Monthly Archives: setembro 2011

A Esquerda e o golpe de 64

Autor: Dênis de Moraes

Número de páginas: 376

ISBN: 978-85-7743-188-5

Editora: Expressão Popular

Categoria: História do Brasil

Peso: 430 g

R$ 20,00

Dênis de Moraes, professor da Universidade Federal Fluminense, é acadêmico e pesquisador respeitado na área da Comunicação, domínio no qual a sua contribuição é expressiva, como o atesta, mais uma vez, o seu recentíssimo livro Vozes abertas da América Latina: Estado, políticas públicas e democratização da comunicação (2011). Traduzido e reconhecido no exterior (em 2010, recebeu o “Premio Internacional de Ensayo Pensar a Contracorriente”, do Ministério da Cultura de Cuba), é autor de obra que se pode considerar, sem nenhum favor, extremamente significativa.

No conjunto desta obra (mais de 20 títulos), há um segmento muito especial: aquele em que Dênis de Moraes – revelando-se um notável escritor sob a aparência de um jornalista que revisita a história – se debruça sobre a esquerda brasileira. Recorra-se a três de seus trabalhos para se ter a dimensão desta característica: Vianninha, cúmplice da paixão (1991), O velho Graça (1992) e O rebelde do traço (1996) – excelentes biografias de Oduvaldo Vianna Filho, Graciliano Ramos e Henfil, nas quais o itinerário (de/na esquerda) dos biografados se reconstrói tendo a sua historicidade não como cenário, mas como substância de suas vidas e obras.

Contudo, é neste A esquerda e o golpe de 64, publicado originalmente em 1989, que o escritor talentoso escondido sob a pele do jornalista inquieto a cavucar o terreno da história aparece mais explicitamente. O seu objeto é o elenco de concepções, táticas e projeções (e, sobretudo, de ilusões e equívocos) com que os diferentes setores da esquerda brasileira se movimentaram especialmente sob o governo João Goulart, derrubado a 1º de abril de 1964 pelas forças que acabaram por instaurar o que mestre Florestan designou como “autocracia burguesa”.

Trata-se de objeto já examinado por muitos estudiosos, acadêmicos ou não, com maior ou menor competência. Diferente e original é o trato que Dênis de Moraes realiza neste livro de leitura apaixonante. Reconstruindo o processo político que culminou nos idos de 1964 como que num roteiro fílmico, o autor reconfigura o protagonismo de sujeitos coletivos e de personalidades da esquerda – cujos depoimentos comparecem em seguida – que jogaram papéis relevantes naquela conjuntura. Para as gerações que não experimentaram o drama dos anos 1960, a dinâmica daquela história, sem a qual não se pode compreender o Brasil dos dias de hoje, surge límpida na grandeza da sua esperança e na tragédia dos seus limites.

Dênis de Moraes, nestas páginas em que o talento do escritor dá as mãos à argúcia do jornalista que investiga, nos oferece a prova decisiva da validez do antigo juízo de Mário de Andrade: a história não é exemplo, é lição.

José Paulo Netto

* O valor monetário do livro apresentado neta postagem, pode não estar atualizado

Fonte: http://www.expressaopopular.com.br/livros/

Ministério Público investiga denúncia de irregularidades em nomeações para CJ e criação de cargos pela Reitoria

A Adusp recebeu em 10/8/2011 ofício do promotor de justiça Valter Foleto Santin, da Promotoria do Patrimônio Público e Social do Ministério Público Estadual (MPE), que solicita “informações e esclarecimentos sobre os fatos” relacionados ao Inquérito Civil 088/2011, que apura possíveis irregularidades em condutas da Reitoria da USP, por eventual violação aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, burla ao acesso de cargo mediante concurso público, lesão aos cofres públicos e improbidade administrativa.

ADUSP NET

O Inquérito Civil instaurado atende a uma representação (denúncia) anônima e tem como escopo principal apurar:

“Nomeações, pelo reitor Grandino Rodas, dos servidores Gustavo Ferraz de Campos Monaco e Carlos Alberto Vilela Sampaio como Procuradores da USP, sem concurso público e sem o preenchimento de requisito de cinco anos de efetivo exercício de advocacia, além de eventual nomeação irregular para cargo em confiança do Procurador-Chefe da USP”;

“Criação de cargos de Pró-Reitor Adjunto, sem previsão orçamentária e sem autorização legal, designações indevidas para os cargos criados, acumulações ilegais de funções de Diretor de Unidade e de Vice-Reitor para exercício em cidades distintas e longínquas”.

As nomeações sem concurso público de Monaco e Sampaio teriam, segundo a denúncia, violado o princípio constitucional da impessoalidade, uma vez que o primeiro teria ligação política próxima ao reitor, ao passo que Sampaio é filho da reitora anterior, professora Suely Vilela. Teria havido, ainda, má conduta administrativa na criação dos cargos de Pró-Reitor Adjunto sem atendimento dos requisitos para tanto e sem referendo do Conselho Universitário.

Posição da Adusp

Em resposta, a Adusp manifestou surpresa diante das informações relativas ao Inquérito Civil em andamento, uma vez que não eram de conhecimento público. E destacou a defesa histórica da entidade da plena efetividade do instrumento do concurso público como único meio de investidura em cargo da administração pública.

Diante do questionamento de outras irregularidades que porventura sejam do conhecimento da entidade, foram dadas informações a respeito da representação ao MPE, de iniciativa da Adusp, quanto à regularização do processo eleitoral na USP, que contraria as disposições da Lei de Diretrizes e Bases da Educação no sentido de não observar a representação legal dos colegiados que congregam o colégio eleitoral; e a ação civil pública em que a Adusp é assistente do MPE, contra a existência de cursos pagos na universidade pública.

A Adusp acompanhará o inquérito, espera que a denúncia seja devidamente apurada, respeitado o legítimo direito de defesa, e que tais situações sejam superadas pela adoção de práticas transparentes e democráticas na USP.

Defesa

Os procuradores acusados enviaram à Promotoria do Patrimônio Público e Social documentos em que rebatem as denúncias. Gustavo Monaco alega em sua defesa que “é indubitável que possuía muito mais do que cinco anos de efetiva experiência jurídica, desempenhando funções privativas de bacharel em Direito, quando de sua nomeação para o cargo de Procurador Chefe (hoje transformado em Procurador Geral)”. Ele juntou cópia de seu currículo Lattes e afirma ser “bacharel em Direito desde 2000, tendo realizado inúmeras atividades de cunho jurídico, como o Mestrado, o Doutorado e a Docência, que culminaram em sua aprovação no concurso para Professor Doutor” na Faculdade de Direito da USP, em 2009. *Monaco admite que foi nomeado para o cargo de Procurador IA; e que “o cargo de Procurador da USP é, em regra, provido por meio de concurso público”. No entanto, alega, “como em toda a administração pública, existem alguns cargos de Procurador de livre provimento, para funções de chefia, direção e assessoramento”.

Carlos Alberto Vilela Sampaio, por sua vez, citou a Súmula Vinculante 13 do Supremo Tribunal Federal para negar qualquer irregularidade na sua nomeação pelo reitor, pois não é “parente consanguíneo nem por afinidade da autoridade nomeante, o Magnífico Reitor João Grandino Rodas, e tampouco é de servidor que exerça cargo de direção, chefia ou assessoramento, posto que a professora Suely Vilela, Magnífica Reitora (exercício 2005-2009), não exerce nenhum cargo de direção, chefia ou assessoramento desde o final de seu mandato reitoral até a presente data”. Quanto ao mínimo de cinco anos de exercício em funções privativas de advogado, diz ter alcançado tal requisito em janeiro de 2011.

Fonte: http://www.adusp.org.br/

Usineiros incentivam crack para cortadores trabalharem 14 h

Em algumas plantações de cana-de-açúcar no interior do Estado de São Paulo, existem alguns funcionários que, sonho de qualquer usineiro, conseguem trabalhar cerca de 14 horas por dia sem interrupção. O segredo da produtividade é pequeno, barato e cada vez mais fácil de conseguir: o crack. As consequências para o ‘superfuncionário’, porém, são conhecidas: após poucos anos, uma saúde devastada e, não raro, a morte.

Ricardo F. Santos

Esse é um dos usos crescentes da droga que mais surpreenderam a Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, da Assembleia Legislativa de São Paulo. A comissão, formada por 29 parlamentares, fez um levantamento inédito sobre a proliferação do entorpecente no Estado, e o apresentou nesta terça-feira.

Segundo o deputado estadual Donisete Braga (PT), as regiões onde a prática é mais comum são Ribeirão Preto, Vale do Ribeira, Pontal, São José do Rio Preto e Alta Paulista, onde há forte indústria sucroalcooleira. “Os funcionários fazem uso da droga para agregar valor físico e aumentar a produção”, explicou, acrescentando que, em geral, os trabalhadores são pagos pela produtividade. “Após quatro ou cinco anos, são afastados, demitidos.” Como a maioria não possui vínculo formal de trabalho, os trabalhadores nada recebem depois da prestação do serviço, e resta-lhes apenas a saúde debilitada pelo crack.

“Há uma liberação do consumo de crack por parte das usinas”, afirmou Braga. “Essa prática acontece com plena conivência dos empresários e das autoridades”, completou o deputado Major Olímpio (PDT-SP).

As informações compiladas pelo levantamento, afirmou Braga, são o primeiro passo para acabar com essa situação. Segundo o parlamentar, a partir delas será possível fiscalizar e acompanhar o uso da droga no Estado, e definir ações de erradicação. A pesquisa feita pela Assembleia abordou políticas públicas, investimentos e programasde combate a drogas, e foi respondida por 325 dos 645 municípios do Estado, que concentram 76% da população.

Fonte: http://noticias.terra.com.br/

Remessa de lucros volta a crescer com crise europeia

Mauro Zanatta e Fernando Travaglini | De Brasília e São Paulo

Entre os fatores acompanhados pelo Banco Central para avaliar a gravidade da crise europeia está o aumento das remessas de lucros e dividendos de filiais de bancos e empresas multinacionais europeias a seus países de origem. Pressionadas pelas matrizes e pelos governos cuja situação é considerada delicada, como os da Espanha, Portugal e Itália, filiais brasileiras tendem a socorrer seu “caixa central” por meio das remessas. O volume de recursos remetidos às matrizes acumulado nos últimos 12 meses até julho (último dado disponível no BC) chegou a US$ 34,195 bilhões, bem próximo do patamar recorde atingido em setembro de 2008 (US$ 34,952 bilhões), auge da crise financeira internacional.

A expectativa é que as remessas se intensifiquem no segundo semestre. O setor de telecomunicações, que ao longo de todo o ano passado enviou às matrizes US$ 1,064 bilhão, já remeteu neste ano, em sete meses, US$ 1,526 bilhão. Os bancos distribuíram US$ 1,912 bilhão a seus acionistas no exterior, uma alta de 33% comparada ao mesmo período de 2010.

O fluxo de recursos para o Brasil pode continuar positivo, mas o movimento de empresas no mercado para cumprir essas remessas tem contribuído para a desvalorização do real. O dólar completou ontem o nono pregão consecutivo de alta, fechando a R$ 1,714, com valorização acumulada de 7,87% nesse período. Mas o BC, convicto da gravidade da crise na Europa, optou por antecipar um afrouxamento da política monetária, com receio de perder, como em 2008, a oportunidade de reduzir as taxas de juros. O governo, por esse entendimento, quer aproveitar o momento de crise aguda para forçar a queda dos juros, baseada em esforço fiscal significativo.

Na avaliação do Planalto, o setor mais “sensível” seria o de telecomunicações, onde o capital italiano, espanhol e português tem forte presença. Podem estar ameaçados os investimentos necessários para desenvolver o Programa Nacional de Banda Larga, estimados em R$ 70 bilhões entre 2012 e 2016. O governo também considera uma significativa redução nas exportações brasileiras, com pressão extra sobre a indústria e prejuízos relevantes ao agronegócio em função da redução na demanda externa. Avalia-se, ainda, que a crise nos EUA é “política” e só deve ser encerrada com as eleições presidenciais, em novembro de 2012.

Jornal Valor Econômico

Índice de pobreza nos EUA sobe para 15,1% em 2010, o maior em 17 anos

Cerca de 46,2 milhões de pessoas, ou quase uma em seis, estavam na pobreza no ano passado

Gabriel Bueno, da Agência Estado

WASHINGTON – O Escritório do Censo dos Estados Unidos informou nesta terça-feira, 13, que o número de norte-americanos na pobreza subiu para 15,1% em 2010. O número é o maior dos últimos 17 anos.

Cerca de 46,2 milhões de pessoas, ou quase uma em seis, estavam na pobreza em 2010. Trata-se de um aumento em comparação aos 43,6 milhões (ou 14,3%) registrados em 2009, e é também o maior índice desde 1993.

O número de pessoas sem seguro-saúde aumentou para 49,9 milhões, uma nova alta, após revisões nos números de 2009. O recuo ocorreu em grande parte por causa de norte-americanos da classe trabalhadora que perderam o seguro fornecido pelos empregadores, em uma economia mais fraca. Muitas das mudanças previstas na nova lei sobre seguros-saúde entram em vigor apenas a partir de 2014.

Os dados divulgados nesta terça-feira abrangem 2010, quando o desemprego ficou em média em 9,6%, uma alta de 9,3% em comparação com o ano anterior. A mediana da renda das famílias ficou em US$ 49.445, um declínio de 2,3% em comparação com 2009. As informações são da Associated Press.

LANÇAMENTO e Noite de autógrafos na LIVRARIA ARGUMENTO LEBLON

Seminário vai discutir crise financeira mundial, integração regional e dívida pública

Nesta quarta-feira (14/09), o deputado Ivan Valente propôs ao Congresso Nacional a realização do seminário “Especulação e Crise Financeira; Integração Financeira Regional; e Auditoria da Dívida Pública”, numa iniciativa conjunta da Câmara e do Senado, a ser realizado no dia 6 de outubro de 2011. A proposta foi aprovada nas Comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional, de Finanças e Tributação e de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados e da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Para Ivan Valente, a recente crise financeira internacional, iniciada nos Estados Unidos em 2008 e que atingiu mais recentemente a Europa, tem como causa movimentos especulativos – assuntos que devem ser debatidos no Congresso Nacional já que afetam também países em desenvolvimento, como o Brasil.

Por outro lado, afirma o deputado, a integração financeira regional merece atenção, já que o país assume posição de condutor na América do Sul e existe a ideia de criação do Banco do Sul. Além disso, a CPI da Dívida, realizada na Câmara dos Deputados, em 2010, investigou e constatou o processo de endividamento brasileiro, cuja contrapartida é composta basicamente por juros sobre juros e outros mecanismos financeiros, sem retorno real em bens e serviços ao país. Somente no ano passado, 44,93% do recursos do orçamento geral da União foram destinados para o pagamento de juros e amortizações da dívida pública.

O deputado Ivan Valente defendeu que sejam convidados para o seminário  Sofia Sacorafa, deputada do Parlamento Grego; Eric Toussaint, presidente do Comitê pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo (CADTM) – Bélgica; Pedro Paez , ex-ministro da República do Equador; e Maria Lucia Fattorelli, coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida – Brasil.

“Um debate estratégico como este, com a presença de especialistas internacionais, certamente enriquecerá as análises e discussões sobre estes temas em nosso país”, acredita Ivan Valente.

Fonte: www.ivanvalente.com.br

Teoria-rebelião, um ultimato

 

Este volume – nascido de um apelo ao levante contra a teoria difundida, em
francês, principalmente por via eletrônica, junto a algumas centenas de
pessoas de vários países, universitários na maioria – é, primeiramente, a
extensão a muitos de uma ambição que engaja, quanto à tagarelice, uma
estratégia severa de contenção: dizer em dez frases (ou, aqui, em três páginas)
o que um outro diria em um livro – o que um outro não diz em um livro. É
também a organização cerrada, “teorista”, de uns quarenta textos que
descrevem um percurso: da denúncia do estado do pensamento
contemporâneo à enunciação das condições de realidade de uma rebelião pela
e na teoria, de uma rebelião que não seria um semblante. Enfim, é – mediante a
reunião, sob as cores dos sem-filosofia, de autores de disciplinas (filosofia,
ciências da religião, psicanálise, geografia, economia, sociologia, literatura,
urbanismo, comunicação, cinema), de nações (França, Inglaterra, Brasil, Suíça,
EUA, Canadá, Bélgica, Irlanda, Chile) e de notoriedades as mais diversas – o
primeiro ajuntamento “em grande escala” de uma problemática radical:
balançar o coqueiro do pensamento mundano, menos com a ideia torta de ver
cair algum fruto do que com a resoluta esperança de fazer cair a própria árvore.
Nós, os sem-filosofia
Coleção dirigida por Ray Brassier, Gilles Grelet e François Laruelle
O constante apelo à filosofia, às suas defesa e dignidade não deve levar a
esquecer que ela também faz apelo aos seres humanos para que se alinhem à
ordem do Mundo, em conformidade com as suas metas de felicidade, de
inteligência, de diálogo e de correção. Nós, os sem-filosofia, não participamos
dessa tarefa de globalização: buscamos uma disciplina de rebelião contra a
filosofia e contra o mundo de que a filosofia é a forma eternizadora, e não um
remendo a mais ou um simples questionamento dos seus valores e verdades.
Estamos à espera de uma só regularização: a do “gênio”, pelo método. Mais do
que proprietários do pensamento, somos os proletários da teoria, em luta
contra a auto-suficiência dos mestres-filósofos. Que seja denominada gnóstica,

Dilma conta com Senado para criar imposto para saúde

O governo planeja barrar no Senado o projeto que muda a maneira como os recursos da saúde pública são aplicados no país se os congressistas não aprovarem a criação de um novo imposto para financiar o setor. Essa é a estratégia definida pelo Palácio do Planalto para evitar que o Congresso promova um aumento dos gastos na área da saúde sem assumir o ônus de identificar nova fonte de receitas para cobrir as despesas extras.

Na avaliação da equipe da presidente Dilma Rousseff, a melhor saída para financiar o setor é a criação da CSS (Contribuição Social da Saúde), uma nova versão da antiga CPMF, extinta em 2007. Os partidos que apoiam o governo no Congresso resistem à ideia, porque temem perder votos nas eleições municipais do próximo ano se aprovarem agora a criação de um novo imposto.

Estudos da área econômica do governo sugerem que outras alternativas discutidas no Congresso não seriam capazes de gerar os recursos necessários para cobrir as despesas adicionais que o governo poderá ter. Uma proposta em debate no Senado obrigaria a União a aumentar seus gastos com saúde de 7% para 10% de sua receita, o que elevaria em cerca de R$ 30 bilhões as despesas do governo federal.

Fonte: Jornal Folha de S. Paulo – http://www.uol.com.br

Soldados dos EUA no Afeganistão lembram o 11 de Setembro

Uma década de guerra deixou total de 33.877 no país asiático; no Iraque, também invadido por EUA, mais de 151 mil morreram

iG São Paulo

Soldados americanos prestaram homenagem solene, neste domingo, às vítimas do 11 de Setembro em todas as bases do Afeganistão – país onde a guerra ainda faz muitos estragos, uma década depois dos ataques em que 19 terroristas usaram quatro aviões para atacar as Torres Gêmeas, em Nova York, o Pentágono, em Washington, e que, confrontados pelos passageiros, causaram a queda de uma aeronave na Pensilvânia.

Foto: AP

Soldados americanos colocam bandeira dos EUA Base de Bostick, na Província de Kunar, Afeganistão

Nos EUA, a peça central dos eventos pelo décimo aniversário do 11 de Setembro ocorreu no Marco Zero (onde ficavam as torres do World Trade Center), onde foi inaugurado um memorial em homenagem às vítimas. Além dela, numerosas celebrações ocorrem em outras cidades americanas, com os parentes dos quase 3 mil mortos reunidos nos locais dos ataques, que mudaram os EUA e o mundo – incluindo com as guerras no Afeganistão e Iraque.

Em uma lembrança da dificuldade de estabilizar o país asiático, um suicida detonou um caminhão-bomba numa base da Organização do Tratado do Atlântico Norte no centro do país. As cerimônias deste domingo foram realizadas, especialmente, nas bases militares americanas de Bagram, no norte, e Kandahar, no sul.

Os EUA invadiram o Afeganistão quase um mês depois dos atentados de 2001, para depor a milícia islâmica do Taleban, sob a acusação de terem dado refúgio à Al-Qaeda e a seu líder Osama Bin Laden.

Na base de Fob Fenty, na cidade de Jalalabad (leste), centenas de soldados participaram, no alvorecer, de cerimônias de oração e homenagens, com a bandeira dos EUA a meio pau, para simbolizar o luto. “Aqui tudo começou e aqui também tudo acabará”, disse o sargento Andrew Spano, que leu em seguida os nomes de todos os soldados americanos mortos no Afeganistão.

Na embaixada americana, em Cabul, o comandante das forças da coalizão, general John Allen, e o embaixador Ryan Crocker, reuniram dezenas de funcionários e soldados para uma cerimônia de hasteamento da bandeira e preces.

Segundo Allen, “sofremos revezes e momentos difíceis. Sem dúvida, há muitos desafios pela frente. Mas hoje, neste sagrado dia, posso dizer com confiança que, juntos, trilhamos o caminho do êxito no Afeganistão”.

Crocker admitiu o “cansaço” dos americanos com dez anos de guerra e o grande número de baixas (mais de 1.750 soldados americanos, desde o começo do conflito) e um grande custo (US$ 444 bilhões). “Alguns, ao voltar para casa, perguntam-se por que estamos aqui. Estamos para que nunca haja um outro 11 de Setembro vindo do solo afegão”, disse o embaixador.

Segundo estudo da Brown University dos Estados Unidos, um total de 33.877 (incluindo soldados afegãos e estrangeiros, civis e insurgentes) morreram nessa década de guerra, que também inclui o vizinho Paquistão, onde 39.127 morreram. Além do Afeganistão, os EUA invadiram o Iraque em 2003. No país árabe, mais de 151 mil morreram, incluindo mais de 4 mil soldados americanos.

Chantagem em Washington

A obsessão de cortar gastos é apenas um dos meios para alcançar o verdadeiro objetivo dos republicanos

por Serge Halimi

A querela sobre a redução da dívida estadunidense que opõe o presidente Barack Obama e a maioria republicana no Congresso dissimula o essencial: ao ceder à chantagem dos adversários, Obama, imediatamente, concedeu que mais de três quartos do esforço orçamentário dos dez próximos anos – ou seja, US$ 3 trilhões – venham de cortes nas áreas sociais. A direita estadunidense poderia estar satisfeita com essa vitória, mas ela quer sempre mais. Ela quer tudo.

Em dezembro de 2010, ao ceder uma primeira vez à pressão, o presidente dos Estados Unidos prolongou por dois anos a baixa dos impostos inigualitários instituídos por seu predecessor, George W. Bush. Quatro meses mais tarde, dessa vez falando como Ronald Regan,Obama se vangloriou da “redução anual de gastos mais importante de nossa história”. Em seguida, acrescentou um comentário sobre as rodadas de negociações com os parlamentares republicanos e anunciou: “Estou pronto para ser pressionado por meu partido para chegar a um resultado”. O resultado: novos recuos da Casa Branca…

A direita estadunidense se opõe a qualquer redução da dívida pelo aumento dos impostos. Num país em que a avalanche de privilégios fiscais concedidos aos mais ricos faz que o nível global de recolhimento seja o mais baixo dos últimos cinquenta anos, a postura desse setor parece insólita. A obsessão de apenas cortar gastos é, contudo, apenas um dos meios para alcançar o verdadeiro objetivo dos republicanos: “matar a fera”, ou, de acordo com a expressão de seus estrategistas, “reduzir o tamanho do Estado até que ele possa ser afogado numa banheira”.

E como se explica o crescimento recente da dívida pública norte-americana? Em primeiro lugar, pela crise econômica, amplamente provocada pela desregulamentação financeira empreendida nas últimas décadas. Depois, pela redução gradual dos impostos votada em 2001 (US$ 2 trilhões a menos no orçamento). Por fim, pelas guerras pós 11 de setembro no Afeganistão e Iraque (US$ 1,3 trilhão). Com essas medidas, o partido de Reagan e Bush pretendia preservar os mais ricos – chamados de “criadores de empregos” – e, ao mesmo tempo, o orçamento do Pentágono, que havia aumentado (em termos reais) 67% em dez anos.

No dia 5 de abril passado, Paul Ryan, presidente da comissão orçamentária da Câmara de Representantes, detalhou os projetos dos republicanos para as próximas décadas. O plano prevê que os gastos públicos, hoje equivalentes a 24% do Produto Interno Bruto (PIB), passem para apenas 14,75% do PIB em 2050, e que a carga tributária baixe de 35% para 25% (menor índice desde 1931). Todas as brechas fiscais dos privilegiados seriam preservadas, mas os reembolsos da saúde destinados aos idosos e às camadas pobres seriam congelados.

Se Obama continuar a evitar o combate, as missões sociais do Estado norte-americano correm o risco de se transformar num cadáver dentro de uma banheira.

Serge Halimi é o diretor de redação de Le Monde Diplomatique (França).

Chile vai responder ação internacional por discriminar povo mapuche

Redação da Rede Brasil Atual

Chile vai responder ação internacional por discriminar povo mapuche Mensagem de protesto contra prisões políticas em muro em Santiago (Foto: Revista Amauta/Reprodução)

São Paulo – O Chile vai responder a ação na Corte Interamericana de Direitos Humanos por haver processado e condenado oito integrantes do povo indígena mapuche com base em princípios discriminatórios. A avaliação é de que o direito de defesa não foi plenamente assegurado a oito líderes e de que houve aplicação inadequada da legislação antiterrorismo que vigora desde o governo de Augusto Pinochet. A condenação ocorreu por um suposto ataque a um fiscal e um assalto a um agricultor.

A Comissão Interamericana, integrante da Organização dos Estados Americanos (OEA), aceitou encaminhar o caso contra o Estado chileno à Corte nesta semana por considerar que o processo judicial está repleto de irregularidades ao negar o direito de defesa aos mapuche e denominá-los terroristas. “Tudo isso em um contexto de aplicação seletiva da legislação antiterrorista”, anota a entidade em comunicado.

Para a Comissão, as vítimas foram processadas com base em uma normativa de caráter ambíguo, que dá espaço a interpretações que tomam em consideração a origem étnica de uma pessoa. Além disso, as autoridades judiciais chilenas teriam desconsiderado o contexto geral de reivindicações legítimas do povo indígena, apoiando-se simplesmente em alguns poucos atos violentos isolados. “Essa questão afetou a estrutura social e a integridade do povo mapuche em seu conjunto”, indica a nota, que acrescenta se tratar de uma oportunidade para firmar uma jurisprudência americana em matéria de reparações a medidas judiciais baseadas em estereótipos ou preconceitos.

“A Corte poderá analisar, sob os direitos da igualdade e da não discriminação, as diferentes manifestações de dita aplicação seletiva e o efeito contaminador que pode ter, à luz de ditos direitos, a consideração do pertencimento ético de uma pessoa em uma decisão judicial”, argumenta a Comissão Interamericana.

País que cobra mais impostos de ricos tem povo mais feliz, diz estudo

Do UOL Economia, em São Paulo

Quanto mais impostos um país cobra de seus cidadãos ricos, mais feliz é sua população. Pelo menos é o que defende um estudo da Universidade de Virgínia, nos EUA, feito pelo psicólogo Shigehiro Oishi, informa o jornal “Huffington Post”.

O estudo comparou 54 países e descobriu uma relação entre uma política fiscal progressiva –cobrar mais impostos dos que ganham mais– e o contentamento geral da nação.

No mês passado,  Warren Buffett, terceiro homem mais rico do mundo segundo o ranking da revista “Forbes”, pediu que os Estados Unidos deixem de “mimar” os mais ricos com isenções fiscais e solicitou aos líderes políticos de seu país o aumento dos impostos a multimilionários como ele.

Dias depois, quatro grandes ricos alemães disseram estar dispostos a pagar mais impostos para ajudar a reduzir a dívida pública do país.

Isso não quer dizer, porém, que ter um sistema de tributação progressivo garanta uma população mais feliz. O estudo enfatiza que o que faz a diferença é o que os governos fazem com os impostos coletados, segundo o jornal.

“Mesmo que uma sociedade não adote impostos progressivos, se conseguir oferecer bom transporte público, sistema educacional, sistema de saúde, e assim por diante, os cidadãos têm mais chance de serem felizes”, diz uma prévia do estudo publicada pelo jornal.

As mais altas taxas de satisfação com a vida foram registradas no Canadá, Nova Zelândia, Holanda e alguns países nórdicos, incluindo Noruega, Dinamarca, Finlândia e Suécia. Segundo o estudo, esses países têm taxas de impostos muito mais altas para seus cidadãos ricos do que para os pobres.

Outras nações destacadas pela pesquisa foram Israel, França e Reino Unido.

Atendimento médico infantil no mundo: Cuba tem o 8º melhor sistema, EUA o 15º e Brasil, o 35º

Ranking da ONG Save the Children mensura número de profissionais da área da saúde disponíveis, alcance de sistema de vacinação pública e atendimento a gestantes e parturientes em 161 países. Estudo foi entregue à ONU para pressionar por execução do projeto “Toda Mulher, Toda Criança”. A cada ano, 8,1 milhões de crianças morrem por falta de atendimento.

Da Redação

SÃO PAULO – A ONG Save the Children, organização internacional com sede nos EUA que luta pelos direitos das crianças, divulgou nesta semana um novo estudo em que mensura o grau de qualidade dos países no atendimento médico infantil.

De acordo com o ranking produzido pela entidade, entre os 161 países avaliados, Chade e Somália ocupam as duas últimas posições e Suíça e Finlândia, as duas primeiras. Cuba foi a primeira nação latino-americana listada, na 8ª posição, à frente de Alemanha (10ª), França (12ª), Reino Unido (14ª) e Estados Unidos (15ª).

Entre os latino-americanos, o Uruguai ocupa a segunda colocação, na 31ª posição geral, seguido pelo Brasil, na 35ª. O México alcançou apenas o 65º lugar no ranking, e a Argentina, o 77º.

A lista da Save the Children mensura o número de profissionais da área da saúde disponíveis em um país, o alcance de sistema de vacinação pública e o atendimento a gestantes e parturientes. De acordo com os cálculos da organização, a Suíça, no primeiro posto, atingiu índice 0,983, enquanto o Chade, último colocado, não passou de 0,130.

Os países mais mal avaliados não possuem mais do que sete médicos e enfermeiros para cada dez mil habitantes, enquanto a mínimo adequado sugerido pela Organização Mundial de Saúde é de 23 profissionais.

“A crise de profissionais da saúde no mundo está custando a vida de crianças todos os dias. Programas de vacinação, medicamentos e cuidados preventivos dão em nada se não houver profissionais capacitados para oferecê-los a quem mais precisa”, disse Mary Beth Powers, uma das coordenadoras da Save the Children, em comunicado divulgado pela organização na última terça-feira (6).

O estudo foi encaminhado para a Assembléia Geral das Nações Unidas. O objetivo é pressionar os líderes mundiais para que assumam novos compromissos dentro da campanha “Toda Mulher, Toda Criança”, lançada pela própria ONU em 2010. O objetivo da ação é reduzir a morte de crianças e mães no mundo, que anualmente atingem 8,1 milhões e 358 mil por ano, respectivamente.

Fotos: Unicef

Espécie africana foi ancestral do gênero humano, dizem pesquisadores

DE SÃO PAULO

Uma nova análise de um hominídeo sul-africano de 2 milhões de anos reforça, segundo seus autores, a ideia de que a espécie foi mesmo ancestral do gênero humano, o Homo.

A criatura, batizada de Australopithecus sediba, já era conhecida da ciência, mas pesquisadores liderados por Lee Berger, da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, conseguiram fósseis bem preservados de áreas como o crânio, as mãos e a pelve.

O que os cientistas viram é que o cérebro da criatura já estava passando por uma reorganização estrutural que o tornava mais parecido com o humano. Além disso, seus dedos, com polegar comprido, permitiam manipular objetos com precisão, o que favoreceria a criação de instrumentos de pedra.

O estudo está na revista americana “Science” desta semana.

Peter Schmid/Cortesia de Lee Berger e Universidade de Witwatersrand/Associated PressFoto dá uma ideia do tamanho da criatura "Australopithecus sediba" em comparação à de humano da atualidade

Foto dá uma ideia do tamanho da criatura “Australopithecus sediba” em comparação à de humano da atualidade (Alexander Joe/France Presse)

Restos do _Australopithecus sediba_, descoberta por Lee Berger Lee Berger, da Universidade de Witwatersrand

Restos do Australopithecus sediba, descoberta por Lee Berger Lee Berger, da Universidade de Witwatersrand.

Fonte: Jornal Folha de S. Paulo – http://www.uol.com.br

Estudo identifica plástico em mar do Polo Norte pela primeira vez

Redação EcoD

O Ártico também está contaminado por lixo. Comprovou a coleta realizada a bordo do navio Arctic Sunrise, do Greenpeace.

64 Estudo identifica plástico em mar do Polo Norte pela primeira vezO mar é localizado ao noroeste do arquipélago de Svalbard, na Noruega/Foto: Tirs

Em uma hora de mergulho, a rede da oceanógrafa inglesa Clare Miller capturou minúsculos pedaços de plástico e nylon numa das regiões mais remotas do oceano: o mar de Barents, noroeste do arquipélago de Svalbard, na Noruega – menos de 1.300 km do Polo Norte.

Quatro amostras foram coletas e serão analisadas no laboratório em Exeter, Reindo Unido. Segundo a oceanógrafa, a mera existência de plástico nas águas supostamente límpidas do Ártico é motivo de preocupação.

“Ninguém sabia o que encontraríamos. O local onde lançamos a rede é uma região selvagem, sem nenhum assentamento humano por perto”, afirmou Clare, à Folha.com.

A oceonágrafa também comentou sobre o tamanho dos pedaços de lixo e a ausência de outros indicadores de poluição, como bolas de piche. Estes sugerem que o plástico é “importado”, chegando ao mar de Barents trazido por correntes marinhas como a do Golfo, que sai do Atlântico tropical e banha a Europa.

O lixo é composto, em sua maior parte, de pedaços de plástico degradados pelo Sol, que ficam em suspensão na água. Os restos são tão pequenos que precisam ser capturados com uma rede especial, feita para coletar plâncton (animais e algas microscópicas).

A presença de restos de redes de pesca de nylon nas amostras coletadas também é típica da contaminação por plástico.

Em 2008, um mapeamento publicado na revista “Science” por cientistas americanos mostrou que 100% dos oceanos sofrem algum tipo de impacto humano. Uma das zonas mais degradadas é justamente o mar do Norte.

*publicado originalmente no site EcoD.

Palestina: a hora é agora

O apelo pelo reconhecimento da Palestina está para ser decidido — e se nós juntarmos nossas forças nas próximas 72 horas poderemos conseguir que as lideranças cruciais europeias impulsionem a proposta.

Até agora três países-chave — França, Grã-Bretanha e Alemanha — ainda estão hesitantes e sob pressão de pessimistas que estão tentando acabar com essa oportunidade de liberdade. Para sacudí-los nós estamos planejando uma entrega espetacular da nossa poderosa petição de 900,000 com uma bandeira gigantesca de 300 m2 da Palestina que será colocada do lado de fora do encontro do Conselho da União Europeia. Nós também temos a urgência de fazer 3 pesquisas de opinião pública que mostrem a esses líderes que as pessoas apoiam o reconhecimento da Palestina, além de encher a mídia com anúncios de páginas inteiras.

Nós podemos chamar a atenção desses líderes, mostrando um mandato público massivo para que eles ajam e enfatizem a mensagem de esperança ao povo palestino. Talvez não tenhamos essa chance novamente — se 10,000 de nós fizermos uma pequena doação agora, nós poderemos colocar fundos em poderosas ações públicas que são necessárias nesse momento crítico.

Fonte: https://secure.avaaz.org/po/time_for_palestine/

Lançamento de livro

Maioria dos refugiados somalis na Etiópia são crianças, afirma ONU

Redação ONU

93 300x225 Maioria dos refugiados somalis na Etiópia são crianças, afirma ONU
O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) afirmou hoje (06/09) que crianças constituem a maioria dos refugiados somalis nos campos da Etiópia. Na área de Dollo Ado, 80% dos 121 mil refugiados são crianças e jovens com menos de 18 anos, enquanto no campo Kobe a proporção de crianças chega a 88,6% entre os mais de 25 mil refugiados.

Segundo o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards, a maioria das famílias nos campos são chefiadas por mulheres com um grande número de crianças. As mulheres relataram a funcionários da agência que muitos homens permanecem na Somália por temerem ataques de grupos armados no caminho para os campos de refugiados. Além disso, muitos deles preferem permanecer em suas vilas para tentar proteger suas propriedades e cuidar daqueles que estão muito frágeis para viajar.

Edwards afirmou que é preocupante também o número de crianças separadas de suas famílias ou desacompanhadas – o número pode chegar a 2.500 crianças nos quatro campos da Etiópia. Ele disse que está sendo realizado um rastreamento nos campos em Dollo Ado para haver um maior entendimento da dimensão do problema e para determinar o que seria melhor para estas crianças.

Enquanto isso, o ACNUR continua fornecendo itens de emergência para as pessoas que têm recebido ajuda alimentar de outras agências em áreas atingidas pela epidemia de fome no sul da Somália. De acordo com o representante da agência no país, Bruno Geddo, é essencial que a ajuda seja distribuída em grandes quantidades e o mais rápido possível no interior da Somália, para manter o recente decréscimo no número de refugiados chegando à Etiópia e ao Quênia.

(ONU Brasil)

Pesquisa mostra a exclusão social vivida pelos garis


©gustavo toledo/ shutterstock

Durante oito anos, o psicólogo social Fernando Braga da Costa, da Universidade de São Paulo (USP), vestiu um uniforme e, com a vassoura em punho, passou a participar do trabalho da equipe de limpeza do Instituto de Psicologia da mesma instituição. A experiência resultou na dissertação Garis – Um estudo de psicologia sobre invisibilidade pública, na qual defende que, com frequência, a maioria das pessoas percebe o outro de acordo com o status social de seu trabalho.

O psicólogo optou por vestir-se de varredor de rua para vivenciar a situação psicológica desse grupo de trabalhadores. Ele notou que, de fato, essas pessoas foram tratadas como “invisíveis” por alunos, professores e outros profissionais que circularam pela universidade durante a pesquisa. “Conhecia muitas das pessoas, porém, todas passavam sem me olhar. Em determinado momento, um professor se aproximou e interrompi a varrição para cumprimentá-lo, debruçando-me sobre a vassoura. Ele não me notou. Chegou a esbarrar no meu ombro e nem sequer parou para pedir desculpas”, conta o pesquisador, ressaltando que, em outra ocasião, sem o uniforme, encontrou acidentalmente esse colega e foi notado por ele.

Segundo Costa, a invisibilidade social repercute na autoestima desses profissionais. A percepção de que são marginalizados restringe sua convivência no ambiente de trabalho aos companheiros de função. É comum que evitem o contato visual para se proteger da violência social. Outro dado levantado, nos sindicatos, é que é muito raro um gari mudar de profissão, o que sugere a exclusão associada à divisão social do trabalho.

Fonte: Mente e Cérebro – http://www2.uol.com.br/vivermente

A submissão de governos ao capital financeiro

A Doutrina do Choque

‘A doutrina do choque’. Entrevista com Naomi Klein

Reproduzimos entrevista com Naomi Klein, que lançou um livro interessante. Pretende unir vários acontecimentos do século XX com mudanças econômicas, tais como as propagadas por figuras como Milton Friedman e Friedrich Hayek. Daí o título das mudanças econômicas associadas a outros acontecimentos: “A doutrina do choque” (com esse vídeo de divulgação). Lá vai (Fonte: Unisinus, dica do Desobediente):

O golpe de Pinochet no Chile. O massacre da Praça de Tiananmen. O Colapso da União Soviética. O 11 de setembro de 2001. A guerra contra o Iraque. O tsunami asiático e o furacão Katrina. O que todos esses acontecimentos têm em comum? É o que a ativista canadense antiglobalização Naomi Klein explica em seu novo livro The Shock Doctrine: The Rise of Disaster Capitalism [A doutrina do choque: O auge do capitalismo do desastre] – ainda sem tradução para o português. Naomi Klein em uma longa entrevista para o sítio La Haine, 27-09-2007, afirma que a história do livre-mercado contemporâneo foi escrita em choques e que os eventos catastróficos são extremamente benéficos para as corporações. Ao mesmo tempo a autora revela que os grandes nomes da economia liberal, como Milton Friedman, defendem o ‘capitalismo do desastre’. A tradução é do Cepat.

O que é exatamente a doutrina do choque?

A doutrina do choque como todas as doutrinas é uma filosofia de poder. É uma filosofia sobre como conseguir seus próprios objetivos políticos e econômicos. É uma filosofia que sustenta que a melhor maneira, a melhor oportunidade para impor as idéias radicais do livre-mercado é no período subseqüente ao de um grande choque. Esse choque poder ser uma catástrofe econômica. Pode ser um desastre natural. Pode ser um ataque terrorista. Pode ser uma guerra. Mas, a idéia é que essas crises, esses desastres, esses choques abrandam a sociedades inteiras. Deslocam-nas. Desorientam as pessoas. E abre-se uma ‘janela’ e a partir dessa janela se pode introduzir o que os economistas chamam de ‘terapia do choque econômico’.

É uma espécie de extrema cirurgia de países inteiros. E tudo de uma vez. Não se trata de um reforma aqui, outra por ali, mas sim uma mudança de caráter radical como o que vimos acontecer na Rússia nos anos noventa, o que Paul Bremer procurou impor no Iraque depois da invasão. De modo que é isso a doutrina do choque. E não significa que apenas os direitistas em determinada época tenham sido os únicos que exploraram essa oportunidade com as crises, porque essa idéia de explorar uma crise não é exclusividade de uma ideologia em particular. Os fascistas também se aproveitaram disso, os comunistas também o fizeram.

Explique quem é Milton Friedman, a quem ataca energicamente nesse livro?

Bem, ataco Milton Friedman porque é o símbolo da história que estou abordando. Milton Friedman morreu no ano passado. Morreu em 2006. E quando morreu, vimos como o descreveram em tributos pomposos como se fosse provavelmente o intelectual mais importante do período pós-guerra. Não apenas o economista mais importante, mas o intelectual mais importante. E é verdade que se pode construir um argumento contundente nesse sentido. Foi conselheiro de Thatcher, de Nixon, de Reagan, do atual governo Bush. Deu aulas a Donald Rumsfeld no início de sua carreira. Assessorou Pinochet nos anos setenta. Também assessorou o Partido Comunista da China no período chave da reforma ao final dos anos oitenta.

Sendo assim, teve uma influência enorme. Falei outro dia com alguém que o descreveu como o Karl Marx do capitalismo. E acredito que não é uma comparação ruim, mesmo que esteja segura de que Marx não gostaria nem um pouco. Mas foi realmente um popularizador dessas idéias.

Tinha uma visão de sociedade na qual o único papel aceitável para o Estado era o de implementar contratos e proteger fronteiras. Tudo o demais deve ser entregue por completo ao mercado, seja a educação, os parques nacionais, os correios, tudo o que poderia produzir algum lucro. E realmente viu, suponho, que as compras – a compra e a venda – constituem a forma mais elevada de democracia, a forma mais elevada de liberdade. O seu livro mais conhecido é Capitalism and Freedom [Capitalismo e liberdade].

Quando da sua morte no ano passado, percebemos o como essas idéias radicais de livre mercado chegaram a dominar o mundo, de como varreram a antiga União Soviética, a América Latina, a África, de como essas idéias triunfaram durante os últimos trinta e cinco anos. E isso me impressionou muito, porque já estava escrevendo esse livro. Nessas idéias – que tanto se falou quando da morte de Friedman -, nunca ouvimos falar de violência, nunca ouvimos falar de crises e nunca ouvimos falar de choques. Ou seja, a história oficial é de que estas idéias triunfaram porque desejávamos que assim o fosse, que o Muro de Berlim caiu porque as pessoas exigiram ter seus Big Macs junto com a sua democracia. E a história oficial do auge dessa ideologia passa por Margaret Thatcher dizendo: “Não há alternativa”, à Francis Fukuyama afirmando que “a história terminou, o capitalismo e a liberdade caminham juntos”.

Portanto, o que procuro fazer nesse livro é contar a mesma história, a conjuntura crucial nos qual essa ideologia entrou com força, mas re-introduzo a violência, re-introduzo os choques e, digo que existe uma relação entre os massacres, entre as crises, entre os grandes choques e os duros golpes contra vários países e a capacidade de imposição de políticas que são rejeitadas pela grande maioria das pessoas desse planeta.

Você fala de Milton Friedman. Qual a relação com a ‘Escola de Chicago’?

A influência de Milton Friedman provém do seu papel como o popularizador real do que é conhecido como a ‘Escola de Chicago’. Ele foi professor na Universidade de Chicago. Estudou na Universidade de Chicago e na seqüência foi professor nessa instituição. O seu mentor foi um dos economistas mais radicais do livre mercado da nossa época, Friedrich Von Hayek que foi professor na Universidade de Chicago.

A Escola de economia de Chicago representa essa contra-revolução contra o Estado de bem estar social. Nos anos cinqüenta, Harvard e Yale e as oito escolas mais prestigiadas dos EUA estavam dominadas por economistas keynesianos, pessoas como John Kenneth Galbraith, que acreditava que depois da grande depressão, era crucial que a economia funcionasse com uma força moderadora do mercado. E foi a partir daí que nasceu um ‘novo contrato’, a do Estado de bem estar social e tudo isso que faz com que o mercado seja menos brutal e se tenha uma espécie de sistema público de saúde, seguro desemprego, assistência social, etc.

A importância do Departamento de Economia da Universidade de Chicago é que realmente ele foi um instrumento de Wall Street, que financiou muito, muito consideravelmente a Universidade de Chicago. Walter Wriston, o chefe do Citibank era muito amigo de Milton Friedman e a Universidade de Chicago se converteu em uma espécie de ponto de partida da contra-revolução contra o keynesianismo e o novo contrato social com o objetivo de desmanchá-lo.

Qual a relação da Escola de Chicago com o Chile?

Depois da eleição de Salvador Allende, a eleição de um socialista democrático, em 1970, houve um complô para derrubá-lo. Nixon disse genialmente: “Que a economia grite”. E o complô teve numerosos elementos, embargos, etc e finalmente o apoio para o golpe de Pinochet em setembro de 1973. Escutamos muito falar nos ‘Chicago Boys’ no Chile, mas não sabemos detalhes sobre o que foram na realidade.

O que faço no livro é contar esse capítulo da história. (…) Em 11 de setembro de 1973, enquanto os tanques rodavam pelas ruas de Santiago e o palácio presidencial ardia e Salvador Allende era morto, um grupo dos assim chamados ‘Chicagos Boys’, assumia o controle da economia. Economistas chilenos que haviam sido levados para a Universidade de Chicago para estudar com bolsas do governo dos EUA como parte de uma estratégia deliberada para orientar a direita latino-americana.

Tratou-se de um programa ideológico financiado pelo governo dos EUA, parte do que o ex-ministro do exterior chama de “um projeto de transferência ideológica deliberada”, ou seja, levar esses estudantes a uma escola distante, na Universidade de Chicago e doutriná-los num tipo de economia que era marginal nos EUA na época e enviá-los de volta para casa como guerreiros ideológicos.

Falemos do choque no sentido da tortura…

Começo o livro estudando dois laboratórios para a doutrina do choque. Como disse anteriormente, considero que há diferentes formas de choque. Um deles é o choque econômico e o outro o choque corporal, os choques nas pessoas. E nem sempre acontecem juntos, mas estiveram presentes em conjunturas cruciais. Assim que um dos laboratórios para essa doutrina foi a Universidade de Chicago nos anos cinqüenta, quando todos esses economistas latino-americanos foram treinados para se converter em terapeutas do choque econômico. Outro – e não se trata de uma espécie de grandiosa conspiração – foi a Universidade McGill nos anos cinqüenta.

A Universidade McGill foi o ponto de partida para os experimentos que a CIA financiou para aprender sobre tortura. Quero dizer, foi chamado ‘controle da mente’ na época ou ‘lavagem cerebral’. Agora compreendemos, graças ao trabalho de gente como Alfred McCoy, que consta em seu programa que o que realmente pesquisavam nos anos cinqüentas sob o programa MK-ULTRA, foram experimentos de eletrochoques extremos, LSD, PCP, extrema privação sensorial, sobrecarga sensorial, tudo isso que vemos hoje utilizados em Guantánamo e Abu Ghraib. Um manual para desfazer personalidades, para a regressão total de personalidades. (…) McGill realizou parte dos seus experimentos fora dos EUA, porque assim considerava melhor a CIA.

Em Montreal?

Sim. McGill em Montreal. Na época então, o chefe de psiquiatria era um individuo chamado Ewen Cameron. Na realidade se tratava de um cidadão estadunidense. Foi anteriormente chefe da Associação de Psiquiatria Estadunidense. Foi para McGill para ser chefe de psiquiatria e para dirigir um hospital chamado de Allan Memorial Hospital, que era um hospital psiquiátrico. Recebeu financiamento da CIA e transformou o Allan Memorial Hospital em um laboratório extraordinário para o que agora consideramos técnicas alternativas de interrogatório. Dopava os seus pacientes com estranhos coquetéis de drogas, como LSD e PCP. Os fazia dormir, uma espécie de estado de coma durante um mês. Colocou alguns dos seus pacientes em uma situação de privação sensorial extrema e a intenção era que perdessem a idéia de espaço e tempo. Ewen Cameron dizia acreditar que a doença mental poderia ser tratada tomando pacientes adultos e reduzindo-os ao estado infantil. (…) Foi esta a idéia que atraiu a atenção da CIA, a de induzir deliberadamente uma regressão extrema.

Você falou do Chile, falemos do Iraque da privatização da guerra no Iraque – O governo iraquiano anulou a licença da companhia de segurança estadunidense Blackwater.

Esta é uma notícia extraordinária. Quero dizer, é a primeira vez que uma dessas firmas mercenárias é realmente considerada responsável. Como escreveu Jeremy Scahill em seu incrível livro ‘Blackwater: The Rise of the [Word´s] Most Powerful Mercenary Army’, o verdadeiro problema é que nunca houve processos. Essas companhias trabalham em uma ‘zona cinzenta’, ou são boy scouts e nada lhes acontecia. (…) Isso significa que se o governo iraquiano realmente expulsar Blackwater do Iraque, poderia ser um fato e tanto para submeter essas companhias à lei e questionar toda premissa de porque até agora se permitiu que se tivesse lugar este nível de privatização e de ilegalidade.

(…) Algo em que eu penso pela pesquisa que eu fiz para o livro No Logo se entrecruza com esta etapa do capitalismo do desastre em que estamos metidos agora. Rumsfeld [ex-Secretário de Defesa de Bush] aproveitou a revolução de percepção das marcas dos anos noventa, na qual a projeção de marcas corporativas – no sentido do que descrevo em No Logo – em que essas companhias deixaram de produzir produtos e anunciaram que já não produziam produtos, mas produziam marcas, produziam imagens e deixam que outros, terceirizados, façam o trabalho sujo de fabricar as coisas. E essa foi a espécie de revolução na sub-contratação e esse foi o paradigma da corporação ‘vazia’.

Rumsfeld se encaixa nessa tradição. E quando se tornou Secretário de Defesa, agiu como age um novo executivo da nova economia que se viu na tarefa de reestruturações radicais. Mas, o que fez foi adotar essa filosofia da revolução no mundo corporativo e aplicá-la à forças-armadas. (…) essencialmente o papel do exército é criar a percepção de marca, é comercializar, é projetar a imagem de força e dominação no globo – porém sub-contratando cada função, da atenção à saúde – administrando a atenção de saúde aos soldados – à construção de bases militares, que já estava acontecendo durante o governo de Clinton, ao papel que Blackwater desempenha e companhias como DynCorp, que como se sabe, destacou Jeremy, participam realmente em combates.

Comente a destruição do Iraque, do ‘Choque e Pavor’, da terapia econômica do choque de Paul Bremer, o choque da tortura, assim como a junção de todas essas coisas no Iraque.

Como já disse, no Chile, vimos esta fórmula do triplo choque. E eu penso que vemos a mesma fórmula do triplo choque no Iraque. Primeiro foi a invasão, a invasão militar de ‘choque e pavor’ – muitas pessoas pensam no tema apenas como se tratasse de um montão de bombas, um montão de mísseis, mas é realmente uma doutrina psicológica que em si é um crime de guerra, porque se diz que na primeira Guerra do Golfo, o objetivo foi atacar a infraestrutura de Sadam, mas sob uma campanha de ‘choque e pavor’, o objetivo é a sociedade em escala maior. È um princípio da doutrina ‘choque e pavor’.

Agora, o ataque de sociedades em escala maior é castigo coletivo, o que constitui crime de guerra. Não é permitido que os exércitos ataquem às sociedades em escala maior, apenas é permitido que ataquem os exércitos. A doutrina é verdadeiramente surpreendente, porque fala de privação sensorial em escala massiva. Fala de cegar, de cortar os sentidos de toda uma população. E o que vimos durante a invasão, o apagão de luzes, o corte de toda a comunicação, o emudecimento dos telefones e logos os saques, que não acredito que façam parte da estratégia, mas imagino que não fazer nada faz parte da estratégia, porque sabemos que houve uma série de advertências que falava em proteger os museus, as bibliotecas e nada se fez. E depois temos a famosa declaração de Donald Rumsfeld quando foi confrontado com este fato: “Essas coisas passam”.

(…) O objetivo, usando a famosa frase do colunista do New York Times, Thomas Friedman, não é o de construir a nação, mas sim “criar a nação”, que é uma idéia extraordinariamente violenta.

Nova Órleans?

Nova Órleans é um exemplo clássico do que eu chamo de doutrina do choque do capitalismo do desastre porque houve um primeiro choque que foi o alagamento da cidade. E como se sabe, não foi um desastre natural. E a grande ironia do caso é que realmente foi um desastre dessa mesma ideologia de que estávamos falando, o abandono sistemático da esfera pública. Eu penso que cada vez mais vamos ver acontecimentos assim. Quando se têm vinte e cinco anos de contínuo abandono da infra-estrutura pública e do esqueleto do Estado – o sistema de transporte, as estradas, os diques. A sociedade de engenheiros civis estadunidense calculou que colocar em condições o esqueleto do Estado custaria 1,5 bilhões de dólares. Portanto, o que temos é uma espécie de tormenta perfeita, na qual o debilitado Estado frágil se entrecruza com um clima cada vez pior, que diria que também faz parte desse mesmo frenesi ideológico em busca de benefícios a curto prazo e crescimento a curto prazo. E quando estes dois entram em coalizão, vem um desastre. É o que ocorreu em Nova Órleans.

O que a mais horrorizou ao pesquisar a doutrina do choque?

Horrorizou-me o fato que se tem por aí muita literatura que eu não sabia que existia e que os economistas a admitem. Uma quantidade de citações de propugnadores da economia de livre-mercado, todos desde Milton Friedman a John Williamson, que é o homem que cunhou a frase ‘Consenso de Washington’, admitindo entre eles, não em público, mas sim entre eles, como em documentos tecnocráticos, que nunca conseguiram impor uma cirurgia radical do livre-mercado se não acontece uma crise em grande escala, ou seja, as mesmas pessoas que propugnam que o mito central da nossa época, que a democracia e o capitalismo caminho juntos, sabe que se trata de uma mentira e o admitem por escrito.

Salário mínimo deveria ser quatro vezes maior, diz Dieese

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou nesta sexta-feira um estudo revelador da nossa política econômica: o salário mínimo necessário para uma família sobreviver deveria ser de R$ 2.212,66, mais de quatro vezes o valor atual, de R$ 545.

O estudo leva em consideração o preceito constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para garantir as despesas familiares com alimentação, moradia, saúde, transportes, educação, vestuário, higiene, lazer e previdência. A constatação foi feita por meio da utilização da Pesquisa Nacional da Cesta Básica do mês passado, realizada pela instituição em 17 capitais.

O número mostra certa distorção das estatísticas no Brasil. Enquando o Dieese afirma que são necessários R$ 2.212,66 para sobrevive, o governo federal classifica quem recebe essa renda como “classe média”. Se quem recebe o mínimo ideal é classe média, quem recebe o mínimo real é o que?

Ontem, o governo Dilma Roussef (PT) anunciou que pretende fixar o valor do salário mínimo em R$ 619,21 em 2012. Muito longe do que deveria ser.

Fonte: Pastoral Operária Metropolitana de São Paulo