Monthly Archives: março 2012

Para jovens, dinheiro e fama são mais importantes do que ajudar o próximo, diz estudo

Do UOL, em São Paulo

Para geração Y, fama e dinheiro são mais importantes que afiliação e comunidade

Para geração Y, fama e dinheiro são mais importantes que afiliação e comunidade

De tempos em tempos nosso comportamento muda de acordo com a geração que vivemos e nos tornamos. Mas isso não quer dizer que melhoramos com o passar do tempo. Uma pesquisa realizada por 40 anos e com 9 milhões de jovens foi publicada este mês no “Journal of Personality and Social Psychology”, e mostra que mudamos para pior.

De acordo com o estudo, desde a geração do “baby boom” –nascidos entre 1946 e 1961, que foram jovens durante as décadas de 60 e 70– houve uma queda significante do interesse dos jovens americanos na participação política, preocupação com o meio ambiente e com o próximo.

Comparado a geração dos “baby boomers”, as gerações posteriores consideram objetivos relacionados com valores como dinheiro, imagem e fama, mais importantes do que aqueles relacionados com autoaceitação, afiliação e comunidade.

Mesmo com os resultados do estudo mostrando que a geração Y –nascido entre 1983 e 1990– está mais disposta a se voluntariar na escola ou participar de programas de serviço comunitário na faculdade, os autores afirmam que esta tendência está ligada à imposição desses serviços para que o aluno possa se formar. O desejo de salvar o meio ambiente, área considerada de especial interesse para a geração Y, revelou-se com uma das maiores quedas: a falta de esforço é três vezes maior do que a dos “baby boomers”.

E o futuro? Os próprios pesquisadores se questionam na conclusão do estudo: ” Será que a geração seguinte, os nascidos após 2000 ,irão continuar estas tendências ou revertê-las?”

Pare de se exigir tanto. Pessoas ambiciosas não se saem tão bem quanto você imagina

25 de Março de 2012
Jezebel Brasil Ambicao_Jezebel

Cassie Murdoch
Você é do tipo que costuma acordar no meio da noite e conversar mentalmente com você mesma(o) se perguntando se todo o seu esforço para ser bem-sucedido profissionalmente vale tanto a pena assim? Bom, então aqui vai uma boa notícia: não vale. Um novo estudo revela que pessoas ambiciosas não se saem tão bem assim no fim das contas. Elas obviamente estudam nas melhores escolas e universidades, e têm carreiras bem-sucedidas, mas têm níveis baixos de satisfação, além de morrerem mais cedo. Ufa, agora os menos ambiciosos podem se consolar com o fato de que vão acabar numa situação melhor do que aqueles “mui amigos” que perseguem o sucesso a qualquer custo, com o Blackberry sempre em mãos.

Quem foi o gênio que nos presenteou com tão sábia conclusão? Seu nome é Timothy Judge, e ele é professor de Administração no Mendoza College of Business da University of Notre Dame. Em seu artigo, intitulado Sobre o valor das grandes metas: as causas e consequências da ambição (On the value of aiming high: The causes and consequences of ambition), que está para ser publicado pelo Journal of applied psychology, ele nos dá uma ideia melhor de quais são as consequências – tanto positivas quanto negativas – de se ter ambição. Ele revela que a ambição é, de fato, uma característica estranha. Ela não é algo que tem um valor claro e absoluto como, por exemplo, a paciência, mas sim é vista como virtude e vício ao mesmo tempo.

Para estabelecer como esse complicado conceito de ambição nos afeta, o prof. Judge acompanhou 717 sujeitos “altamente talentosos” por um período de setenta anos. Uma vez que as vidas deles mudaram drasticamente desde a infância até a maturidade, ele usou diversos critérios para mensurar a ambição. Muitos participantes do estudo estudaram em excelentes instituições, como Harvard e Yale, mas outros só chegaram a terminar o ensino médio ou cursos universitários de curta duração. O prof. Judge descobriu que, ao fim e ao cabo, a ambição realmente nos move a chegar cada vez mais longe.

Diz ele: “Crianças ambiciosas tinham notas mais altas na escola, e depois entravam em universidades de renome, tinham empregos cobiçados e ganhavam melhor. Assim, parece que eles tinham tudo para sentirem-se plenos”.

É nisso que somos treinados a acreditar, e é assim que provavelmente vamos orientar nossos filhos e netos: se você ralar muito e se sair bem na escola, vai conseguir tudo o que sempre sonhou. Na verdade, a coisa não é bem assim. O professor explica porquê: “Nós determinamos que a ambição tem pouca importância sobre a satisfação que um sujeito tem com a sua vida, e um impacto levemente negativo sobre a longevidade (quantos anos se vive). Desta forma, a conclusão é que as pessoas ambiciosas têm carreiras de maior sucesso, mas isso não se traduz numa vida mais feliz ou saudável”.

Ahá! Devagar se vai ao longe, então. Se a coisa mais importante é sentir-se satisfeito com a própria vida, além de viver pelo maior número de anos possível (desde que dê para aproveitar o que se tem), então por que desperdiçar tanta energia com a ambição? Você pode simplesmente relaxar, se deixar levar e acabar tão bem ou até melhor do que se ficar se estressando o tempo todo com ser bem-sucedido em tudo o que faz.

É claro que a ambição não é sempre uma escolha. Para algumas pessoas, seguir a própria ambição é a única maneira possível de aproveitar a vida. No entanto, para aqueles que não são nem obcecados com o sucesso e nem completos encostados, Deus criou a ioga, as redes sociais, o Twitter, o vinho e um monte de outras coisas que os ajudam a viver o agora e matar o tempo que seria desperdiçado com o trabalho e a busca pelo sucesso. Quando essas pessoas olharem para trás, terão a satisfação de ver os tweets que escreveram, as garrafas de vinho que esvaziaram e a paz que vem com o que de fato realizaram. Enquanto isso, o tonto que tem uma empresa de tecnologia que vale zilhões de dólares e um escritório com vista privilegiada vai ser forçado a contemplar toda a riqueza que acumulou e procurar nela um conforto vazio.

Tradução: Patricia Fincatti

Vinte anos nas capas da ‘Veja’

Selecionamos 123 capas da revista, de 1993 a 2010. Elas formam uma narrativa surpreendente, quase uma história em quadrinhos da história política do período. FHC é o presidente dos sonhos da publicação. Sério, compenetrado e trabalhador, fez uma gestão exemplar e não está para brincadeiras. O ex-metalúrgico, por sua vez, brinca com a bola e é um demagogo que merece apenas um chute no traseiro.

Gilberto Maringoni

O presidente Lula sofreu impeachment em agosto de 2005. Quase ninguém se lembra dele. Era um trapalhão barrigudo, chefe de quadrilha e ignorante.

A história seria assim, se o mundo virtual da revista Veja fosse real. Selecionamos 123 capas da revista, de 1993 a 2010. Elas formam uma narrativa surpreendente, quase uma história em quadrinhos da história política do período. FHC é o presidente dos sonhos da publicação. Sério, compenetrado e trabalhador, fez uma gestão exemplar. O ex-metalúrgico, por sua vez, é um demagogo que merece apenas um chute no traseiro.

A visão de Veja é a visão da extrema direita brasileira. Tem uma tiragem de um milhão de exemplares e é lida por muita gente. Entre seus apreciadores está, surpreendentemente, o governo brasileiro. Este não se cansa de pagar caríssimas páginas de publicidade para uma publicação que o achincalha com um preconceito de classe raras vezes visto na imprensa.

Freud deve explicar. Clique no link abaixo para ver a sequência. Vale a pena.

As capas de Veja

Fonte:  Carta Maior – http://www.agenciacartamaior.com.br

Cigarro matou 6 milhões em 2010, mostra levantamento

O que as seis maiores empresas do ramo tabagista lucraram em 2010 equivale a US$ 6.000 por cada morte causada pelo fumo nesse ano.

Essa é a conclusão da quarta edição do Atlas do Tabaco, lançado pela Sociedade Americana do Câncer e pela Fundação Mundial do Pulmão, durante a 15ª Conferência Mundial Tabaco ou Saúde, em Cingapura.

Segundo o documento, as seis empresas líderes lucraram US$ 35,1 bilhões em 2010, concentrados na empresa estatal chinesa de tabaco (US$ 16 bilhões) e na Philip Morris (US$ 7,5 bilhões). Esse lucro é maior, diz o atlas, que o da Coca-Cola, da Microsoft e do McDonald’s somados.

Já o número de mortes pelo fumo se aproximou de 6 milhões em 2010, 80% fora dos países desenvolvidos.

“Apesar do progresso feito desde que lançamos o primeiro documento [em 2002], 50 milhões de pessoas morreram como resultado do uso do tabaco, fumando mais de 43 trilhões de cigarros. É quase incompreensível”, afirmou John Seffrin, da Sociedade Americana do Câncer.

Divulgado a cada três anos, o atlas traz dados específicos sobre cada país e região.

A principal informação ressaltada sobre o Brasil indica a consequência da aprovação, em 2011, da Medida Provisória que baniu os fumódromos. A medida, diz o texto, tornou o Brasil o maior país totalmente livre do fumo.

Rússia, China e Estados Unidos não adotaram medidas semelhantes; a Índia o fez parcialmente. Falta no Brasil, no entanto, um melhor monitoramento da epidemia do tabaco, aponta o novo documento.

Fonte: Jornal Folha de S. Paulo – http://www.uol.com.br

Fim da caça?

paul43

Arte: PAWEL KUCZYNSKI

Apaziguando fantasmas

 

O sono mastiga e deglute memórias – um processo de elaboração no qual o sonho é um mecanismo para sublimação de traumas

Sidarta Ribeiro

É do rabino Menachem Schneerson (1902-1994) a constatação de que, se não fosse o sono, não haveria amanhã e a vida se resumiria a um hoje contínuo. Se a pausa periódica na vivência da realidade externa dá unidade ao passar do tempo, também opera transformações notáveis na realidade interna. A cada noite o sono mastiga e deglute as memórias novas, esquecendo algumas e transformando outras em memórias maduras, distribuídas pelo cérebro e articuladas a outras memórias mais antigas ainda, rebanhos de pensamentos em constante evolução.

O embate entre esquecimento e incorporação de uma nova memória depende da relação entre sua utilidade e o custo de carregá-la. Memórias derivadas de vivências aversivas são inscritas na circuitaria neuronal mais profundamente do que memórias de baixo teor emocional. Quando uma memória se refere a uma situação realmente perigosa ou indesejável, pode ser útil carregá-la mesmo à custa de sustos na vigília e pesadelos ocasionais. Mas quando a memória não se refere a nada relevante, melhor mesmo é esquecer. Quantas coisas à primeira vista desagradáveis não se transformam, com o tempo, em palatáveis e até desejáveis?

Um experimento realizado por Matthew Walker e colaboradores da Universidade da Califórnia em Berkeley demonstrou há poucos meses que o sono de movimento rápido dos olhos, durante o qual sonhamos, facilita a atenuação da resposta a estímulos aversivos. Esse papel já havia sido previsto em hipótese, pois o sono frequentemente está alterado nos distúrbios psiquiátricos do humor. O novo estudo utilizou a ressonância magnética functional para medir a atividade da amígdala, uma estrutura cerebral envolvida na valoração de experiências aversivas, durante a apresentação de imagens desagradáveis. Duas sessões de imageamento foram realizadas, antes e depois de um período de sono monitorado eletroencefalograficamente. Os resultados apontaram uma diminuição das respostas da amígdala após o sono, com uma queda correspondente na reação comportamental às imagens aversivas. Além disso, o sono promoveu um aumento da conectividade functional entre a amígdala e o cortex pré-frontal ventromedial. Outro achado importante do estudo é a correspondência íntima entre tais efeitos e a queda da atividade de alta frequência (>30Hz) no cortex pré-frontal durante o sono de movimento rápido dos olhos. Essa atividade serve como marcador eletrofisiológico de transmissão adrenérgica. Em tese, isso pode contribuir paradiminuir a hiper-reatividade da amígdala a estímulos aversivos, causando uma habituação da resposta comportamental ao estresse.

Os resultados podem ter implicações para o tratamento da síndrome do estresse pós-traumático, em que o sono é invadido por pesadelos recorrentes a respeito de perigos que já não existem na realidade. Se uma das várias funções do sono é apaziguar os fantasmas do passado, talvez o sonho seja mesmo a arena mais adequada para sublimar o trauma.

Sidarta Ribeiro é neurobiólogo, diretor do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e professor titular da UFRN.

Fonte: Mente e Cérebro – http://www2.uol.com.br/vivermente

Venha se manifestar contra a privataria da Cultura!

As rádios e a TV Cultura de São Paulo se consolidaram historicamente como uma alternativa aos meios de comunicação privados. As rádios AM e FM ficaram conhecidas pela excelente programação de música popular brasileira e de música clássica. A televisão criou alguns dos principais programas de debates de temas nacionais, como o Roda Viva e o Opinião Nacional, e constituiu núcleos de referência na produção de programas infantis e na de musicais, como o Ensaio e o Viola, Minha Viola. As emissoras tornaram-se, apesar dos percalços, um patrimônio da população paulista.

Contudo, nos últimos anos, a TV e as rádios Cultura estão passando por um processo de desmonte e privatização, com a degradação de seu caráter público. Esse e outros fatos se destacam:
•    mais de mil demissões, entre contratados e prestadores de serviço (PJs);
•    extinção de programas (Zoom, Grandes Momentos do Esporte, Vitrine, Cultura Retrô, Login) e tentativa de extinção do Manos e Minas;
•    demissão da equipe do Entrelinhas e extinção do programa, sem garantias de que ele seja quadro fixo do Metrópolis;
•    aniquilação das equipes da Rádio Cultura e estrangulamento da equipe de jornalismo;
•    enfraquecimento da produção própria de conteúdo, inclusive dos infantis;
•    entrega, sem critérios públicos, de horários na programação para meios de comunicação privados, como a Folha de S.Paulo;
•    cancelamento de contratos de prestação de serviços (TV Justiça, Assembleia e outros);
•    doação da pinacoteca e biblioteca;
•    sucateamento da cenografia, da marcenaria, de maquinaria e efeitos, além do setor de transportes.
Pela sua composição e formato de indicação, o Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta não tem a independência necessária para defender a Cultura das ações predatórias vindas de sua própria presidência. Mesmo que tivesse, sobre alguns desses pontos o Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta sequer foi consultado.

Não podemos deixar esse patrimônio do povo de São Paulo ser dilapidado, vítima de sucateamento promovido por sucessivas gestões sem compromisso com o interesse público, seriamente agravado na gestão Sayad.

Nesse momento, é preciso afirmar seu caráter público e lutar pelos seguintes pontos:
1.    Contra o desmonte geral da rádio e TV Cultura e pela retomada dos programas.

2.    Em defesa do pluralismo e da diversidade na programação.

3.    Por uma política transparente e democrática para abertura à programação independente, com realização de pitchings e editais.

4.    Pela democratização do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta
ATO CONTRA A PRIVATARIA DA CULTURA
3 de abril, terça-feira, às 19h
Sindicato dos Engenheiros de São Paulo
Rua Genebra, 25 – Centro (ao lado da Câmara Municipal)

Gilberto Maringoni
Hamilton Octavio de Souza
Ivana Jinkings
Joaquim Palhares – Carta Maior
Laurindo Lalo Leal Filho
Luiz Carlos Azenha – blog Vi o Mundo
Luiz Gonzaga Belluzzo
Renato Rovai – Revista Fórum e Presidente da Altercom
Rodrigo Vianna – blog Escrevinhador
Wagner Nabuco – Revista Caros Amigos
Emir Sader
Flávio Aguiar
Altercom – Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação
Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
CUT – Central Única dos Trabalhadores
Frente Paulista pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação
Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social

Sociedade do automóvel

paul44

Arte: PAWEL KUCZYNSKI

Honduras registra altas taxas de pobreza e violência

Pablo Ordaz

Porfirio Lobo Sosa, presidente de Hinduras, durante celebração em igreja deTegucigalpa, em 30.01.2012

Porfirio Lobo Sosa, presidente de Hinduras, durante celebração em igreja deTegucigalpa, em 30.01.2012

Não há o que estranhar. Em Honduras sempre mandam os mesmos e morrem os mesmos. Nesta ocasião, a única diferença é que, em vez de pouco a pouco, morreram todos de uma vez, 355 presos pisoteados, asfixiados, carbonizados, muitos deles sem acusação e sem condenação, é claro, sem escapatória. Não faltará quem diga que foi só um acidente infeliz. E quem – talvez não em público – se atreva a comentar que, afinal, eram malfeitores.

Honduras é o segundo mais pobre da América depois do Haiti – governado a seu bel-prazer por uma dezena de famílias com dinheiro e sem consciência.

Houve, entretanto, um momento em que as coisas do mundo e as de Honduras foram as mesmas. Um momento que começou em 28 de junho de 2009, a manhã em que o presidente Manuel Zelaya foi sequestrado por um comando militar e expulso do país de pijama, e que terminou em 27 de janeiro de 2010, quando – no transcurso de uma cerimônia delirante – o atual presidente, Porfirio Lobo, tomou posse de seu cargo e passou em revista as tropas junto com o general golpista vestido de gala.

Durante aqueles sete meses se perpetuou sobre Honduras um bombardeio diplomático jamais visto em relação a um país tão pequeno. De um lado, a Organização de Estados Americanos – com seu presidente, José Miguel Insulza, à frente -, a UE e os EUA. De outro, os países do Alba sob a tutela de Hugo Chávez e Daniel Ortega. Uns e outros se enredaram em uma discussão tão estéril sobre se Zelaya ou os golpistas estavam com a razão, que, como costuma acontecer, se esqueceram dos verdadeiros problemas, das pessoas.

Estavam tão preocupados indo de um hotel para outro, de um avião para outro, de uma discussão jurídica a outra, que se esgotou o tempo, validaram com a posse de Lobo um golpe de Estado perfeito e foram embora maldizendo o dia em que decidiram discutir o sexo dos anjos sob o calor do trópico. Juraram não voltar. E não voltaram.

A Washington, Caracas e Bruxelas continuaram chegando notícias da extrema pobreza, da violência terrível, da corrupção de policiais e juízes sobre o mandato de Porfirio Lobo, dos assassinatos crescentes de jornalistas e de ativistas de direitos humanos. Mas a resposta foi o silêncio.

As dezenas de diplomatas e altos funcionários que visitaram Honduras durante aqueles sete meses intermináveis sabiam quem era Lobo – latifundiário do município de Olancho, um dos maiores agricultores do país, formado nos EUA, pai de 11 filhos, cristão fervoroso e partidário da pena de morte – e suas possibilidades reais de conduzir um país que, como se fosse pouco, estava se transformado no porta-aviões da droga.

Agora a enorme coluna de fogo sobre a penitenciária de Comayagua já voltou a pôr Honduras no mapa. Em 28 de junho de 2009, naquela manhã em que Zelaya foi tirado do país de pijama, a comunidade internacional ainda negou desconhecimento. Hoje não poderia.

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
Fonte: El País – http://www.elpais.com/

CONVITE:

O Laboratório de Estudos da Ásia (LEA) do Dept. de História da USP
convida para as seguintes três atividades acadêmicas: uma palestra
sobre Rússia no dia 11 de abril; uma palestra sobre Índia no dia 12 de
abril; e a exibição de um documentário (com discussão) sobre Rússia no
dia 29 de março. Abaixo o detalhamento das atividades:

1) PALESTRA SOBRE RÚSSIA PÓS-ELEIÇÃO DE PUTIN
Na quarta-feira, 11 de abril, às 18:30h. no Auditório do departamento
de História da USP haverá a palestra “Rússia pós-eleição de Putin:
como ficará a política externa do país?” com o cônsul-geral da Rússia
no Brasil, Sr. Mikhail Troyanski.

2) PALESTRA SOBRE ÍNDIA
Na quinta-feira, 12 de abril, às 18:30h. no Auditório do departamento
de História da USP haverá a palestra “Elementos para a Compreensão dos
Valores e Ideologia da Sociedade Tradicional Hindu” com a professora
da USP Lilian Gulmini, especialista em língua e cultura sânscrita do
Departamento de Letras Orientais. O evento marcará também o
lançamento  oficial do boletim eletrônico “Observatório da Ásia 2012″
do LEA.

3) DOCUMENTÁRIO SOBRE RÚSSIA
Na quinta-feira, 29 de março, 9h. no Auditório do departamento de
História da USP haverá uma maratona cinematográfica seguida de
discussão sobre a Rússia. Será exibido o documentário “Rússia: Terra
dos Czares” de quase 4 horas de duração que descreve a Rússia desde os
primórdios até a Revolução de 1917. Ao final haverá breve discussão
sobre o filme e a Rússia pré-revolucionária com o público presente.

As três atividades são gratuitas. O departamento de História da USP se
encontra na rua Professor Lineu Prestes, 338, Cidade Universitária.

Em tempos de Comissão da Verdade

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Larte em 1974.

Fome de bytes

paul45

Arte: PAWEL KUCZYNSKI

Salário das mulheres permanece 28% inferior aos dos homens nos últimos três anos

O estudo Mulher no mercado de trabalho: perguntas e respostas, que o IBGE divulga hoje em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, tem como objetivo apresentar um panorama da mulher no mercado de trabalho. Ele revela que o rendimento das mulheres continuou inferior ao dos homens. Em 2011, elas recebiam, em média, 72,3% do salário masculino, proporção que se mantém inalterada desde 2009.

Por outro lado, a jornada de trabalho das mulheres é inferior à dos homens. Em 2011, as mulheres trabalharam, em média, 39,2 horas semanais, contra 43,4 horas dos homens, uma diferença de 4,2 horas. Entretanto, 4,8% das que estavam ocupadas em 2011 gostariam de aumentar sua jornada semanal.

A presença feminina foi maioria na administração pública (22,6% contra 10,5% de homens) em 2011. As atividades que mais absorveram mão de obra feminina em relação a 2003 foram o comércio (de 38,2% para 42,6%) e os serviços prestados às empresas (de 37,3% para 42,0%). Nos serviços domésticos, mesmo que a população ocupada esteja diminuindo (de 7,6% em 2003 para 6,9% em 2011), ainda predomina neste setor a mão de obra feminina (94,8%), percentual idêntico ao registrado em 2003.

Apesar das diferenças entre os sexos permanecerem, o levantamento constatou também que o desnível de inserção entre homens e mulheres foi reduzido em 2011, com as mulheres aumentando sua participação em todas as formas de ocupação. Em 2003, por exemplo, a proporção de homens com carteira assinada no setor privado era de 62,3%, enquanto a das mulheres era de 37,7%, uma diferença de 24,7 pontos percentuais. No ano passado, essas proporções foram de 59,6% e de 40,4%, fazendo com que essa diferença diminuísse para 19,1 pontos percentuais. Porém, o maior crescimento de participação feminina foi observado no emprego sem carteira no setor privado (36,5% em 2003 para 40,5% em 2011).

Estas e outras informações sobre a mulher no mercado de trabalho estão na publicação completa, que pode ser acessada na página
www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/Mulher_Mercado_Trabalho_Perg_Resp_2012.pdf

Mulheres são maioria na população, mas estão em desvantagem no trabalho

Apesar de 53,7% da população brasileira com 10 anos ou mais (idade ativa) ser constituída por mulheres, em 2011 elas ainda estavam em menor número entre a população ocupada (45,4%). Em relação a 2003, houve um crescimento de 2,4 pontos percentuais (43,0%) na população ocupada feminina.

A presença das mulheres também era majoritária na população desocupada (57,9% contra 42,1% de homens) e na população não economicamente ativa (63,9% contra 36,1% dos homens) em 2011. Em média, elas totalizavam 11,0 milhões de pessoas na força de trabalho, sendo 10,2 milhões ocupadas e 825 mil desocupadas. Na inatividade, o contingente feminino era de 11,5 milhões. Na comparação com 2003, o crescimento da participação das mulheres na população economicamente ativa foi de 1,8 ponto percentual (de 44,4% em 2003 para 46,1% em 2011).

Entre as mulheres pretas e pardas a taxa de desocupação caiu de 18,2% em 2003 para 9,1% em 2011. Entre as brancas, o indicador teve redução de 13,1% em 2003 para 6,1% no ano passado.

Especial sobre o Dia Internacional da Mulher traz informações e entrevistas

Também em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, o IBGE disponibiliza no seu site, na seção voltada para o público jovem (IBGE Teen), um material especial sobre a data.

Além de diversas informações atualizadas sobre as mulheres, selecionadas em diversas pesquisas do instituto, há entrevistas com mulheres de destaque – inclusive a presidenta do IBGE, Wasmália Bivar -, uma galeria sobre mulheres que fizeram história (dividida nos temas política e governo; ação social e religiosa; lutas feministas e direitos sociais; esportes; e arte e cultura) e um link com um pequeno resumo sobre cada uma das ministras brasileiras.

Esse especial pode ser acessado no link http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/mulher/diainternacional/index.htm.

Fonte: IBGE – http://www.ibge.gov.br/

Vida de gado

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Arte: PAWEL KUCZYNSKI

Seis produtos são responsáveis por metade das exportações brasileiras

Minério de ferro, petróleo bruto, complexo de soja, carne, açúcar e café somaram 47% do valor exportado

Luiz Guilherme Gerbelli, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – O Brasil vem aumentando cada vez mais nos últimos anos sua dependência da exportação de matérias-primas. No ano passado, apenas seis grupos de produtos – minério de ferro, petróleo bruto, complexo de soja e carne, açúcar e café – representaram 47,1% do valor exportado. Em 2006, essa participação era de 28,4%.

Esse aumento da dependência ganha contornos ainda mais preocupantes porque o maior comprador atual das matérias-primas brasileiras passa por um momento de transição. Na semana passada, a China anunciou que vai perseguir uma meta de crescimento de 7,5% ao ano. A meta anterior era de 8% ao ano.

“Esse novo crescimento chinês ainda é expressivo para qualquer país, mas, nesse momento, cria um fato negativo para a cotação das commodities”, diz o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. “Ao dizer que vai reduzir o ritmo de crescimento, a China diz, indiretamente, que vai comprar menos insumos.”

Em dezembro, a entidade previu que o Brasil terá este ano um superávit de US$ 3 bilhões, resultado bem inferior ao saldo comercial de US$ 29,7 bilhões do ano passado. “Mas houve uma melhora do cenário dos preços desde então”, diz Castro.

De qualquer forma, o Índice de Preços de Commodities do Banco Central (IC-BR) já aponta um recuo na cotação das commodities. Em fevereiro, o indicador caiu 2,96% na comparação com janeiro e, no acumulado de 12 meses, teve queda de 12,68%.

“Essa tendência de queda só não é mais forte porque está havendo uma injeção global de recursos no mundo todo. Há uma expansão de crédito para economia mundial que não começou agora”, diz Fábio Silveira, economista da RC Consultores. Apesar disso, ele estima um recuo de 10% no preço da soja, carne, açúcar e do café este ano. “O crescimento menor da China reafirma a perspectiva de baixa dos preços”, afirma.

Meta de vendas

Entre 2006 e 2011, puxada pelas commodities, a receita de exportação do Brasil aumentou de US$ 135,9 bilhões para US$ 256 bilhões. Este ano, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) definiu US$ 264 bilhões como a meta de exportação, valor 3,1% maior que o do ano passado.

Para Rodrigo Branco, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), as exportações de commodities vão continuar dominando a pauta brasileira este ano. Ele ressalta, porém, que o saldo comercial do País deverá ser menor, porque, além do preço mais baixo das commodities, as importações devem permanecer em um patamar elevado.

“Estamos com uma demanda relativamente aquecida em relação ao resto do mundo, principalmente de bens de consumo duráveis”, diz.

Fonte: Jornal Estado de S. Paulo – http://www.estadao.com.br

Gastos com assistência e previdência em estabilidade

Após crescerem nos primeiros 5 anos da última década, as TAPS se estabilizaram em patamar perto de 15% do PIB

Em 2011 as transferências públicas de assistência e previdência e subsídios (TAPS) atingiram o patamar de 14,9 % do PIB, aproximando-se, portanto, do recorde de 15,2% do PIB verificado em 2009. Esta foi a análise feita no Comunicado do Ipea nº 138 – A dinâmica recente das transferências públicas de assistência e previdência social, apresentado nesta quinta-feira, 8, em Brasília.

Elaborado com o objetivo de apresentar a evolução dos principais componentes das TAPS na última década e discutir alguns “fatos estilizados” sobre os determinantes destes últimos, o estudo aponta que a despesa com os benefícios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) é o principal componente do total destas transferências, o que representa cerca de 40% destas e 6% do PIB. O segundo maior componente seria as transferências de assistência e previdência de estados e municípios, destinados em sua maioria a servidores públicos estaduais e municipais aposentados e seus herdeiros (2,3% do PIB e 15,4% das TAPS totais).

Ainda tratando dos componentes das TAPS, o estudo ainda aponta para os pagamentos de aposentadorias e pensões dos servidores públicos da União (1,9% do PIB e 12,8% das TAPS totais) e os saques do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS, 1,4% do PIB e 9,3% das TAPS totais). Há ainda alguns componentes menores que têm aumentado consideravelmente sua participação nos últimos anos, como os benefícios pagos com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), os benefícios da Lei Orgânica de Assistência (LOAS) e a Renda Mensal Vitalícia (RMV), o programa Bolsa-Família, e as transferências públicas às instituições privadas sem fins lucrativos (IPFSL).

As principais conclusões da análise mostram que após crescerem nos primeiros cinco anos da última década, as TAPS agregadas se estabilizaram em um patamar pouco inferior a 15% do PIB desde 2007. O mesmo aconteceu em relação às despesas com o pagamento de benefícios da RGPS – que atendem 25 milhões de brasileiros e se estabilizaram na casa dos 6% do PIB a partir de 2007.

No caso dos saques do FGTS, houve uma flutuação em torno de 1,3% do PIB ao longo de praticamente toda a última década. E as despesas com o pagamento de servidores públicos aposentados e pensionistas caiu até 2005, estabilizando-se nos últimos anos em um patamar próximo dos 4% do PIB. Por fim, o estudo indica que os benefícios associados à LOAS/RMV e ao FAT praticamente dobraram na última década.

TAPS

Do ponto de vista macroeconômico das contas nacionais, as TAPS se constituem do montante de recursos financeiros que o setor público concede ao setor privado sem a contrapartida da entrega de um bem ou prestação de algum serviço. No aspecto do equilíbrio fiscal, a grande maioria destas transferências é constituída por pagamentos de benefícios pelos quais houve contribuição financeira do setor privado. “Ou o empregado, o beneficiário, ou o seu empregador contribuiu anteriormente para o recebimento deste benefício”, disse o técnico em Planejamento e Pesquisa do Instituto, Márcio Bruno Ribeiro.

Fonte: IPEA – http://www.ipea.gov.br/

Guerra para quem?

paul47

Arte: PAWEL KUCZYNSKI

Grandino Rodas: a compulsão para o conflito

Luis Nassif

Em outra encarnação, o reitor da USP João Grandino Rodas e o ex-governador José Serra foram irmãos siameses.

Só assim para explicar a semelhança entre ambos, naquilo que um homem público pode ter de pior: o espírito vingativo, a compulsão do conflito, as demonstrações reiteradas de força, o descaso para a imagem que deixa junto à opinião pública, a busca de qualquer motivo para retaliar críticos.

No site da ADUSP (clique aqui) a última de Rodas: uma “pedido de explicações” contra três professores que, em entrevista ao Estadão, afirmaram que Rodas estaria privilegiando a construção de novos edifícios, inclusive em bairros nobres da capital, “transferindo para as obras verbas destinadas ao setor de recursos humanos”. O pedido se deve a esse pequeno trecho, entre aspas.

Ora, há nessa afirmação uma crítica – justa ou injusta – meramente administrativa. Mas o truculento Rodas considerou que atingia sua honra, pois a frase – de acordo com sua tortuosa interpretação – o acusava de “ter perpretrado um ato contrário à moralidade administrativa”.

A USP não merecia uma pessoa desse nível como reitor.

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Banco Central estabelece piso de 9% para as taxas de juros

Os jornais de hoje mostram o anúncio, pelo Banco Central, de que a taxa de juros não irá cair para baixo de 9% ao ano. Ou seja, tal taxa permanecerá como a maior do mundo, ao mesmo tempo em que os países do norte estabelecem taxas próximas a zero. Este processo gera uma “tsunami” de dólares em direção à dívida “interna” brasileira, onde podem ter ganhos extraordinários, que são isentos de Imposto de Renda.

Tal “piso” de 9% para a taxa de juros beneficia os bancos, garantindo-lhe os ganhos com a dívida pública, e permitindo também que estes continuem cobrando altas taxas de administração pelas aplicações de pessoas e empresas em Fundos de Investimento. Desta forma, mesmo tendo de pagar tais taxas aos bancos, os aplicadores não se sentirão estimulados a migrar para a caderneta de poupança, que rende pouco mais de 6% ao ano, sobre a qual os banqueiros não podem cobrar taxas.

Fonte: http://www.divida-auditoriacidada.org.br/config/artigo.2012-03-14.3598729588/document_view

 

Ajuda que vem de longe

paul48

Arte: PAWEL KUCZYNSKI

Armadura para o feto

 

A placenta faz mais que alimentar o bebê dentro do útero. Ela atua dinamicamente, moldando o desenvolvimento cerebral

Claudia Kalb

Ainda que transitória, a placenta é um órgão único e crítico para a vida humana. Em sua curta existência, atua como uma barreira protetora vital para o feto. Seus vasos sanguíneos – semelhantes a raízes de árvores – também transportam oxigênio e nutrientes essenciais da mãe para o bebê em desenvolvimento. Ainda assim, a placenta tem sido desvalorizada. Uma análise mais cuidadosa de cientistas mostrou que o órgão representa muito mais que um simples invólucro: ele protege o feto efetivamente e molda seu desenvolvimento neurológico.

Em um estudo publicado em agosto passado, pesquisadores britânicos mostraram que quando uma fêmea de camundongo que está esperando filhote é privada de alimento, a placenta assume o comando, destruindo seu próprio tecido para alimentar” o cérebro do feto. Cientistas do Instituto Neurogenético Zilkha da University of Southern Califórnia (ZNI, na sigla em inglês) e seus colegas derrubaram décadas de dogma biológico ao relatar que é a placenta – e não exatamente a mãe – que fornece o hormônio serotonina ao prosencéfalo do feto no início do desenvolvimento. Como hormônios desempenham papel essencial nas conexões cerebrais, anormalidades placentárias podem influenciar diretamente o risco de o feto desenvolver depressão, ansiedade e até autismo – antes mesmo de os neurotransmissores começarem a funcionar. Por isso, segundo Pat Levitt, diretor do ZNI e coautor do estudo, é preciso estar muito atento à saúde e aos cuidados da placenta.

Pesquisas sobre a influência desse órgão no desenvolvimento cerebral são tão recentes que ainda não foram batizadas. Anna Penn, neonatóloga e neurobióloga do desenvolvimento da Stanford University, denominou os estudos de neuroplacentologia”. A própria Anna está estudando o impacto dos hormônios placentários no desenvolvimento do cérebro depois da 20ª semana de gestação. Seu objetivo é identificar com que idade bebês prematuros são afetados pela perda desses hormônios e, ainda, descobrir uma forma de compensar esse déficit. A neurocientista acredita que antigas ideias sobre a placenta estão mudando, mas que ainda há muito a aprender.

Claudia Kalb ex-colaboradora sênior da Newsweek, é jornalista científica freelance.

Fonte: Mente e Cérebro – http://www2.uol.com.br/vivermente

Crescimento do Brasil atrai mais empresas francesas

Germano Oliveira

A crise na Europa, contraponto com o Brasil em crescimento e uma nova classe média em ascensão, tem atraído cada vez mais as empresas francesas a adquirirem capital de companhias brasileiras. O número de corporações daquele país no Brasil saltou de 436, em 2010, para 520 no fim de 2011, segundo informou ontem Eric Fajole, diretor da Agência para Desenvolvimento das Empresas Francesas no Brasil. Ele disse que há uma tendência de aumentar ainda mais com o agravamento da crise europeia:
— O interesse pelo Brasil começou em 2009 quando vimos que ele se saiu melhor que outros países dos Brics. Até 2007, os franceses não tinham o mesmo interesse que têm hoje pelo Brasil. Antes todos estavam mais interessados na Índia ou Rússia. Agora, o negócio é aplicar os investimentos no Brasil.
Tecnologia em informática, saúde, mecânica, máquinas industriais e agronegócio são os setores mais atraentes. Além das novas empresas francesas que estão chegando, as que já estavam aqui, como Accor (hotéis), Peugeot e Danone, também passam a investir em produtos mais populares para atrair as classes C e D. As 520 empresas francesas no Brasil já empregam 500 mil funcionários, 95% brasileiros.
— As montadoras francesas que estão aqui procuram lançar carros mais baratos, enquanto que a Accor aplica mais recursos em hotéis de preços mais baixos para atrair esse novo consumidor — diz Fajole. — A demanda de empresas francesas aqui é tanta que criamos há um ano no Rio de Janeiro uma agência de inovação para subsidiar os pequenos e médios empresários franceses que desejam vir para cá, tanto por meio de parcerias com empresários brasileiros como por meio de investimentos diretos.

Jornal: O Globo

Brigar para comer num mundo injusto

paul49

Arte: PAWEL KUCZYNSKI

A Alemanha é mais protecionista que o Brasil

O governo de Angela Merkel criou mais medidas de defesa econômica do que o Brasil de Dilma e Lula nos últimos 3 anos

*Texto originalmente publicado na Carta Capital.

Em Berlim, os termômetros indicavam que o dia seria frio, com máxima de 9 graus. E ao que tudo indica Dilma Rousseff não tinha a intenção de elevar a temperatura da sua visita protocolar à Alemanha, em seu discurso na feira de negócios Cebit.

A presidente brasileira pretendeu, em sua fala oficial, principalmente vender a imagem de economia pujante que o Brasil estimaria ver consolidada mundo afora. Conforme recomendava o protocolo diplomático.

Foi por conta, aliás, das boas regras da diplomacia que Angela Merkel pôde acompanhar o discurso de Dilma na íntegra, antes de tomar o microfone – as visitas vêm primeiro. E quando o fez, Angela Merkel elevou o tom do debate, esbarrando nos recomendáveis bons modos com quem vem de fora. E partiu para o ataque: “Nós temos que confiar uns nos outros”, iniciou a chanceler da Alemanha. “Hoje à noite teremos a oportunidade de falar sobre isso e certamente vamos falar sobre a crise e as preocupações com o que acontece nos Estados Unidos e na Europa”, acrescentou, em uma referência ao que seria discutido em algumas horas, segundo previa a agenda acertada previamente. “Por outro lado, nós nos perguntamos o que existe de protecionismo e medidas unilaterais. Acho que confiança é o caminho para sair dessa crise”, concluiu, antes de voltar ao protocolo e às questões ligadas ao ambiente de negócios entre os dois países, conforme exigia a circunstância.

 

Em questão de minutos, houve quem, do outro lado do Atlântico, vestisse a carapuça: a parcela mais vistosa da mídia nativa, que logo entendeu a mensagem de Angela Merkel, deixando de lado o contexto – e também a malandragem da presidenta alemã.

Primeiro, o contexto. O embate retórico se deu menos de uma semana após a Alemanha ter orquestrado um empréstimo bilionário – e a custo baixíssimo, de 1% ao ano – para salvar a banca europeia. Na ponta do lápis, 529 bilhões de euros, a segunda parcela de uma bolada que entra na casa do trilhão.

Como sabem os economistas, uma parcela considerável desse dinheiro cruza o Atlântico em minutos, com o intuito de aproveitar as taxas de juros pagas pelos títulos brasileiros. De cada 100 milhões de euros que entrar, será possível tirar de lucro, livre de impostos, ao menos 5 milhões ao ano, limpinhos. Simples assim.

Pagos pela sociedade brasileira, naturalmente, que, mantidas as regras cambiais atuais, assistirá a mais uma dose de valorização do real, conforme frisou Dilma Rousseff ao se referir ao “tsnunami monetário” que aparentemente apoquentou o governo alemão. Criado pelo BCE e o seu equivalente norte-americano, o Federal Reserve, que antes dos europeus despejara outros tantos trilhões no sistema bancário dos EUA.

Mas, além do contexto, há a malandragem: Angela aponta o dedo acusador aos países que adotaram medidas para se proteger, mas deixa de mencionar que a Alemanha também meteu a mão nessa cumbuca. E foi, por sinal, mais fundo que o Brasil em matéria de protecionismo pós-crise.

Segundo informa o site Global Trade Alerts, a Alemanha adotou 82 medidas de defesa comercial desde setembro de 2008. O Brasil, no mesmo período, criou 80 normas e leis na mesma direção, ou seja, com vistas a proteger a indústria nacional.

Nesse debate, conforme explicita o site, mantido por um coletivo de economistas ligados a centros de pesquisas de vários países, não há quem possa atirar a primeira pedra. Os EUA, por exemplo, criaram 106 medidas. A China aparece na lista com 94; a Índia, com 101.

No site globaltradealert.org, é possível ver a ranking completo.

Higienismo em conceito

paul50

Arte: PAWEL KUCZYNSKI

Efeito Google no cérebro