Monthly Archives: novembro 2011

Hora de abrir a caixa-preta da dívida interna brasileira

A Comissão de Finanças e tributação da Câmara realizou, na quinta-feira, um seminário sobre a crise financeira internacional e os palestrantes presentes deixaram bem claro: para evitar que a crise estrangeira se repita no Brasil no futuro, é preciso auditar a dívida interna do país. Na Europa, já há movimentos civis criando  comitês de avaliação da dívida nos países mais prejudicados, como Grécia, Espanha e Portugal.

Jorge Lourenço

Tamanho do rombo

De acordo com o Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi), a dívida interna brasileira gira em torno de R$ 2,3 trilhões. Em 2010, 43% do Orçamento foi dedicado exclusivamente ao pagamento de juros e amortizações do montante. “A auditoria é crucial para tirar anomalias e irregularidades da dívida. Temos de atacar as raízes do problema”, disse o ex-ministro do Desenvolvimento Econômico do Equador Pedro Paez.

Anistia da dívida

Presente no evento, o francês Eric Toussaint chegou a sugerir a anulação da dívida externa dos países mais pobres, inclusive os Brics emergentes (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Ele é o presidente do Comitê pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo.

“O total da dívida pública externa dos países do Terceiro Mundo é apenas 1% da dívida global mundial. Uma anulação dessa dívida externa é uma gota no oceano das dívidas mundiais”, disse Toussaint.

Fonte: http://www.jb.com.br/

Líder indígena assassinado por pistoleiros encapuzados

Um líder indígena da etnia Guarani Kaiowá foi assassinado esta sexta-feira, no Estado brasileiro do Mato Grosso do Sul, por pistoleiros encapuzados, segundo informações publicadas na imprensa brasileira.

foto Ho/AFP/Arquivo

Líder indígena assassinado por pistoleiros encapuzados

Nísio Gomes foi baleado na cabeça e o seu corpo levado pelos pistoleiros

Um grupo de 40 homens, armados e de rostos cobertos, invadiu o acampamento onde estavam cerca de 60 índios e começou a disparar, do que resultou a morte do cacique Nísio Gomes, que foi atingido na cabeça e cujo corpo foi levado pelos atacantes em uma camioneta.

Segundo a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), representantes do governo brasileiro estão no local para dar assistência aos indígenas, vai ser aberto um inquérito para investigar o ataque e agentes da polícia foram deslocados para a área do conflito.

O jornal Folha de São Paulo adianta que os guaranis disseram que uma mulher e uma criança também foram mortas no ataque, mas a FUNAI não confirma a informação e considera-as “desaparecidas”.

O caso ocorreu numa região denominada Terra Indígena Amambaipeguá. Os guaranis reivindicam a posse histórica da área, hoje ocupada por propriedades rurais. O grupo atacado estava acampado há cerca de 15 dias na área.

De acordo com a Agência Brasil, o processo de demarcação da terra começou em Junho de 2008, mas foi interrompido diversas vezes por decisões judiciais. As ações foram movidas por produtores rurais e por forças políticas locais que contestam a entrega da área aos índios.

Fonte: http://www.jn.pt/

Reforma agrária trava no primeiro ano do governo Dilma

A presidente Dilma Rousseff já rejeitou cerca de 90 processos de desapropriação de áreas para reforma agrária e se aproxima do final de seu primeiro ano de mandato sem ter desapropriado nenhuma fazenda.

JOÃO CARLOS MAGALHÃES

Em comparação com os outros sete mandatos presidenciais depois do fim da ditadura, apenas um (o de Fernando Collor) demorou, por enquanto, mais tempo para começar a desapropriar.

A opção de Dilma representa uma clara ruptura em relação à era Lula.

Entre 2003 e 2010, 20 decretos de reforma agrária por mês foram editados, passando imóveis para o Incra (Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária).

Segundo a Folha apurou, a presidente devolveu os processos que lhe foram encaminhados sob o argumento de que precisava de mais detalhes antes de decidir se elas deveriam ou não se tornar aptas para virar assentamentos de trabalhadores sem terra.

Para o presidente do Incra, Celso Lacerda, nenhum decreto foi publicado por Dilma ser uma administradora “muito minuciosa”.

“Ela não deu decreto não foi porque ela não dá importância à reforma agrária, é porque ela quer de fato um processo qualificado.”

Lacerda afirmou que o governo não vai mais “jogar uma família na terra e levar dois anos para liberar o primeiro crédito e depois demorar mais dois anos para liberar a assistência técnica”

Dentre as exigências de Dilma para as áreas, diz o presidente do Incra, estão ser “de qualidade”, “bem localizadas”, e que sirvam ao combate da pobreza rural.

Para movimentos sociais de sem terra, a demora do primeiro decreto é um sinal do aprofundamento da desaceleração da reforma agrária, que dizem estar em curso desde que o PT chegou ao poder com Lula.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/

Planos de saúde não cobrem despesas de tratamentos caros

Cobertura de tratamentos para câncer, por exemplo, é recusada por operadoras

Marcelo Pellegrini – marcelo.pellegrini.filho@usp.br

Planos de saúde se recusam a arcar com despesas de tratamentos caros, como câncer e doenças do coração, de acordo com levantamento realizado pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). O estudo denominado Judicialização da assistência médica suplementar, desenvolvido pelo pesquisador Mário Scheffer, analisou 782 decisões judiciais relacionadas à exclusão de cobertura de planos de saúde, julgadas em segunda instância pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), em 2009 e 2010.

A análise dos processos revelou que os procedimentos mais negados pelas operadoras foram a quimioterapia e a radioterapia, ambos tratamentos de combate ao câncer. Juntos, correspondem a 35,95% das ações judiciais que mencionam procedimentos médicos recusados pela cobertura. No que se refere aos insumos, as órteses, próteses, exames diagnósticos e medicamentos foram os mais excluídos pelos planos de saúde.

“O que chega à Justiça é apenas a ponta do problema. Antes, muitos já tentaram solução junto ao plano de saúde, Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e Portal do Consumidor (Procon), mas não conseguiram receber o atendimento do plano de saúde”, relata Scheffer.

Segundo o pesquisador, como estes tratamentos são prescritos para casos urgentes, a atitude mais comum das famílias, diante da negativa do plano de saúde, é arcar com os custos particulares ou buscar o atendimento na rede pública, o que sobrecarrega e onera o Sistema Único de Saúde (SUS).

Ações judiciais

O estudo demonstrou que em 88% dos casos a Justiça foi favorável ao usuário, em segunda instância, obrigando o plano de saúde a arcar com a cobertura negada. Enquanto, em apenas 7,5% das decisões, o juiz foi a favor do plano de saúde e negou a cobertura total ou parcial dos gastos.

Resultado das ações judiciais no TJSP, relacionadas à cobertura de planos de saúde, em 2009 e 2010

Segundo Scheffer, a maioria das decisões dos processos analisados foram fundamentadas no Código de Defesa do Consumidor, seguido da Lei dos Planos de Saúde ( Lei 9656/98) e da Constituição Federal.

Aids

Entre as surpresas obtidas no levantamento está o número de ações movidas devido à recusa em arcar com os custos do tratamento de Aids. De 1999 a 2004, a doença era a terceira mais excluída pelas operadoras, porém, agora aparece em apenas duas das ações judiciais analisadas.

Isso, de acordo com Scheffer, reforça a tese de que os planos excluem tratamentos de alto custo. “Atualmente, a Aids tem tratamento 100% garantido pelo SUS. Os pacientes adoecem e internam com uma frequência muito menor, restando aos planos de saúde cobrir poucos exames e consultas”, explica.

Outro dado inesperado é o aumento da recusa no atendimento de pacientes em casos de obesidade mórbida. “O tratamento está sendo recusado sob a alegação de que trata-se de cirurgia estética e não de um problema que gera graves riscos à saúde”, afirma.

Grupos de doenças excluídas pela cobertura dos planos de saúde citadas nos processos movidos no TJSP, em 2009 e 2010

Scheffer indica, como uma das causas dos abusos cometidos pelas operadoras, a omissão da Agência Nacional de Saúde, que não cumpre o seu papel de reguladora e fiscalizadora dos planos de saúde.

Espanha: entre milagres esperados e tentações perigosas

O Partido Popular impôs neste domingo ao PSOE a pior derrota de sua história. A direita espanhola, com Mariano Rajoy, terá agora a dura responsabilidade de gerir a crise. E fará isso, previsivelmente, aplicando ajustes radicais no gasto público, com cortes estimados em mais de 18 bilhões de euros para o exercício de 2012. No PP há um certo temor de um “inverno quente”, com os sindicatos nas ruas e os “indignados” nas praças, dando as boas vindas a um governo que não tardará a lamentar a debilidade de seu principal opositor.

Oscar Guisoni

O Partido Popular impôs neste domingo ao PSOE a pior derrota de sua história. Com um resultado ainda mais pobre que o obtido nas eleições à Assembleia Constituinte de 1977 e com apenas 28,79% dos votos, os socialistas pagam um alto preço por terem cedido às pressões dos mercados financeiros durante a atual crise econômica. Com 44,3% dos votos, um resultado similar ao obtido por Rodriguez Zapatero em 2008, o PP fica com uma clara maioria absoluta graças às vantagens de uma lei eleitoral que fraciona em províncias pequenas o território, favorecendo deste modo os partidos majoritários.
A direita espanhola terá agora a dura responsabilidade de gerir a crise. E fará isso, previsivelmente, aplicando ajustes radicais no gasto público, com cortes estimados em mais de 18 bilhões de euros para o exercício de 2012.
As eleições deste domingo deixaram mensagens muito claras para os partidos majoritários, despertaram expectativas na esquerda que se beneficiou da retumbante debacle socialista e confirmaram a saúde dos nacionalismos regionais, que obtiveram importantes vitórias na Catalunha e no País Basco. O PP obteve a maior vitória de sua história – Mariano Rajoy conseguiu melhorar a maioria absoluta obtida por José María Aznar em 2000 – no pior momento do país. Seja qual for o desenlace da crise econômica nos próximos anos, fica claro pela composição que emerge do novo parlamento que será sob responsabilidade única dos “populares”.
Grande parte dos que votaram na direita estão convencidos de que o PP voltará a repetir o “milagre de ‘1996”, quando assumiu o poder após 14 anos de governos socialistas, com um grande número de desempregados e alguns problemas econômicos crônicos que voltaram a aparecer. Mas é difícil que esse milagre volte a acontecer.
Mariano Rajoy e seu futuro ministro da Economia já não tem em mãos o instrumento da desvalorização para dar um choque competitivo em uma economia à beira da recessão. E para sair do atoleiro só podem inventar outra bolha, como foi a imobiliária – gestada durante o governo de Aznar graças a uma Lei do Solo que permitiu a explosão da especulação imobiliária – ou realizar uma desvalorização indireta, reduzindo salários e cortando benefícios sociais, um caminho que levará diretamente ao enfrentamento social.
Mariano Rajoy parece ter muito claro esse cenário. Mas até agora não disse em que direção vai mover suas fichas. No PP há um certo temor de um “inverno quente”, com os sindicatos nas ruas e os “indignados” nas praças, dando as boas vindas a um governo que não tardará a lamentar a debilidade de seu principal opositor. Com o PSOE mergulhado em uma verdadeira travessia no deserto – há quem tema que estourem disputas internas incontroláveis que aumentem o dano na já avariada nave socialista -, os populares não terão interlocutores para administrar a crise.
Conhecido por ser um homem de decisões lentas, Rajoy deverá enfrentar uma realidade que muito provavelmente superará amplamente sua capacidade de reflexos e que poderá engolir o respaldo popular em poucos meses se o esperado “milagre” não se concretizar. O mito, fortemente arraigado, de que “a direita sabe como fazer negócios, hoje não tem sustentação”. Previdente, Rajoy já avisou que a situação é muito difícil e que não haverá nada para festejar até…2013. Uma data demasiadamente distante para os milhões de desempregados, para os quais estão acabando os benefícios e que veem mais sombrio seu futuro econômico.
Enquanto isso, Bruxelas, as agências de classificação de risco e o punhado de tecnocratas que governam a Europa já definiram as cifras dos próximos cortes e, previsivelmente, os mercados festejarão nesta segunda com alta nas bolsas os resultados eleitorais na Espanha. “Ganhe quem ganhe, Merkel é que governará”, asseguravam grande parte dos correspondentes estrangeiros, há uma semana, ao jornal El País. Mas as rédeas internas ficarão com Rajoy, que a partir de agora controla o PP com o maior poder territorial de toda sua história, com amplas maiorias em todas as regiões e com uma forte coesão interna, uma fortaleza que tornar-se frágil se a crise fizer irromper velhas rebeliões internas sufocadas com êxito pelo próprio Rajoy nos últimos anos.
Todos esses ingredientes podem resultar numa armadilha se a direita cair na tentação de impor medidas impopulares capazes de dissolver seus apoios ou convocar á mobilização grande parte dessa esquerda social que decidiu ficar em casa neste domingo ou votar em partidos mais radicais que o PSOE e que tem sua expressão mais poderosa no chamado 15-M. É uma tentação que o PP já enfrentou antes, com sua primeira maioria absoluta durante o segundo governo de José María Aznar, e que culminou no desastre de 2004, que fez o PP pagar pelo pecado de lesa soberba e ficar sete anos fora do governo central. Só que agora não há o PSOE para recolher os restos de uma queda, e seus passos em falso podem levar o país a uma situação complexa, similar a que Grécia e Itália enfrentam hoje. Tudo isso, a partir de hoje, está nas mãos de Rajoy.


Tradução: Katarina Peixoto

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/

São Jorge caiu do cavalo

São Jorge ainda pode ser visto, lá longe, nas noites de lua cheia, montado em seu cavalo, de lança em punho, matando o dragão da maldade.

JOSÉ DE SOUZA MARTINS

No século 19, uma vez ao ano, o santo guerreiro fazia-nos a graça de aparecer na procissão de Corpus Christi, aqui mesmo na nossa São Paulo. Exibia-se em procissão alheia. Enquanto o bispo desfilava solenemente sob o pálio, levando erguido o ostensório com a hóstia, símbolo da comunhão e da paz, o santo da Capadócia, símbolo da guerra e do poder, fingia humildade para exibir o que a muitos parecia descabida e vaidosa sensualidade. O São Jorge de que falo é uma escultura do século 18, de bigodinho revirado para cima. Ostentava armadura pesada e desfilava em vistoso corcel, esse sim de verdade, pelas ruas ainda coloniais da cidade calmamente caipira e antiga. Acompanhava-o um séquito de homens que, segurando fitas, o mantinham sobre a cela, em posição garbosa. Exibiam-se também. Numa dessas, o pesado santo, de mais de cem quilos, deslizou sobre a montaria e caiu sobre a cabeça de um de seus acólitos, matando-o.

A autoridade policial não teve dúvida: prendeu-o. Foi processado por homicídio, sentenciando-o o juiz ao que era, de fato, prisão perpétua, dando-lhe por menagem a velha catedral de São Paulo. A lei punha fim à sua figuração pública. Servia de pretexto a sentimentos anticlericais e republicanos que se difundiam na época. É que São Jorge fora patrono da monarquia portuguesa e permanecera entre nós, infiltrado, como patrono da monarquia brasileira que, no fundo era a mesma. Exibia nas procissões mais do que a santidade que um papa, mais tarde, diria não ter, o lusitanismo que representava. Muitos patriotas achavam que tanto São Jorge quando Dom Pedro II nada mais eram do que sobrevivências da dominação portuguesa.

Quem pagou foi o santo. Ao confiná-lo na igreja da Sé, confinavam a Igreja, começando a bani-la das ruas para afirmar que a rua era pública, mas não tanto, e que poder havia um só, o da lei. Santo homicida era tão criminoso quanto qualquer mortal que eventualmente tirasse a vida alheia, mesmo por acidente. Quando a catedral velha foi demolida para alargamento da Praça da Sé e construção da nova catedral, São Jorge, com outros belos objetos de arte sacra, foi removido para a Cúria, onde, nos anos 1950, o conheci, resignado em seu confinamento. Acabou no Museu de Arte Sacra, em boa hora para lá mandado por Dom Paulo Evaristo Arns, quando cedeu ao governo do Estado o precioso acervo de arte das velhas igrejas de São Paulo. Acervo reunido e salvo por Dom Duarte Leopoldo e Silva, nosso primeiro arcebispo, alarmado com a iconoclastia dos padres da Romanização, que combatiam o catolicismo culturalmente brasileiro e caipira que nos vinha de tempos antigos.

O preso recebe visitas…

Fonte: http://www.estadao.com.br/

PHC, filho de FHC, é laranja da Disney

Mickey Mouse, Minnie e Pateta se escondem no Brasil por trás de Paulo Henrique Cardoso, filho do ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. PHC, como é conhecido o filho de FHC, é uma espécie de testa de ferro do grupo Disney no Brasil. A lei brasileira permite apenas que grupos internacionais tenham até 30% do capital de grupos de mídia – pode ser uma lei antiquada e retrógrada, mas é a lei. E a Disney decidiu investir alto no setor de entretenimento no Brasil, comprando 29% da rádio Itapema FM, uma das maiores de São Paulo. Os 71% restantes seriam da Radio Holding Participações, de propriedade de PHC. A revista Istoé, no entanto, teve acesso a documentos da Junta Comercial que compravam que o controle de PHC é apenas simbólico. Quem manda na empresa, na verdade, é a ABC Ventures que pertence – adivinhem – ao grupo Disney.

PHC é um personagem polêmico, que teve participação decisiva em várias privatizações, como da Vale e da CSN, agindo sempre ao lado do amigo e empregador Benjamin Steinbruch. Sua atuação como testa de ferro do grupo Disney já está sendo investigada pelo Ministério das Comunicações. No mar de denúncias da política brasileira, aguarda-se também, para os próximos meses, o surgimento de novas acusações contra Fábio Luiz Lula da Silva, filho de Lula, que fechou contratos milionários com a Oi. A investigação contra PHC talvez tenha sido até uma tentativa de garantir, com antecedência, o empate nessa guerra de extermínio da política brasileira.

Leia, abaixo, a reportagem de Pedro Marcondes de Moura, na Istoé:

Os passos do grupo americano The Walt Disney Company no Brasil vêm sendo seguidos com atenção pelo Ministério das Comunicações. Foram constatados fortes indícios de que, por meio de uma manobra ilegal, a companhia seria a controladora da Rádio Itapema FM de São Paulo, conhecida popularmente como Rádio Disney. De acordo com as leis nacionais, empresas jornalísticas e emissoras de rádio e televisão não podem ter participação estrangeira no seu capital acima de 30%. Para mascarar a situação irregular da emissora, o grupo americano, um dos maiores conglomerados de mídia e entretenimento do mundo, estaria recorrendo a um personagem de peso como testa de ferro: Paulo Henrique Cardoso, filho do ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso. É ele quem se apresenta para os órgãos públicos como o acionista majoritário da Rádio Holding Participações Ltda., controladora de 71% da Itapema FM de São Paulo. Os outros 29% pertencem a The Walt Disney Company (Brasil) Ltda.

Documentos obtidos por ISTOÉ demonstram, no entanto, que a participação de Paulo Henrique Cardoso no capital da Rádio Disney é apenas simbólica. Na ficha cadastral da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), emitida na quinta-feira 17, quem aparece na posição de sócia majoritária da Rádio Holding e, portanto, da Rádio Disney FM é uma outra empresa: a americana ABC Venture Corp. O endereço da ABC Venture, registrada na Califórnia, é o mesmo de outras empresas do grupo Disney, como a famosa rede de televisão aberta dos Estados Unidos ABC, adquirida na década de 90. As coincidências não param por aí. Segundo o governo do Estado da Califórnia, a executiva responsável legal pela ABC Venture é Marsha L. Reed, cujo nome também aparece no quadro de funcionários de alto escalão disponibilizado no site do grupo Walt Disney. Na realidade, a ABC Venture (controladora da Rádio Holding e da Rádio Disney) é uma subsidiária da Disney Enterprises Inc., braço do conglomerado The Walt Disney Company.

Cruzando as informações obtidas por ISTOÉ, percebe-se que, por meio de suas ramificações, a Walt Disney é dona de mais de 99% da rádio brasileira Itapema FM, sintonizada na capital paulista pela frequência 91,3 MHz. Esse controle é proibido e sujeito a sanções pela legislação nacional. “Se comprovada uma irregularidade desta, a concessão de funcionamento pode ser cancelada”, explica Jacintho Silveira, professor de direito administrativo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Um expediente parecido da Disney foi identificado também por autoridades locais na Argentina. Um parecer do Departamento do Tesouro, de junho de 2010, foi contrário à venda da Difusora y Radio Medios S.A. para a ABC Venture Corp. e Disney Company Argentina. Um dos motivos apresentados pelo procurador Joaquim Pedro da Rocha para recomendar o bloqueio do negócio foi que ambas as empresas eram, no fundo, a mesma coisa. Direta ou indiretamente pertenciam ao grupo americano.

Procurados por ISTOÉ, Paulo Henrique Cardoso, a Rádio Disney e a The Walt Disney Company (Brasil) disseram não haver nenhuma irregularidade na situação da emissora brasileira. Por meio da assessoria de imprensa, a Disney e PHC, como é conhecido o filho do ex-presidente, enviaram uma cópia digitalizada do primeiro contrato social da Rádio Holding e de outro contrato com uma alteração. Os documentos, com protocolo da Jucesp, registram que, até fevereiro de 2010, a Rádio Holding Participações Ltda., controladora da Rádio Disney, tinha como principal cotista Paulo Henrique Cardoso, com participação de 98,6%. “A Rádio Holding Participações Ltda., de propriedade de Paulo Henrique Cardoso, possui 71% da Rádio Itapema e a The Walt Disney Company (Brasil) possui 29% (a compra foi autorizada pela portaria número 100, de 11 de março de 2010 do Ministério das Comunicações)”, informa a nota enviada pelos sócios. “O ato de compra foi autorizado pelo Cade, conforme publicado no “Diário Oficial da União” número 50 de 16 de março de 2010, Seção 1, sob ato de concentração 08012.010278/2009-12”, complementa. Se essa fosse, de fato, a estrutura societária, a rádio estaria dentro das exigências da legislação brasileira. O quadro societário verificado por ISTOÉ na Jucesp, porém, é outro. Segundo o especialista em direito comercial Carlo Frederico Müller, as juntas comerciais apenas registram e averbam documentos enviados para ela. “Os responsáveis pela empresa têm de notificar qualquer alteração contratual a estes órgãos e, em caso de rádios, à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que regula o setor”, explica.

Outras evidências revelam a forte presença do grupo americano no controle da emissora. Neste ano, a ABC Venture Corp. e Paulo Henrique Cardoso concederam procurações dando amplos e incomuns poderes a dois executivos da The Walt Disney Company Brasil, o americano ¬Richard Javier Leon e o mexicano Miguel Angel Vives. Com as procurações, a dupla de executivos da Disney pode, entre outras atribuições, “depositar e sacar fundos, emitir e endossar cheques, solicitar créditos em conta-corrente” da Rádio Holding Participações Ltda. Na opinião da Rádio Disney, isso não configura ingerência e está dentro dos limites estabelecidos pela lei brasileira. A companhia também não vê nenhum problema no fato de que suas instalações estarem no mesmo prédio onde funciona a representação do grupo estrangeiro no País. Pelos registros da Jucesp e do Ministério das Comunicações, entretanto, a Rádio Disney operaria no endereço de sua controladora, a Rádio Holding. “A Rádio Disney funciona no mesmo edifício da The Walt Disney Company Brasil, porém em outro andar, com espaço exclusivo e independente”, diz em nota a emissora. Assim, toda a sintonia da rádio com o grupo The Walt Disney Company – os mesmos executivos, o mesmo endereço e, provavelmente, até os mesmos acionistas – seria não mais que uma agradável coincidência para os sócios de PHC

Fonte: http://altamiroborges.blogspot.com/

‘Penso em parar de escrever’

O escritor Luis Fernando Verissimo é famoso por seus textos de humor e pelas sátiras de costumes que publica em jornais de grande circulação. Comédias da Vida Privada, uma antologia de crônicas engraçadíssimas, publicada em 1994, por exemplo, virou, inclusive, uma série da TV Globo em 1995.

ANA RITA MARTINS

Por causa desse talento em fazer rir, fica difícil acreditar quando o próprio autor afirma que não tem vocação humorística. “O que eu tenho é a técnica para escrever textos divertidos”, diz. “Mas meu jeito de ver as coisas está mais para depressivo”, completa. De fato, esse lado do escritor não aparece em suas obras (são 500 mil exemplares vendidos no país).

Seu último livro, ‘Em algum lugar do paraíso’, é composto por 41 crônicas, a maioria delas publicadas nos últimos cinco anos, no Jornal Estado de São Paulo. Verissimo, aliás, vem diminuindo o ritmo de sua produção. Reduziu, já há alguns anos, o número de jornais para os quais escreve – se antes, chegou a publicar em dez periódicos, hoje concentra-se em três: O Globo, O Estado e Zero Hora. E pensa, inclusive, em se aposentar. “Penso em parar de escrever. O problema é que o dinheiro que ganho com os direitos autorais dos livros não é o suficiente para garantir minhas contas”, diz.

Os leitores, aliás, já podem notar sua ausência em eventos literários. “Vou a lançamentos mais por causa da editora. Não é por prazer, pois sou caseiro e evito badalações”, conta. E de onde vem então a inspiração para os textos, se ele tem se mantido mais reservado? “Às vezes de um filme ou de uma música”, diz. “Aliás, eu preferiria ser músico a escritor”, revela. “Mas como eu escrevo melhor do que toco saxofone, vamos deixar as coisas como estão”, completa. Na casa do escritor, num porão de pedra, há vários instrumentos.

Curiosamente, apesar da paixão pelo jazz, não há sequer uma crônica em sua nova obra cujo tema seja a música. No livro, o autor repete a fórmula já consagrada em suas outras publicações, ou seja, a de abordar situações cotidianas e colocar personagens históricos em circunstâncias hilárias.

Vem dessa última abordagem um dos textos mais inspirados da obra. Em Cafarnaum fala do encontro entre Guizael – dono de uma taberna – e um homem capaz de multiplicar peixes e pães e transformar água em vinho. A história – contada em linguagem textual similar à bíblica – desenvolve-se quando Guizael tenta convencer o homem a fazer uma parceria financeira com ele.

Verissimo não se importa com a clara alusão a Jesus, que poderia gerar mal estar entre os leitores religiosos. “O politicamente correto limita o humorista”, fala. E diz mais: “Eu não me coloco rédeas quando estou escrevendo”.

Outro destaque é Microfone Escondido, em que o casal Leonor e Ataíde resolve esconder um aparelho desses no elevador do prédio só para descobrir o que os amigos pensam deles. Toda vez que fazem um jantar para um casal de convivas há uma nova descoberta, revelada pelo microfone antes destes chegarem ao apartamento ou quando estão descendo o elevador rumo à rua. O resultado é um sucessão de confusões e mágoas, temperada pelas construções simples (mas não simplistas) e certeiras do escritor.

Por meio do humor, o autor acaba desvelando as idiossincrasias humanas. Em Pato Donald, Sérgio e Dulce, casados há 25 anos, reveem suas vidas quando o homem conta que, apesar de ter rido a vida inteira das piadas do personagem norte-americano, admite que nunca entendeu patavinas do que este falava. A confissão ganha, então, ares de crise existencial. E, enquanto discutem, Dulce fica preocupada porque o zíper do vestido que sempre lhe coube está difícil de fechar.

Outro exemplo interessante de narrativa é Versões. No texto, um homem entra num bar e começa a imaginar o que teria sido de sua vida se ele tivesse feito um teste para jogar no Botafogo. De repente, lhe surge ao lado, uma versão de si mesmo que fez o tal teste. As perguntas se multiplicam e, consequentemente, mais versões dele aparecem.

Nessa crônica, Verissimo toca num de seus assuntos mais caros, o futebol. Torcedor do Internacional e da seleção, ele se preocupa com a Copa de 2014 no Brasil. “Espero que as obras fiquem prontas a tempo”, diz. E fala que irá aos jogos. Até lá, terá 78 anos. Vale torcer para que o pique se estenda também à escrita. Ou a literatura ficará órfã do depressivo mais bem humorado de que se tem notícia.

Fonte: http://blogs.estadao.com.br/

África: A crise agrava o círculo vicioso pobreza-desnutrição

Durante os próximos mil dias, 75 milhões de crianças africanas entrarão no mais crítico período de suas vidas.

Jay Naidoo

Durante os próximos mil dias, 75 milhões de crianças africanas entrarão no mais crítico período de suas vidas. A ciência demonstrou que a fase mais precoce do desenvolvimento tem um impacto fundamental no futuro de uma criança, de sua comunidade e de sua nação. Se sua mãe estiver bem alimentada, terá muitas melhores oportunidades de sobreviver em seus primeiros meses. Se for criado com leite materno nos primeiros seis meses e depois receber alimentos nutritivos contendo vitaminas e minerais essenciais para a idade de dois anos, é mais provável que possa completar sua educação, ter um coeficiente de inteligência mais alto e 46% mais de expectativa de vida.

De fato, a estatura de uma criança de dois anos é o melhor índice para prever seu capital humano. Incrivelmente, a metade do insuficiente crescimento de uma criança é gerada durante a gravidez. Por esta razão, o 6º Informe das Nações Unidas sobre a Situação da Nutrição Mundial defende a realização de um renovado esforço para investir na nutrição materna para romper o ciclo entre gerações de redução do crescimento.

Está bem documentado que o baixo crescimento é transmitido através das gerações por meio da mãe. É mais provável que as mulheres adultas de baixa estatura tenham bebês com baixo peso ao nascerem. Por sua vez, as meninas nascidas com baixo peso mais provavelmente terão crescimento insuficiente durante a infância e se converterão em adultas de baixa estatura.

O ciclo pode ser rompido se for melhorado o acesso a uma nutrição de qualidade, especialmente se o esforço se concentrar em mulheres em idade reprodutiva. Ao melhorar suas reservas de elementos nutrientes cruciais – como ferro e ácido fólico – na preparação para a gravidez, se reduz o risco de mortalidade da mãe e se protege o bebê contra os debilitantes e frequentemente mortais defeitos de nascimento.

Estamos em uma situação sem precedentes na história na qual a escassez de recursos, o aumento da população e a subida de mercados emergentes se combinarão para criar uma ameaça sistêmica contra as antigas instituições e as relações internacionais que sustentam a segurança global.

O que se necessita para enfrentar esses desafios é de novas vias de colaboração entre os setores, com a sociedade civil na vanguarda, em demanda de uma eficaz liderança dos governos para criar uma sociedade justa, na qual toda mãe e seu filho tenham acesso a uma assistência sanitária de qualidade, nutrição adequada e leis que protejam seus direitos.

Para alcançar essas ambiciosas metas, necessitaremos que os setores público e privado trabalhem juntos para maximizar o impacto de nossos esforços e investimentos, e criar a muito necessária eficiência em nossos modelos de serviço público.

Na verdade, não bastam os fundos públicos para enfrentar os crescentes desafios de nosso sistema de saúde, como os ligados ao HIV/Aids, à desnutrição, saúde materna e infantil ou às emergentes epidemias que afetam a saúde pública, o que inclui doenças crônicas como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

Um estudo recente de Harvard demonstra que a estatura alcançada é um determinante indicador do status socioeconômico de uma mulher e da saúde, do bem-estar e do potencial econômico de seus filhos. Dos 54 países incluídos no estudo, a estatura das mulheres diminuiu em 14, todos na África, e se manteve estável em 21. Os pesquisadores atribuem a queda ou a estabilidade à pobre nutrição, à exposição a infecções e outros fatores ambientais que podem impedir ou dificultar o crescimento das crianças.

Quando pensamos em 2030, e nas oportunidades que a África oferecerá às suas próximas gerações, devemos ter em mente as mães de 75 milhões de crianças que agora estão no período dos mil dias críticos para o desenvolvimento. Investir no futuro de nossa juventude com a segurança de que esteja adequadamente nutrida não só pode romper o ciclo da pobreza, como pode aumentar seu potencial para o bem do continente africano. Envolverde/IPS

Jay Naidoo preside a Aliança Mundial para Melhorar a Nutrição (GAIN).

Fonte: http://www.revistaforum.com.br/

Chevron assume ‘total responsabilidade’ por vazamento

Presidente da unidade brasileira da empresa diz considerar que a permanência de óleo na superfície do oceano é ‘inaceitável’

Agência ESTADO

O presidente da unidade brasileira da petroleira Chevron Corp., George Buck, disse hoje que a companhia assume “total responsabilidade” pelo vazamento de óleo que ocorreu na Bacia de Campos. “Qualquer óleo na superfície do oceano é inaceitável para a Chevron”, disse o executivo.

Foto: AE

Presidente da Chevron negou ter usado dispersantes químicos para retirar óleo vazado

Segundo Buck, a companhia tampou o poço de avaliação, que foi a fonte primária do vazamento. O óleo chegou à superfície através de um buraco, após a parede de rocha do poço ter se rompido.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) estimou o vazamento entre 200 e 330 barris de petróleo por dia. Outras estimativas governamentais colocam o volume total do óleo vazado entre 5 mil e 8 mil barris.

O presidente da companhia norte-americana no Brasil disse ainda que a Chevron não utilizou dispersantes químicos na superfície do Oceano Atlântico, mas apenas métodos de dispersão e coleta mecânica do óleo vazado. Ele negou que a empresa tenha usado jatos de areia para limpar o óleo. As informações são da Dow Jones.

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/

Homenagem do controvérsia ao centenário de Mário Lago

Poema Autobiográfico

EU LAGO, SOU

De medo, não sei notícia,
Vaidade, não faz meu jeito,
Erro, sim, mas sem malícia
Que nasceu morto o perfeito
Só uma vaidade eu aceito:
Dar certo medo à polícia.
Mas no dito não se veja
Orgulho certo ou pretenso.
Não medo do homem que eu seja,
E, sim, daquilo que penso.
No horizonte finquei seta
E pra este norte caminho
Nem sempre é uma linha reta
Nem sempre há vez pra carinho
Quem escolhe estrada de espinho
Não tem caminhada quieta.
Só vivo pra uma verdade,
Da qual me orgulho sem pejo:
Nunca trocar por vaidade
O que pretendo ou desejo.
Não tenho orgulho de berço
Nem local de nascimento.
Meu céu é onde converso
Meu chão é onde me sento.
Busco, sim, entendimento
Em samba, fuzil ou terço.
Pra mim, o tempo não acaba
Nem a recusa me ofende.
Palavra puxa palavra…
Um dia, a gente se entende.
Santo, não sou, nem pensando,
Santidade é castração
Se a vida vive se dando
Não sou eu que digo não
Mas minha será a opção
Quanto ao onde, como e quando.
Penso assim e não assado
Quero assado e não assim
E o rumo, uma vez traçado,
Vai nesse rumo até o fim.
Muito deixei do vivido
Muito perdi sem ter ganho
Mas sem chorar de sentido
De achar injusto ou estranho
Pois o mundo é sem tamanho
Pra quem dá passo escolhido.
Ao afastar me habituo
Mas gente me acusa e pensa
Que a tristeza do recuo
É orgulho de indiferença
Jamais escolho o que digo
Se é pros do peito que falo
Eu, por mim, só escuto amigo
No que é alegria ou regalo
Se falam mal, não me abalo
De irmão não me vem castigo
Amigo, já diz o velho ditado
É aquele diante de quem
Se dorme sem ter cuidado.
Da vida escolho o que presta
Se erro na escolha, paciência,
Não mudo em luto uma festa
Por um erro em sã consciência.
Nada me amarga a existência
Que é o pouco mais que me resta
Se a erva-doce era amarga,
Mas por doce foi tomada,
O coração ponho à larga,
E me rio da mancada.
Não é o mundo que eu queria
Nem a vida que sonhei.
Vida de paz e alegria
Num mundo de uma só lei.
Mas me ensinaram, e guardei,
Que após um dia, há outro dia.
E rindo como poeta
Que o riso é minha saúde
Fiz da alegria, meta
Fiz da esperança, virtude.

Fonte: http://www.mariolago.com.br/

 

Frases de Mário Lago

Gosto e preciso de ti,
Mas quero logo explicar,
Não gosto porque preciso.
Preciso sim, por gostar.

Mário Lago

 

Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: Nem ele me persegue, nem eu fujo dele, um dia a gente se encontra.

Mário Lago

 

O tempo não comprou passagem de volta. Tenho lembranças e não saudades.

Mário Lago

 

Quando deixarmos de ter esperança
é melhor apagar o arco-íris.

Mário Lago

 

Sou como Edith Piaf, Je ne regrette rien” (não lamento nada).
Fiz o que quis e fiz com paixão. Se a paixão estava errada, paciência.
Não tenho frustrações, porque vivi como em um espetáculo.
Não fiquei vendo a vida passar, sempre acompanhei o desfile.”

Mário lago aos 89 anos

 

Fiz o que quis e fiz com paixão. Se a paixão estava errada, paciência.
Não tenho frustrações, porque vivi como em um espetáculo.
Não fiquei vendo a vida passar, sempre acompanhei o desfile.”

Mario Lago aos 89 anos

 

Nós estamos condicionados a
pensar que nossas vidas giram
em torno apenas de grandes momentos.
Todavia, os grandes momentos
frequentemente nos pegam desprevenidos, e
ficam maravilhosamente guardados em recantos
que os outros podem considerar sem importância.
E da mesma forma ocorrem outros momentos…

Mario Lago

Fonte: http://pensador.uol.com.br/

EUA: ‘Ocupar Wall Street’ reage em todo o país

Mais de 30 mil desfilam em Nova York sobre a ponte do Brooklyn, numa jornada que teve mobilizações em cidades como Los Angeles, Las Vegas, Boston, Washington, Dallas, e Portland.

Esquerda.net

Milhares de pessoas participaram na noite desta quinta-feira em Nova York numa manifestação sobre a ponte do Brooklyn, que culminou uma jornada de protestos do movimento “Ocupar Wall Street”, que marcou também o segundo mês de existência do movimento.

Durante a tarde, ativistas tentaram bloquear o acesso à Bolsa de Nova York, impedindo o seu funcionamento. A polícia prendeu quase 200 manifestantes para evitar a ação e permitir pelo menos a passagem dos funcionários de Wall Street.

A jornada de protestos contra a ganância do sistema financeiro foi marcada também por manifestações em cidades como Los Angeles, Las Vegas, Boston, Washington, Dallas, e Portland.

Na última terça-feira, uma ação policial retirou à força manifestantes que estavam acampados há dois meses no Parque Zuccotti, em Nova York, após uma ordem do presidente da câmara, Michael Bloomberg, que alegou razões sanitárias e de segurança.

“Somos indestrutíveis, um mundo diferente é possível”, cantava a multidão sobre a ponte, uma das construções emblemáticas de Nova York, enquanto os motoristas buzinavam para mostrar apoio. A mobilização contou com o apoio de sindicalistas e estudantes que desfilaram da Union Square até à Foley Square, a poucos metros da ponte.

Um ponto alto do protesto ocorreu quando a manifestação atingiu o meio da ponte, na altura do arranha-céus da Verizon, considerado o edifício mais feio da cidade. Nessa altura, começou uma projeção gigante sobre as paredes do prédio onde se podia ler: “Somos os 99%”, “Ocupar Wall Street”, “Ninguém nos consegue parar”, “Outro mundo é possível”.

No total, mais de 300 ativistas foram detidos durante a jornada.

Na próxima segunda-feira, o movimento anuncia oficialmente uma iniciativa de recolha de um milhão de assinaturas de estudantes dispostos a não pagar os empréstimos universitários até que se façam reformas no sistema financeiro. A dívida média de um estudante que se licencia em Nova York é de 25 mil dólares.

Fonte: http://www.revistaforum.com.br/

UnB já formou mais de 1 mil universitários pelas cotas

Após sete anos, primeira universidade federal do País a adotar reserva de vagas para estudantes negros comemora resultados

Priscilla Borges

O programa de cotas para negros da Universidade de Brasília (UnB) completou sete anos com um saldo de 1.024 cotistas formados. Desde o segundo semestre de 2004, quando a primeira turma de estudantes aprovada pelo sistema iniciou suas aulas na instituição, 6.180 candidatos cotistas já se matricularam na universidade. Para a reitoria, o programa – o primeiro de uma universidade federal – é símbolo de sucesso.

“Estamos no meio do processo, mas o programa é de grande sucesso e tem atingido as metas. Ele está de acordo com o compromisso público e social da universidade”, afirma a decana de Graduação da UnB, Márcia Abrahão. Em três anos, a instituição terá de fazer uma avaliação dos resultados do programa e definir se o mantém ou não.

Criado para durar dez anos, o sistema reserva 20% das vagas do vestibular para estudantes que se declaram negros para uma banca de professores e pesquisadores que entrevistam o candidato. A banca pode julgar o estudante inapto a concorrer às vagas da instituição pelo programa. Antes disso, essa banca avaliava uma foto do candidato.

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/

Pensamentos e sonhos sobre o Brasil

“Nosso desafio é mostrar que o Brasil pode ser, de fato, um pedaço do paraíso que não se perdeu”

1. O povo brasileiro se habituou a “enfrentar a vida” e a conseguir tudo “na luta”, quer dizer, superando dificuldades e com muito trabalho. Por que não iria “enfrentar” também o derradeiro desafio de fazer as mudanças necessárias, para criar relações mais igualitárias e acabar com a corrupção?

2. O povo brasileiro ainda não acabou de nascer. O que herdamos foi a Empresa-Brasil, com uma elite escravagista e uma massa de destituídos. Mas, do seio desta massa, nasceram lideranças e movimentos sociais com consciência e organização. Seu sonho? Reinventar o Brasil. O processo começou a partir de baixo e não há mais como detê-lo.

3. Apesar da pobreza e da marginalização, os pobres sabiamente inventaram caminhos de sobrevivência. Para superar essa anti-realidade, o Estado e os políticos precisam escutar e valorizar o que o povo já sabe e inventou. Só então teremos superado a divisão elites-povo e seremos uma nação una e complexa.

4. O brasileiro tem um compromisso com a esperança. É a última que morre. Por isso, tem a certeza de que Deus escreve direito por linhas tortas. A esperança é o segredo de seu otimismo, que lhe permite relativizar os dramas, dançar seu carnaval, torcer por seu time de futebol e manter acesa a utopia de que a vida é bela e que amanhã pode ser melhor.

5. O medo é inerente à vida porque “viver é perigoso” e sempre comporta riscos. Estes nos obrigam a mudar e reforçam a esperança. O que o povo mais quer, não as elites, é mudar para que a felicidade e o amor não sejam tão difíceis.

6. O oposto ao medo não é a coragem. É a fé de que as coisas podem ser diferentes e que, organizados, podemos avançar. O Brasil mostrou que não é apenas bom no carnaval e no futebol. Mas também bom na agricultura, na arquitetura, na música e na sua inesgotável alegria de viver.

7. O povo brasileiro é religioso e místico. Mais que pensar em Deus, ele sente Deus em seu cotidiano que se revela nas expressões: “Graças a Deus”, “Deus lhe pague”, “Fique com Deus”. Deus para ele não é um problema, mas a solução de seus problemas. Sente-se amparado por santos e santas e por bons espíritos e orixás que ancoram sua vida no meio do sofrimento.

8. Uma das características da cultura brasileira é a alegria e o sentido de humor, que ajudam a aliviar as contradições sociais. Essa alegria nasce da convicção de que a vida vale mais do que qualquer coisa. Por isso, deve ser celebrada com festa e diante do fracasso, manter o humor. O efeito é a leveza e o entusiasmo que tantos admiram em nós.

9. Há um casamento que ainda não foi feito no Brasil: entre o saber acadêmico e o saber popular. O saber popular nasce da experiência sofrida, dos mil jeitos de sobreviver com poucos recursos. O saber acadêmico nasce do estudo, bebendo de muitas fontes. Quando esses dois saberes se unirem, seremos invencíveis.

10. O cuidado pertence à essência de toda a vida. Sem o cuidado, ela adoece e morre. Com cuidado, é protegida e dura mais. O desafio hoje é entender a política como cuidado do Brasil, de sua gente, da natureza, da educação, da saúde, da justiça. Esse cuidado é a prova de que amamos o nosso pais.

11.Uma das marcas do povo brasileiro é sua capacidade de se relacionar com todo mundo, de somar, juntar, sincretizar e sintetizar. Por isso, ele não é intolerante nem dogmático. Gosta e acolhe bem os estrangeiros. Ora, esses valores são fundamentais para uma globalização de rosto humano. Estamos mostrando que ela é possível e a estamos construindo.

12. O Brasil é a maior nação neolatina do mundo. Temos tudo para sermos também a maior civilização dos trópicos, não imperial, mas solidária com todas as nações, porque incorporou em si representantes de 60 povos que para aqui vieram. Nosso desafio é mostrar que o Brasil pode ser, de fato, um pedaço do paraíso que não se perdeu.

Sobre o autor

Leonardo Boff

Leonardo Boff

Doutor em Teologia e Filosofia pela Universidade de Munique, nasceu em 1938. Foi um dos formuladores da “teologia da libertação”. Autor do livro Igreja: carisma e poder, de 1984, que sofreu um processo judicial no ex-Santo Oficio, em Roma, sob o cardeal Ratzinger. Participou da redação da Carta da Terra e é autor de mais de 80 livros nas várias áreas das ciências humanísticas.

Fonte: http://congressoemfoco.uol.com.br/

O que fazer se o aluno participa da aula, mas tem medo de prova?

Pergunta enviada por Márcia Lacerda, Taguatinga, DF

Muita gente se pergunta por que um estudante que domina os conteúdos e se expressa bem em sala não apresenta a mesma facilidade em provas e exercícios escritos. Pode ser que ele tenha dificuldade em passar os conhecimentos para o papel. Lembre-se, Márcia, de que escrever é diferente de falar. A desenvoltura na fala não é a garantia de sucesso na escrita. Procure investigar se é esse o problema. Para tanto, proponha que a classe prepare uma exposição oral sobre os conteúdos da prova. Se nossa hipótese estiver certa, aquele aluno se sairá bem. No entanto, isso não basta. Ele precisa ser capaz de usar a linguagem escrita para expor seus conhecimentos. Faça um diagnóstico das dificuldades dele. Com base nisso, elabore atividades específicas de desenvolvimento da escrita, sempre articuladas à compreensão leitora. E não deixe de ler a reportagem de capa desta edição, que fala justamente sobre como elaborar boas provas.

Heloisa Ramos. Foto: Marina Piedade

Heloisa Ramos é formadora de professores

e responde dúvidas sobre sala de aula.

Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/

Camponeses são os mais afetados por pobreza extrema no Brasil, aponta Ipea

Guilherme Balza

58% dos brasileiros vivem com menos de R$ 465 por mês; “não pobres” são minoria

Apesar do crescimento da renda e a redução da pobreza nos últimos anos, a maioria dos brasileiros vivia, em 2009, com menos de um salário mínimo, segundo estudo do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) divulgado nesta quinta-feira (14). De acordo com o órgão, a renda per capita mensal de 58% dos brasileiros (106,9 milhões) era, há dois anos, igual ou inferior a R$ 465 –salário mínimo da época.

No estudo, o Ipea dividiu os brasileiros com renda mensal inferior a R$ 465 em três grupos: “extremamente pobres” (com renda per capita até R$ 67), “pobres” (renda de R$ 67 a R$ 134) e vulneráveis (renda entre R$ 134 a R$ 465).

A população com renda per capita mensal superior a R$ 465 foi classificada como “não pobre” e representa 42% dos brasileiros (78 milhões de pessoas).

Para o Ipea, os principais fatores que levam os camponeses à pobreza são, pela ordem, o pequeno tamanho de suas terras; a baixa disponibilidade de insumos agrícolas, especialmente de água; a falta de assistência técnica; e os baixos preços pagos pelos seus produtos.

Ainda entre os extremamente pobres, 32% do grupo era composto por famílias que têm como fonte de renda trabalhos informais, sem registro em carteira; 29% por famílias desempregadas; e 3% por famílias com pelo menos um trabalhador formal.

Na faixa dos “pobres”, o maior grupo é o de famílias que vivem do trabalho informal (45%), seguido das famílias que tem ao menos um trabalhador formal (23%) e das famílias camponesas (21%).

Já entre os “vulneráveis”, 56% das famílias têm algum trabalhador formal e 29% tem como fonte de renda o trabalho informal. No grupo de “não pobres”, o percentual de famílias com algum trabalhador formal sobe para 75%, e o de famílias camponesas não passa de 3%.

Nordeste concentra pobreza

O estudo apontou ainda que mais de 30% dos extremamente pobres moram na zona rural de pequenos municípios do Nordeste. Outros 20% desse grupo vivem na área urbana das pequenas cidades nordestinas. Cerca de 10% dos extremamente pobres estão nas áreas urbanas das grandes cidades do Nordeste e outros 10% nas cidades grandes do Sudeste.

O Ipea é uma fundação pública federal vinculada ao Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República do Brasil.

Fonte: http://www.mst.org.br/

IBGE disponibiliza coordenadas e altitudes para 21.304 localidades brasileiras

Está disponível para consulta a partir de hoje, 18/11/2011, no site do IBGE na Internet, o Cadastro de Localidades Brasileiras Selecionadas, que fornece os nomes, a subordinação político-administrativa (a que grande região, estado,meso ou microrregião pertencem), as coordenadas (latitudes e longitudes) e altitudes médias das sedes de 21.304 localidades como municípios, vilas, assentamentos rurais e aldeias indígenas, entre outras existentes em 2010. Todas as informações podem ser acessadas via busca por nome da localidade, no link ftp://geoftp.ibge.gov.br/Organizacao/Localidades/.

O Cadastro de Localidades Selecionadas atende à crescente demanda da sociedade por informações georreferenciadas. Ele deverá ser atualizado periodicamente e aperfeiçoado.

Campos do Jordão é a cidade mais alta do país

Por meio do Cadastro de Localidades Selecionadas, é possível saber, por exemplo, que o município paulista de Campos do Jordão é o mais alto do país. Sua sede está localizada a 1.639,2 metros de altitude em relação ao nível do mar, enquanto Grossos, no Rio Grande do Norte, tem sua sede localizada exatamente no nível do mar, a 0 metro de altitude.

Analisando-se as informações sobre latitudes, descobre-se que o Brasil tem 27 municípios (0,5% do total) acima da Linha do Equador, sendo que o município mais a Norte do país é Uiramutã, em Roraima (lat. 4,58°). No outro extremo, o município brasileiro mais “meridional”, ou seja a Sul do Equador, é Chuí, no Rio Grande do Sul (lat. -33,7°).

Os municípios nos extremos leste e oeste são, segundo as informações de longitudes, respectivamente, Pitimbu, na Paraíba (long. -34,8°), e Mâncio Lima, no Acre (long. -72,9°).

O banco de dados também dá as coordenadas (latitude e longitude) precisas de todas as 516 aldeias indígenas catalogas pela Funai (Fundação Nacional do Índio) – definidas como a casa ou conjunto de casas ou malocas que servem de habitação para no mínimo 20 indígenas – e dos 921 assentamentos rurais (ou agrovilas) existentes em 2008, segundo o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

Também estão reunidas no banco de dados informações sobre 4.718 vilas (ou sedes de distritos, que são subdivisões dos municípios), de 7.086 povoados, 210 núcleos rurais, 355 lugarejos e 1.933 áreas urbanas isoladas.

Fonte: http://www.ibge.gov.br/

São Paulo: as execuções sumárias continuam

O que mais se pode dizer, que ainda não tenha sido dito, sobre as execuções sumárias praticadas por policiais e agentes do Estado? Que mais se pode dizer quanto à violência policial voltada para os territórios da pobreza, moradores de favelas e periferias urbanas pobres?

Angela Mendes de Almeida

Ficando apenas no Estado de São Paulo, o que mais se pode dizer depois do massacre do Carandirú, em 2 de outubro de 1992, onde morreram 111 presos, sem nenhum assassino julgado e cumprindo pena? Que dizer depois do massacre do Castelinho, em 2002, uma armação orquestrada por dois juízes-corregedores, promotores e outras altas autoridades do Estado, que retirou ilegalmente de dentro da prisão dois presos condenados para que eles “convidassem” doze pessoas para um assalto a um avião carregado de malotes de dinheiro que nunca existiu e aí fossem metralhados por policiais? O que há ainda a dizer depois do Relatório apresentado à Asma Jahangir, relatora especial da ONU para execuções sumárias, em 2003, que sumariava mais de vinte casos de assassinatos  ocorridos nos três anos anteriores, sobretudo em Guarulhos e Sapopemba?(1)  E depois do escândalo que foram as 493 mortes em apenas oito dias de maio de 2006, sendo que as autoridades paulistas somente conseguiram atribuir 47 crimes ao PCC, ficando as outras 446 sem esclarecimento, processo e condenação? Para além do que apuraram as entidades de direitos humanos como execuções sumárias a serem creditadas a agentes do Estado,(2)  será que, constatado o clima de histeria sensacionalista praticado pela mídia por instigação das forças policiais, durante o qual autoridades ostentavam uma licença para matar – “vai morrer uma média de 10 a 15 bandidos por dia em São Paulo a partir de agora”, “vamos revidar, vai ser pau puro”, “vamos zerar o jogo”, “vai ter troco”, “a caça continua”,(3) – não é o caso de responsabilizar todas as autoridades governamentais do Estado de São Paulo pela impunidade dos outros 446 mortos naqueles dias sangrentos do Maio 2006?(4)

O que leva os brasileiros a não atribuir senão uma mínima importância – quando é o caso de deplorarem – a estes crimes cometidos por agentes do Estado, agindo em nome dele e pagos com dinheiro dos impostos? Porque, para além da barbárie que constituem, ninguém repara na total ilegalidade com que agem as forças policiais? Porque a impunidade é a regra? Porque o Poder Judiciário, quase sempre, quando chega a ser acionado, usa de seus argumentos retóricos para, de forma casuística, transformar o crime em ato legal, em uma mal chamada “resistência seguida de morte”?

Mas apesar das últimas considerações grandieloquentes das autoridades e de algumas providências inócuas, as execuções sumárias não param. As estatísticas provenientes da própria Secretaria de Segurança Pública o demonstram. Estima-se em 6.054 as mortes por policiais no Estado de São Paulo entre 2000 e 2010. (5) Entre janeiro e junho de 2011, foram mortas por policiais militares em serviço ou de folga 334 pessoas, numa média de 1,85 por dia. Dessas mortes, 241 foram apresentadas como “resistência seguida de morte”.(6)

Como se realizam as “resistências seguidas de morte”

As execuções sumárias ou extrajudiciais, ou seja, fora da lei é preciso que se repita, acontecem tanto por parte de policiais militares no exercício de suas funções, como por parte de agentes do Estado – além de policiais militares, policiais civis, guardas-civis, agentes carcerários e outros – fora de serviço, em meio às suas atividades particulares.

Também acontecem sob a fórmula de “autoria desconhecida”, ou seja grupos de extermínio formados por policiais para executarem os “marcados para morrer”: ex-presos, viciados em droga e todos os considerados “prejudiciais à sociedade”. Em geral estes assassinatos são praticados sob a forma de chacinas, rapidamente atribuídas a traficantes para que a investigação não avance. Para um observador atento, é bem fácil distinguir a chacina que é um acerto de contas entre traficantes e as que são obras de policiais. Nestas o evento é feito é lugar público de um bairro, todos os presentes são assassinados, além dos visados, os executores retiram-se com calma e pouco depois, sem que ninguém tenha sido chamado, policiais fardados aparecem para recolher as capsulas, corpos e “desarranjar” a cena do crime. Apesar disso, a fúria criminosa é tanta que alguns grupos de extermínio formados por policiais acabam sendo descobertos como “Os matadores do 18”, grupo de cerca de vinte policiais militares do 18º Batalhão, que atuavam na zona norte da capital e foram responsabilizados pelo assassínio do Coronel José Hermínio Rodrigues, em janeiro de 2008. É também o caso do grupo de extermínio conhecido com “Highlanders”, formado por policiais militares do 37º Batalhão, que na zona sul cortava cabeças de suas vítimas, e que foi descoberto em 2009 a partir do assassinato de um rapaz com deficiência mental.(7)  E por fim, é também o caso do grupo conhecido como “Ninjas”, pela máscara que usavam, que cometeram vários assassinatos na Baixada Santista entre abril e maio de 2010.

Outra forma, derivada das perseguições desvairadas que os policiais executam para prender um pequeno ladrão de carteiras, ou um “suspeito”, pela sua aparência, de ser um deliquente, é a “bala perdida”. Para defender o patrimônio dos ricos e da classe média os agentes do Estado não hesitam em promover tiroteios, de forma absolutamente ilegal, mesmo em lugares públicos cheios de gente, assumindo o risco de provocar uma morte. Quando isso acontece argumentam que foi “uma fatalidade” que atingiu “um inocente”.

O enfrentamento, a “troca” de tiros, é a desculpa para a execução sumária. Criaram a categoria de “resistência seguida de morte” (RSM), que não existe legalmente, pois que, dada a conivência das instituições da Polícia Civil, a excecução sumária é apresentada pelos policiais autores dos tiros que mataram como uma consequência de os mortos terem, depois de incitados a se entregarem, atirado. Assim o título “resistência seguida de morte” desloca o crime para o morto que resistiu e que como está morto não pode ser processado, sendo o caso arquivado. Por isso mesmo, no ato da feitura do boletim de ocorrência na delegacia, procura-se a folha corrida do morto para provar que ele “merecia” a morte, pois já tinha passagens pelo sistema prisional ou de recolhimento de adolescentes.

Casos anônimos de execução sumária

Nos relatos jornalísticos desses casos de “resistência seguida de morte”, que nada mais são que a transcrição do boletim de ocorrência transmitida por fontes policiais, a falsificação fica clara. Embora haja casos que ficam famosos, nos quais a farsa é desvendada oficialmente, mesmo nas simples notícias cotidianas pode-se discernir a falta de lógica de histórias mal contadas com a “dinâmica da vítima que ‘reage’ e ‘constrange’ o policial a atirar”.(8)  Em todos estes casos, mesmo que a vítima assassinada não esteja armada, providencia-se uma arma para colocar em suas mãos.

Eis um exemplo recente, narrado conforme a ótica policial, sob o título “Adolescente entra em confronto com policiais e morre” (a notar que na frase a ação do adolescente é que provoca sua morte). No Bom Retiro (bairro central de São Paulo), às 22hs de uma sexta-feira, policiais militares viram “quatro rapazes pedalando bicicletas e decidiram abordá-los. (…) Nesse momento (…) o adolescente de 16 anos tentou fugir pedalando em alta velocidade, enquanto os demais rapazes continuaram a transitar no mesmo ritmo.” Por esse motivo os policiais concentraram a atenção no que fugia, “que sacou um revólver e o apontou para a viatura.” Resultado: “pedalando em alta velocidade” o adolescente teve condições de atirar duas vezes nos policiais que, em seguida o mataram.(9)  Nesta parca notícia não se diz o que é possível adivinhar, isto é, que o adolescente não estava armado. Esta explicação só vem à tona quando família e amigos do morto têm condições de protestar.

Veja-se este outro exemplo, narrado em outro texto: “policiais militares em uma viatura suspeitaram de uma dupla de homens que caminhava junto a um terreno baldio. Ao perceber a atenção dos policiais, um deles fugiu em direção à favela, enquanto o outro … ‘O outro permaneceu sentado em uma pedra e foi abordado. Segundo a polícia, ao ser revistado, o rapaz sacou uma arma calibre 38 e atirou contra um PM, que respondeu ao fogo e acertou as costas do suspeito em fuga. Ele foi socorrido, mas não resistiu ao ferimento.’ ” (10) Tente o leitor racional entender a atitude do executado, que esperando sentado o momento de ser revistado, e tendo o policial próximo de si, saca uma arma que suscita a “reação” dos policiais, que o atingem nas costas, estando ele sentado! Como estes boletins de ocorrência são uma farsa, a falta absoluta de lógica não perturba os jornalistas, é um emblema de que os “suspeitos” estão fadados a morrer.” (11)

Exemplo desse procedimento é também o caso do catador de papéis, Juliano Diogo, de 26 anos, que foi executado nos fatídicos oito dias de maio de 2006, em Ribeirão Preto. Na versão policial, ao avistar um carro da Polícia Militar, Juliano teria corrido, e mesmo correndo, atirou com uma arma em cada mão. No entanto um amigo teve a coragem de declarar no Ministério Público que viu quando Juliano “for morto com um tiro na barriga”. Uma outra testemunha declarou na Ouvidoria de Polícia que, ouvindo tiros, viu que os policiais, com luvas brancas, colocaram duas armas, uma em cada mão de Juliano, que já estava baleado mas ainda não morto, e apertaram os gatilhos aproximadamente 11 vezes em direção ao carro policial. Viu ainda, depois disso, Juliano ser arrastado e ser baleado com mais cinco tiros.(12)

Casos famosos de execução sumária

Há os casos que se tornam célebres pois fica evidente que as vítimas mortais não podem ser acusadas de delinquentes. Entre abril e maio de 2010 dois casos comoveram parte da opinião pública, dois assassinatos praticados por policiais militares em situações distintas contra dois motoboys, ambos negros. Era uma categoria profissional e uma etnia que eram atingidas ao mesmo tempo. Apesar da comoção e de declarações altissonantes das maiores autoridades do Estado de São Paulo criticando o comportamento “inaceitável” dos policiais nos dois casos, nada mudou depois. O relato desses dois casos evidencia uma série de formas comportamentais constantes das forças policiais.

Eduardo Pinheiro dos Santos foi preso com outras três pessoas que brigavam entre si por causa de uma bicicleta furtada. Ao invés de serem levados para a delegacia, como manda a lei, foram para o quartel da Polícia Militar na Casa Verde, zona norte de São Paulo, em 9 de abril de 2010. Como Eduardo estava mais exaltado – ou seja, tinha levado um soco de um policial e revidou – foi colocado em uma viatura separada dos outros. E os três rapazes viram no quartel ele ser humilhado e espancado por todos os policiais que entravam no recinto. Três horas depois seu corpo foi encontrado na rua, em bairro vizinho, sem identificação. Outros policiais, chamados, constataram traumatismo craniano e hemorragia. E como fazem sempre que encontram um corpo já morto, ao invés de requisitarem uma perícia, levaram Eduardo para o pronto-socorro, onde então foi constatada a morte. No entanto as testemunhas falaram e rapidamente ficou esclarecido quem eram os policiais militares responsáveis. Foram presos provisoriamente e posteriormente indiciados criminalmente, ou seja, até aí o processo andou. Nessa ocasião as mais altas autoridades do governo de São Paulo afirmaram que não tinham dúvidas, “foi a tortura que levou o rapaz a óbito”, que não compactuavam com “aquele tipo de procedimento, abominável”, que se tratava de “fato isolado”, não se admitindo “esse tipo de situação na nossa instituição”. (13)  Uma autoridade policial, embora criticando, alegou que “é lógico, quando uma das pessoas está alterada, o policial militar precisa usar os meios necessários para conter essas agressões.”(14) A chave da questão se encontra, como se verá pelo desenrolar do processo, nos “meios necessários”.

Um mês depois, em 8 de maio, outro crime semelhante, porém em plena rua. Alexandre Menezes dos Santos, 25 anos, motoboy, negro, foi espancado e estrangulado até à morte em frente de sua casa e de sua mãe, no bairro Cidade Ademar, zona sul de São Paulo. A história é semelhante a tantas outras. Tendo a motocicleta sem placa, ele foi perseguido e ao parar para entrar em sua casa foi abordado por quatro policiais militares. A mãe implorava para que os agentes do Estado parassem de bater mas foi ameaçada de ser presa. Foram cerca de 30 minutos de pontapés e socos no estômago, contou a mãe. “Depois vi o pescoço do meu filho mole, a baba escorrendo e a poça de sangue crescendo. (…) Eles batiam no rosto dele, tentavam reanimá-lo. Quando viram que não tinha jeito, jogaram-no dentro de um carro e foram embora.”(15)  Mais uma vez a prática de desarrumar a cena do crime evitando a perícia e levando o morto para um hospital, que constata a morte e envia para o IML.

Matar, por excesso, é tão corriqueiro que os quatro policiais militares apenas pagaram, na delegacia da Polícia Civil, uma fiança de R$ 480,00 e foram liberados. No dia seguinte, dada a repercussão do caso, foram presos pela Corregedoria da Polícia Militar. Mais uma vez as mais altas autoridades classificaram o crime de “deplorável e inaceitável”. Uma autoridade do âmbito militar esboçou uma explicação relacionando o maior número de mortes em ações policiais ao aumento de confrontos entre “bandidos mais armados” e “policiais mais preparados.”  Para o advogado de defesa “foi excesso culposo (não intencional) e não homicídio doloso.”(16)

Neste caso o Tribunal de Justiça aceitou a denúncia feita pelo Ministério Público acusando os quatro policiais militares de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima), mantendo a prisão até o julgamento. O laudo necroscópico declara que Alexandre foi morto por “asfixia mecânica por constrição cervical”. Na acusação formal, os promotores argumentam que os policiais militares “assumiram o risco de matar a vítima”, descrevendo em detalhes os golpes que levaram à morte de Alexandre, culminando com a asfixia.(17)

No entanto, enquanto o desenrolar deste caso levou ao indiciamento dos acusados, o Poder Judiciário encontrou um “jeitinho” de “declassificar”(18)  o crime dos policiais que mataram Eduardo Pinheiro dos Santos. Em dezembro de 2010 a Justiça concluiu que não se tratava de homicídio, um “crime doloso” contra a vida, e sim do crime de “tortura seguida de morte”, que prevê uma pena bem menor. Em consequência disso o crime não será mais julgado por um Tribunal do Júri, e sim por um simples juiz. Na decisão do juiz é dito que a morte de Eduardo foi apenas uma “decorrência de um castigo” que os policiais quiseram infringir a ele, sem a intenção de matar.(19) Ou seja, tortura pode.

A “mãozinha” dada pelo Poder Judiciário para “declassificar” este crime está totalmente entrelaçada com a banalização da tortura no Brasil, expressa, entre outros fatores, pelo fato de que a Lei contra a Tortura brasileira (Lei 9.455, de 1997) é contraditória com a legislação internacional sobre os crimes de lesa-humanidade. Ela não especifica, como é o caso da jurisprudência vigente a partir do Tribunal de Nurenberg (1946), que a tortura é o crime cometido pelos agentes do Estado, em nome deles e sob sua guarda. Em decorrência disso, as penas são relativamente pequenas, praticamente não há notícia de agentes do Estado condenados, e ela serve para criminalizar babás, cuidadores de idosos e sequestradores civis.

Mas o que são esses confrontos entre “bandidos mais armados” e “policiais mais preparados” de que não se tem senão uma notícia resumida nas páginas dos jornais ou nos programas televisivos policialescos? É bastante raro assistir ao vivo um chamado “confronto” classificado como “resistência seguida de morte” e ter a coragem de testemunhar. Pois isso aconteceu em março de 2011, porém só foi noticiado em abril.(20)  E o testemunho não pôde ser apagado ou ignorado porque estava gravado no COPOM (Centro de Operações da Polícia Militar). Através do número 190, uma mulher destemida e naturalmente defensora dos direitos humanos denunciou ao vivo um desses supostos confrontos, ou seja uma execução sumária realizada no cemitério de Ferraz de Vasconcelos, Grande São Paulo.  Por entre os túmulos ela viu entrar uma viatura da Polícia Militar, um homem ser retirado da caçamba e levar um tiro.  A vítima, Dileone Lacerda, de 27 anos, já tinha sido processado por roubo e formação de quadrilha, tinha saído da prisão recentemente e tinha roubado, com outros rapazes, uma van na zona leste de São Paulo. Era um desses “bandidos mais armados”?  Morreu com um tiro na perna, levado durante a perseguição, e outro no peito disparado no cemitério. Mais tarde soube-se por testemunhas que ele havia sido preso em um condomínio onde, desarmado, teria apanhado dos policiais que já chegaram atirando. Sem saber que a testemunha tinha chamado o COPOM para narrar a execução sumária os dois policiais militares registraram corriqueiramente um boletim de ocorrência de “resistência seguida de morte” no qual a Polícia Civil não “vislumbrou indícios de qualquer irregularidade”, sendo o caso apresentado como legítima defesa. Os dois policiais já tinham um histórico de “resistências seguidas de morte”, três num caso e uma em outro. A Justiça de Ferraz de Vasconcelos acatou a denúncia do Ministério Público de homicídio duplamente qualificado para os dois policiais. Também desta vez, depois que o caso veio a público, o governador Alkmin cumprimentou a corajosa testemunha, qualificando-a de exemplo, e anunciou a diretriz de enviar todos os casos de RSM para investigação pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa).(21)  Mas as execuções sumárias continuaram.

Depois disso ainda tivermos, em agosto de 2011, o espetáculo de mais um “enfrentamento” entre policiais militares e “bandidos”, diante dos caixas de um supermercado, em Parada de Taipas, zona norte de São Paulo. Milagrosamente ninguém ficou ferido, a não ser os seis que tentavam roubar caixas eletrônicas. Ah, o milagre se deu, veio a público em seguida, porque antes de executá-los, conforme informações da Polícia Civil, os PMs viraram uma das câmeras de segurança para a parede.(22)

E ainda, no mesmo mês, ficamos sabendo que o espetacular “assalto” ao quartel da ROTA, em agosto de 2010, em plena efervescência da campanha eleitoral, pretenso recomeço de ataques do PCC, afinal talvez nem tenha existido, conforme relatório confidencial da inteligência da Polícia Civil destinado à cúpula do governo. Mas será que era muito difícil em 2010 perceber que havia algo de muito estranho no ato de um homem que, sozinho, atira contra os altos muros do quartel? E que se tratava de uma misteriosa execução sumária cuja finalidade ainda não veio à tona? Agora ficamos sabendo também, por declarações da família, que o ousado atacante era uma pessoa viciada em drogas, que morria de medo da polícia e que jamais teria a coragem de um ato dessa natureza.(23) Tamanho quadro de ilegalidades e falsidades ainda não foi objeto de inquérito e processo judicial.

Quando os policiais explicam as “resistências seguidas de morte”

Nas forças de Segurança Pública, é óbvio, nem todos matam. Porém o corporativismo é um poderoso fermento que une os agentes do Estado na defesa daquele que cometeu o crime ou na sua relativização. Há, no entanto, policiais matadores falam, às vezes para se vangloriar, às vezes para deplorar “os excessos”. Essas falas são recebidas pelas autoridades e pela opinião pública, inclusive a progressista, como folclore, algo indigno de ser levado a sério. Ao contrário do que deveria acontecer, nunca dão lugar a inquéritos e processos por apologia ao crime.

Em 20 de abril de 2003, em pleno Jornal Nacional da Globo, o jornalista Valmir Salaro entrevistou um policial matador de Guarulhos que afirmou ter matado “mais ou menos 115”. E explicou bem o modus operandi das execuções sumárias. “Noventa por cento dos tiroteios de que participei foram forjados, 10% só que são verdadeiros (…) Um tiroteio forjado é aquele em que só o policial atira. O bandido vai atirar só depois de morto, só. Aí você pega a mão dele, dá uns três tiros para o alto ou numa viatura. (…) Você vai vendo se o marginal está morto dentro da viatura. Se ele não estiver, você tem que dar um jeito dele chegar morto no pronto-socorro, senão ele vai falar o que aconteceu. Normalmente você dá um ou dois tiros para conferir dentro da viatura, ou para no meio de um matagal e ‘confere’ ele com um tiro ou dois na cabeça ou no peito, para dizer que ele chega morto no hospital. (…) Muitas vezes você sente remorso, porque você pode mesmo ter matado um pai de família, um trabalhador, mas quando você sabe que foi um vagabundo mesmo que morreu, um bandido, aí você não tem muito remorso, não. (…) Eu não aguento mais a pressão dentro de mim. Ou eu me matava ou eu desabafava.” (24)

Os crimes das polícias executados no maio sangrento de 2006 também deram ensejo a que um policial militar se desafogasse com jornalistas. Em setembro de 2007 o jornal O Estado de São Paulo, depois de quatro longas entrevistas ao longo de um ano e checagem por parte dos repórteres de dados paralelos, publicou em quatro singelas matérias as declarações de um soldado da ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, tropa de choque da Polícia Militar), identificando-o apenas como P. Aparentemente revoltado com o “exagero” dos atos policiais, ele descreveu casos concretos de como se dão as “derrubadas”. Em relação ao maio de 2006, relatou como, com a tropa formada, o oficial pediu a seus homens uma “resposta” (aos ataques do PCC). Dia 13 de maio, sábado, foram 9 mortos. Em seguida o oficial parabenizou pelo trabalho feito e pediu continuidade. No dia seguinte, 16 mortos. Depois disso o oficial pediu para “maneirar” um pouco e no dia seguinte foram só 8 mortos: “Deu, tá bom!”. Em relação ao modus operandi o soldado P. também deu detalhes (citando casos concretos conferidos): os alvos são pessoas com passagem pela polícia ou que cumpram pena em regime semiaberto, “escolhidos” aleatoriamente em favelas ou periferias pobres, por sua “atitude suspeita”. São presos e mortos imediatamente ou “guardados” no porta-malas da viatura para serem mortos na ocasião da encenação. Depois os policiais forjam um tiroteio em cima de um carro roubado, ou de algum comerciante que se presta a emprestar o carro para a encenação, dando queixa de roubo na polícia, ou de um carro que os próprios policiais roubam, depois de tirar a farda.(25)

E mais recentemente o jornalista Renato Santana, no marco de uma série de reportagens sobre execuções sumárias na Baixada Santista em abril de 2010, conseguiu entrevistar dois ex-policiais que lhe revelaram as entranhas das supostas “resistências seguidas de morte”.(26) “O Lenda” explica como se montam ocorrências “redondas”. Aposentado, “virou professor para os policiais mais novos e o salvador dos descuidados”. Dá uma aula ao repórter sobre como descaracterizar a arma de um crime pedida pela perícia: “Na alma do cano (parte interna do cano) se você pegar uma bala, passar graxa, ou qualquer material adesivo, areia, e der um tiro, no exame técnico vai ser constatada outra arma. Vai mudar a sua característica interior. Vai criar ranhuras que anteriormente a arma não tinha. Um projétil coletado antes vai ter características diferentes desse coletado depois, para confronto, ou seja, balística.” Naturalmente defende as execuções generalizadas: “O suposto inocente, ou citado como inocente pela mídia, que está às duas horas, três horas da madrugada num boteco que fica numa biqueira (ponto de tráfico) da periferia não é inocente. (…) O inocente não existe.”(27)

O outro ex-policial entrevistado, “Juca”, explica como constituir um grupo de extermínio, com três ou quatro falando “nossa linguagem, com pouco mais de apetite (…) É um grupo fechado que atua descaracterizado, com a chamada touca.” Quanto à morte de “inocentes” nessas matanças o policial é singelo: “Às vezes, acontece de errar. Olhar e achar que o cara é bandido e não é, pelo modo de o cara se vestir e de agir. Você faz aquela análise rápida e vê. Se achar que o cara é bandido também, vai junto. (…) Foi pego na rua de madrugada: tem passagem? Tem! Não era nem levado para a delegacia. Era executado e jogado na primeira viela que encontrasse pela frente.” E mais precisamente explica sobre as execuções sumárias: “90% das ocorrências de resistência seguida de morte são montadas. A polícia pega o bandido, vamos supor, dentro de sua casa. Só está o policial e o bandido, que não vai encarar 20 policiais. (…) A gente já andava com o chamado kit. Era uma mochila contendo várias armas frias. Porque se o alvo não tivesse armado, mas tivesse uma situação que a gente podia matar, a gente matava e colocava uma arma fria na mão dele. Aí o policial faz a montagem do local da ocorrência. Se matou o cara, o policial não vai dizer o número de tiros. Dá dois ou três tiros em locais fatais e sabe que o cara vai morrer. Mas como vai saber se o cara é destro ou canhoto? A gente ‘faz a mão’ do indivíduo. Coloca a arma fria na mão esquerda e efetua o disparo. Na mão direita, outro disparo. Pode fazer o residuográfico que consta pólvora nas duas mãos.Tudo para deixar a ocorrência mais redonda com a simulação de troca de tiros.”(28)  Na sua aula magna o ex-policial dá a receita certa para não deixar provas para a perícia (recolha de capsulas e de corpos), levar sempre o morto ou ferido para um hospital para não ser acusado de omissão de socorro e matar “o indivíduo” no percurso da viatura, caso ele ainda esteja vivo, não descartando longas voltas para retardar o atendimento.(29)

Essas revelações de crueldade e apreço para com as execuções sumárias foram mais uma vez ilustradas recentemente com a repercussão de um vídeo de um minuto e meio, gravado por um policial militar durante um assassinato, e que circulou pacificamente na internet durante três anos, para regozijo dos que acham que “bandido bom é bandido morto”. O autor dos tiros que vitimou mortalmente um rapaz, ferindo o outro, um adolescente, com seis tiros, por causa de um reles roubo de talões de cheques, celulares e pouco mais de R$ 500,00, foi um guarda-civil municipal. Mas policiais militares de quatro viaturas vieram para apreciar e gozar da agonia dos dois rapazes durante 40 minutos. O caso aconteceu em maio de 2008, na zona leste de São Paulo. O vídeo mostra os dois deitados, um deles espumando pela boca, com os olhos paralisados, em choque mortal, e o adolescente chorando, ensanguentado. Ouvem-se frases como “Estrebucha, filho da puta”, “Não morreu ainda?”, “Tomara que morra no caminho (para o hospital)”. O policial militar que grava as cenas do adolescente, identificado por suas botas e pelo cinturão do uniforme lhe diz: “Está vendo o inferno? Esse não morreu ainda? Deu sorte, hein, meu!”.(30)

Assim é toda uma visão de mundo, recuperada pelos programas policialescos de televisão, que está introjetada nos modos de comportamento, mesmo os burocráticos, das forças de segurança. Não estranha, pois, que um promotor do Tribunal do Júri tenha pedido o arquivamento de um caso de execução sumária com a seguinte frase: “Bandido que dá tiro para matar tem que tomar tiro para morrer. Lamento, todavia, que tenha sido apenas um dos rapinantes enviado para o inferno.” E aconselha ao réu: “Melhore sua mira…”  E não estranha ainda que tal frase, escrita em documento oficial, não tenha tido nenhuma consequência judicial.

Como se vê, as execuções sumárias e extrajudiciais são um cancro incentivado por um sistema de conivências que vai desde o assassino até as mais altas autoridades do país, passando pela apologia do “assassinato de bandidos”, e que conta com a tolerância da opinião pública progressista, inclusive da esquerda, apática para denunciar estas violações aberrantes da lei do Estado democrático de Direito, colaborando para a impunidade.

Angela Mendes de Almeida é coordenadora do Observatório das Violências Policiais-PUC/SP.

Fonte: http://carosamigos.terra.com.br/

Safra de laranja aumenta em SP, mas emprego diminui

A boa safra de laranja deste ano não se refletiu em mais empregos no campo. Apesar da produção recorde, houve queda de 30% no número de trabalhadores no setor.

Os dados são de levantamento realizado pelo IEA (Instituto de Economia Agrícola), da Secretaria de Estado da Agricultura. Em agosto, havia 55,8 mil pessoas empregadas em caráter permanente, ante 80,7 mil no mesmo período da temporada passada.

Enquanto isso, a produção segue caminho contrário nesta safra -saltou de 322 milhões de caixas em 2010, o volume mais baixo da década, para 377 milhões neste ano -recorde desde 2001.

O motivo para a queda no número de empregados, segundo o presidente da Câmara Setorial de Citricultura do Ministério da Agricultura, Marco Antônio dos Santos, foi o corte de gastos realizado pelos citricultores.

“A crise do ano passado obrigou os produtores a reduzir custos. Entre as medidas, está o corte de funcionários”, afirmou Santos. Outra explicação, também causada pela crise do ano passado, é a redução do número de pequenas e médias propriedades citrícolas. Segundo o presidente da Associtrus (Associação Brasileira de Citricultores), Flávio Viegas, as grandes propriedades têm ganhos de escala e, com isso, empregam menos funcionários. “Há menos pessoas envolvidas no processo”, disse.

Com frutas prontas para a colheita, o produtor Walter da Cunha Stamato Filho, de Bebedouro (381 km de SP), estima perder cerca de 5% da produção de laranja no pé.

De acordo com ele, além do número menor de funcionários, a safra elevada deste ano tem feito a oferta superar a demanda da indústria. De acordo com Santos, a estimativa é que 20 milhões de caixas de 40,8 quilos sejam perdidas no pé em todo o Estado de São Paulo.

Fonte: http://www.noticiasagricolas.com.br/

Estados não cumprem lei do piso nacional para professor

Ao menos quatro Estados estão fora das duas normas para o magistério

Lei nacional prevê remuneração de R$ 1.187 para 40 horas semanais e 33% de tempo extraclasse

FÁBIO TAKAHASHI e LUIZA BANDEIRA

Aprovada há mais de três anos, a lei nacional do piso do magistério não é cumprida em pelo menos 17 das 27 unidades da Federação.

A legislação prevê salário mínimo de R$ 1.187 a professores da educação básica pública, em jornada semanal de 40 horas, excluindo as gratificações, e assegura que os docentes passem ao menos 33% desse tempo fora das aulas.

A ideia é que os professores tenham melhores condições de trabalho com aumento salarial e período remunerado para atender aos alunos, preparar as aulas e estudar.

O levantamento da Folha com as secretarias estaduais de Educação mostra que a jornada extraclasse é o ponto mais desrespeitado da lei: 15 Estados a descumprem, incluindo São Paulo, onde 17% da carga é fora da classe.

Desse grupo, quatro (MG, RS, PA e BA) também não pagam o mínimo salarial, ou seja, estão totalmente fora da legislação nacional. Outros dois desrespeitam só o salário.

Para aumentar o período dos docentes fora da sala de aula é preciso contratar mais profissionais ou elevar a carga dos que já estão na rede -ambas opções são custosas.

A lei pode ajudar professores como Diliana Márcia de Barros Lisboa, 43, que leciona história e geografia a adolescentes em duas escolas estaduais de Minas Gerais. Seu salário base é R$ 712.

Ela só consegue corrigir trabalhos e preparar aulas à noite. “Com esse salário, apenas sobrevivo”, diz Diliana.

IMBRÓGLIO JURÍDICO

A implementação da lei do piso foi conturbada. Sancionada em julho de 2008, foi contestada três meses depois no Supremo Tribunal Federal pelos governos de MS, PR, SC, RS e CE. Uma das principais argumentações era que a regra significava intromissão em assunto que caberia a cada Estado e município.

Em abril deste ano, o Supremo decidiu que a lei não fere a Constituição.

O Ministério da Educação afirma que a regra deve ser aplicada imediatamente, mas que não pode obrigar Estados e municípios a cumpri-la.

Por outro lado, a gestão Dilma disse que pode ajudar redes com dificuldades financeiras, desde que elas comprovem a necessidade -o que não tem ocorrido, afirma o Ministério da Educação.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação disse que recomendou a seus sindicatos que entrem na Justiça para cobrar a adoção. Governadores e secretários podem sofrer ações de improbidade administrativa.

“Estados e municípios não se prepararam porque apostaram que ganhariam no Supremo”, disse o presidente da confederação, Roberto Leão.

O Consed (órgão que reúne secretários estaduais de Educação) disse ser favorável à lei, mas que é necessário um período para transição. “O impasse não interessa a ninguém”, disse o vice-presidente Danilo de Melo Souza.

Governos dizem que irão se adequar à lei

A maior parte dos Estados que descumprem a lei disse que vai se adequar à regra.

O governo de São Paulo informou “que finaliza” o mecanismo para adotar a carga extraclasse mínima. O Rio Grande do Sul disse que se adaptará até 2014.

Minas Gerais afirmou que já encaminhou projeto ao Legislativo para se adequar. A tramitação, porém, foi suspensa após a criação de comissão de negociação que discute o acordo que pôs fim a uma greve de 112 dias.

O piso é desrespeitado em uma das duas opções de carreira, que possui 38% da categoria, segundo o governo.

A Bahia afirmou que fechou acordo na semana passada com docentes. Maranhão disse que já finalizou o projeto. Rondônia, Goiás, Pará e Espírito Santo afirmaram que se adequarão.

Acre e Rio Grande do Norte disseram possuir avaliação interna que aponta que cumprem a carga extraclasse, ainda que os percentuais informados estejam abaixo dos 33%.

Pernambuco afirmou que ainda há dúvidas jurídicas em relação à lei.

“Todos queremos o piso e a jornada extraclasse. Mas se o impacto é muito grande, não adianta insistir, precisamos de tempo para transição”, disse o vice-presidente do Consed (conselho dos secretários estaduais de Educação), Danilo de Melo Souza. (FT e LB)

Fonte: http://www.andifes.org.br/

Mulheres de Apodi em luta contra o hidronegócio

As mulheres de Apodi lutam contra o agro e hidronegóio na Chapada do Apodi

Centro Feminista 8 de Março

Nea manhã de hoje a Comissão de Mulheres do Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras rurais do munocípio de Apodi enviaram cerca de 500 cartas, endereçadas à Presidência da República, pedindo a Presidenta Dilma  Rousseff  a revogação do Decreto Nº 0-001 de 10 de junho de 2011 para desapropriação de mais de 13 mil hectares de terra na região da Chapada so Apodi o que expulsará de suas casas, terras e de sua história mais de 150 famílias.

Quem coordena o projeto de desapropriação e, ao mesmo tempo, de expulsão dessas dezenas de famílias é o Departamento Nacional de Obras contra a Seca (DNOCS). “O DNOCS em tese deveria lutar juntamente com trabalhadores e trabalhadores do Nordeste para a convivência sustentável no Semiárido, no entanto o que ele está fazendo com esse projeto é se juntar com as empresas do agro e hidronegócio para nos expulsar de nossas casas, nossas terras e nossa hostória que temos construído ao longo de mais de 60 anos somente nessa região”, declara Francisca de Lima, mais conhecida como Kixka, coordenadora da Comissão de Mulheres do STTR Apodi.

“O envio destas cartas para a nossa presidenta, que é uma mulher de luta, é para mostrar que nós não quermos esse projeto aqui em Apodi, pois não vai trazer benefícios para nós pequenas agricultoras e apicultoras, ao contrário vai envenenar nossas abelhas, vai enevenenar nossa comida e nossa água”, declara Francisca, trabalhadora rural do Assentamento Sítio do Góis.

De acordo com Kika a iniciativa de escrever tantas cartas para a Presidenta Dilma surgiu em uma das reuniões da Comissão de Mulheres do STTR Apodi quando se discutia as alternativas de barrar esse projeto no município. “Foi um desafio muito grande para as mulheres escreverem essa carta, pois a maioria sabe escrever muito pouco e muitas vezes tínhamos que dizer letra por letra para que todas pudessem expressar em suas próprias palavras sua luta e ingdignação contra o projeto”, afirma Kika.

Enviadas essa última remessa, de um total de 2.000 cartas, começa agora uma nova fase, o momento para outras pessoas que não são de Apodi enviarem cartas para o planalto se solidarizando com a luta da Chapada. Para o envio de cartas a presidência o endereço é: Presidência da República | Palácio do Planalto | Praça dos Três Poderes | Zona Física Administrativa | Cep.: 70150.900 | Brasília/DF.

Fonte: http://centrofeminista.wordpress.com/

Oposição ao governo de SP quer ouvir reitor da USP

Deputado Carlos Giannazi quer levar João Grandino Rodas para a Comissão de Educação da Assembleia

Igor Carvalho

Além das diversas manifestações de estudantes, professores e funcionários da Universidade de São Paulo contra sua gestão, o reitor da USP, João Grandino Rodas, que já é persona non grata na Faculdade de Direito, pode ter de se explicar na Comissão de Educação da Assembleia Legislativa de São Paulo. O requerimento deve ser encaminhado na próxima semana pelo deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) e vai passar pelo pleito da comissão.

A articulação do deputado é uma vitória para os estudantes que estão em greve desde o dia 9 de novembro, contra a administração do reitor. No dia seguinte à paralisação, os manifestantes reuniram 3 mil pessoas em uma marcha pelo centro de São Paulo. Para o deputado Gianazzi, “a paralisação dos alunos é importante para mostrar à sociedade que não é só a questão mais pontual da intervenção da polícia, que é bem específica. É muito mais grave, são denúncias de malversação do dinheiro público, de improbidade administrativa e gastos desnecessários.”

Se aprovado, o requerimento, o reitor terá comparecer na Comissão de Educação e atender aos questionamentos dos deputados. “Nós vamos pedir esclarecimentos, queremos um balanço de tudo que ele gastou até agora. Não há transparência, não é um governo que prima pela gestão democrática”, explica Giannazi.

Fonte: http://www.revistaforum.com.br/

Origens da esquizofrenia

Estudo com gêmeos sugere que alterações em genes associados ao distúrbio podem ter causas ambientais

©kristijan zontar/shutterstock

Um estudo do Instituto de Psiquiatria do King’s College London mostrou que apesar da hereditariedade exercer forte influência em casos de esquizofrenia e bipolaridade, nem sempre os distúrbios se manifestam em gêmeos idênticos, o que indica que outros fatores, além dos genéticos, talvez estejam envolvidos nos transtornos. Para chegar a essa conclusão, o psiquiatra Jonathan Mill analisou o DNA de 22 pares de gêmeos univitelinos, o que descarta interferências genéticas, sendo que um de cada dupla apresentava esquizofrenia ou transtorno bipolar, e comparou com o DNA cerebral de pessoas saudáveis e com o de outros voluntários que tinham algum tipo de psicose. O objetivo da pesquisa era investigar o impacto das mudanças epigenéticas – alterações que não influem na sequência do DNA, porém deixam marcas químicas.

Embora o pesquisador não tenha encontrado modificações no conteúdo total da metilação do DNA – um forte indicador de alteração epigenética –, entre os irmãos, foram observadas diferenças associadas aos distúrbios em locais específicos do genoma. Além de reforçar a ideia de que essas mudanças podem estar envolvidas num largo espectro de transtornos psiquiátricos, a descoberta corrobora publicações anteriores que mostram que as alterações estão associadas a uma série de processos biológicos e cognitivos, incluindo dependência química e neurodegeneração.

Mill acredita que os resultados são animadores: “Nosso estudo sugere que não só as alterações genéticas são importantes. As diferenças epigenéticas que observamos podem revelar mais sobre as causas da esquizofrenia e do transtorno bipolar, uma vez que algumas alterações eram específicas de cada doença. Além disso, esses processos são potencialmente reversíveis, o que pode significar um avanço no desenvolvimento de futuros medicamentos”.

Fonte: http://www2.uol.com.br/

Quadro negro

MUSEU ABERTO DE ARTE URBANA

Assim como o grupo OPNI desenvolve uma galeria a céu aberto em São Mateus, em São Paulo, Chivtz e Binho Ribeiro criaram projeto semelhante na zona norte da capital paulista, após serem presos, junto com outros artistas, pintando pilastras em uma importante avenida da cidade. Aos poucos, o movimento ganha força em toda a metrópole e com o empenho de todos, estamos criando o Museu Aberto de Arte Urbana (MAUU). O OPNI foi um dos grupos convidados por Chivtz e Binho.

fotos Acervo Opni

 

fotos ACERVO OPNI e RAFAL CUSATO

“FICAMOS FELIZES COM O CONVITE, POIS O PROJETO VAI AO ENCONTRO DE QUE MUITAS VEZES FAZEMOS, OU SEJA, NOS ‘APROPRIAMOS DO DESAPROPRIADO’. JÁ PASSOU DA HORA DO GRAFFITI TER O RESPEITO QUE MERECE E ESSE TIPO DE AÇÃO AJUDA A REFORÇAR ISSO”

fotos ACERVO OPNI e RAFAL CUSATO

fotos ACERVO OPNI e RAFAL CUSATO

Fonte: http://racabrasil.uol.com.br/

Lucros com serviços e tarifas dos três maiores bancos chega a R$ 38 bi até setembro

Os lucros dos três maiores bancos do país com prestação de serviços e tarifas bancárias somou quase R$ 38 bilhões, de janeiro a setembro deste ano, segundo dados divulgados nos balanços contábeis do Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Bradesco, referentes ao terceiro trimestre. Em relação a igual período do ano passado, quando o lucro com essas receitas chegou a R$ 34,1 bilhões, o crescimento foi 11,4%.

Kelly Oliveira

No caso do Banco do Brasil (BB), as receitas com prestação de serviços (cartão de crédito e débito, conta-corrente, administração de fundos e outros) e tarifas bancárias (pacote de serviços, operações de crédito, transferência de recursos e outros) chegaram a R$ 13,215 bilhões no período de janeiro a setembro deste ano, um crescimento de 11,4% em relação ao ano passado. Somente as receitas com cartão de crédito e débito do BB chegaram a R$ 2,337 bilhões e com pacotes de serviços, a R$ 1,979 bilhão.

O Itaú Unibanco apresentou receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias de R$ 13,960 bilhões, de janeiro a setembro de 2011, alta de 10,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

O balanço do Bradesco, divulgado recentemente, mostrou que as receitas com a prestação de serviços e tarifas chegaram a R$ 10,816 bilhões no acumulado até setembro deste ano, crescimento de 12,3%.

Para a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), “não há grande alteração de padrão de comportamento” das receitas de prestação de serviços e tarifas. Essas receitas têm crescido ao ritmo de cerca de 14% ao ano, segundo levantamento da federação com os cinco maiores bancos e os de capital aberto, representantes de 82% dos ativos do Sistema Financeiro Nacional.

A explicação da Febraban é que esse ritmo de crescimento está relacionado ao aumento da inflação (6,97% em 12 meses encerrados em outubro) e à expansão dos negócios dos bancos. Segundo a entidade, o número de contas-correntes desses bancos cresceu em média 8% ao ano, nos últimos nove anos, e o de cartões de crédito, 17%.

Fonte: http://economia.uol.com.br/

Metade das vagas no ensino superior do País sobrou em 2010

No ano passado, quase metade (49%) das vagas de ingresso para novos alunos oferecidas pelas universidades, centros universitários e faculdades do País não foi preenchida. Segundo dados do Censo da Educação Superior de 2010, divulgado nesta semana pelo Ministério da Educação (MEC), as 2.377 instituições de ensino superior disponibilizaram 3.120.192 vagas em seus processos seletivos, mas o número de ingressos registrados foi 1.590.212.

De 1,5 milhão de oportunidades de acesso não preenchidas em 2010, a maioria era de estabelecimentos particulares. Ainda assim, sobraram 36 mil vagas em instituições públicas, especialmente nas municipais. O secretário de Ensino Superior do MEC, Luiz Cláudio Costa, reconhece que é preciso melhorar o aproveitamento das vagas das instituições que não são federais.

“As instituições municipais passam por algumas dificuldades. Estamos elaborando um programa para que a gente possa apoiar as instituições públicas que não são federais e passam por dificuldades de financiamento ou infraestrutura. Com esses problemas, às vezes elas têm dificuldades para atrair o estudante”, explica Costa.

Sobre a ociosidade das vagas do sistema de ensino como um todo, ele avalia que é positivo que haja um grande número de vagas disponíveis. “É bom que o Brasil tenha um grande número de vagas porque ele está preparado para a expansão”, defende.

Para a Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes), representante do setor privado, a explicação para a grande quantidade de vagas sobrando é que parte das instituições solicita ao MEC autorização para um número maior de vagas do que pretende de fato preencher. Isso ocorre especialmente no caso das faculdades que não têm autonomia para abrir novas vagas e inflam esse número para não ter que solicitar outra autorização ao ministério caso queiram ampliar a oferta.

“Isso é normal. Não é um fato negativo, nem diferenciado. Temos que aprofundar essa análise para saber em que cursos e onde isso está acontecendo. A oferta não é preenchida porque o aluno não aceita essas vagas por diferentes razões”, afirma Gabriel Rodrigues, presidente da entidade. Na avaliação dele, é preciso que o sistema de ensino superior adeque a oferta às necessidades de mão de obra do País e às demandas dos estudantes. “Essa é uma abordagem diferente dos anos anteriores. A realidade está mostrando que esse planejamento (do atendimento) precisa ser feito com mais critério, a oferta não pode ser espontânea se não atender às necessidades reais das diversas regiões”, analisa.

Em termos absolutos, é no Sudeste que sobram mais vagas de ingresso: 886 mil, de 1,6 milhão disponíveis, a maior oferta do País. Mas é no Centro-Oeste que há a maior proporção de vagas não preenchidas, 53%. Já as instituições do Norte têm melhor aproveitamento: 63% das vagas foram ocupadas em 2010. Entre as diferentes áreas de formação, o percentual de vagas ociosas varia de 30%, nos cursos ligados às atividades de agricultura e veterinária, a 60% nos de serviços, que incluem graduações como hotelaria, turismo e gastronomia.

Além da falta de interesse dos estudantes por determinado área de formação ou instituição, muitas vezes o que os afasta dos bancos universitários é o custo elevado das mensalidades. Programas do MEC como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e o Programa Universidade para Todos (ProUni), que dão oportunidade aos alunos de baixa renda para estudar em instituições privadas, poderiam melhorar essa ocupação das vagas, que ainda são subutilizados pelo público-alvo.

“Acho que temos um potencial muito maior (de atendimento) no Fies, isso é verdade. Estamos trabalhando muito para que ele possa ser cada vez mais utilizado pelos estudantes e pelas instituições. Com o ProUni e o Fies, temos certeza que vamos conseguir que todo aluno que queira estudar numa instituição privada tenha condições de fazer isso”, diz Luiz Cláudio Costa.

Fonte: http://noticias.terra.com.br/

The Economist relaciona Lei da Anistia com violência policial de hoje em dia

A revista britânica The Economist publica em sua edição desta semana uma reportagem sobre o Brasil com uma tese um tanto polêmica, relacionando o fato de o Brasil não punir os militares que cometeram crimes em nome do Estado durante a ditadura militar com a violência policial de hoje em dia.

A Economist fala sobre a aprovação da Comissão da Verdade (que foi sancionada nesta sexta pela presidente Dilma Rousseff), afirma que diversas lideranças políticas da atualidade foram vítimas do regime militar, lembra que vizinhos como Argentina, Uruguai e Chile agiram muitos mais rápido para punir crimes como tortura e assassinato cometidos por agentes do Estado e que, enquanto isso, o STF manteve em vigor a Lei da Anistia apesar de recomendação contrária da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Depois disso, a publicação afirma que a violência policial de hoje em dia é uma das consequências da “história de repressão não reexaminada” do Brasil.

“Não é por acaso que a polícia replica o padrão de violações dos direitos humanos como a da ditadura militar”, diz Átila Roque diretor da Anistia Internacional no Brasil. O aparato de segurança do Brasil foi construído pelos generais e foi pouco reformado. A cada ano, a polícia do Rio de Janeiro sozinha mata mil civis, a maior deles pobres e negros. Eles são geralmente acusados de resistir à ação policial – mesmo aqueles que levam tiros na nuca ou demonstram sinais de espancamento. Muitos policiais realizam extorsões e matam aqueles que entram em seu caminho. Patrícia Acioli, uma juíza que sentenciou cerca de 60 policiais pertencentes a esquadrões da morte e milícias, foi assassinada a tiros em 11 de agosto. Um oficial de alta patente foi preso sob suspeita de ordenar o ataque. A tortura policial é raramente punida e geralmente aplaudida como a única alternativa à anarquia.

José Antonio Lima

Fonte: http://colunas.epoca.globo.com/

Barraco no Anhangabaú

A CULT visita o movimento Acampa Sampa

Marília Kodic

Em um canto, cerca de dez pessoas sentadas em roda entoam a canção “Pescador de Ilusões”, de O Rappa. Noutro, sob a placa “Aula de História: R$ 0”, um professor universitário ensina a um pequeno grupo noções básicas de democracia. Ao lado, quatro crianças pintam desenhos usando as mãos, enquanto dois ou três índios usam as suas para batucar tambores. Na ordem do dia, há ainda exibição de filmes, palestra sobre sociologia, numeração de barracas e a organização de uma patrulha de limpeza.

O cenário é o Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, nas últimas semanas. Estão acampadas aproximadamente 150 pessoas em 60 barracas, com reivindicações que vão da legalização do aborto à revisão do Código Florestal Brasileiro. Ali, se organizam em comissões – cultura e arte, limpeza, cozinha, segurança, comunicação, etc.

Chamado de “Acampa Sampa” – embora haja membros que prefiram a sigla “15-O”, referência à data em que o movimento teve início (em 15/10) –, a ocupação mimetiza o movimento que começou na Espanha, em 15 de maio, e chegou aos Estados Unidos em 17 de setembro. Foi justamente em Nova York, especialmente em torno de Wall Street – centro financeiro mundial –, que ganhou repercussão mundial.

“O ano de 2011 está pipocando com uma série de mobilizações, e o que as une é o anti-capitalismo e a insatisfação com o sistema como um todo. A população é refém de um sistema representativo que, na verdade, não a representa. Então a ideia internacional é de ocupar coletivamente espaços públicos – que, na verdade, são nossos –, para pensar alternativas para um outro funcionamento desse sistema”, diz a jornalista Gabriela Moncau, que acompanha o “15-O” desde o início.

Além disso, segundo ela, há entre os manifestantes uma série de reivindicações específicas que “não têm hierarquia”, como os protestos contra o aumento da tarifa dos ônibus em São Paulo, a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte (PA) e o uso de armas letais durante manifestações populares. Defendem também a legalização do aborto e o uso de 10% do PIB para a educação.

“Minha pauta original são as emendas do Código Florestal, que tem erros perigosos, mas estamos todos aqui por muitas causas. É uma tentativa de pensar horizontalmente. O dinheiro não é privado, é público. Se o povo não pode manifestar suas necessidades, que democracia é essa?”, diz a astróloga Carmen Sampaio, depois de abraçar a repórter e desejar-lhe paz.

Segundo ela, todos os grupos sociais estão representados, desde moradores de rua – que, diz, somam 30% dos ocupantes – a cidadãos das classes A e B e de todas as idades. Além de São Paulo, o movimento se alastrou a outras cidades brasileiras – como o Rio de Janeiro, sob a alcunha “OcupaRio”, na Cinelândia (centro). Iniciado em 22 de outubro, uma semana depois da capital paulista, já conta com 130 barracas, segundo o curador e crítico de arte Bernardo Mosqueira.

“Lá, estamos focando também em questões locais urgentes, ligadas à moradia, às Olimpíadas e à Copa do Mundo”, diz.

Para Bernardo, que veio visitar a ocupação paulista, a carioca é mais “afetiva e sedutora”: “Tem algo de diferente no posicionamento coletivo. Aqui, as pessoas estão muito desconfiadas, dizem ‘ah, eles estão fazendo leitura labial em nós’, por conta da proximidade da sede da Prefeitura. No Rio, estamos mais tranquilos, rodeados de bares e teatros. Mas o movimento é o mesmo”.

O editor de vídeos Alexandre Palo, que também participa do “OcupaRio”, concorda: “Tenho vontade de ir para a Cinelândia e ficar lá. Tem um monte de artista, acadêmico, é uma grande parceria. E tem o papo –que não é mais hippie– de que somos todos irmãos, sim, e de que, juntos, temos força para fazer coisas positivas”.

Ainda sem grandes confrontos com a polícia, tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo, os manifestantes não pretendem sair tão cedo. “Se quiserem explodir o Viaduto do Chá, cai em cima da minha cabeça, mas eu morro feliz”, diz um anônimo que se identifica como “Kuca”.

Curioso: os manifestantes conseguiram se unir em torno do capitalismo como grande inimigo a combater, mas ainda não pacificaram a rivalidade entre as duas maiores cidades brasileiras.

O rancor contra a usp

“Além de maconheiro, você deve ser viado.”

Curiosa associação.

Esta é uma das muitas reações de carinho que recebi ao falar do conflito entre alunos da USP e a PM.

Dos mais de 400 comentários abaixo, o índice de reprovação dos acontecimentos é altíssimo.

E, claro, as agressões pessoais foram a tônica dos leitores: sou maconheiro, esquerdóide, analfabeto, autor de um livro só, cujo acidente me deixou paraplégico e burro, e a quantidade de drogas que tomei queimaram meus neurônios.

Uma fofura…

Ou não se entendeu o que queriam afinal os alunos da USP, ou um rancor contra eles domina parte da sociedade.

Percebi como tem gente que acha um desperdício o investimento do orçamento estadual em uma universidade pública.

Uma, não. Três [USP, Unicamp, Unesp].

Frequentadas por “vagabundos, maconheiros, depredadores dominados por correntes da esquerda radical”.

Um desperdício de dinheiro público.

Imaginei que fosse uma unanimidade a proposta de que o Estado deva investir pesadamente em educação, se quisermos dar um passo, sim, de gigante.

Além de vendermos pedras com ferro, soja e alimentar o mundo, poderíamos nos transformar numa força industrial e tecnológica.

Imaginei que a essência de uma Universidade fosse desenvolver o livre pensar.

As mensagens que os estudantes me passaram foram:

1. Esta PM não nos serve.

2. A política de repressão à posse de entorpecentes faliu.

3. A reitoria abriu mão de resolver os seus problemas, como a violência no campus, desistiu e chamou o Estado.

Leitores reclamaram que estudantes da USP não devem ter privilégios, que esta PM é a que temos. E que eles não querem a PM lá para poderem fumar seus baseadinhos livremente.

O governador do Estado reclamou que deveriam ter aulas de democracia.

Mas continuo concordando com os estudantes.

Não é a PM que deveria voltar à escola e aprender a combater o crime?

Esta PM é falida.

Não consegue lidar com os índices alarmantes de violência urbana. A corrupção corrói da base à cúpula. O traficante NEM acaba de declarar que metade dos seus rendimentos ia para a polícia.

Em todas as cidades existe a sua cracolândia, sinal de que, como disse a revista THE ECONOMIST, perdemos a batalha para o tráfico. Como sanar tal doença?

O DCE da USP entregou à reitoria meses atrás a sua proposta para conter a violência: iluminar o campus, descatracalizá-lo, tornar a Universidade aberta e  criar uma guarda universitária focada nos direitos humanos.

E reitoria desprezou. Preferiu chamar a força de repressão que fez de São Paulo uma das cidades mais violentas do mundo.

A cobertura de parte da mídia só alimentou o preconceito. Não se debateram ideias, mas a atitude de vândalos.

Prefiro uma Universidade que continue nos propondo novas ideias. Sim, gratuita. Aceito com orgulho que parte dos meus impostos vá para as universidades públicas.

Já estudei em duas e sei muito bem que elas não servem apenas à elite. Que há convênios com países africanos e latino-americanos. Que se estuda as raízes dos problemas e conflitos sociais. Que há núcleos de combate à violência. E que a força dos movimentos sociais é a alma da democracia e da justiça social.

E que numa Universidade livre, governador, repensa-se o papel do Estado.

Nem na época da DITADURA as ações dos estudantes eram unanimes.

Havia uma maioria silenciosa não engajada que não participava.

Isto não quer dizer que ela estava correta.

Muitos diziam que estudantes estavam lá para apenas estudar.

A História prova que dos estudantes veem as ideias de transformação.

É mais vantajoso escutá-los do que trancá-los ou reprimir com “borrachadas”.

No meio estudantil, longe das forças do mercado, nascem as grandes ideias.

Nasce o futuro.

Fonte: http://blogs.estadao.com.br/

Polícia para quem precisa

Professor da FFLCH da USP

A crítica à Polícia Militar na USP se refere a sua utilização contra estudantes ou contra grevistas. Se há um agressor, estuprador ou assaltante armado, a PM será acionada como em qualquer outro crime. Mas revistar estudantes, dar buscas em centros acadêmicos ou prender jovens que fumam maconha em gramados do campus é não só dar destinação errada para a PM como extrapolar suas supostas funções de proteger a comunidade.

No que se refere ao crime na USP, pretexto para o uso da PM contra os estudantes, se sabe que a melhor proteção é a própria coletividade atenta e uma guarda bem treinada, bem equipada e com confiança comunitária. Em geral, não há crimes contra a pessoa ou contra o patrimônio à vista de todos, em lugares bem iluminados e cheios de gente.

Por isso, em luga res em que há fluxo de estudantes, a vigilância ostensiva não é tão necessária, mas, sim, em lugares ermos ou nas entradas e saídas da universidade.

A polícia priorizar a repressão ao uso de maconha é errado, porque isso a torna uma patrulha de costumes anti-estudantil. Em breve, poderão prender também as fotocopiadoras ou quem vender cerveja em festas? Se o objetivo maior deve ser a manutenção da tranquilidade social, a intervenção da polícia não pode ser o agente que venha justamente provocar a ruptura dessa paz.

Se houver consumo indevido de drogas ou de álcool que possa atrapalhar a terceiros ou atividades didáticas, cabe à própria comunidade universitária adotar regras e mecanismos de fiscalização que coíbam esse tipo de prática. Até mesmo um cigarro de tabaco aceso em locais fechados é proibido e a comunidade deve, corretamente, buscar impedir quem fume um cigarro não respeitando o interesse coletivo. Ou devemos deixar a PM resolver isso também?

O uso de cigarros ao ar livre em lugar retirado, seja de tabaco, de cravo ou de maconha, não afeta ninguém além dos seus usuários. É uma conduta tipificada na teoria do direito como isenta de qualquer princípio de lesividade. O bem-estar público não é afetado. Ninguém tem ameaçados os seus direitos nem há nenhuma violência em curso. A própria legislação vigente já entende que o uso de drogas em si não deve ser penalizado.

O uso de drogas por jovens não pode ser tratado como um caso de polícia. Menos ainda num ambiente escolar, onde o diálogo e a busca de soluções negociadas e não violentas devem ser uma parte constituinte do projeto pedagógico.

A melhor segurança é uma guarda universitária modelo, bem equipada e não terceirizada.

A terceirização compactua com trabalho superexplorado e mal qualificado e afasta os serviços de segurança da relação orgânica com a comunidade. Um guarda func ionário da universidade conhece melhor a comunidade e pode melhor ajudar a dirimir problemas, assim como identificar as ameaças à segurança e constituir uma rede de inteligência, comunicação, proteção e confiança comunitária.

HENRIQUE S. CARNEIRO

Fonte: http://www.ivanvalente.com.br/