os corações dos que levantam as bandeiras do civismo e da luta contra a corrupção, para lembrar o maior escândalo, o escândalo-mãe de todas as vergonhas e malfeitos recentes.

Vou relembrar aqui o caso Banestado, devassa feita entre os anos 1966 e 2002, época em que, como se sabe, o hoje tão indigitado partido dos trabalhadores era oposição. E o PSDB, PMDB, PTB, PFL, agora DEM, eram governo.

A investigação do caso Banestado, intitulada no âmbito policial de ‘Operação Macuco’, foi a maior investigação criminal do país de todos os tempos, e a precursora de outras grandes operações que se sucederam nas gestões dos presidentes lula e Dilma.

O caso Banestado começou na delegacia da Polícia Federal de foz do Iguaçu, para apurar o uso irregular das contas CC5 do banco, conforme menção do relatório final da CPI dos Precatórios, tendo, à época, contado com o entusiasmo e a colaboração do procurador da República Celso Três.

O inquérito mãe (inquérito 207/98 – DPF/Foz do Iguaçu) foi presidido pelo delegado federal José Castilho Neto e sua equipe de policiais federais, composta dentre outros pelos peritos criminais Renato Barbosa e Eurico Montenegro .

Em diligências realizadas em Nova Iorque/Estados Unidos, por quase seis meses, com o auxílio do FBI e do Ministério Público distrital local, foi quebrado o sigilo bancário de 137 contas-corrente da extinta agência do Banestado naquela cidade, contas que tinham como procuradores os principais doleiros brasileiros. Esses mesmos que estão aí enredados na Operação Lava Jato.

Com isso, descobriu-se, em um primeiro momento, o desvio e a evasão de divisas brasileiras no montante de 30 bilhões de dólares, o que possibilitou aos investigadores traçarem o que se chamou “mapa da corrupção brasileira”.

Com o prosseguimento da investigação, os desvios de dinheiro e a evasão de divisas revelaram-se ciclópicos, chegando à fantástica cifra de 124 bilhões de dólares.

Essa quantia jamais apurada em qualquer outro escândalo nacional envolvia, como beneficiários finais, nomes coincidentes com os de integrantes da alta cúpula do empresariado e da política nacional à época, em especial a políticos ligados ao PSDB, dentre outros.

Como não se ignora, e se ignora é porque a omissão é seletiva e altamente conveniente, o período da investigação da CPI foi dos anos de 1966 a 2002.

No entanto, o delegado Castilho, no início do governo Lula, por ordem do ministro da Justiça Márcio Thomás Bastos foi afastado das investigações, e outro delegado assumiu a presidência do inquérito.

Com isso, o rastreamento do dinheiro no exterior foi interrompido e nunca mais retomado.

Em consequência, a prova criminal ficou prejudicada, pois no crime financeiro a materialidade delitiva é o dinheiro e o seu rastro, sem o que não há prova hábil à condenação.

Ao invés de prosseguir o rastreamento do dinheiro evadido para chegar aos verdadeiros protagonistas do esquema criminoso, estranhamente, o novo delegado, com o aval do diretor geral da Polícia Federal, optou por apenas investigar em território nacional, através da operação policial intitulada “Farol da Colina”, os doleiros responsáveis pela evasão.

Setenta doleiros foram presos, com alta repercussão midiática, inclusive Alberto Youssef. Mas sem qualquer efeito prático, pois tais crimes continuaram a serem praticados, como se há de ver nos escândalos posteriores .

Os processos foram em sua maioria presididos pelo juiz Sérgio Moro da Justiça Federal de Curitiba. No entanto, ou geraram absolvição por falta de provas ou prescreveram por inércia da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

Nos inquéritos do caso Banestado, o doleiro Alberto Youssef foi indiciado ao menos cinco vezes, tendo sido condenado em um deles.

O banco de dados com indícios criminais, elaborado à época, serviu de base durante os dez anos subsequentes para o fomento de todas as grandes investigações de crime financeiro no país, incluindo a operação “Lava Jato”.

Esse o grande legado do trabalho do delegado Castilho e do promotor Celso Três e suas equipes.

O legado do banco de dados, o desvendamento do caminho do dinheiro, do modus operandi, a revelação dos nomes e sobrenomes dos notáveis que desviaram, a valores da época, 124 bilhões de dólares, muito mais que as reservas cambiais do Brasil então.

Especulou-se muito porque o falecido ministro e advogado de tantas causas Márcio Thomas Bastos, que efetivamente mandava na polícia federal, mudou o delegado que presidia o inquérito e os rumos da investigação.

O ex-ministro não está mais entre nós, deixemos de lado as perguntas sem respostas.

Senhoras e senhores senadores,

Com toda certeza, se o inquérito presidido pelo delegado Castilho e acompanhado de perto pelo procurador Celso Três tivesse se completado, com o rastreamento do dinheiro no exterior, não teríamos os escândalos que se sucedem ininterruptamente na última década.

Por que o inquérito-mãe, o ponto de partida para desvendar toda a trama da corrupção no país foi abandonado?

Por que nunca se seguiu o rastro dos 124 bilhões de dólares desviados para o exterior?

Como investigar os desvios de hoje sem retomar as investigações do delegado Castilho e do procurador Celso Três?

Lá estão os fios da meada. Lá estão os nomes, todos os nomes. A nomenclatura toda. Lá está a tecnologia da corrupção, da fraude, do roubo, da sonegação, da malversação, da propina, dos trambiques, das concorrências e compras viciadas, superfaturadas.

Lá estão Alberto Youssef e os setenta doleiros. Lá estão as delações premiadas, que logo em seguida foram traídas pelos delatores.

Nada, por mais espantoso que se apure hoje é novidade frente àquela desditosa investigação.

Tenho a convicção que enquanto a “Operação Macuco” não for retomada, continuaremos esse cansativo e inútil trabalho de carregar pedras até o topo da montanha, para vê-las em seguida despencar. E tudo recomeçar,

Por fim, uma notícia que confirma a seletividade de determinadas operações de combate à corrupção.

O jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, noticiou nos dias 27 e 28, domingo e segunda passados, que a delação, devidamente premiada, de Alberto Youssef sobre corrupção no governo de Jaime Lerner, sumiu do processo. Escafedeu, evaporou-se, criou asas, ninguém sabe, ninguém viu.

Tão simples assim: a delação de Alberto Youssef no caso Copel/Olvepar, onde os meliantes levaram mais de 150 milhões de reais da empresa paranaense de energia, envolvendo figuras de proa do então governo estadual, sumiu do inquérito.

Noticia a Gazeta que a duras penas tenta-se reconstruir a delação do doleiro.

Mesmo que quisesse, não encontraria um epílogo à altura do desmonte das investigações do Banestado que essa informação sobre o desaparecimento da denúncia de Youssef no escândalo Copel/Olvepar.

E espero que todos os que se levantam contra a corrupção e os corruptos fiquem indignados como eu, diante da impunidade do caso Banestado e diante do sumiço da delação desse tão famoso e até mesmo cultuado personagem chamado Alberto Youssef.

Por fim, ao delegado Castilho, aos peritos criminais Renato Barbosa e Eurico Montenegro e ao procurador Celso Três, minhas homenagens pelo pioneirismo das investigações de lavagem de dinheiro, fraudes financeiras, fraudes fiscais, corrupção.

“Operação Macuco”, foi lá que tudo começou.

Aliás, um pergunta para o ministro Cardozo e para a Polícia Federal: por onde anda o delegado José Castilho Netto?

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Requião relembra Banestado: roubalheira tucana desviou meio trilhão

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O vídeo abaixo não faz parte da matéria da fonte acima:

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Requião cobra retomada do “Caso Banestado”, escândalo-mãe da corrupção no Brasil

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Publicado no YT em 30 de set de 2015

O senador Roberto Requião relembrou nesta quarta-feira (30) a “Operação Macuco”, da Polícia Federal e Ministério Público Federal, que desvendou o escândalo do Banestado, quando se apurou o desvio de 124 bilhões de dólares ao exterior, através do então banco estadual do Paraná. Os valores desviados à época, afirmou o senador, somavam muito mais do que as reservas brasileiras na moeda norte-americana. Segundo o senador, a “Operação Macuco”, conduzida pelo delegado José Castilho Netto e pelo procurador Celso Três, foi o ponto de partida para desvendar os métodos e os caminhos da corrupção no país. No entanto, denunciou Requião, a operação foi abafada e desmontada, sem a punição pelos responsávis pelos desvios. A seguir, texto e vídeo do discurso de Requião sobre o “Caso Banestado”.

Meme de abertura  – AVISO do BC: A frase atribuída a ele é uma montagem, nunca foi pronunciada pelo juiz. Ela apenas tem o efeito de denunciar a vergonhosa seletividade que grande parte da opinião pública percebe em suas prerrogativas. 

Moro

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2 Comentários

  1. SERGIO MORO MANTEVE SOLTOS YOUSSEF E OUTROS 70 DOLEIROS PRESOS NA “OPERAÇÃO MACUCO” NO ESCANDALO BANESTADO EM 2003 E ELE TAMBÉM FOI TREINADO JUNTO COM OUTROS JUÍZES DO PARAGUAI E DE HONDURAS PARA INCENDIAR GOVERNOS E LIDERAR GOLPES PARLAMENTARES NA AMÉRICA LATINA, ELES RECEBERAM TREINAMENTO PELA CIA E FBI NO “PROJETO PONTES” EM 2009 COMO ALERTOU EDWARD SNOWDEN. O GOLPE DEU ERRADO NA TURQUIA, O PRIMEIRO MINISTRO ERDOGAN PREBDEU 2750 JUÍZES GOLPISTAS LÁ TAMBÉM TODOS FORAM TREINADOS E REMUNERADOS PELA CIA.
    Como relatam os livros A PRIVATARIA TUCANA (AMAURY JUNIOR), e os livros “FHC, CRISE, DECADÊNCIA E CORRUPÇÃO” (H. Fontana), “O BRASIL PRIVATAIZADO, O SAQUE CONTINUA” (Aloisio Biondi), “O MAPA DA CORRUPÇÃO NO GOVERNO FHC” (Larissa Burtoni) e “A PATRIA PEDE SOCORRO” (brigadeiro Ivan Frota) e como bem lembrou Requião no seu discurso no Senado em 30 de setembro de 2015 (disponível na Internet no youtube), o Escandalo Banestado – Banco do Estado do Paraná foi o maior crime de corrupção da república, pois o ESQUEMA DO PROPINODUTO DAS PRIVATARIAS – BANESTADO- captou das multinacionais Shell, Exxon Mobil, Siemens, Alstom, Light, AES, Chevron, BP, ENRON, El Paso, BHP Billiton Samarco, e outras uma MEGA-PROPINA PARA 130 POLÍTICOS DEMO-TUCANOS, uma fortuna de meio trilhão de reais durante o governo FHC para remunerar corruptos lesa-pátrias nas PRIVATARIAS TUCANAS. O ESCÂNDALO BANESTADO ocorrido no Paraná entre 1995 e 2002, TEVE A MÃO DE SERTGIOI MORO BLINDANDO OS DEMO-TUCANOS (A FAMÍLIA DE SERGIO MORO TEM LAÇOS FAMILIARES MUITO FORTES COM OS MAIS CORRUPTOS E PODEROSOS DO PARANÁ, O GRUPO MALUCELI MORO, DESDE O SÉCULO XIX, OS MALUCELLI MORO SÃO OS DONATÁRIOS DO PODER NO ESTADO, JOEL MALUCELLI PARENTE DE MORO É CITADO NA FORBES É TAMBÉM SENADOR-SUPLENTE DO TUCANO ALVARO DIAS QUE USOU NA CAMPANHA PARA O SENADO O AVIÃO JATINHO DE YOUSSEF EM 2009, DONO DO PARANÁ BANCO E DA CONSTRUTORA J MALUCELLI QUE CONSTRUIU A USINA DE BELO MONTE E FICOU “FORA DAS INVESTIGAÇÕES DA LAVA-A-JATO”, O MEGA-PECUARISTA CENTENAS DE VEZES MAIOR QUE BUMLAI, SR OSVALDO MALUCELLI MORO JUNTO COM O GRUPO PARANAENSE DO SR MAGGI É UM DEVASTADOR DE MEIO AMBIENTE QUE AVANÇA NO MATO GROSSO NA TERRA DO MEIO DESTRUINDO A AMAZÔNIA, E A ESPOSA DE MORO É ADVOGADA DA SHELL E DOS POLÍTICOS TUCANOS EM PARCERIA COM O ADVOGADO PARANAENSE ARNS, ARNS AVOGA AO LADO DA ESPOSA DE MORO DEFENDENU TUCANOS NO ESCANDALO BANESTADO ENTRE 1997 E 2003). PORTANTO O BANESTADO FOI A “SEMENTE DA CORRUPÇÃO” QUE DEU ORIGEM À LAVA-JATO, YOUSSEF, OLGA YOUSSEF E ADIR ASSAD SÃO “VELHOS CONHECIDOS DE SÉRGIO MORO E DOS DEMO-TUCANOS DESDE 1997 QUANDO OS DELEGADOS PROTÓGENES, JOSÉ CASTILHO NETO E VICENTE CHELOTTI FIZERAM AS PRIMEIRAS PRISÕES DE YOUSSEF (OFFICE-BOY DOS TUCANOS NAS LAVAGENS DAS PRIVATARIAS VIA BANESTADO) AS DUAS OPERAÇÕES BANESTADO E LAVA-JATO E TEVE COMO ALGOZES OS MESMOS JUÍZES E OS MESMOS DOLEIROS, OS DOLEIROS ALBERTO YOUSSEF, OLGA YPUSSEF, ADIR ASSAD E OUTROS 70 DOLEIROS FORMA SOLTOS POR SERGIO MORO E CARLOS FERNANDES SANTOS LIMA EM 2003, A ESPOSA DE CARLOS FERNANDES TRABALHOU NO BANESTADO NO MESMO DEPARTAMNENTO DE LAVAGEM DE DINHEIRO ONDE OPEROU YOUSSEF ENTRE 1995 E 2002. Tudo foi abafado e blindado no Paraná em pelo PGR DA ERA FHC SR GERALDO BRINDEIRO (PRIMO DO VICE DE FHC O DEM-ONÍACO SR MARCO MACIEL) em 2003 no Judiciário Paranaense e a vergonhosamente arquivada “CPI BANESTADO” (2001-2003) deu origem a Lava-jato 12 anos mais tarde pois Sergio Moro e os tucanos tinham planos futuros para o sr Youssef para montar uma farsa e um golpe eleitoral em 2018. O LIVRO “A OUTRA HISTÓRIA DA LAVA-JATO” de PAULO MOREIRA LEITE E “A PRIVATARIA TUCANA” DE AMAURY JUNIOR (O SEGUNDO LIVRO MAIS VENDIDO NO MUNDO DEPOIS DA BIOGRAFIA DE STEVE JOBS) MOSTRAM COM RIQUEZA DOCUMENTAL COMO TUDO FOI ARTICULADO DESDE A ERA FHC NOS BASTIDORES DA REDE GLOBO, ALÍÁS A FAMÍLIA MALUCELLI MORO É DONA DAS EMISSORAS COLIGADAS DA REDE GLOBO NO PARANÁ. DIGITEM NO GOOGLE “MALUCELLI MORO” E CONHEÇAM A VERDADEIRA FACE DOS DONOS DO PARANÁ

  2. Casos de corrupção envolvendo políticos, empresários e altas cifras para suborno, favorecimento em contratações públicas e outros “favores”. A descrição parece bem atual e explicaria, em poucas palavras, a Operação Lava-Jato, iniciada em março de 2014 no Brasil, tendo à frente o juiz Sérgio Moro.
    No entanto, o resumo também serviria para entender uma ação capitaneada pelo Judiciário da Itália, conhecida como Operação Mãos Limpas, ou “Mani Pulite” em italiano.
    Em 21 de dezembro de 2014, em sua coluna no GLOBO, Elio Gaspari citava um artigo de 2004 do juiz Moro (um ano depois que o juiz Sérgio Fernando Moro e o procurador Carlos Fernandes Santos Lima terem blindados 91 políticos demo-tucanos indiciados no Escândalo Banestado – esquema de corrupção que captou 125 bilhões de dólares propinas pagas entre 1995 a 2002 pelas multinacionais para os políticos nas Privatizações Fraudulentas do governo FHC e ter mantido soltos o principal operador do Banestado – Banco do Estado do Paraná, o doleiro Alberto Youssef e outros 70 doleiros, todos presos em Foz do Iguaçú e Curitiba em 2002 pelos delegados José Castilho Neto, Vicente Chelotti e Protógenes Queiroz, na Operação Macuco e Operação Cayman e Operação Banqueiro: Sérgio Moro tinha planos futuros para Alberto Youssef) com o balanço da operação italiana: 2.993 mandados de prisão, 6.059 pessoas investigadas, incluindo 872 empresários, 1.978 administradores locais e 438 parlamentares, dos quais quatro haviam sido primeiros-ministros. Além disso, 13 envolvidos cometeram suicídio e grandes partidos foram extintos.
    Deflagrada em fevereiro de 1992, a Mãos Limpas começou com uma denúncia do dono de uma empresa de materiais de limpeza ao procurador da República Antonio Di Pietro. O pequeno empresário contou-lhe que, ao perguntar sobre qual o procedimento para se tornar fornecedor de um asilo em sua cidade, um funcionário lhe disse que seria melhor oferecer um “agrado” ao gestor da instituição.
    Após ouvir o relato, Di Pietro decidiu verificar a história.
    Em uma visita inesperada ao escritório de Mario Chiesa, integrante do Partido Socialista Italiano (PSI) e administrador do asilo Pio Albergo Trivulzio, foram encontrados US$ 6 mil de origem ilícita.
    Ali iniciava a saga que descobriria uma série de desmandos do governo.
    O interesse da população era a última motivação dos investigados ao exercerem suas funções públicas.
    Não demorou para que um dossiê mostrasse o envolvimento de Bettino Craxi, um dos cardeais do PSI e o primeiro socialista a ocupar o cargo de primeiro-ministro do país, entre 1983 e 1987. Craxi era o principal operador do esquema, que abastecia o partido com dinheiro ilegal, cobrando propinas de prestadoras de serviços do governo e construtoras interessadas em obras públicas.
    A edição do GLOBO de 20 de dezembro de 1992 noticiava os valores recebidos: entre 1985 e 1992, uma construtora pagou US$ 800 mil ao ano para ser favorecida, e as licitações para a construção do metrô de Milão renderam, ao menos, US$ 10 milhões ao político.
    Contemporâneo de Craxi, o líder do Partido Democrata-Cristão (PDC), Giulio Andreotti, também foi investigado por receber dinheiro para facilitar fraudes e por seu envolvimento com a máfia italiana. Senador vitalício e sete vezes premier, foi preciso que a Justiça cassasse a imunidade palamentar de Andreotti para que ele fosse processado. Ao final do julgamento, ele foi absolvido.
    Durante as investigações, acusados cometeram suicídios. Ex-presidente da petrolífera ENI, Gabriele Cagliari se matou em 20 de julho de 1993. Ele estava em prisão preventiva por ser testemunha-chave do caso e tinha admitido o pagamento de US$ 12,6 milhões a políticos. Três dias depois, Raul Gardini atirou contra a própria cabeça dentro de casa. O empresário que comandava a Montedison, uma das maiores indústrias químicas da Itália, mantinha ligações com pessoas influentes para favorecer seus negócios. Auditorias estimavam um rombo de até US$ 450 milhões no orçamento da empresa, que era usada para pagar propina.
    As relações que Gardini conquistou no meio político permitiram que ele conseguisse unir a Montedison à petroquímica Enichem, gerando a Enimont. Esta fusão provocou prejuízos ao governo.
    Outro suicídio abalaria as investigações em agosto de 1993: Giuseppe Magro, dono de uma empreiteira, pulou do sétimo andar de seu prédio quando estava na mira da Mãos Limpas. Magro subornava funcionários públicos para ser favorecido em licitações.
    Mas a caçada aos corruptos empreendida por juízes levaria um golpe ainda 1993. O GLOBO trazia, em 7 de setembro desse ano, a notícia de que o juiz Diego Curtó, do Tribunal de Milão, tinha embolsado US$ 200 mil para favorecer o banco Comit no processo da dissolução da Enimont. Em depoimento, o banqueiro Vicenzo Palladino revelou o envolvimento de Curtó, um dos mais atuantes na Operação Mãos Limpas.
    Outra baixa atingiria o Judiciário pouco tempo depois.
    Antonio Di Pietro, na época o representante da Justiça mais famoso no país, anunciaria sua saída da Mãos Limpas em dezembro de 1994.
    Quando a Fininvest, empresa pertencente a Silvio Berlusconi (que havia sido primeiro-ministro entre 1994 e 1995), foi apontada por corromper fiscais da Receita Federal italiana, o trabalho do magistrado começou a sofrer ataques que provocaram sua transferência para outro tribunal.
    Di Pietro decidiu que, para o bem do curso das investigações, seria melhor afastar-se do caso. A população protestou nas ruas, mas os processos seguiram sem ele.
    A Operação Mãos Limpas marcou a Itália. Na primeira oportunidade, os italianos apearam do poder políticos de partidos tradicionais, tanto nas eleições para o Parlamento quanto para as prefeituras. O país sentiu a economia no custo das obras — sem os valores destinados a subornos, houve uma redução de cerca de 50% nos preços.
    Mas os benefícios imediatos se perderam. O operador do esquema Craxi foi não foi preso e ficou exilado na Tunísia até a sua morte, em 2000, e Silvio Berlusconi voltou a ser premier do país entre 2001 e 2011, mesmo respondendo a mais de 20 processos.
    A corrupção ainda afeta os cofres públicos e a iniciativa do Judiciário foi esquecida pela população, perdida em meio a tantas investigações e ações judiciais.
    *Com edição de Matilde Silveira
    NOTA: O principal beneficiado da Operazzione Mani Pulite forma o principal operador (Signori Craxi) e o dono da Emissora de Televisão Italiana (RAI) que foi um “mega-delatado” e anos depois ascendeu e permaneceu no poder na Itália por 10 anos seguidos (2001 até 2011) sem sequer ter sido preso. A corrupção na Itália multiplicou depois da blindagem feita na Operazzione Mani Pulite e obteve uma ampla “anistia” para 438 políticos corruptos na Itália, todos blindados pelo judiciário italiano.

    BIBLIOGRAFIA:
    1- “A HISTÓRIA SECRETA DA REDE GLOBO”
    1- “A OUTRA HISTÓRIA DA LAVA-JATO”, Paulo Moreira Leite
    2- “FHC, CRISE DECADÊNCIA E CORRUPÇÃO”, Henrique Fontana
    3- “A PÁTRIA PEDE SOCORRO”, brigadeiro Ivan Frota, junho 1995
    4- “A PRIVATARIA TUCANA, O BANESTADO E A OPERAÇÃO LAVA-JATO”
    5- “A PRIVATARIA TUCANA”, Amaury Junior, 2007
    6- “O BANESTADO E A OPERAÇÃO LAVA-JATO, UM FEITIÇO DO TEMPO
    7- “IMF- INTERNATIONAL MONETARY FUND: PRELIMINARY IDEAS STEP-BY-STEP FOR A PRIVATIZATION MASTER PLAN IN BRAZIL OF ELETROBRAS GROUP, TELEBRAS GROUP, VALE DO RIO DOCE GROUP, PETROCHEMICAL GROUP, PETROBRAS GROUP AND INFRAERO GROUP, APRIL 1990” – FIRST CREDIT SUISSE BANK, FUNDO MONETÁRIO INTERNACAIONAL, PEDRO PARENTE”
    8- “O BRASIL PRIVATIZADO, O SAQUE CONTINUA”, Aloísio Biondi, 1999
    9- “O BANESTADO E O ASSASSINATO DO CASAL ZERA TODD STAHELI E MICHELE STAHELI AUDITORES ESTRANGEIROS MORTOS NO RIO DE JANEIRO, ELES VIERAM AO BRASIL EM 2002 PARA INVESTIGAR A PARTICIPAÇÃO DA SHELL NAS PRIVATARIAS TUACANAS DE CAMPOS PETROLÍFEROS DE DAVID ZYLBERSZTAJN – GENRO DE FHC E ENVOLVIDO NO AFUNDAMENTO DA P-36 E NA ENTREGA DA REFAP PARA A REPSOL E NA DOATIZAÇÃO DE CAMPOS PETROLÍFEROS NA “BACIA DAS ALMAS” DURANTE O GOVERNO FHC E NO PROPINODUTO DO BANESTADO.
    8- “AS QUEIMAS DE AQUIVO NO “MENSALÃO TUCANO” CRIADO EM 1998 EM MINAS GERAIS”, VÍDEOS GRAVADOS NO YOUTUBE PELO POLICIAL CIVIL LUCAS GOMES ARCANJO DA DHPP-MG, ELE DELATOU A CÚPULA TUCANA EM MG: AÉCIO NEVES, AZEREDO, CLÁSIO DE ANDRADE, NÁRCIO RODRIGUES, WALFRIDO DE MARES GUIA E A MORTE DA LARANJA DO MENSALÃO TUCANO SRA CRISTIANE APARECIDA MORTA EM DEZEMBRO DE 2002 NO APAGAR DAS LUZES DO GOVERNO AZEREDO E FHC. CRISTIANE TRANSPORTOU CENTENAS DE MALAS DE DINHEIRO ENTRE BH E Brasília ENTRE 1998 E 2002 DO ESQUEMA DE FURNAS E ESQUEMA CEMIG COMANDADA PELOS TUCANOS EM MG E O PUBLICITÁRIO MARCOS VALÉRIO, O ESQUEMA FOI BLINDADO POR JOAQUIM BARBOSA EM 12 DE ABRIL DE 2012 TROCA DE UM IMÓVEL MILIONÁRIO EM MIAMI

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