Daily Archives: 04/05/2012

Código Florestal e pedido de Referendo Popular

“Acegueira que tomou conta da maioria dos parlamentares e também de setores importantes do Governo. Não tomam em devida conta as mudanças ocorridas no sistema-Terra e no sistema-Vida que levaram ao aquecimento global”, escreve Leonardo Boff, filósofo, teólogo e escritor.

Segundo ele, “agora é o momento ds cidadania popular se manifestar. O poder demana do povo. A Presidenta e os parlamentares são nossos delegados e nada mais. Se não representarem o bem do povo e da nação, de nossas riquezas naturais, de nossas florestas, de nossa fauna e flora,  de nossos rios, de nossos solos e de nossa imensa biodiversidade perderam a legitimidade e o uso do poder público é usurpação”.

Leonardo Boff afirma: “Temos o direito de buscar o caminho constitucional do referendo popular. E ai veremos o que o povo brasileiro quer para si, para a humanidade, para a natureza e para o futuro da Mãe Terra”.

Eis o artigo.

Lamento profundamente que a discussão do Código Florestal foi colocada preferentemente num contexto econômico, de produção de commodities e de mero crescimento econômico.

Isso mostra a cegueira que tomou conta da maioria dos parlamentares e também de setores importantes do Governo. Não tomam em devida conta as mudanças ocorridas no sistema-Terra e no sistema-Vida que levaram ao aquecimento global.

Este é apenas um nome que encobre práticas de devastação de florestas no mundo inteiro e no Brasil, envenenamento dos solos, poluição crescente da atmosfera, diminuição drástica da biodiversidade, aumento acelerado da desertificação e, o que é mais dramático, a escassez progressiva de água potável que  atualmente já tem produzido 60 milhões de exilados.

Aquecimento global significa ainda a ocorrência cada vez mais frequente de eventos extremos, que estamos assistindo no mundo inteiro e mesmo em nosso país, com enchentes devastadoras de um lado, estiagens prolongadas de outro e vendavais nunca havidos no Sul do Brasil que produzem grandes prejuízos em casas e plantações destruídas.

A Terra pode viver sem nós e até melhor. Nós não podemos viver sem a Terra. Ela é nossa única Casa Comum e não temos outra.

A luta é pela vida, pelo futuro da humanidade e pela preservação da Mãe Terra. Vamos sim produzir, mas respeitando o alcance e o limite de cada ecossistema, os ciclos da natureza e cuidando dos bens e serviços que Mãe Terra gratuita e permanentemente nos dá.

E vamos sim salvar a vida, proteger a Terra e garantir um futuro comum, bom para todos os humanos e para a toda a comunidade de vida, para as plantas, para os animais, para osdemais seres da criação.

A vida é chamada para a vida e não para a doença e para morte. Não permitiremos que um Código Florestal mal intencionado ponha em risco nosso futuro e o futuro de nossos filhos, filhas e netos. Queremos que eles nos abençoem por aquilo que tivermos feito de bom para a vida e para a Mãe Terra e não tenham motivos para nos amaldiçoar por aquilo que deixamos de fazer e podíamos ter feito e não fizemos.

O momento é de resistência, de denúncia e de exigências de transformações nesse Código que modificado honrará a vida e alegrará a grande, boa e generosa Mãe Terra. Agora é o momento ds cidadania popular se manifestar. O poder demana do povo. A Presidenta e os parlamentares são nossos delegados e nada mais. Se não representarem o bem do povo e da nação, de nossas riquezas naturais, de nossas florestas, de nossa fauna e flora,  de nossos rios, de nossos solos e de nossa imensa biodiversidade perderam a legitimidade e o uso do poder público é usurpação. Temos o direito de buscar o caminho constitucional do referendo popular. E ai veremos o que o povo brasileiro quer para si, para a humanidade, para a natureza e para o futuro da Mãe Terra.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos – http://www.unisinos.br/ihu/

Fora da razão

Hermógenes Gomes Magalhães
Fortaleza – CE

Livro eletrônico reúne documentação sobre organizações de trabalhadores e sua resistência ao regime de exceção (1964-1985)

Está disponível para consulta na internet, a partir de ontem (30), o livro Arquivo, Memória e Resistência dos Trabalhadores no Campo e na Cidade, lançado nesta sexta-feira, no salão nobre do Arquivo Nacional, no centro do Rio de Janeiro. Com versão apenas eletrônica, a obra pode ser acessada nos portais do Centro de Documentação e Memória Sindical da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Arquivo Nacional e do Centro de Referência Memórias Reveladas.

A obra contém 18 artigos sobre experiências de organização de trabalhadores a partir de arquivos sindicais, arquivos rurais, da Justiça trabalhista, e sobre a memória da resistência ao regime de exceção que o Brasil vivenciou de 1964 a 1985. Os artigos resultam de comunicações apresentadas no 2º Seminário Internacional O Mundo dos Trabalhadores e Seus Arquivos, promovido pelo Arquivo Nacional e pela CUT, realizado no ano passado, no Rio de Janeiro.

“Essa coletânea é um verdadeiro testemunho da importância dos arquivos para a compreensão da história da luta da classe trabalhadora”, avalia, na apresentação da obra, um dos organizadores, Antonio José Marques. Ele dividiu o trabalho com a pesquisadora Inez Terezinha Stampa. Segundo Marques, o livro certamente será de interesse para arquivistas, historiadores, documentaristas, bibliotecários, cientistas sociais e demais pesquisadores e estudantes com atuação na área dos arquivos operários, rurais e sindicais.

Reportagem de Paulo Virgilio, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate

Remessas recordes

O Globo

Múltis enviaram US$38 bi para as suas matrizes em 2011, 25% a mais que em 2010

Gabriela Valente

Em um ano marcado pela crise financeira internacional, a remessa de lucros de empresas estrangeiras instaladas no Brasil para o exterior quebrou todos os recordes e foi a maior em 64 anos. As filiais das multinacionais remeteram US$38,1 bilhões para suas matrizes, 25% a mais que no ano anterior. Essa despesa corresponde à maior parte do déficit das contas externas do país (que correspondem a nossas transações com o resto do mundo), que fecharam o ano passado no vermelho em US$52,6 bilhões. A expectativa é que essas remessas cresçam ainda mais neste ano e que o investimento estrangeiro – que vem cobrindo esse rombo há quatro anos seguidos – não tenha mais tanta força.

- É razoável as remessas de lucro crescerem, porque estamos falando de uma economia que cresce mais do que o resto do mundo – disse a economista-chefe do Banco RBS, Zeina Latif.

Esse crescimento descolado da maior parte do mundo faz com que o país importe mais não apenas produtos finais como também matérias-primas, e ainda gaste mais em seguros e serviços como frete para as exportações. Nunca o Brasil gastou tanto com aluguel de equipamentos, por exemplo. O setor de mineração foi o grande responsável nessa categoria em particular.

BC: remessa de
US$39,6 bi em 2012

Para Johnny Kneese, economista da corretora Levycam, 2011 foi o ano do socorro de companhias europeias por suas filiais brasileiras. Esse movimento diminuiu nos últimos dias do ano, porque as empresas resolveram segurar mais os recursos no Brasil – campeão mundial de juros – para melhorar seus rendimentos e, consequentemente, o balanço da empresa. Mas se o dólar cair mais, a tendência é a remessa de lucro continuar crescendo. Para 2012, a previsão do BC é que as remessas ao exterior alcancem US$39,6 bilhões.

Ao contrário do que dizem os economistas do mercado financeiro, para o BC as remessas para socorrer empresas em crise foram eventos isolados.

- As remessas em função de crise, para enviar liquidez para matrizes, foram pontuais. As remessas tiveram o comportamento esperado. Não houve surpresa – afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel.

No entanto, no fim de 2010, previa-se que as empresas instaladas no país remetessem apenas US$33 bilhões para o exterior. Maciel alegou que são comuns essas remessas, por causa dos investimentos recordes que chegam ao país e – um dia – precisam retornar aos países de origem.

Investimento direto deve cair este ano

Pelo quarto ano seguido, foram esses investimentos estrangeiros que cobriram o rombo das contas externas. Elas fecharam no vermelho devido ao aumento da importação; aos gastos com serviços, como frete; ao pagamento de juros e remessa de lucros; além da despesa recorde de turistas brasileiros no exterior. Os investimentos superaram as expectativas do governo e chegaram a US$66,6 bilhões.

Para o governo, esse é o melhor jeito de financiar o resultado negativo, porque é um dinheiro de qualidade que entra para aumentar a capacidade produtiva do país. Entretanto, isso não deve se repetir neste ano. As projeções do BC indicam investimentos de US$50 bilhões, volume inferior ao do déficit em transações correntes, projetado em US$65 bilhões.