Monthly Archives: fevereiro 2012

Pessoas de esquerda são mais inteligentes que as de direita, aponta estudo

Um polêmico estudo canadense que inclui dados coletados por mais de 50 anos, diz que as pessoas com opiniões políticas de direita, tendem a ser menos inteligentes do que as de esquerda. Ao mesmo tempo, adverte que as crianças de menor inteligência tendem a desenvolver pensamentos racistas e homofóbicas na idade adulta.

A pesquisa foi realizada por acadêmicos da Universidade Brock, em Ontário, e coletou a informação em mais de 15 mil pessoas, comparando o seu nível de inteligência encontrado na infância com os seus pensamentos políticos como adultos.

Os dados analisados ​​são dois estudos no Reino Unido em 1958 e 1970. Eles mediram a inteligência das crianças com idade entre 10 e 11 anos. Em seguida, são monitorados para descobrir suas posições políticas após 33 anos de idade.

“As habilidades cognitivas são fundamentais na formação de impressões de outras pessoas e ter a mente aberta. Indivíduos com menores capacidades cognitivas gravitar em torno de ideologias conservadoras que mantêm as coisas como elas são, porque isso as fornece um senso de ordem”, dizem no estudo publicado no Journal of Psychological Science.

Segundo as conclusões da equipe, as pessoas com menor nível de inteligência gravitam em torno de pensamentos de direita, porque esse os faz sentir mais seguros no poder, o que pode se relacionaa com o seu nível educacional, inclui o jornal britânico.

Mas esta não é a única conclusão a que chegou o estudo.
Analisados dados de um estudo de 1986 nos Estados Unidos sobre o preconceito contra os homossexuais, descobriu-se que pessoas com baixa inteligência detectado na infância tendem a desenvolver pensamentos ligados ao racismo e homofobia.

“As ideologias conservadoras representam um elo crítico através do qual a inteligência na infância pode prever o racismo na fase adulta. Em termos psicológicos, a relação entre inteligência e preconceitos podem ser derivadas de qual a probabilidade de indivíduos com baixas habilidades cognitivas apoiarem com ideologias de direita, conservadoras, porque eles oferecem uma sensação de estabilidade e ordem “, acrescentou.

“No entanto, é claro que nem todas as pessoas pessoas prejudicadas são conservadoras”, disse a equipe de pesquisa.

.

Quem quiser conferir a entrevista na revista Psychology Today pode acessar o link (em inglês).

Comentário da pesquisadora: “Aliás, esta constatação corrobora uma das queixas persistentes entre os conservadores. Os conservadores muitas vezes se queixam de que os liberais controlam a mídia, o show business, as universidades ou algumas outras instituições sociais.  A hipótese explica por que os conservadores estão corretos em suas queixas. Liberais podem controlar a mídia, o show business, as academia, entre outras instituições, porque, além de algumas áreas da vida (como empresas) sempre que as circunstâncias de compensação possam existir, os liberais controlaram todas as instituições.   Eles controlam as instituições porque os liberais são em média mais inteligentes do que os conservadores e, portanto, eles são mais propensos a atingir o mais alto status em qualquer área de (evolutivamente romance) vida moderna.

 

Fonte: Rodopiu.com

Soninha Francine acusa moradores do Pinheirinho de serem criminosos aproveitadores

A ex-apresentadora, ex-vereadora e celebridade filiada ao PPS esbravejou via twitter

A ex-apresentadora, ex-vereadora e celebridade filiada ao PPS, Soninha Francine, acusou via twitter, na manhã desta sexta-feira (27), os moradores desabrigados do bairro do Pinheirinho, em São josé dos Campos, de serem criminosos aproveitadores. “São criminosos tirando vantagem da situação, não apenas pessoas comuns defendendo suas terras” disse a ex-apresentadora.
Horas depois a celebridade reforçou seu pensamento. “Chamo criminosos de aproveitadores, SIM.O que é COMPLETAMENTE diferente de chamar desabrigados de criminosos”. Em seguida Francine colocou um link para o seu blog onde desenvolveu melhor (ou pior) o seu pensamento. “Se são trabalhadores, lamento, escolheram métodos de bandidagem. O que pretendem, “matar ou morrer”?”.

Segundo Francine, o que justificaria sua opinião seriam as imagens da semana passada onde aparecem os moradores preparando-se para receber a PM.

Fonte: Brasil de Fato

A Rua do Pocinho

Por: JOSÉ DE SOUZA MARTINS

Era chamada pelo nome antigo de Rua do Pocinho. Os mais formais diziam que era a Rua da Santa Cruz do Pocinho ou apenas da Santa Cruz. A Câmara Municipal dava nome às ruas e o povo dava-lhes apelido. É hoje a Avenida Vieira de Carvalho, uma rua das mais bonitas do centro de São Paulo, que leva da Praça da República ao Largo do Arouche. Conserva a classe de muitas ruas paulistanas dos anos 40.

Há cem anos, aquele era um arrabalde, um recanto caipira da cidade, longe do centro confinado entre o Anhangabaú e o Tamanduateí. Nas imediações do Largo do Arouche, havia quintais que ainda tinham arbustos das velhas plantações de chá do marechal Arouche, primeiro diretor da Faculdade de Direito. Na Rua da Santa Cruz, em 1858, morava o único violeiro registrado da cidade, certo José Inácio de França.

A Rua do Pocinho devia seu nome a uma tragédia registrada na primeira metade do século 19. A meio caminho de quem vai hoje da República para o Arouche, do lado esquerdo, mandara o dono de um terreno limpar o poço de que se servia. Do lado de fora, o ajudante manejava a manivela do eixo de enrolar a corda, cuja ponta enlaçava a cintura do poceiro. A corda, porém, rebentou antes que ele chegasse ao fundo. A tentativa de salvá-lo varou o dia e varou a noite. Poço estreito e fundo, não conseguiram tirá-lo da água. Foi dado como afogado. O poço foi, então, entulhado. A piedade popular colocou sobre a tumba inesperada a costumeira cruz, para assinalar o lugar do tenebroso transe. Depois, ergueu ali a capelinha, que ficou conhecida como capela da Santa Cruz do Pocinho.

A Santa Cruz era devoção paulistana antiga. Ao redor de várias da cidade, havia três dias de festa, com leilões de prenda e comilança. Culminava no dia 3 de maio com a dança da Santa Cruz, criação litúrgica jesuítica do século 16.

Os índios tinham dificuldade para dizer as palavras com consoantes dobradas ou mudas: em vez de cruz, diziam cururu; em vez de orelha, oreia. Cururu era sapo em tupi e nome de uma dança ritual. Os padres converteram a dança do cururu na dança da cruz, em terreiro de igreja ou capela: dança de homens num par de filas, avançando e recuando. Na frente, o violeiro.

Há bela gravação do cântico dessa dança, com Carmem Costa e o Coral da Universidade de São Paulo (USP), de 1974. Em 1898, era guardião da capela e festeiro Francisco de Paula do Espírito Santo Deus, um negro criado pela família Souza Queiroz, veterano da Guerra do Paraguai.

Festa proibida. Embora seja dança religiosa, vi na aldeia de Carapicuíba leigos tentando imitá-la como se fosse carnaval. Parece-me que foi para evitar a gandaia profana que o bispo dom Duarte proibiu a festa do Pocinho em 1909. Pouco depois, foi demolida a capelinha. A religião se recolhia às igrejas. Um arranha-céu se ergueria sobre a antiga sepultura e sepultaria a memória do pocinho.

 

Fonte: O Estado de S.Paulo

Alemanha pressiona Grécia a abrir mão da sua democracia

Quando o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, propôs que a Grécia adiasse suas eleições como condição para receber nova ajuda, chegamos ao ponto em que o sucesso não é mais compatível com a democracia.

O comentário é de Wolfgang Münchau, publicado pelo jornal Financial Times e reproduzido pelo jornal O Estado de S. Paulo, 21-02-2012.

Shäuble quer prevenir uma escolha democrática “errada”. Similar é a sugestão de que as eleições aconteçam, mas uma grande coalizão permaneça no poder, independentemente do resultado.

A zona do euro quer impor sua escolha de governo à Grécia, no que a transformaria em sua primeira colônia.

A origem da proposta é um dilema legítimo. Schäuble sabe que é arriscado liberar fundos antes de uma eleição. O que impede que o novo governo mude o acordo?

Não ajuda o fato da Grécia ter um histórico ruim de implementar políticas.

Mas, para superar a desconfiança, a zona do euro está procurando garantias inacreditavelmente extremas.

Uma coisa é os credores interferirem no gerenciamento de políticas de um país beneficiário. Outra é dizer a ele para suspender eleições. Na própria Alemanha, isso seria inconstitucional.

Falta de confiança é a razão pela qual o pacote grego foi adiado até o último minuto possível e porque as últimas propostas contêm pedidos tão perigosos, como a presença permanente dos credores e do FMI no país.

Logo, haverá mais austeridade e, em algum momento, alguém vai reagir.

A estratégia alemã parece ser tornar a vida na Grécia tão insuportável que os próprios gregos vão querer sair da zona do euro.

A chanceler alemã, Angela Merkel, certamente não quer ser vista com uma arma na mão.

É uma estratégia de suicídio assistido, uma tática extremamente perigosa.

 

Fonte: Instuto Humanitas Unisinos

Fazendeiro admitiu ao MPT que explorava trabalho escravo e infantil

Procurador diz que escravidão de 52 pessoas foi assumida em acordo. Em entrevista anterior, proprietário chamara jovens resgatados de “oportunistas”

Por Daniel Santini

O fazendeiro Ronaldo de Araújo Costa, proprietário da fazenda em que 52 trabalhadores foram resgatados de situação análoga à escravidão em janeiro, incluindo quatro adolescentes, admitiu ao Ministério Público do Trabalho o crime. Em entrevista à Repórter Brasil nesta semana, ele havia negado a exploração e dito que muitos dos libertados eram “oportunistas” que se aproveitaram da presença da fiscalização de olho em verbas indenizatórias, incluindo os jovens. “Isso não corresponde de forma alguma à verdade. São afirmações levianas. Ele confessou, assinou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em que essa questão é especificada”, afirma o procurador José Carlos de Souza Azevedo, do Ministério Público do Trabalho, da Procuradoria Regional da 8ª Região.

Os dois adolescentes de 13 e 14 anos com o machado utilizado (imagem alterada para preservar a identidade dos jovens, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente) Fotos: Divulgação/MTE

A reportagem teve acesso ao TAC assinado, que especifica que “dos 56 trabalhadores identificados na Fazenda São Gabriel, 52 foram resgatados, porquanto verificadas sérias violações aos direitos humanos decorrentes do labor em condições análogas à de escravo, sendo certo que dentre os quais existiam 4 adolescentes trabalhando dos 8 menores encontrados nos limites da citada fazenda”. Ronaldo, segundo a procuradoria, assinou sem ressalvas.

A fiscalização aconteceu no município de Tailândia, no Pará. Dos quatro adolescentes resgatados, dois deles, de 13 e 14 anos, exerciam atividade de risco manuseando machados na extração e beneficiamento de madeira, trabalho que está entre as piores formas de exploração infantil, conforme a Convenção 182 da Organização Internacional do Trabalho e a legislação brasileira.

Menina que vivia com a família em um dos barracões de lona

“Na ação, encontramos mais menores, só que apenas quatro estavam em situação de trabalho. Tivemos critério e cuidado na fiscalização”, reforça José Carlos. “Encontramos, por exemplo, uma garotinha de cinco anos vivendo com a família em um dos abrigos de lona. É uma situação crítica, mas não é exploração de trabalho”, reforça.

Além do pagamento de indenizações aos trabalhadores por dano moral e individual por tê-los submetidos à escravidão, o fazendeiro também se comprometeu a pagar R$ 28.088 em móveis e aparelhos para a Secretaria Municipal de Saúde de Tailândia e mais R$ 100.000 a instituições indicadas pela procuradoria. Também estão previstas multas no caso de reincidência.

Registro profissional
De acordo com a auditora fiscal Inês Almeida, do Ministério do Trabalho e Emprego, o administrador da fazenda, Hortêncio Pinhoto Costa, pai de Ronaldo, o proprietário, afirmou em depoimento que mais de 200 trabalhadores já haviam passado pela fazenda sem nunca terem tido a carteira assinada.

“Tanto o valor desembolsado quando às multas são uma forma de inibir que isso volte a acontecer. Na fiscalização, o fazendeiro [Hortêncio, pai de Ronaldo] disse que nunca havia sido fiscalizado e chegou a dizer que estava lisonjeado ao ver a presença do estado. Ele se mantinha confiante na impunidade, o que explica um pouco a forma como os trabalhadores eram tratados”, afirma o procurador José Carlos. “Ele tinha amplo conhecimento sobre o que estava fazendo.”

“Nosso foco é forçar o empregador a cumprir a lei. São trabalhadores rurais sem perspectiva de deixarem de ser trabalhadores rurais. Precisamos propiciar ambientes saudáveis e decentes para que eles possam manter a dignidade. Ninguém pretende acabar com a atividade produtiva”, conclui o procurador. 

Fonte: Repórter Brasil

Livro trata sobre a transformação do capitalismo japonês

O que valem os modelos na economia? Nestes tempos em que a Alemanha vem sendo citada como exemplo, seria interessante refletir sobre o Japão, que foi referência nos anos 1980 e que, desde então, saiu dos holofotes.

Por isso, o livro “La Grande Transformation du capitalisme japonais” [“A grande transformação do capitalismo japonês],  de Sébastien Lechevalier, professor na Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais, chega na hora certa. É um ensaio escrito a várias mãos, com a participação de  Robert Boyer, economista no Centro de Pesquisas Econômicas e Aplicações (Cepremap), Ronald Dore, da London School of Economics, Arnaud Nanta, pesquisador no CNRS, e Yves Tiberghien, professor na Universidade de British Columbia.

Nós passamos – injustamente – da “nipofilia” para uma relativa indiferença, observa Robert Boyer em um extenso prefácio de mais de quarenta páginas.

Terceira fase

Já Sébastien Lechevalier analisa que durante muito tempo os pesquisadores quiseram saber quais eram as especificidades do modelo japonês; em seguida, o interesse se concentrou nas causas da crise do Japão. Agora entramos em uma terceira fase.

Ela consiste em identificar as respostas que o país do Sol Nascente tem trazido para a  desindustrialização, a financeirização, ao crescente peso da China… como o Japão pós-Fukushima estaria inventando, talvez, uma forma original de adaptação à globalização?

Ao analisar em profundidade as transformações do capitalismo nipônico, a obra mostra como as reformas neoliberais, instauradas nos anos 1980, metamorfosearam a terceiro economia do mundo e quanto “o Japão se abriu consideravelmente”. Sessenta páginas foram dedicadas especialmente à evolução do contrato social e do sistema educacional japonês.

Sem fazer dela um exemplo a ser seguido, e embora o uso de modelos seja “arriscado”, temos muito a aprender com a experiência japonesa, preconizam os autores, que enfatizam o notável fato de que “o Japão está procurando converter em trunfo aquilo que em outros países muitas vezes é visto como um custo: o envelhecimento”.

 

Fonte: Le Monde

Os “cabeças de planilha” e a crise

Enviado por luisnassif

Coluna Econômica

Em seu livro “Cartas a um Jovem Economista”, o economista Gustavo Franco me brinda com críticas. Desde início dos anos 2000 venho criticando o que denominei de “cabeças de planilha”- economistas sem conhecimento de história, microeconomia, política, que julgavam ser possível colocar todas as variáveis econômicas em uma planilha.

Essa praga adveio com o avanço da microinformática e a facilidade em montar planilhas de cálculo. O grande economista Dionísio Dias Carneiro criticava jovens economistas que colocavam séries históricas e estabeleciam correlações sem ao menos entender o significado dos números.

***

Gustavo jamais poderia ser confundido com um cabeça-de-planilha. Pelo contrário, juntou a formação econômica com uma sólida formação histórica, estudando desde o Encilhamento – a crise financeira do início da República – até as grandes hiperinflações do século.

Mas em seu ritmo foi tomado pela síndrome do deus ex-machina do mercado.

Dizia ele: “felizmente o gênero (dos céticos na macroeconomia planilheira) está definhando, pois a economia está mais normal e o noticiário se tornou mais técnico, analítico e especializado”.

***

Não sei o ano que escreveu o artigo. Mas até um pouco antes da crise de 2008, a geração dos cabeças-de-planilha predominava.

Os grandes economistas não costumam sofisticar seus modelos econômicos. Sua sabedoria consiste em entender, no emaranhado de eventos econômicos, aqueles fatores-chave que determinam o resultado final da economia. Estão nesse time economistas como Delfim Neto, Yoshiaki Nakano, José Roberto Mendonça de Barros, Luiz Gonzaga Belluzzo.

***

De repente, foram deixados de lado. O Manual do Perfeito Economista Imbecil Latino-Americano foi seguido à risca por cometas como Alexandre Schwartsman para afirmar que alguns desses ícones “não entendem nada de economia”.

***

Lembro-me de uma sessão no Conselho de Economia da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na qual um desses economistas sustentava que o modelo econômico em vigor era definitivo e que o Brasil teria que acostumar para o todo e sempre com câmbio apreciado. Foi um mês antes de explodir a crise de 2008.

***

Suas planilhas eram certinhas, mostravam um mundo em perfeito equilíbrio. Se os juros caem x, o câmbio sobe y; se as cotações de commodities sobem w, o câmbio cai z.

Há anos os verdadeiros economistas tinham se dado conta de que a dinâmica da economia mundial a encaminhava inexoravelmente para uma crise. Havia excesso de ativos financeiros no mundo, em comparação com os ativos reais. Bolhas se formavam por toda parte, sucessivamente. Novos atores entravam no mercado, os países emergentes, os fundos soberanos, a China, a Internet modificando totalmente o modelo político tradicional. E os gênios da planilha com seus modelitos.

***

Tem-se um mundo novo pela frente, cujos contornos ainda não são nítidos. Mas os últimos a entender esse novo mundo certamente serão os ejaculadores precoces da planilha.

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-%E2%80%9Ccabecas-de-planilha%E2%80%9D-e-a-crise

Onde moram as caraminholas

Avaliação auxilia a reconhecer inquietações e propõe práticas para tornar a vida mais leve

©Robert Adrian Hillman/shutterstock

Dados do Instituto Americano de Terapia Cognitiva revelam que 38% das pessoas se preocupam todos os dias. Só nos Estados Unidos mais de 19 milhões são preocupados crônicos. A avaliação abaixo é uma versão resumida do questionário-padrão sobre a preocupação, o Worry Domain Questionnaire, que separa a preocupação em cinco categorias – relacionamento, falta de confiança, ausência de objetivos futuros, trabalho e finanças – para ajudar a localizar as areas onde se concentram as maiores inquietações.

Eu me preocupo…

Nem um pouco (0) Um pouco (1) Moderadamente (2) Um tanto (3) Extremamente (4)

Porque…
( ) Não consigo ser assertivo ou expressar as minhas opiniões.
( ) As minhas perspectivas profissionais não são boas.
( ) nunca conquistarei as minhas ambições.
( ) não conseguirei deixar o meu trabalho em dia.
( ) Os problemas financeiros restringirão as férias e as viagens.
( ) Não consigo me concentrar.
( ) Não consigo comprar coisas.
( ) Eu me sinto inseguro.
( ) Não consigo pagar as contas.
( ) Minhas condições de vida são inadequadas.
( ) A vida pode não ter propósito.
( ) Não trabalho o suficiente.
( ) Os outros não me aprovam.
( ) Acho difícil manter um relacionamento estável.
( ) Tenho falta de confiança.
( ) Vou perder amigos queridos.
( ) Não sou atraente.
( ) Podem pensar que sou um idiota.
( ) Não conquistei muitas coisas.
( ) Posso cometer erros no trabalho.

Resultados: Se fizer 52 pontos ou mais, você pode ter uma quantidade nociva de preocupações na sua vida. Talvez seja útil tentar algumas dicas de relaxamento ou buscar uma terapia.

É posível relaxar

Atitudes práticas sugeridas com base na abordagem cognitivo-comportamental podem tornar a vida mais leve.

1. Um bom começo é determinar se suas inquietações poderão realmente ajudá-lo a encontrar soluções práticas para um problema. Se a resposta for “sim”, faça uma lista com medidas claras e práticas para resolver a questão, de preferência estabelecendo prazos. Se a resposta for “não”, use as técnicas a seguir.

2. Livro de anotações com suas preocupações
Registre suas preocupações improdutivas durante o dia e reserve aproximadamente 15 minutos para se dedicar especificamente à reflexão sobre elas. Muita gente descobre que, no horário estipulado, elas simplesmente “deixaram de existir”. Assuntos aparentemente fundamentais que exigiam resposta imediata parecem ter perdido a importância mais tarde.

3. Impossível fugir das incertezas
Os preocupados costumam ter dificuldade em aceitar que nunca poderão ter controle completo sobre sua vida. Alguns psicólogos comportamentais garantem que repetir baixinho uma preocupação por 20 minutos (“nunca vou pegar no sono” ou “posso perder o meu emprego”) reduz o medo que temos de que essa afirmação se concretize. A maioria das pessoas fica entediada e nem chega a completar o tempo – termina desviando a atenção para outras prioridades.

4. Viva a concentração
Técnicas com base em ensinamentos budistas pregam viver o momento presente e experimentar todas as emoções, mesmo as negativas. Costumamos nos concentrar (ou seja, estar no centro de nossa vida) quando estamos imersos em nossa música predileta ou numa conversa animada com os amigos. Uma forma eficaz de “permanecer” no presente é praticar a respiração profunda, deixando o corpo relaxar e a tensão dos músculos desaparecer.

5. Redimensione a realidade
O que aconteceria se um de seus receios se concretizasse? Você sobreviveria à perda do emprego ou do namorado? Relativizar a forma como você avalia os desapontamentos costuma diminuir – ou até atenuar – a sensação de fracasso. Também pode ser útil fazer uma lista de coisas pelas quais somos gratos em nossa vida.

6. De olho no passado
Examine as preocupações que o incomodaram e hoje não fazem mais sentido. Você tem dificuldade de lembrar quais são? Provavelmente isso significa que aquelas preocupações nunca se tornaram realidade ou que você conseguiu lidar com elas e esquecê-las. Essa forma de pensar ajuda a redimensionar as inquietações atuais.

 

Segunda Guerra Mundial: Dresden é destruída em poucas horas

A bela cidade de Dresden, na Alemanha, foi destruída em poucas horas. Foto: Walter Hahn/AFP

A bela cidade de Dresden, na Alemanha, foi destruída em poucas horas
Foto: Walter Hahn/AFP

Voltaire Schilling

Há mais de meio século, no final da Segunda Guerra Mundial, a estupenda cidade de Dresden, na Alemanha, uma referência universal da cultura, foi varrida do mapa por um intenso e cruel bombardeio aéreo decretado pelos aliados anglo-saxões. Nesta ocasião, a Força Aérea Real (RAF, na sigla em inglês) e a Força Aérea americana rivalizaram durante três dias seguidos, entre 13 e 15 de fevereiro de 1945, para tocar fogo em tudo que era vivo ou representava arte e cultura. Desta forma, cometeram, além de um ato inumano, um dos maiores crimes de dano à cultura de todos os tempos.

Maravilhas na beira do Elba
Coube ao príncipe-eleitor da Saxônia August der Starke (1670-1733), Augusto o Forte, conhecido como o “Cavaleiro Dourado”, que naqueles tempos empunhava também o cetro da Polônia, tornar Dresden um assombro arquitetônico. A disputa para tanto viera do seu vizinho e rival Pedro o Grande, o czar da Rússia conhecido como o “Cavaleiro de Bronze”, que em 1703 erguera a magnifica São Petersburgo, nos pântanos do Rio Neva.

A Paris de Luís XIV e a capital do czar Pedro, não se equiparavam à bela Dresden, onde o grande Palácio Zwinger, em estilo barroco tardio (obra de Pöppelmann), que fazia às vezes de galeria de arte, biblioteca, museu e orfeão musical, convertera-se num centro extraordinário de ebulição cultural.

Uma das suas outras maravilhas, abrigada no Palácio Real, era a Fürstenzug, um enorme mural externo com 24 mil azulejos expostos em 102 m que relatavam a crônica dos príncipes da Saxônia – exposição que visava mostrar a todos a excelência das fábricas de porcelana que atuavam no reino. Famosa igual também a Semperoper, a casa de ópera cuja celebrada acústica serviu para que Richard Wagner nela estreasse, entre 1842 e 1845, o seu Rienzi, o Navio Fantasma e o Tannhäuser, e regesse ainda a Nona Sinfonia de Beethoven.

Um estilo de vida
Décadas antes de Wagner estabelecer-se como Kapellemeister, o chefe da orquestra real, a cidade já havia assumido ser a protetora da escola romântica alemã quando, em 1798, por lá estiveram os irmãos Schlegel e o poeta Novalis. Com Praga, Viena e Budapeste, ela, com justa razão chamada de a “Florença do Elba”, formava no século 19 um quarteto de esplendidas cidades da Mitteleuropa, da Europa Central, onde cotidianamente podia-se usufruir o melhor da vida.

Repletas de cafés, de estupendos jardins, de academias de arte eletrizadas pelo vai e vem de pintores e músicos, de declamações de poetas e consertos de grandes solistas, na cidade misturavam-se a proletária cerveja e o nobre champanhe. Tudo isto, este entregar-se ao hedonismo, reduzia-se num estilo de vida que se consagrou pela expressão “boêmia”. Enquanto Berlim representava a coroa e o quartel e Frankfurt o cifrão do dinheiro, Dresden foi, por mais de dois séculos, a favorita da lira e do verso da Alemanha.

Uma noite apavorante
Tudo terminou em uma só noite. Às 21h30 de 13 de fevereiro de 1945, um barulho atordoante tomou conta dos céus da cidade. Quase mil aviões Lancasters da RAF, a mando de Winston Churchill, tido até então como homem da cultura, começaram a descarregar a primeira leva de bombas sobre a cidade. Choveram lá do alto 1.478 bombas explosivas e mais 1.182 incendiárias.

Em seguida, fortalezas voadoras dos americanos jogaram uma carga de mais de 1.8 mil bombas para por fogo em tudo. Dresden, em poucas horas, viu-se transformada na maior fogueira do mundo. Um calor que ultrapassou a 800°C incinerou ou asfixiou quase toda a população civil. Calcula-se que os mortos oscilaram de 35 a 135 mil vítimas – 80% delas eram mulheres, criança e idosos, visto que os homens estavam no fronte da guerra (o número de mortos ultrapassou a todas as baixas civis inglesas sofridas durante a Segunda Guerra Mundial, e foi quase equivalente aos de Hiroxima, abrasados em 6 de agosto daquele mesmo ano).

Nos dias seguintes, num arremate final do terror, aviões mosquitos da RAF, em voos rasantes, varreram à metralha as estradas vizinhas, atulhadas com os sobreviventes em fuga, para mostrar-lhes que o inferno os perseguia também ali. No final de tudo, impressionantes pilhas de cadáveres retorcidos, com duzentos mortos em cada uma e pirâmides humanas ainda fumegantes, espalhadas por toda a Dresden, disputavam em horror com os escombros de séculos de beleza e de história devoradas num par de horas.

Churchill, chamado “Cavaleiro da Rainha” e Prêmio Nobel de Literatura em 1953, foi quem ordenou a dizimação da cidade e arrasou de uma vez só mais prédios e objetos de arte do que todos os bárbaros do passado, de Atila a Gengis Kã. Ele justificou-se dizendo ao Marechal do Ar Arthur Harris, apelidado com todos os motivos de “Harris Bombardeador”, o executor da tétrica operação, que ele “preferia a devastação total das cidades alemãs do que a perda de um só osso de um granadeiro inglês”.

Especial para Terra

Segunda Guerra Mundial: a batalha de Stalingrado

Marechal Friedrich Paulus (1890 - 1957), comandante do 6º Exército, responsável pela invasão a Stalingrado, durante interrogatório em março de 1943. .... Foto: Getty Images

Marechal Friedrich Paulus (1890 – 1957), comandante do 6º Exército, responsável pela invasão a Stalingrado, durante interrogatório em março de 1943. Em fevereiro, os alemães foram derrotados pelos russos na cidade
Foto: Getty Images

Voltaire Schilling
“Stalingrado foi o ápice da campanha russa. É verdade que a frente recuou aos pulos e sobre grandes distâncias, mas de maneira irreversível” – Lidde Hart

Stalingrado, cidade situada na margem direita do rio Volga, era um importante entroncamento fluvial e ferroviário que ligava as regiões minerais e petrolíferas do Cáucaso à área de Moscou. Hitler decidiu lançar o peso de sua ofensiva sobre esta cidade não só por motivos estratégicos, mas também políticos. Acreditava que provocaria um profundo abalo moral nas forças inimigas caso conquistasse rapidamente a cidade. As divisões alemãs que atuavam na Rússia foram ampliadas de 184 em junho de 1942 para 193 em agosto/setembro do mesmo ano. Assim, reforçados, deram início à ofensiva.

Especial Voltaire Schilling: saiba tudo sobre a Segunda Guerra Mundial
Confira o especial sobre os 70 anos da Segunda Guerra Mundial

A 17 de julho, o VI Exército, sob o comando do general Von Paulus, teve ordem de dar início à mobilização que visava a ocupar Stalingrado. Em setembro, a luta se estende para o interior e a queda é eminente. Hitler, eufórico, chega a anunciar a rendição para qualquer momento. No entanto, o avanço alemão por entre as ruínas da cidade é cada vez mais moroso. O 62º Exército, comandado por Chuikov, resiste na sombra de cada casa, de cada rua, de cada porão.

A terrível oposição das tropas russas não evita que os alemães se apropriem de quase 70% da cidade. Chuikov faz referências à extrema dificuldade em se defender um front que tinha de extensão mais de 40 km e uma profundidade de apenas 3 km.

Na outra margem do rio, os russos colocam uma artilharia que, através de sucessivas barragens, evitam que o restante da cidade caia em poder dos alemães. As perdas de ambos os lados são imensas. O inverno se aproxima e a vitória alemã não se concretiza.

Em 19 de novembro de 1942, após silencioso preparativo, os soviéticos, sob o comando do general Zukov, realizam a contraofensiva. Três grandes corpos de exércitos (de Vatutin, de Rokossovsky e de Yeremenko) avançam pelos frágeis flancos do VI Exército, terminando por cercá-lo completamente a 23 de novembro de 1942. Vinte e duas divisões de elite e mais dois exércitos romenos encontram-se aprisionados no chamado “caldeirão” de Stalingrado.

O general Von Paulus solicita ordens para executar uma retirada enquanto fosse tempo. Hitler, teimosamente, ordena que os alemães permaneçam nas posições conquistadas, enviando um corpo blindado (Hooth-Mainstein) para tentar romper o bloqueio. Os russos, com relativa facilidade e auxílio das baixas temperaturas, conseguem afastá-lo das cercanias da cidade. Em dezembro de 1942, os soviéticos apelam para a rendição do VI Exército, dada a inutilidade de qualquer resistência. O natal é lúgubre em toda a Alemanha.

O führer, tenta criar uma situação emocional favorável ao espírito de resistência até o último homem. Promove Von Paulus a Marechal, esperando dar-lhe ânimo. Dos 330 mil soldados existentes dentro do “caldeirão”, a metade já havia perecido nos combates, pela fome e pelo frio. As promessas de Güring, de abastecer os sitiados por via aérea, não se concretizam.

Entre os dias 10 de janeiro a 2 de fevereiro de 1943, as tropas soviéticas executam a operação final, que culmina na rendição incondicional de quase cem mil homens. Foi a maior derrota militar do Exército alemão em todos os tempos, marcando o fim da supremacia estratégica e tática da Alemanha, que definitivamente perdeu a iniciativa da guerra. Dali em diante, os soviéticos passariam a determinar os rumos do conflito. A Batalha de Stalingrado marca a reviravolta dos destinos da guerra e o princípio do fim da Alemanha Nazista.

Especial para Terra

Segunda Guerra Mundial: do Dia D ao término do conflito

No chamado o Dia D os aliados ocidentais desembarcaram nas costas da França, dando início ao fim da Segunda Guerra Mundial. Foto: Weston Haynes/AP

No chamado o “Dia D” os aliados ocidentais desembarcaram nas costas da França, dando início ao fim da Segunda Guerra Mundial
Foto: Weston Haynes/AP

Voltaire Schilling

No dia seis de junho de 1944, chamado o “Dia D”, o dia decisivo, os aliados ocidentais desembarcaram nas costas da França, dando início ao fim da Segunda Guerra Mundial, começada cinco anos antes pela invasão nazista à Polônia. Simultaneamente ao desembarque do lado ocidental, no Leste da Europa, a URSS lançou uma poderosa ofensiva contra os nazistas, levando tudo de roldão.Onze meses depois a Alemanha nazista rendia-se para os vencedores. O Japão, aliado dos nazistas, seguiu o mesmo caminho quatro meses depois. Em agosto de 1945, todas as ações militares haviam sido suspensas, terminara a maior e pior guerra que a humanidade jamais travara.

O maior desembarque de todos os tempos
No Dia D deu-se a maior operação militar aeronaval da história. Naquela data, 155 mil homem dos exércitos dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Canadá, lançaram-se nas praias da Normandia, região da França atlântica, dando início à libertação europeia do domínio nazista.

Transportados por uma frota de 14.200 barcos, protegida por 600 navios e milhares de aviões, asseguraram uma sólida cabeça-de-praia no litoral francês e dali partiram para expulsar os nazistas de Paris e, em seguida, marchar em direção à fronteira da Alemanha. Era o primórdio do colapso final do III Reich, o império que, segundo a propaganda nazista, deveria durar mil anos.

O clamor pela “Segunda Frente”
Desde 1942, os soviéticos, que estavam sofrendo horrores para deter e fazer os nazistas recuarem da URSS, vinham clamando para que seus aliados ocidentais, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, abrissem um fronte no ocidente para aliviar a fortíssima pressão que o exército alemão exercia sobre o território russo. Desde que ocorrera a invasão do solo soviético, em 22 de julho de 1941, a Wehrmacht havia conquistado imensas fatias do território russo, fazendo com que a sua linha ofensiva saísse da região de Leningrado, no norte do país, se estendesse em direção à linha Moscou-Smolesk, chegando até o Cáucaso, a cadeia de montanhas bem ao sul da URSS.

Especial para Terra

Peruanos comiam pipoca antes mesmo de fabricar cerâmica

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Eles podem não ter tido televisão, mas tinham um costume relacionado a assistir filmes: o consumo de pipoca.

Pesquisadores encontraram evidências de que sociedades peruanas comiam pipoca muito antes da utilização de cerâmica.

Isso significa que o consumo de pipoca começou cerca de mil anos antes do que se acreditava.

Cientistas peruanos e americanos conseguiram desenterrar palha de milho, caules, espigas e borlas (pólen de produção de flores no milho) que datam de 6.700 a 3.000 anos atrás em Huaca Prieta Paredones, no norte do Peru.

As características do sabugo de milho sugerem que os habitantes dessas regiões preparavam e comiam milho de várias maneiras, inclusive fazendo farinha e pipoca.

A pipoca peruana é a mais antiga evidência fóssil do milho “estourado” na América do Sul. Apesar de já existir consumo de milho há milhares de anos na região andina, esse vegetal ainda não era uma parte importante da alimentação do povo antigo.

“Em muitas áreas, o milho chegou antes da cerâmica. Isso indica que o consumo de milho não dependia de cerâmica”, diz Dolores Piperno, do Museu Nacional de História Natural Smithsonian.

A evolução do consumo do milho é difícil de ser estudada porque espigas e grãos não se preservam muito bem.

Fonte: Jornal Folha de S. Paulo – http://www.uol.com.br

Menor autoestima, maior dificuldade para se desculpar

A consciência do erro afeta a autoimagem de pessoas emocionalmente frágeis

Reconhecer um erro e pedir perdão não é fácil para a maioria das pessoas. Para algumas, ainda, é realmente penoso. “A consciência do erro afeta a autoimagem, o que deixa egos ‘mais frágeis’ relutantes”, diz o psicólogo Andrew Howell, da Universidade Grant MacEwan, no Canadá, autor de um estudo que relaciona traços de personalidade e “predisposição” para pedir desculpas.

Howell solicitou a homens e mulheres de diferentes idades que assinalassem se concordavam ou não com sentenças de um questionário, como “Por ainda estar com raiva quase nunca consigo me desculpar” e “Se acho que os outros não vão saber o que fiz, prefiro não pedir perdão”. Em seguida, os pesquisadores cruzaram as respostas com testes de personalidade aplicados aos mesmos voluntários.

“Como já esperávamos, as pontuações mais altas em traços como amabilidade e empatia coincidiram com maior aptidão em se desculpar”, explica o psicólogo. Por outro lado, pessoas que disseram sentir vergonha de se desculpar revelaram baixa autoestima, apesar de se sentirem incomodadas ao ferir os sentimentos de outra pessoa. Um dado interessante: participantes com forte senso de justiça se mostraram com mais dificuldade para pedir perdão. “Podemos dizer que ser adepto da filosofia do ‘olho por olho’ e admitir os próprios erros é incompatível”, acredita Howell.

Fonte: Mente e Cérebro – http://www2.uol.com.br/vivermente

Tristeza sem fim

Desmoronamentos no Rio de Janeiro, como o desta semana no Centro, traumatizam a cidade há décadas, acompanhados de falhas e impunidades perenes


“Caía a tarde feito um viaduto”, verso de João Bosco e Aldir Blanc no clássico “O Bêbado e a Equilibrista”, pode soar como uma incógnita para muitas pessoas – principalmente que não são do Rio ou nasceram longe dos anos 70. Juntamente com o contexto político da época, a inspiração veio de um dos maiores desabamentos ocorridos no Rio de Janeiro. O Viaduto Paulo de Frontin, que liga o Túnel Rebouças à Linha Vermelha com saídas para a Ponte Rio-Niterói e a Avenida Brasil, estava sendo concluído em 1971 quando veio abaixo ao meio-dia de 21 de novembro de 1971.

Quando um caminhão passava com oito toneladas de concreto por cima do elevado, a estrutura recém-construída não resistiu. Um trecho de 122 metros de viaduto – o equivalente a 30 carros enfileirados – desmoronou em cima de um ônibus e de automóveis que cruzavam a esquina da Avenida Paulo de Frontin com a Rua Haddock Lobo. Quarenta e oito pessoas morreram e dezenas ficaram feridas. Ninguém foi culpado pelo acidente – como, aliás, é de hábito nesses casos.

De lá para cá, o Rio se “acostumou” com cenas assim. Quando não é um bueiro indo pelos ares ou uma marquise vindo abaixo, é um prédio inteiro que desmorona, como aconteceu nesta semana. Dois edifícios – um de 20 andares e outro de 10 –, além de um sobrado de quatro andares, desmoronaram ao lado do Theatro Municipal. Até agora já são 27 vítimas, sendo nove mortos e 18 desaparecidos.

Em setembro de 2002, outro prédio desabou no Centro, desta vez na esquina das ruas do Rosário com 1º de Março. No local funcionava o Hotel do Rosário e um restaurante. Cinco andares vieram abaixo matando dois hóspedes. Na época, autoridades disseram que o incidente foi provocado por uma demolição inadequada durante a obra – mesma suspeita do desabamento desta semana. Ninguém foi culpado.

Há 14 anos, o trauma foi em pleno domingo de carnaval. Na madrugada de 22 de fevereiro de 1998, moradores do Edifício Palace II, na Barra da Tijuca, foram acordados por um estrondo seguido de um tremor. Um dos pilares de sustentação do prédio estava danificado, e a Defesa Civil, acionada, interditou o edifício às 4h. Meia hora depois, 44 apartamentos desmoronaram. Oito pessoas morreram soterradas e 150 ficaram desabrigadas.

A Prefeitura do Rio anunciou a implosão do prédio dentro de cinco dias. No limite do prazo, dia 27, houve um novo desmoronamento de 44 apartamentos. No dia seguinte, a prefeitura implodiu o Palace II, transmitido pela televisão em cadeia nacional. O Ministério Público acusou a empresa Sersan, do ex-deputado federal Sérgio Naya, de ter usado material de baixa qualidade para erguer o edifício. Naya chegou a passar 137 dias na prisão, mas acabou absolvido. Ele morreu em 2009 de enfarte. Algumas famílias lutam até hoje para serem indenizadas.

Irmão de Nelson Rodrigues

O histórico de desabamentos matou também um irmão de Nelson Rodrigues. Em 1967, um deslizamento atingiu uma casa e dois prédios na Rua General Glicério, em Laranjeiras, matando cerca de 120 pessoas. Entre as vítimas estavam Paulinho Rodrigues, sua esposa e seus dois filhos.

Agroindústria brasileira registra queda de 2,3% em 2011

Fonte: IBGE – http://www.ibge.gov.br/

Em 2011, a agroindústria brasileira recuou 2,3%, resultado inferior ao assinalado em 2010 (4,7%) e também menor do que o registrado pela indústria geral (0,3%). Os setores vinculados à agricultura (-1,6%), de maior peso na agroindústria, apresentaram desempenho abaixo dos setores associados à pecuária (-0,6%). O grupo inseticidas, herbicidas e outros defensivos para uso agropecuário decresceu 16,9% em 2011, impactado negativamente pelo aumento das importações, enquanto o segmento de madeira avançou 4,9%. Em bases trimestrais, a agroindústria apresentou resultados negativos nos quatro trimestres do ano: -3,9% no primeiro, -2,8% no segundo, -0,7% no terceiro e –2,5% no quarto trimestre, todas as comparações contra igual período do ano anterior.

A publicação completa pode ser acessada na página
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/industria/pimpfagro_nova

Embora os derivados da agricultura tenham recuado 2,4% em 2011, influenciados principalmente pela queda nos derivados da cana-de-açúcar (-16,5%), a safra de grãos de 2011, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) foi de cerca de 159,9 milhões de toneladas, resultado 6,9% superior à safra recorde de 2010 (149,6 milhões de toneladas).

Em relação ao setor externo, segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, as exportações do agronegócio em 2011 atingiram o recorde de 94,6 bilhões de dólares, aumento de 24,0% em relação ao ano de 2010 (US$ 76,4 bilhões). Conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX/MDIC), houve aumento no volume exportado dos seguintes produtos da agroindústria: pedaços e miudezas de aves (4,9%), carne de aves não cortadas em pedaços (0,9%), grãos de soja triturados (13,4%), óleo de soja em bruto (9,5%), bagaços e outros resíduos da extração do óleo de soja (4,2%), celulose (1,2%) e fumo (12,0%). Por outro lado, assinalaram queda as exportações de açúcar (-9,4%), álcool (-11,5%), carnes de bovinos congeladas (-16,1%), carnes de suínos congeladas (-4,3%) e couros e peles de bovinos (-0,4%).

Produtos Industriais Derivados da Agricultura recuaram 2,4%

O setor de produtos industriais derivados da agricultura recuou 2,4%, com resultados negativos em três dos oito subsetores pesquisados, com destaque para a queda dos derivados da cana-de-açúcar (-16,5%), influenciado tanto pela redução na produção de açúcar cristal (-12,4%), como na de álcool (-22,8%). As outras contribuições negativas vieram dos derivados do trigo (-0,7%), em razão da queda da safra, e da laranja (-15,1%). Os resultados positivos vieram dos derivados da soja (3,7%); celulose (0,9%), fumo (13,4%) e arroz (14,5%).

Os produtos industriais utilizados pela agricultura avançaram 3,2% em 2011, apoiados em grande parte no aumento da produção de adubos e fertilizantes (7,7%), devido a expansão da renda agrícola e ao crescimento da safra e aumento no preço de algumas commodities. A fabricação de máquinas e equipamentos recuou 4,2% – a produção de tratores e colheitadeiras foi influenciada pela elevada base de comparação, já que em 2010 o setor havia crescido 31,5%. Em relação ao setor externo, as exportações de colheitadeiras aumentaram 5,7% e as de tratores de rodas recuaram 11,0%, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA).

Produtos Industriais Derivados da Pecuária tiveram queda de 1,7%

Os produtos industriais derivados da pecuária caíram 1,7% em 2011, com queda dos derivados da pecuária bovina e suína (-0,7%) e dos derivados de aves (-2,2%), e do subsetor de leite (-3,0%). Por outro lado, o segmento de couros e peles avançou 3,3%.

O setor de produtos industriais utilizados pela pecuária cresceu 3,1% em 2011, impulsionado em grande parte pelo crescimento de 1,9% na produção de rações e suplementos vitamínicos e pelo aumento de 9,6% na fabricação de produtos veterinários.

Controvérsia apoia

campanha terra

Em 2011, indústria cresceu em 9 dos 14 locais pesquisados

Fonte: IBGE – http://www.ibge.gov.br/

Em 2011, a produção industrial regional cresceu em nove dos quatorze locais pesquisados, com seis locais registrando taxas acima da média nacional (0,3%): Paraná (7,0%), Espírito Santo (6,8%), Goiás (6,2%), Amazonas (4,0%), Pará (2,7%) e Rio Grande do Sul (2,0%). Minas Gerais (0,3%), Rio de Janeiro (0,3%) e São Paulo (0,2%) também tiveram taxas positivas em 2011. Pernambuco (0,0%) repetiu o patamar do ano de 2010.

Enquanto Bahia (-4,4%), região Nordeste (-4,7%), Santa Catarina (-5,1%) e Ceará (-11,7%) tiveram queda na produção. A publicação completa pode ser acessada na página
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/industria/pimpfregional

Já entre novembro e dezembro de 2011, os índices da produção regional, com ajuste sazonal, cresceram em oito dos 14 locais pesquisados. O maior crescimento foi no Paraná (6,5%), seguido por Pará (3,3%), Rio Grande do Sul (2,3%), Pernambuco (2,1%), Amazonas (1,5%) e Santa Catarina (1,0%). Ceará (0,1%) e São Paulo (0,3%) cresceram abaixo da média da indústria nacional (0,9%). Por outro lado, as seis áreas que registraram queda na produção foram: região Nordeste (-1,2%), Espírito Santo (-1,8%), Minas Gerais (-2,8%), Rio de Janeiro (-3,1%), Bahia (-5,2%) e Goiás (-7,0%).

Na comparação Dezembro de 2011 / Dezembro de 2010, o setor industrial nacional mostrou queda de 1,2%, com sete dos 14 locais investigados assinalando redução na produção. A taxa negativa mais intensa foi registrada em Santa Catarina (-10,9%), pressionada pela queda na maior parte dos setores investigados no local, seguida por Ceará (-7,4%), Bahia (-4,9%), região Nordeste (-3,7%), São Paulo (-3,2%), Minas Gerais (-2,8%) e Rio de Janeiro (-2,1%). Entre os locais que apontaram avanço na produção, Paraná (23,5%) assinalou a expansão mais elevada, impulsionado em grande parte pelos setores de veículos automotores e de edição e impressão. Os demais resultados positivos foram verificados no Espírito Santo (7,4%), Goiás (6,6%), Pará (5,2%), Pernambuco (3,8%), Amazonas (3,6%) e Rio Grande do Sul (3,2%).

Na análise trimestral, observa-se que o setor industrial, ao recuar 2,0% no quarto trimestre de 2011, prosseguiu com a trajetória descendente iniciada no primeiro trimestre de 2010 (18,2%), ambas as comparações contra igual período do ano anterior. No último trimestre de 2011, o total da indústria mostrou o primeiro resultado negativo desde o terceiro trimestre de 2009 (8,2%). Em nível regional, ainda no confronto com igual período do ano anterior, sete locais assinalaram taxas negativas no quarto trimestre de 2011, com Santa Catarina (-8,8%) e Ceará (-6,8%) apontando as perdas mais intensas. Vale citar, também, os recuos observados na Bahia (-4,6%), São Paulo (-4,3%), região Nordeste (-3,0%) e Rio de Janeiro (-2,6%). Por outro lado, Paraná (15,1%), Goiás (7,6%) e Amazonas (6,8%) registraram os avanços mais significativos, no período outubro-dezembro de 2011. A perda de dinamismo verificada em nível nacional, na passagem do terceiro (0,0%) para o quarto (-2,0%) trimestre de 2011, foi acompanhada por oito dos quatorze locais investigados, sendo particularmente mais relevante em Santa Catarina (de -4,2% para -8,8%), São Paulo (de -0,2% para -4,3%), Pará (de 6,3% para 2,5%) e Rio de Janeiro (de -0,3% para -2,6%).

Trabalhadores chineses protagonizam documentário

Daniel Mcdermon
The New York Times

Dois artigos recentes da Times numa nova série, “The iEconomy”, falaram dos desafios que enfrentam as indústrias de alta tecnologia, incluindo as pressões de uma rede de fornecimento globalizada e questões sobre as práticas trabalhistas nos parceiros manufatureiros.

Na maior parte do debate em torno desses temas, a voz de um grupo está notavelmente silenciosa: os próprios funcionários das fábricas. Muitos deles são jovens migrantes, atraídos pela perspectiva de trabalho estável e chances de crescimento, há uma concorrência intensa por esses empregos.

Em 2010, Ivan Franceschini e Tommaso Facchin, documentaristas da Itália, passaram a registrar as vozes desses trabalhadores. Eles alugaram um estúdio fotográfico em Shenzhen, China, onde fizeram retratos dos trabalhadores de uma fábrica da Foxconn, que ficava próxima. Enquanto tiravam as fotos, falavam com os trabalhadores sobre suas vidas diárias, esperanças e sonhos.

Franceschini e Facchin concluíram recentemente seu projeto, um filme chamado “Dreamwork China”.

Por e-mail, Franceschini respondeu a algumas perguntas.

Pergunta: O que o atraiu no tema?

Franceschini: 2010 foi um ano muito importante para a mão de obra chinesa. Os trabalhadores chineses, principalmente os jovens migrantes, começaram a chamar muita atenção da mídia chinesa e internacional. Na época, eu estava morando entre Pequim e Shenzen, e já tinha pesquisado o tema do trabalho chinês durante alguns anos, então fiquei surpreso pela mudança no discurso popular sobre os trabalhadores chineses.Até a primavera de 2010, a mídia chinesa e internacional estava ansiosa para descrever os trabalhadores chineses como vítimas, mas então o foco mudou para o seu ativismo no ambiente de trabalho e o para o (suposto) aumento de sua consciência sobre as leis. Em particular, no fim de 2010, havia duas considerações que levaram Tommaso Facchin e eu a embarcar no projeto “Dreamwork China.”A primeira foi a vontade de experimentar com um novo meio e uma nova linguagem para minha pesquisa. A segunda foi a ideia de descrever esses trabalhadores além do fato de serem apenas trabalhadores, como jovens que têm sonhos, ideais e objetivos – não só como parafusos ou robôs nas linhas de produção. Também queríamos investigar o “despertar” desses jovens trabalhadores migrantes, uma ideia que foi bastante promovida pela mídia e parte das comunidades acadêmicas depois da greve da Honda, mas que ainda é muito discutida.

Pergunta: O que a história desses trabalhadores nos diz?

Franceschini: As histórias e os sonhos que nós registramos nos contam muito sobre essa nova geração de trabalhadores, que está tomando a cena nas indústrias do mundo. Em particular, como eu escrevi antes, seus testemunhos nos lembram da humanidade desses jovens, que são algo mais do que “trabalhadores”. Outra coisa que percebemos enquanto viajamos por universidades italianas para exibir o filme foi que muitos estudantes italianos ficaram surpresos com o que perceberam como “otimismo” por parte desses trabalhadores. Não importava o quanto suas vidas estavam difíceis, eles ainda tinham um sonho para se apegar e uma forte fé de que este sonho seria realizado, o que é uma coisa bem diferente de seus colegas ocidentais hoje em dia.

Pergunta: Há planos para distribuir o filme?

Franceschini: No momento, ainda estamos procurando uma distribuidora. Atualmente,  exibimoso documentário em universidades de toda Itália e no exterior.

Tradutor: Eloise De Vylder

Nahas pode ter se tornado credor da sua massa falida

Lilian Milena

Naji Nahas é suspeito de ter utilizado um interposto (laranja) para se apropriar do terreno de Pinheirinho na condição de credor. Quem confirma a informação é o deputado federal Protógenes Queiroz, ex-coordenador da Operação Satiagraha da Polícia Federal (PF), que culminou, em 2008, com a prisão de banqueiros e diretores de investidoras, entre eles Daniel Dantas e Naji Nahas.

O ex-delegado conta que a constatação foi feita através de escutas telefonicas realizadas durante a operação. A RS Administração e Construção Ltda tornou-se, em meados da operação, credora da Selecta Comercio e Industria S/A. Ocorre que o proprietário da RS é Teófilo Guiral Rocha, advogado que defende interesses de Naji Nahas.

“Ou seja, o próprio Naji Nahas, que era devedor, se torna credor através de preposto”, aponta. A empresa de Rocha faria parte de uma sociedade imobiliária de investimentos, com sede no Panamá.

No dia 22 de Janeiro, um domingo às 6 horas da manhã, a Polícia Militar invadiu o bairro conhecido como Pinheirinho, onde moravam mais de 2 mil famílias para cumpria uma liminar de reintegração de posse expedida pela 6ª Vara de São José dos Campos, a pedido da massa falida da Selecta S/A. O terreno, com mais de 1,3 milhão de metros quadrados, está a 1,5 km de distância do centro de São José dos Campos.

A ação desrespeitou uma decisão superior do Tribunal Regional Federal (TRF) que, no dia 20 de janeiro, suspendeu a reintegração. No momento as famílias se encontram em abrigos provisórios concedidos pela prefeitura e Estado. O valor do terreno é estimado em R$ 85 milhões.

Leis? Por quê? Linchar é mais divertido

Blog do Leonardo Sakamoto

Um homem de 47 anos foi espancado até a morte em Olinda (PE), na noite de sexta (3), por moradores que o confundiram com um suspeito de estupro. De acordo com a Polícia Civil, a vítima dormia em um terreno baldio quando foi linchado. Ele chegou a ser levado para o hospital, mas não resistiu.

Já tratei do tema neste blog, mas vou voltar a falar sobre o assunto toda a vez que uma turba idiota resolver fazer justiça com suas próprias mãos linchando alguém, ignorando o pacto que os membros da sociedade fizeram entre si para poderem conviver minimamente em harmonia. Abrimos mão de resolver as coisas por nós mesmos para impedir que nos devoremos. O sistema não é perfeito, longe disso, mas – no curto prazo, enquanto não temos consciência para podermos nos autogerir – a melhor saída é fazê-lo funcionar.

A vítima não teve direito à defesa ou à recurso. Foi julgado e executado pela estupidez humana (se com o devido processo legal, inocentes amargam anos de cadeia devido a erros, imagine sem ele?). O Brasil não tem pena de morte. Oficialmente, é claro. Porque muitos governos e suas polícias fingem que não sabem disso. E, não raro, turbas tratam de agir.

Em 2010, um outro homem foi espancado até a morte e teve a casa incendiada e o bar destruído após ser acusado de ter sido o responsável pela morte de uma adolescente em Marília (SP). A investigação, contudo, mostrava que a jovem poderia ter morrido por outro motivo. A turba idiota não quis saber e rolou, ladeira abaixo, uma bola de neve de rumores, fofocas e maldizeres, decidindo que ele era culpado. Ao final, questionado pela barbárie, um dos participantes da loucura declarou: “Se a gente fez, ele deve. Alguma coisa ele deve”.

E quando a massa decide ou é levada a crer sobre algo, mudar a posição é difícil – mais difícil que formá-la. Se a decisão é simples e plausível, melhor ainda. Por que imaginar que a vida real é complexa se as novelas nos ensinam a simplificar?

(“Levada a crer” porque nós, jornalistas, temos uma parcela grande de responsabilidade nisso. Sob a justificativa de estarmos prestando um serviço de informação à sociedade, muitas vezes incitamos a massa contra um suspeito ou um flagrante culpado de algo – principalmente quando somos sugados pelo círculo vicioso da busca pela audiência. Há jornalistas bons nesse negócio de destruir reputações e dar matéria-prima para incendiar a massa, mesmo sem querer. Afinal de contas, quantas vezes temos paciência e competência para checar informações antes de distribuí-las, seja nos veículos tradicionais, nos alternativos, nas redes sociais? Ou pensar nas consequências de nossos atos?)

Adoraria discordar de Oscar Wilde. Mas, nesse caso, ele cai como uma luva: “Há três tipos de déspotas. Aquele que tiraniza o corpo, aquele que tiraniza a alma e o que tiraniza, ao mesmo tempo, o corpo e a alma. O primeiro é chamado de príncipe, o segundo de papa e o terceiro de povo”.

De vez em quando, não sei de quem tenho mais medo. Da polícia, dos bandidos ou de nós mesmos.

O que me lembra o genial Monty Python, em “A Busca do Cálice Sagrado”:

Com lirismo e um ouvido sensível ao registro oral, Rubem Braga modernizou a crônica brasileira

Chico Viana

O escritor Rubem Braga (1913-1990): sensibilidade para textos cheios de lírismo, introspecção e humor

A crônica adquiriu entre nós, a partir de meados do século passado, um nível de excelência linguística que a fez invadir as antologias escolares. Concorreu para isso a produção de uma série de jornalistas-escritores que aliavam ao conhecimento da grande literatura a sensibilidade para captar o registro oral e reproduzi-lo em textos ricos de lirismo, introspecção e humor. Entre eles estão Paulo Mendes Campos, Nelson Rodrigues, Fernando Sabino, Carlinhos Oliveira e Rubem Braga.

Sobre a produção desses autores, o crítico Agripino Grieco certa vez afirmou: “São excelentes nadadores de piscinas”. Admitindo-se a pertinência da imagem (e descontando-se o tom preconceituoso que ela tem), Rubem Braga seria o recordista do grupo. Apelidado de o “Sabiá da Crônica”, ele soube como ninguém ajustar a linguagem coloquial a suas necessidades expressivas, levando o gênero a territórios nunca antes explorados.

A maestria de Rubem Braga decorre de uma forma particular de ver e sentir o mundo. A emoção que seus textos nos provocam vem de um “temperamento”, que tanto se comove com o que há de belo na vida quanto se indigna com as injustiças sociais. Ao mesmo tempo que canta a beleza das mulheres, ironiza o egoísmo dos ricos e a estupidez dos que se pretendem donos do mundo.

Uma de suas mais louvadas características é a capacidade de revelar a beleza de fatos na aparência irrelevantes. O movimento da feira, um banho de mar ou uma borboleta são capazes de deflagrar nele o impulso lírico. É dessas “quinquilharias” que o cronista extrai a matéria de seus melhores textos. Neles procura revelar o que há de imprevisível e grandioso nas coisas simples da vida.

Chico Viana é doutor em teoria literária pela UFRJ e professor de português e redação em João Pessoa

Fóssil altera data de surgimento da vida animal na Terra

FRANCE PRESSE

Uma equipe de pesquisadores descobriu na Namíbia fósseis de esponja, que podem ser a primeira prova de vida animal na Terra, o que faz remontar em milhões de anos a data estimada da aparição desta forma de vida.

Os fósseis estavam, em sua maioria, no Parque Nacional de Etosha e também em outros pontos do país africano, em rochas de até 760 milhões de anos.

A descoberta é de uma equipe internacional de dez pesquisadores que publicaram seus resultados no “South African Journal of Science”.

Até agora, a comunidade científica considerava que a vida animal havia surgido na Terra entre 600 milhões e 650 milhões de anos. Com os fósseis recém-encontrados, essa origem remontaria entre 100 milhões e 150 milhões de anos a mais.

Segundo o estudo, as minúsculas esponjas esféricas, do tamanho de um grão de pó e cheias de buracos que permitem a passagem da água, são nossos ancestrais mais distantes, assegura Tony Prave, um dos coautores do estudo, da Universidade de St Andrew (Escócia).

“Se pegarmos a árvore genealógica e remontarmos até o que se chama grupo mãe, o ancestral de todos os animais, então, sim, esta seria nossa mãe comum”, afirmou.

Para o professor Prave, a descoberta de fósseis de 760 milhões de anos é coerente com a hipótese dos especialistas da genética, que trabalham com o “relógio molecular”.

Trata-se de um método que permite determinar a idade de uma espécie comparando as variações de seu DNA com as de outras espécies vizinhas.

A esponja seria o primeiro advento de uma forma de vida multicelular, acrescentou Prave.

Inpe divulga mapas da estiagem no sul do país

Alexandre Scussel | 13h16, 03 de Fevereiro de 2012

No Centro Regional Sul do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CRS/Inpe), em Santa Maria  (RS), o Núcleo de Pesquisa e Aplicação de Geotecnologias para Desastres Naturais e Eventos Extremos (Geodesastres-Sul) utilizou imagens de satélites para mapear as áreas recentemente atingidas pela estiagem no Sul do Brasil.

O Inpe realizou o mapeamento em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), através do Laboratório de Estiagem para a Região Sul do Brasil (LESul), mantido por ambas as instituições para analisar a dinâmica da vegetação nos estados de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, entre outras pesquisas e atividades.

O levantamento dos municípios da região Sul mais afetados entre os meses de novembro e janeiro, bem como os mapas, estão disponíveis para donwload.  Todas as informações foram enviadas à Defesa Civil dos três Estados. Nos mapas, o estado da vegetação é classificado em sete níveis que variam do extremamente seco ao extremamente verde.

“Vemos nos mapas uma enorme diferença entre a primavera e verão, revelando como a estiagem se agravou desde setembro”, comenta a pesquisadora Tania Maria Sausen, responsável pelo Núcleo Geodesastres-Sul do Inpe.

As imagens de satélites mostram que na primavera a seca atingia 18,6% da área da região Sul. Na primeira imagem obtida no verão (correspondente ao período 19/12/2011 a 01/01/2012), a estiagem já atingia 54,7%. Na segunda imagem (01/01/2012 a 16/01/2012) a área atingida pela estiagem é de 49,1%. A redução do percentual entre as duas imagens obtidas no verão reflete a ação das chuvas que ocorreram no período.

Os dados da região comprovam que, tanto na primavera como no verão, o Rio Grande do Sul foi o mais afetado, pois chegou a ter 58,7% de sua área atingida pela estiagem. O Estado é seguido pelo Paraná, que antes das chuvas tinha 54,3% de seu território sob os efeitos da seca. Confira aqui o cálculo da área de estiagem no Sul.

Mapa estiagem inpe Inpe divulga mapas da estiagem no sul do paísEstiagem no Rio Grande do Sul de 1º a 16 de janeiro

Fonte: Inpe

Tutankamon morreu de doença sanguínea, dizem pesquisadores

Instituto alemão afirma que o faraó morreu de anemia falciforme, e não por problemas ósseos e malária como acredita equipe egípcia

AFP

Foto: Getty Images

Caixão de ouro do faraó Tutankamon

Pesquisadores alemães anunciaram nesta quarta-feira (22) uma nova explicação sobre a morte do faraó Tutankamon que, segundo eles, pode ter sido causada por uma doença sanguínea congênita.

Os cientistas do Instituto Bernhardt-Nocht (BNI) para Doenças Tropicais de Hamburgo rejeitaram a tese exposta em fevereiro por um grupo de egiptólogos, conduzido por Zahi Hawass, responsável pelas antiguidades egípcias do museu do Cairo, segundo o qual Tutankamon tinha sido morto por malária combinada com uma doença óssea.

Essa explicação “nos parece pouco confiável”, declararam os professores Christian Timmann e Christian Meyer, em um comunicado do BNI, afirmando que a malária é particularmente mortal em crianças, enquanto que Tutankamon era um jovem adulto quando faleceu.

Eles privilegiam a tese de que na verdade, o que vitimou o faraó foi anemia falciforme, doença frequente nas regiões atingidas pela malária, particularmente na África.

Essa doença resulta de má-formação dos glóbulos vermelhos, causada por uma mutação em um gene da hemoglobina que transporta o oxigênio no sangue.

As pessoas que herdaram essa mutação tanto do pai como da mãe podem sofrer crises muito dolorosas, cuja repetição pode provocar severas lesões dos rins, pulmões, ossos ou do sistema nervoso central.

Os comentários dos médicos alemães foram publicados no Journal of The American Medical Association (JAMA), assim como o estudo dos egiptólogos, e se baseiam nas mesmas provas genéticas que revelaram uma série de má-formações na família de Tutankamon, como a doença de Kohler, que destrói as células ósseas.

As análises de DNA colocaram em evidência a presença de três genes relacionados ao parasita Plasmodium falciparum, responsável pela malária em quatro múmias estudadas, entre elas a de Tutankamon.

Os pesquisadores alemães afirmam, no entanto, que a presença da anemia falciforme pode ser provada ou descartada por alguns testes de DNA, e sugerem que sejam feitos exames específicos.

Saudade do Ted Boy Marino

Verissimo – O Estado de S.Paulo

Alguma coisa aconteceu no coração do Brasil quando acabaram com as lutas de “catch”. Elas eram um sucesso na TV e seus astros viajavam em caravanas pelo País, apresentando-se em ginásios e circos. As lutas não eram lutas, eram teatro. Não eram exatamente combinadas, mas seguiam um roteiro estabelecido e havia um acordo tácito de que ninguém sairia do ringue machucado, mesmo que saísse arremessado. O roteiro básico não variava: era os bons contra os maus, e os bons sempre ganhavam. Ou só perdiam quando o adversário traiçoeiro recorria a um golpe especialmente baixo, sob uivos de raiva da plateia. E a reação da plateia fazia parte do teatro. Havia uma suspensão voluntária de descrença, e todos torciam pelo Bem contra o Mal – ou pelo bonito contra o feio, o esbelto contra a barrigudo, o correto contra o falso – com um fervor que não excluía a consciência de que era tudo encenação.

Era fácil distinguir os bons e os maus. Os bons eram atletas como o Ted Boy Marino, caráter tão irretocável quanto os seus cabelos loiros, que lutava limpo. Os maus tinham nomes como Verdugo e Rasputin, e comportamento correspondente ao nome. Lembro de um Homem Montanha, que mais de uma vez derrubou o juiz junto com o adversário. E não havia um Tigre Paraguaio? Os bons geralmente começavam apanhando e, quando parecia que estavam liquidados e que o Mal triunfaria, vinha a eletrizante reação, durante a qual o inimigo pagava por todas as suas maldades. Humilhação e vingança, nada na história do teatro é tão antigo e tão eficaz. Nove entre dez novelas de televisão têm o mesmo enredo.

Não sei se ainda fazem espetáculos de “catch” pelo interior do País. Hoje na TV o que se vê é o “ultimate fighting”, ou “mixed marital arts”, dois lutadores simbolizando nada trocando socos e pontapés sem simulação, quando não se engalfinham no chão como um bicho de duas costas e oito patas em convulsão. Nessas lutas não vale, exatamente, tudo – parece que esgoelar o outro e xingar a mãe não pode. Mas é o “catch” despido da fantasia, com sangue de verdade. Não há mais mocinho e vilão, apenas duas máquinas de brigar, brigando. Nem Ted Boy Marino nem Homem Montanha, apenas a violência em estado puro. Sei não, acho que empobrecemos.

Genes são responsáveis por 40% da inteligência ao longo da vida

EFE

Os genes são responsáveis por 40% da inteligência ao longo da vida do ser humano, enquanto os outros 60% são determinados pelo contexto, indica um estudo genético publicado nesta quinta-feira na edição digital da revista científica “Nature”.

Peter Visscher, especialista em genética da Universidade de Queensland, considerou que a inteligência incide nas chances de sobrevivência, em declarações à emissora australiana ABC.

Com o objetivo de saber por que algumas pessoas envelhecem mais inteligentes, o cientista australiano e pesquisadores britânicos examinaram testes de inteligência de mais de duas mil pessoas, que o fizeram aos 11 anos de idade e depois aos 65.

A maioria das pessoas que tinham uma inteligência média quando crianças a aumentou durante a etapa adulta, e as que tinham uma inteligência abaixo da média no início de sua vida mantiveram esta média na velhice.

O contexto no qual a vida se desenvolve, considerando-se fatores como nutrição, educação dos pais e escolaridade, contribui para o desenvolvimento da inteligência, comprovaram os pesquisadores.

Durante o estudo, os especialistas também analisaram amostras genéticas e quantificaram o papel dos genes nas mudanças da inteligência à medida que o ser humano envelhece.

“Calculamos que entre um quarto e um terço destas mudanças são genéticas”, indicou Visscher.

Cientistas produzem biocombustível a partir de algas marinhas

Processo conta com a ajuda de bactéria que absorve açúcar das algas e o transforma em combustível

Anderson Estevan
Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC BRASIL ONLINE

iStockphoto

Algas marinhas

Sem ocupar tanto espaço e tantos recursos naturais, as algas marinhas podem se tornar a base de uma nova geração de biocombustíveis

Depois do milho, da cana-de-açúcar ou até mesmo da mamona, agora é a vez da alga marinha ser usada na produção de etanol. O método pode acabar com o maior problema dos biocombustíveis, que é a produção exagerada de alimentos e o consumo de grande quantidade de água doce para abastecê-los.

Há mais de 30 anos os cientistas buscam criar biocombustíveis a partir de algas. A tecnologia necessária, porém, nunca avançou o suficiente para que se tivesse uma produção sustentável.

O estudo foi publicado ontem (23) pela revista científica Science e mostra o novo processo, que conta com a ajuda da bactéria Escherichia coli paradigerir os açúcares das algas castanhas, gerando o etanol como subproduto. Abundante em regiões costeiras temperadas, a Kelp (tipo de grandes algas) pode crescer até um metro por dia e gerar 60 bilhões de galões diários em pelo menos de 3% das regiões costeiras.

Produzido pela empresa Bio Architecture Lab, em Berkeley, na Califórnia, o estudo modificou o DNA da E. coli, unindo-a com a bactéria Vibrio splendidus, que tem enzimas capazes de transportar e metabolizar o alginato, um tipo de açúcar presente nas algas, para que ele fosse “quebrado” e pudesse fazer a síntese do etanol.

Vale vence o Public Eye Awards, prêmio de pior empresa do mundo

Adital

Após 21 dias de acirrada disputa, a mineradora brasileira Vale foi eleita, nesta quinta, 26, a pior corporação do mundo no Public Eye Awards, conhecido como o “Nobel” da vergonha corporativa mundial. Criado em 2000, o Public Eye é concedido anualmente à empresa vencedora, escolhida por voto popular em função de problemas ambientais, sociais e trabalhistas, durante o Fórum Econômico Mundial, na cidade suíça de Davos.

Este ano, a Vale concorreu com as empresas Barclays, Freeport, Samsung, Syngenta eTepco. Nos últimos dias da votação, a Vale e a japonesa Tepco, responsável pelo desastre nuclear de Fukushima, se revesaram no primeiro lugar da disputa, vencida com 25.041 votos pela mineradora brasileira.

De acordo com as entidades que indicaram a Vale para o Public Eye Award 2012 – a Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale (International Network of People Affected by Vale), representada pela organização brasileira Rede Justiça nos Trilhos, e as ONGs Amazon Watch e International Rivers, parceiras do Movimento Xingu Vivo para Sempre, que luta contra a usina de Belo Monte -, o fato de a Vale ser uma multinacional presente em 38 países e com impactos espalhados pelo mundo, ampliou o número de votantes. Já para os organizadores do prêmio, Greenpeace Suíça e Declaração de Berna, a entrada da empresa, em meados de 2010, no Consórcio Norte Energia SA, empreendimento responsável pela construção de Belo Monte, foi um fator determinante para a sua inclusão na lista das seis finalistas do Public Eye deste ano.

A vitória da Vale foi comemorada no Brasil por dezenas de organizações que atuam em regiões afetadas pela Vale. “Para as milhares de pessoas, no Brasil e no mundo, que sofrem com os desmandos desta multinacional, que foram desalojadas, perderam casas e terras, que tiveram amigos e parentes mortos nos trilhos da ferrovia Carajás, que sofreram perseguição política, que foram ameaçadas por capangas e pistoleiros, que ficaram doentes, tiveram filhos e filhas explorados/as, foram demitidas, sofrem com péssimas condições de trabalho e remuneração, e tantos outros impactos, conceder à Vale o titulo de pior corporação do mundo é muito mais que vencer um premio. É a chance de expor aos olhos do planeta seus sofrimentos, e trazer centenas de novos atores e forças para a luta pelos seus direitos e contra os desmandos cometidos pela empresa”, afirmaram as entidades que encabeçaram a campanha contra a mineradora.

Em um hotsite (http://xinguvivo.org.br/votevale/) criado para divulgar a candidatura da Vale, forma listados alguns dos principais problemas de empreendimentos da empresa no Brasil e no exterior.

A notícia é do Movimento Xingu Vivo para Sempre

A dança da cooperação

Pessoas tendem a ser mais empáticas quando executam ações simultâneas

©Shutterstock

Ações sincronizadas facilitam a concordância sobre os mais diversos temas e a interação social. No entanto, não é fácil ter sintonia fina de pensamentos e movimentos sem a oportunidade de “ensaiar a coreografia”, como fazem os dançarinos. Um dos primeiros pesquisadores a reconhecer isso, há mais de 80 anos, foi o psicólogo social Floyd Henry Allport, professor da Universidade Harvard.

Apesar de permear nosso cotidiano, a sincronia implicada na cooperação não tem nada de trivial. Tal associação é construída apenas durante a interação propriamente dita – é por isso que ninguém aprende a dançar consultando livros ou sites na internet. Pioneiros nessa área, os psicólogos cognitivos Simon Garrod, da Universidade de Glasgow, e Martin Pickering, da Universidade de Edimburgo, investigaram o papel da fala como instrumento de coordenação. Eles observaram que, enquanto executam ações sincronizadas, as pessoas tendem a concordar rápida e involuntariamente sobre conceitos comuns. Exemplo: dois indivíduos, enquanto realizam uma ação conjunta, discutem a cor de uma gravata. Quando um deles diz que a peça é verde, o outro não demora muito para concordar, mesmo que a gravata seja de fato azul. Esse acordo tácito simplifica muito o entendimento.

Os experimentos dos pesquisadores escoceses mostraram também que a estrutura da frase e até mesmo a entonação da fala passam por ligeiras alterações para que a conversação flua sem obstáculos. Muitas vezes, porém, a cooperação exige algum esforço para garantir que as pessoas não reajam na hora errada, ou seja, na vez do outro. É preciso certo grau de sensibilidade para perceber o outro e alternar a fala e a escuta durante uma conversa, ao tocar as teclas no momento exato num duo ao piano ou durante uma dança, por exemplo.

Fonte: Mente e Cérebro – http://www2.uol.com.br/vivermente