Daily Archives: 16/08/2012

Batalha entre neurônios

Estudo sugere que o cérebro seleciona as células neurais mais competitivas para aprimorar a memória


© KANNANIMAGES/SHUTTERSTOCK

Em uma pesquisa publicada no periódicoNeuron, o neurocientista Hisashi Umemori da Universidade de Michigan e seus colegas, identificaram um mecanismos cerebral que regula a memória descartando os neurônios “menos eficientes” para conservar os “bons”.  Os cientistas focaram o estudo na conexão entre o hipocampo – crucial para a aprendizagem e a memória – e o córtex cerebral, área chave da percepção e da consciência e descobriam que o processo de escolha dos melhores neurônios apefeiçoa o desenvolvimento cerebral.
À medida que as células nervosas crescem, elas se espandem para ligar diferentes circuitos neurais. Com o desenvolvimento do cérebro, essas conexões se tornam mais eficientes. Falhas nesse processo de refinamento abrem caminhos para o desenvolvimento de distúrbios neurológicos, como o Alzheimer, o autismo ou a esquizofrenia. No entanto, para Umemori e sua equipe, a maneira como os neurônios se desenvolvem não é novidade. Eles estavam interessados em descobrir as reações do cérebro quando detecta células neurais menos eficientes.
Os pesquisadores “desligaram” 40 % de determinadas conexões entre neurônios de camundongos geneticamente modificados e observaram que o cérebro eliminou as células inativas após alguns dias, mas poupou as “boas”. Em seguida, Umemori e sua equipe, desativaram todos as células neurais e se surpreendaram com o resultado: os impulsos elétricos se mantiveram normalmente. Depois, os pesquisadores analisaram a parte do hipocampo chamada giro dentado, uma importante área do cérebro responsável pela gênese neuronal durante toda a vida e encontraram outro tipo de competição: a de células “recém-nascidas” com as maduras. Os cientistas bloquearam a capacidade do giro dentado de criar novos neurônios e como resultado o cérebro interrompeu a eliminação das células, mesmo que elas fossem inativas.
O neurocientista acredita que o cérebro tenha um modo eficaz de escolher o grupo de células do sistema nervoso com as melhores conexões. Mas, quando estão nessa espécie de competição e o aparato cerebral identifica todas como inadequadas, não as elimina, pois nesse caso perderia completamente as funções neurais.
“Os resultados sugerem que os processos de aprendizagem estão relacionados a exclusão de neuronios menos efetivos. Quanto mais pudermos entender como esses mecanismos funcionam, mais seremos capazes de compreender o que acontece quando eles não estão funcionando”, conclui Umemori.

Fonte: Mente e Cérebro – http://www2.uol.com.br/vivermente

PT e PSD atrasam trâmite do Plano Nacional de Educação

De Brasília

O PT e o PSD foram os partidos que contribuíram com o maior número de assinaturas para impedir que o Plano Nacional de Educação (PNE) seguisse seu trâmite normal e fosse remetido diretamente ao Senado.

Foram 27 deputados do PSD (57,4% da bancada) e 18 do PT (20,7%) que assinaram um recurso à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados para que a proposta seja apreciada pelo plenário da Casa. Ainda contribuíram 10 do PMDB (12,6%), 6 do PP (15,3%), 6 do PSC (37,5%), 3 do PTB (14,2%), PDT (11,5%) e PR (8,3%). Do PRB foram 9 deputados (22,2%).

Aprovado em caráter conclusivo no fim de junho em uma comissão especial da Câmara dos Deputados, o PNE acabou tendo em seu texto final a previsão de que o governo deve investir 10% do PIB em educação até 2022.

O texto estava pronto para ser remetido ao Senado mas a inclusão desse dispositivo, antiga bandeira petista, desagradou o Palácio do Planalto, que começou a articular uma forma de eliminá-lo ou atrasar sua tramitação.

O recurso que adia o envio do projeto ao Senado deverá atrasar por mais um ano o PNE.

“Durante o recesso a Ideli [Salvatti, ministra de Relações Institucionais] articulou com os parlamentares de baixa evidência e obrigou a liderança do governo a pedir o recurso, temendo que os 10% também pudessem passar no Senado”, avalia o especialista em políticas públicas Luiz Araújo, ex-secretário de Educação de Belém.

Para Araújo, a decisão do governo evidencia ausência de prioridade à educação: “A Dilma centralizou o discurso na crise, no endurecimento com os movimentos grevistas e na contenção de gastos”.

A pedido da Secretaria de Relações Institucionais, a saída foi utilizar-se de um recurso previsto no regimento da Câmara dos Deputados. Por meio dele, se 51 deputados (10% do total da Casa) pedirem, qualquer projeto aprovado em caráter conclusivo deve ser analisado pelo plenário.

Foi isso o que ocorreu. O líder do governo, Arlindo Chinaglia (PT-SP), ficou responsável por colher as assinaturas. “É uma orientação de governo”, que pareceu contrariado. “Os motivos você precisa perguntar à SRI”, disse ao Valor.

A estratégia do governo foi buscar os votos em partidos à direita. Assim como a oposição, nenhum dos aliados históricos do PT, como PSB e PCdoB, apoiaram a medida. Setores petistas reagiram. “É um equívoco esse recurso. O mais adequado era continuar fazer esse debate no Senado”, disse a deputada Fátima Bezerra (PT-RN), ligada aos sindicatos de professores. O presidente da Comissão de Educação, deputado Newton Lima (PT-RS), pediu em carta que o governo reconsiderasse a medida.

Para o líder do PSD, Guilherme Campos (SP), o apoio de sua bancada ao recurso é explicado pela necessidade de que o assunto seja discutido por todos os deputados, e não apenas pelos que fizeram parte da comissão especial. “Todos estão preocupados com a origem dos recursos, que não está especificada na lei”, disse. (Caio Junqueira e Luciano Máximo)

Fonte: http://www.valor.com.br/politica/2787330/pt-e-psd-atrasam-tramite-do-plano-nacional-de-educacao#ixzz23WQZRscZ