Daily Archives: 05/05/2012

BCs dos ricos já injetaram US$ 8,8 trilhões

Dinheiro colocado no mercado nos últimos 3 anos, que a presidente Dilma chamou de ‘tsunami monetário’, é quatro vezes o PIB do Brasil

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo

BASILEIA – Os bancos centrais dos países ricos injetaram US$ 8,8 trilhões em pouco mais de três anos em seus sistemas financeiros, o que provoca fortes críticas de autoridades de nações emergentes e causa uma divisão na comunidade internacional sobre como lidar com a crise. No total, o que a presidente Dilma Rousseff chamou de “tsunami monetário” já supera em cerca de quatro vezes o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.

Mário Draghi, presidente do BCE: ação conjunta para evitar colapso das economias - Alessandro Della Bella/EFE
Alessandro Della Bella/EFE
Mário Draghi, presidente do BCE: ação conjunta para evitar colapso das economias

Em uma reunião fechada na Basileia, sede do banco central dos bancos centrais (BIS), e com a orientação a todos os participantes para que não vazem nenhum elemento do encontro, o centro do debate foi mesmo a inundação do mercado com dinheiro barato e a intervenção das autoridades monetárias.

Analistas na Europa chegam a sugerir simbolicamente Ben Bernanke (do Fed, o banco central dos EUA) e Mario Draghi (presidente do Banco Central Europeu) para o prêmio Nobel da Paz, por terem evitado um colapso das economias.

Sexta-feira, foi a vez do presidente francês, Nicolas Sarkozy, parabenizar publicamente Draghi pela atitude. Ontem, tanto o italiano quanto o americano eram pressionados na Basileia a dar uma explicação diante dos questionamentos de seus pares de países emergentes.

Segundo essas autoridades, as nações desenvolvidas ignoram instâncias como o G-20 para coordenar uma resposta à crise. “Esse assunto precisa ser tratado abertamente. Não podemos só aceitar isso e ficar quietos. Todos estamos sendo afetados”, disse ao Estado o presidente de um BC asiático, pedindo anonimato. A reunião, que termina nesta segunda-feira, 5, tem também o presidente do BC do Brasil, Alexandre Tombini, que não falou com a imprensa.

O argumento é o de que, ao pegar emprestado esse dinheiro com juros baixíssimos, bancos e investidores transferem parte desses fundos para aplicações no Brasil e outros emergentes, criando uma pressão insustentável sobre as moedas locais.

Conta alta. Na semana passada, o Banco Central Europeu colocou no mercado US$ 712 bilhões em empréstimos de longo prazo. Em dezembro, foram mais US$ 658 bilhões.

Além disso, o BCE já gastou mais de US$ 220 bilhões na compra de papéis da dívida de países em dificuldades, como Portugal, Irlanda, Grécia, Itália e Espanha. A isso se soma quase outro US$ 1 trilhão na compra de ativos de bancos à beira da falência.

Fora da zona do euro, o Banco da Inglaterra injetou outros US$ 507 bilhões apenas para garantir a liquidez do sistema. Nos Estados Unidos, só na primeira rodada, o valor chegou a US$ 1,25 trilhão. Na segunda rodada, Bernanke ampliou os empréstimos em US$ 600 bilhões. O Banco do Japão já injetou US$ 690 bilhões em empréstimos de longo prazo, sem contar instrumentos de curto prazo e papéis da dívida.

Isso tudo, sem contar os programas de incentivo para a recuperação econômica, empréstimos de curto prazo e compras de ativos de bancos, faz o “tsunami” chegar a US$ 8,8 trilhões, segundo as informações de Fed, BCE, Banco da Inglaterra e Banco do Japão.

Cultura de massas?

Emil Wainstok
Rio de Janeiro – RJ

Povo Awá-Guajá: continuam as ameaças ao povo e a seu território

Fonte da notícia: Cimi – Conselho Indigenista Missionário

Em vista da recente campanha internacional em defesa do povo Awá-Guajá, lançada pela organização Survival Internacional, que conta com nosso apoio, vimos reiterar que persistem as ameaças ao povo Awá-Guajá e a seu território. Dentre estas, destacamos:

1. O desaparecimento acelerado de suas florestas e, consequentemente, da fauna, vem causando mudanças violentas na cultura e no modo de vida dos Awá-Guajá. Podemos imaginar como caçadores e coletores podem viver sem a floresta? As operações policiais até então realizadas só confirmam que as terras Araribóia, Awá, Caru, Turiaçu e a Reserva Biológica do Gurupi, são fontes de toda a madeira que abastece serrarias, localizada em municípios no entorno dessas terras. Isso prova também que planos permanentes de vigilância devem ser imediatamente implantados.

2. A ausência de políticas públicas específicas de saúde e de proteção de suas florestas, de apoio ao seu modo de economia tradicional de caça e coleta, como também a ausência de assistência diferenciada por parte da Funai, visto tratar-se de povo indígena de recente contato, são também ameaças à integridade dos Awá-Guajá;

3. O último ataque sofrido por este povo em 2011, sendo mundialmente divulgado e confirmado em janeiro de 2012 por uma equipe de defensores;

4. Pelas condições de vulnerabilidade de sua população contatada frente aos madeireiros e a ausência total do Estado. Vários idosos já morreram e muitos estão debilitados por doenças causadas por subnutrição, como a tuberculose. Mais de seis pessoas, em sua maioria jovens, são acometidos por uma doença que se assemelha a epilepsia. Um estudo técnico/cientifico poderá esclarecer as causas; que acreditamos, estejam relacionadas às violentas mudanças impostas ao povo;

5. A grande violência do Projeto Carajás. São verificados impactos sobre sua cultura, seu território e suas florestas. A ferrovia Ferro-Carajás, que corta o território indígena, está sendo ampliada o que resultará em mais lucros para a VALE. Já o povo Awá-Guajá continua sem atendimento mínimo na área de saúde. Mais um povo vítima do ‘progresso’ e do engodo dos programas compensatórios.

O processo de judicialização do procedimento demarcatório da terra indígena Awá teve início na década de 1980, e vinha impedindo a retirada de invasores do território indígena. Tal impedimento não mais existe. É urgente, portanto, empreender providências no sentido de retirar tais ocupantes para que a terra seja finalmente devolvida aos Awa-Guajá e, posteriormente, recomposta sua flora.

Os territórios habitados pelos Awá-Guajá são os mais desmatados na Amazônia Legal. Mas ainda é possível salvar e preservar o que resta dessa riqueza biológica presente no estado do Maranhão.

Diante de tal realidade, o Cimi convida toda a sociedade a solidarizar-se com esta causa e atender ao apelo da campanha, solicitando ao ministro da Justiça que seja imediatamente implantado um plano permanente de vigilância e proteção das terras habitadas pelos Awá-Guajá; e que os invasores sejam imediatamente retirados do território indígena.

Para maiores informações e participação na campanha, acesse: http://www.survivalinternational.org/pt/awa.

Brasília, DF, 27 de abril de 2012.

 

Cimi – Conselho Indigenista Missionário

 

Arrecadação de impostos com novo salário mínimo será maior que gasto com a Previdência, diz Dieese

Eliomar de Lima

O aumento de R$ 77 do salário mínimo vai causar um gasto extra anual de R$ 19,8 bilhões à Previdência Social, de acordo com um estudo feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e divulgado nesta terça-feira (27).

O custo para a Previdência, contudo, é menor do que o aumento da arrecadação de impostos que o novo salário mínimo trará. Segundo o Dieese, devido ao crescimento do consumo consequente da alta do piso salarial, a arrecadação de impostos subirá em R$ 22,9 bilhões em 2012.

Os beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) representam, de acordo com o levantamento, a maior parte dos brasileiros diretamente beneficiados com o aumento do piso salarial. Das 48 milhões de pessoas que têm sua renda vinculada ao valor do salário mínimo, 19,7 milhões (41%) são aposentados ou pensionistas.

O grande número de beneficiários faz com que cada R$ 1 de aumento no salário mínimo signifique mais R$ 257 milhões no gasto anual da Previdência Social. Como no dia 1º de janeiro o piso nacional passa de R$ 545 para R$ 622, o custo anual deste aumento para o INSS será R$ 19,8 bilhões.

Ainda de acordo com o Dieese, o aumento de 14,1% no salário mínimo fará com que o poder de compra do piso alcance o nível mais alto em mais de 30 anos. Levando-se em conta o valor da cesta básica apurado em novembro pela entidade (R$ 276,31), o novo piso poderá comprar 2,25 cestas. A maior quantidade registrada desde 1979. Atualmente, um salário mínimo equivale a 2,03 cestas básicas.