PM dispersa manifestação após enchente com bombas de gás

Moradores reclamam que milicianos não separaram quem bagunçava de quem protestava e usaram violência desproporcional contra idosos, mulheres e crianças

Por    –    28/02/16

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Morador mostra tampa de bomba de gás que se desfragmenta ao atingir o chão

Tampa de bomba de gás que se desfragmenta ao atingir o chão

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Moradores da comunidade Iguaçu, localizada na divisa entre São Paulo e Santo André (Grande São Paulo), reclamam da truculência e violência desproporcional usada por policiais militares, durante dispersão de uma manifestação para chamar a atenção da mídia e do poder público, em decorrência da enchente que atingiu o local na tarde da última quarta-feira 24/2.

Cerca de 3 horas antes da chegada de policiais da Força Tática ao local, por volta das 16h, o céu ficou escuro na região. Uma forte chuva atingiu as vielas da comunidade no Jardim Alzira, na zona leste, o que causou o transbordamento do córrego do Oratório. Diversas casas foram atingidas pela água barrenta, sendo que, uma delas, desabou parcialmente pela forte correnteza. Com a enchente levando mantimentos, móveis e eletrodomésticos, moradores da rua Glauber Rocha resolverem cobrar seus direitos.

Aproveitando a presença da imprensa no local através de helicópteros das emissoras de TV que captavam imagens dos alagamentos pelas ruas do bairro e a impactante cena da casa de alvenaria construída há seis meses sendo levada pela água, os moradores juntaram pedaços de madeira, sofás e outros utensílios perdidos e montaram uma barricada de fogo.

 

Chegada da PM

Os moradores disseram que, como um raio, diversas viaturas vindas do batalhão de Sampopemba e outras vindas de Santo André — contrariando normas, já que a mobilização de viaturas para outros municípios só é permitida mediante situação emergencial –, encurralaram quem participava do protesto.

A justificativa usada, e também confirmada por parte dos moradores, é que grupos de oportunistas passaram a fazer um arrastão nas imediações do protesto. “Ninguém chega em bairro rico soltando bomba. Bomba é só na favela. Em Moema (bairro nobre da zona sul) ninguém chega atirando bomba. Na favela todo mundo é bandido”, diz uma líder comunitária do bairro, que preferiu não se identificar por ser atuante no respeito aos direitos humanos na região.

A principal reclamação, é de que, se de fato estivessem sendo realizados crimes no momento do ato pacífico, que a policia se mobilizasse para achar os culpados e não atirar a esmo contra idosos, mulheres e crianças. “É desproporcional. No máximo, tinham pedras para revidar contra bombas e balas de borracha. O povo merece políticas públicas, moradia, educação e saúde. Direitos estes, declarados em nossa Constituição Federal”, conclui a líder comunitária.

Uma mulher que tem asma e teve complicações após inalar fumaça, teve de ser socorrida até um Pronto Socorro distante, porque os PMs fecharam a passagem que liga o bairro de São Paulo até Santo André, informou um morador à reportagem. “A polícia chegou antes que a prefeitura, chegou antes dos colchões, da ajuda”, diz um morador.

 

Outro lado

A reportagem questionou a SSP (Secretaria de Segurança Pública), que tem à frente Alexandre de Moraes, nesta quarta gestão do governador Geraldo Alckmin (PSDB), sobre o uso da força policial no protesto dos moradores da divisa de São Paulo e Santo André. Porém, até a conclusão do texto, a secretaria não se posicionou.

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