Daily Archives: 19/05/2011

Rodovias privatizadas já arrecadaram R$ 2 bi em 2011

O estado paulista conta com 227 praças de pedágio, mais da metade do total de pedágios do país.

Vivian Fernandes

A arrecadação dos pedágios das rodovias do estado de São Paulo ultrapassou os R$ 2 bi nos primeiros quatro meses deste ano. O estado paulista conta com 227 praças de pedágio. Esse número representa  mais da metade do total de pedágios do país, com 50,6%. A arrecadação por dia  ultrapassa os R$ 14 milhões.

A medição do dinheiro arrecadado é feita por meio de um mecanismo chamado “Pedagiômetro” (http://pedagiometro.com.br/), que calcula o valor a partir dos relatórios das concessionárias das rodovias que são declarados anualmente à Assembleia Legislativa de São Paulo.

A privatização das rodovias em São Paulo iniciou em 1997, no governo estadual de Mário Covas (PSDB). Naquele ano havia 40 praças no estado, o crescimento até 2011 no número de pedágios foi de 467%.

Desde março deste ano, deputados estaduais da oposição do governo PSDB em São Paulo tentam abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as concessões privatizantes das rodovias. O projeto de abertura da CPI foi cancelado pelo presidente da Casa, deputado Barros Munhoz (PSDB).

Fonte: http://www.brasildefato.com.br/

Justiça condena empresário por trabalho análogo à escravidão

Um empresário de Barreiras (BA) foi condenado pela Justiça Federal a quatro anos de prisão por submeter 30 trabalhadores à condição análoga a de escravo.

Folha de SP

No grupo de trabalhadores havia adultos, crianças e adolescentes, segundo a denúncia do Ministério Público Federal.

A pena de reclusão foi substituída por prestação de serviços à comunidade durante quatro anos e pelo pagamento de multa de R$ 20 mil. A justificativa para substituição da pena, segundo o Ministério Público, foi o fato de o crime ter sido praticado sem violência ou grave ameaça e pela não reincidência em crime doloso e circunstâncias judiciais favoráveis ao réu.

A Justiça federal condenou o empresário após constatar condições desumanas para o serviço de cata de milho não alcançada pelas colheitadeiras na fazenda de sua propriedade, no oeste da Bahia.

O empresário recorre da decisão ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região e responde o processo em liberdade.

CASO

Em julho de 2006, uma vistoria realizada pelo Ministério Público do Trabalho, pela Delegacia Regional do Trabalho e pela Subdelegacia do Trabalho de Barreiras, encontrou na fazenda do empresário os 30 trabalhadores escondidos em barracos de plástico situados à beira da mata virgem.

Conforme a vistoria do Ministério Público do Trabalho, os trabalhadores eram obrigados a viver sem instalações sanitárias e água potável para consumo. Além disso, eram submetidos a condições deprimentes e indignas para o trabalho, sendo-lhes suprimidos direitos e obrigados a contraírem dívidas a fim de não deixarem a propriedade.

Além das condições precárias de sobrevivência, os alimentos e itens básicos para subsistência eram vendidos para os trabalhadores num supermercado da cidade, avalizado pelo réu –o que desencadeou a existência de dívidas forçadas e no não pagamento dos salários– situação que impedia o retorno a seus lares.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/

A primavera árabe e as ervas daninhas

Começam a aparecer relações promíscuas que FMI e Banco Mundial estabeleceram com ditadores árabes, para promover “liberdade de negócios”

Luís F. C. Nagao

    ISTAMBUL, Turquia - 6 de Outubro de 2009: Dominique Strauss-Kahn do FMI, Youssef Boutros-Ghali e Mahmoud Mohieldin respectivamente o Ministro das Finanças e do Investimento do Egipto, e o presidente do Banco Mundial Robert Zoellick, na assinatura dos planos do FMI e do Banco Mundial para o país.                                  ISTAMBUL, Turquia – 6 de Outubro de 2009: Dominique Strauss-Kahn do FMI, Youssef Boutros-Ghali e Mahmoud Mohieldin respectivamente o Ministro das Finanças e do Investimento do Egipto, e o presidente do Banco Mundial Robert Zoellick, na assinatura dos planos do FMI e do Banco Mundial para o país.

Visto como um dos articuladores da revolta jovem que derrotou o ditador Hosni Mubarack e está começando a mudar Egito, o jovem Wael Ghonin – um executivo do Google – compareceu pessoalmente, em 15 de abril, à reunião conjunta de primavera (nórdica) do FMI e Banco Mundial, celebrada em Nova York. Tinha uma denúncia a apresentar: o envolvimento das duas instituições com regimes árabes que praticavam torturas, censuravam a imprensa e desrespeitavam os direitos humanos mais elementares. “Eram cúmplices. A forma como a comunidade internacional lidou com a injustiça e os ditadores é, basicamente, um crime”, afirmou Wael.

Ele procurava tornar pública uma relação que tem sido cuidadosamente ocultada pela mídia comercial nos últimos meses. A relação entre FMI e Banco Mundial com as ditaduras árabes foi marcada, durante décadas, por colaboração e cordialidade. O caráter autocrático dos regimes era perfeitamente conhecido. Mas o que orientava o critério das instituições era o fato de os ditadores criarem, em seus países, um ambiente favorável aos negócios e lucros de empresas e bancos internacionais.

No Egito, onde a mobilização popular segue intensa, os fatos estão começando a aparecer mais claramente. Um elo para a relação entre as duas partes foi Yusef Boutros-Gali, membro de uma influente família de políticos egípcios (e sobrinho do ex-secretário-geral da ONU, Boutros Boutros-Gali).

No início dos anos 1980, como jovem executivo formado no Ocidente, ele foi um dos negociadores da reestruturação da dívida externa de seu país. O processo resultou na privatização de uma série de estatais egípcias e na abertura ampla aos investimentos estrangeiros. Em 2004, quando Boutros-Gali já ascendera à condição de ministro das Finanças, a entrada de capitais externos chegou a 10 bilhões de dólares. No entanto, as políticas associadas à liberalização provocaram aumento notável da desigualdade e da pobreza.

Nada disso incomodou o Banco Mundial, Em 2007, um relatório da instituição, denominado Doing Business Report [“Relatório sobre Ambientes de Negócio”] cobriu o Egito de elogios e chegou a tratá-lo como “o país mais reformista do mundo”.

As políticas econômicas adotadas pelas ditaduras com aplauso do FMI e Banco Mundial acabariam ajudando a desencadear as revoltas árabes. Na reunião de abril, o próprio diretor-gerente do Fundo, Dominique Strauss-Kahn viu-se obrigado a um mea-culpa. “O que ocorreu no Norte da África”, admitiu ele, “mostra que não é suficiente levar em conta os bons dados macroeconômicos. Temos de olhar muito além disso”.

O FMI e o Banco Mundial serão capazes de se emendar? Pelo menos por enquanto, os fatos não fazem crer. Numa das três diretorias-gerais do Banco Mundial, logo abaixo do presidente Robert Zoellick (uma indicação de George W. Bush), continua instalado o egípcio Mahmoud Mohieldin, empossado em outubro de 2010. Além de co-responsável pela política econômica da ditadura egípcia (na condição de ministro dos Investimentos de Mubarak), ele é acusado em seu país de favorecimento, na privatização de uma cadeia de hotéis.

Fonte: http://www.outraspalavras.net/

Gravado no barro, vestígio de um Estado

Um fragmento de tablete de barro contendo uma escrita arcaica, dos primórdios da formação do Estado na Grécia, deve lançar luz sobre a estrutura política e as práticas burocráticas no começo do famoso período micênico.

JOHN NOBLE WILFORD

A peça parece ser uma "página" do caderno de um contabilista. Como não era para ser permanente, não foi assada num forno, mas acabou num lixão onde um incêndio endureceu o barro para a posteridade. É um dos mais antigos exemplos da escrita na Europa continental.

No seu apogeu, o período micênico, de 1600 a 1100 a.C., permitiu o esplendor dos palácios de Micenas e Pilos e inspirou a heroica lenda da Guerra de Tróia, imortalizada na "Ilíada", de Homero.

"Este é um raro caso em que a arqueologia encontra textos antigos e mitos gregos", disse Michael Cosmopoulos, chefe das escavações, ao anunciar a descoberta no mês passado.

Cosmopoulos, arqueólogo e professor de estudos gregos na Universidade de Missouri, em St. Louis, disse que o tablete, de apenas 5 cm por 7,6 cm, foi descoberto em meados do ano passado num olival do sudoeste da Grécia. A tabuleta data de algum momento entre 1490 e 1390 a.C. -até então, não havia indícios de que a escrita em argila já fosse usada para manter registros públicos nessa época do micênico.

A civilização minoica, em Creta, já mantinha registros em 1800 a.C.. A mais antiga escrita conhecida surgiu por volta de 3200 a.C. na cidade suméria de Uruk, na Mesopotâmia. A escrita egípcia apareceu mais ou menos na mesma época.

A equipe de Missouri passou 11 anos pesquisando o local, perto de Iklaina, incluindo evidências nas pedras do que pode ter sido um palácio numa capital distrital.

Escavações anteriores haviam revelado tabletes de escrita em argila datados de cerca de 1200 a.C. em diante, perto da época estimada da Guerra de Tróia. Cosmopoulos disse que as novas descobertas parecem mostrar que, cerca de 200 anos antes, essa teria sido a sede de um governo autônomo, com algum tipo de escrita e organização política.

De um lado, o tablete contém um verbo que significa "preparar para a fabricação". Existem outros caracteres, mas insuficientes para distinguir as palavras. O verso do tablete lista nomes de homens junto com números. Cynthia Shelmerdine, da Universidade do Texas, em Austin, foi a primeira a decifrar a escrita e avaliar a sua importância.

"Um tablete como este significa que o governo tinha escribas, e os escribas são um produto da burocracia", disse Cosmopoulos. "E isso sugere grau de complexidade política e crescente necessidade de controlar mercadorias, bens e impostos, tudo isso antes do que pensávamos."

A descoberta indica que os Estados políticos na Grécia antiga surgiram pelo menos um século e meio antes do que havia sido documentado.

Cosmopoulos sugeriu que o palácio de Iklaina pode ter sido um centro administrativo distrital, submetido a uma capital principal -"um governo com dois níveis, espécie de sistema semifederal", descreveu ele.

Donald Haggis, arqueólogo e professor de estudos clássicos na Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, que não participou da equipe, disse que o tablete "nos conta que este lugar tinha uma função administrativa em estágio inicial", e que a arquitetura do palácio "parece um lugar para refeições rituais e comunitárias e produção de artesanato".

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/

“Djavaneando" na linguagem

Djavan lança seu novo álbum e diz que todo compositor precisa dedicar à letra a mesma carpintaria que destina à melodia

Guilherme Bryan

Depois de 34 anos de carreira e 19 discos, o cantor e compositor Djavan Caetano Viana acaba de lançar o álbum "Ária", em que interpreta clássicos da música brasileira e norte-americana, como Sabes Mentir, de Othon Russo, Palco, de Gilberto Gil, e Fly Me to the Moon, de Bart Howard.

Para a crítica, suas letras abstratas e metafóricas cavaram um lugar próprio na MPB. Não lembram a entoação infantil das canções populares das primeiras décadas do século 20, nem as narrativas da reação malandra às condições sociais desiguais dos anos 30, tampouco as imagens justapostas de cocas e cocares do texto tropicalista. Sua obra marcaria uma evolução da letra de canções brasileiras, em que a aparente incoerência figurativa dificulta o entendimento imediato seja do tempo, do tema, da própria frase. Sua abstração textual tem concretude, no entanto. E é alvo de imitadores e estudos os mais diversos.

Djavan nasceu em Maceió (AL), em 27 de janeiro de 1949, e é um dos mais respeitados nomes da música brasileira. Admite que sua música não é fácil de letrar. Por isso, prefere ele mesmo criar os versos de suas canções. Diz que só consegue compor do jeito que compõe por dedicar à letra a mesma carpintaria que dispõe à melodia. E por gostar de brincar com o idioma, que é uma fonte inesgotável de variação de palavras para o mesmo significado. Busca, sempre, criar letra e música como um só verbo. Desejo e sina.

Quais as particularidades de interpretar o que os outros escreveram no álbum "Ária"?

Esse disco foi uma surpresa para mim. Em primeiro lugar, porque achava que ia ser mole fazer, porque não teria de criar doze canções novas, o que seria um trabalho gigantesco, pois também toco, canto, arranjo e produzo. Escolhi essa forma de fazer para poder ser íntegro ao máximo e mostrar a minha ideia musical sem interferências. Mas esse disco foi uma loucura, porque tive de ouvir tudo de novo, de Heitor Villa-Lobos a compositores mais recentes. Passei um ano pesquisando, porque não tinha certeza de nada. Tive grande insegurança. Enfim, esse disco tem doze canções que não são as melhores da minha vida, mas canções com as quais pude me relacionar melhor. Ao mesmo tempo, gosto de correr certo risco e, para aumentar o grau de dificuldade, trouxe uma formação instrumental improvável. Nunca imaginei que fosse ter uma banda sem bateria, mas com baixo acústico, percussão, guitarra e violão. Foi de um ineditismo incrível.

Acredita que tenha criado uma dicção própria em suas canções?

Sou um artista que se descobriu com o tempo, que tem um trabalho original, que se consegue identificar ao longe e em qualquer lugar. Quer dizer, o meu modo de cantar, compor, tocar, escrever e fazer arranjos é muito pessoal. Tenho um gosto pela musicalidade das palavras, que são seres vivos, digamos assim. Não são estáticas como as notas musicais. A palavra pode ter duas ou três conotações de acordo com a frase. E assim como faço experimentalismos musicais, também faço os linguísticos, algo que me move a vislumbrar outros caminhos.

Você costuma, por exemplo, mudar as funções gramaticais das palavras em suas letras?

Em Oceano, o mar aparece para simbolizar a profundidade de um sentimento e eu o utilizei não como substantivo, mas como verbo: "Você deságua em mim e eu oceano". Quando descobri essa forma, fiquei muito feliz, porque é um achado maravilhoso.

Como estabelece a relação entre letra e música?

Já fiz de várias formas. Letra e música ao mesmo tempo. Primeiro a letra e depois a música, mas não chego a ter dez canções nesse formato. E primeiro a música e depois a letra, que é como eu passei a fazer de vinte anos para cá, o que me proporciona ter controle sobre as coisas, de modo a ficar mais à vontade para experimentar. A minha música não é fácil de letrar. Todos os letristas que passaram por ela, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Cacaso, Aldir Blanc, entre outros, fazem a ressalva de que é uma música muito subdividida e, por isso, requer uma adaptação para ser letrada. Mas é evidente que tenho um traquejo, porque faço isso há muito tempo.

Quais cuidados você toma com relação ao uso da língua ao compor?

É óbvio que já cometi erros ao longo da carreira, como todos os outros compositores cometeram, e já passei pela saia justa dos pronomes, do porquê, junto ou separado. Ao fazer uma letra, não é possível deixar de observar a sonoridade e a adequação de cada nota e de cada sílaba. Há vezes em que cometi erros, como na música Azedo e Amargo, em que coloquei "Ela é chegada em azedo e amargo", quando o formal seria "Ela é chegada a azedo e amargo". Com a melodia que eu tinha, não ia ficar bom. Mas é evidente que todo mundo quer escrever de maneira corretíssima, pois depois será julgado publicamente, e você vai aprendendo a escrever melhor ao longo do tempo. Minhas letras são muito usadas em teses de faculdades de todo o Brasil.

Suas letras por vezes parecem reunir imagens quase soltas, mas que, quando se encontram, têm forte significado. Como cria esse efeito de sentido?

Isso existe, mas não é o objetivo da minha escrita. Encontra-se em uma música ou em outra. Não tenho compromisso com algum formato específico de escrever. Quero me divertir e vislumbrar ritmo, cor, textura, beleza e conteúdo numa escrita. Do mesmo modo que experimento o tempo todo na música, experimento também na forma de escrever e procuro diversificá-la. Sinceramente, também acho que a mesma evolução que consigo na música consigo na escrita. Gosto muito das coisas que escrevo.

Seria arrogante dizer que criou uma escola e um estilo de composição?

O Brasil é um país cheio de matrizes – Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Jobim, Dorival Caymmi, Luiz Gonzaga, Ivan Lins e João Bosco com Aldir Blanc, entre outros. São músicos que têm aquela pegada que é só deles. Eu suponho que faço parte desse grupo (risos). A crítica descobriu antes de mim que eu tinha um trabalho original e pessoal. É uma coisa natural, porque, quem gosta de Djavan só vai poder buscá-lo em mim. E tem gente que me tem como referência, caso do Jorge Vercilo. Há até na Alemanha uma escola que ensina só a minha música.

"Não tenho compromisso  com algum formato específico de escrever. Quero me divertir e vislumbrar ritmo, cor, textura, beleza e conteúdo numa escrita"

Quais artistas mais te influenciaram no modo de compor?

As minhas maiores influências são Luiz Gonzaga e Beatles. Luiz Gonzaga é um melodista fantástico, um letrista maravilhoso e um senhor cantor. E os Beatles me ensinaram, no momento em que estava embevecido com a complexidade da harmonização da Bossa Nova, a usar o acorde perfeito de maneira adulta e classuda. Enquanto a Bossa Nova trabalhava só com dissonância, que, por si só, traz no bojo uma complexidade e aura de sofisticação, os Beatles demonstraram que o acorde perfeito não tende apenas a dar uma atmosfera pobre às coisas.

A temática da natureza é frequente em suas canções. De onde vem o interesse?

Há quem diga que o amor é o tema central da minha composição, mas eu também utilizo a minha paixão pela natureza, que é mais instintiva, porque nasci numa cidade em que a água é o ponto de referência. Maceió é cercada por lagos, lagoas, mares e rios. Ao mesmo tempo, antes da água, a minha grande paixão é a mata. Eu tenho uma propriedade em Araras (na região serrana do Rio de Janeiro), que possui um pedaço de Mata Atlântica imenso. Se você me soltar ali às quatro horas da manhã, vou me sentir como se estivesse dentro de casa, pois sou apaixonado pela textura, construção, formato e coloração das folhas. E esse é um assunto inesgotável para canções, livros etc., que eu utilizo naturalmente.

O que mais atrai você no uso da língua portuguesa?

Eu amo trabalhar com a língua portuguesa e amo ter nascido nela, que é mágica e tem milhões de possibilidades. Ninguém, a rigor, conhece a língua 100%. Os catedráticos sempre reconheceram o fato de ela ser uma língua viva e que nos prega peças o tempo todo. Várias vezes tenho de recorrer ao dicionário para escrever uma palavra que nunca escrevi na vida, e olha que tenho muitos anos de carreira. Uma loucura. É uma língua de uma abrangência espetacular, que se aprende a cada dia. Estudei até o segundo ano científico (ensino médio) e depois saí à luta por trabalho. Mas o gosto pela língua sempre existiu, porque tenho a música como meta desde os 13 anos. Então, sempre tive um namoro com a língua. Às vezes há um sem-número de sinônimos que você pode usar para uma mesma conotação. Porém, cada maneira mais sutil tem o seu emprego definitivo. Tem muita gente que acha que basta usar um sinônimo que está dizendo a mesma coisa, mas não está. Por isso, é preciso ter atenção e sensibilidade para usar a língua portuguesa e saber que você só atinge a sua profundidade de acordo com o uso. Quanto mais se usa a língua, mais se aprende.

É possível dizer que há musicalidade no idioma?

Um verso meu que as pessoas às vezes citam quando querem determinar algo desconfortável numa letra é "Açaí, guardiã / Zum de besouro, um ímã / Branca é a tez da manhã". Eu acho esses versos maravilhosos, porque açaí é uma fruta do norte do país, que carrega nas costas as populações carentes ali existentes. É graças a ela que populações inteiras conseguem sobreviver. Por isso, eu a chamei de guardiã. Já quando você ouve o som de um besouro em algum lugar, tende a querer descobrir quem o está produzindo. Quer dizer, é um verso poético. O que tem é o seguinte: quem escreve poesia não tem nenhum dever, nem vontade de explicar, porque isso não se explica. Ou você gosta, entende e alcança ou não.

Djavan lança novo álbum e diz que todo compositor precisa dedicar à letra a mesma carpintaria que destina à melodia

Fonte: http://revistalingua.uol.com.br/

TRABALHO SEM VALOR

A Alemanha é admirada em toda a parte como campeã mundial da recuperação económica. A economia prospera, o mercado de trabalho está a crescer. Mas esta bela aparência poderá ser enganadora.

Robert Kurz

O crescimento mais forte do que noutros países ocidentais é apenas o reverso da queda particularmente profunda de 2009. Nesse ano, a Alemanha registou a maior contracção do produto entre os países industriais desenvolvidos, quase 5 por cento. As oscilações extremas, primeiro para cima e depois para baixo, mostram apenas que a economia alemã é, em todo o mundo, a mais dependente das exportações.

A nova subida concentra-se mais do que nunca na indústria automóvel e na construção de máquinas. Os fabricantes de automóveis fornecem sobretudo carros de luxo para a China e para os EUA, enquanto as vendas na Europa continuam estagnadas. A construção de máquinas fornece numa proporção crescente a onda de investimentos com que se fez face à crise na China. Mas estes dois motores externos de crescimento são mantidos a funcionar principalmente através de enormes programas públicos e de dinheiro tornado artificialmente barato. Se a inflação, já a subir, obrigar os bancos centrais da China e dos E.U.A. a aumentos sensíveis das taxas de juros, o boom poderá desfazer-se rapidamente no ar. Os muito aclamados novos postos de trabalho nos sectores chave da exportação revelar-se-iam como "bolha de trabalho", que teria de estourar, porque o poder de compra externo necessário para o êxito das exportações não se baseava em criação de valor real. A máquina de fazer dinheiro do Estado não é mais viável do que anteriormente a máquina de fazer dinheiro do capital financeiro.

Apesar do boom febril, na Alemanha é estreita a base do mercado de trabalho na indústria de exportação. O chauvinismo ideológico de exportador corresponde a uma pequena "aristocracia operária", enquanto o emprego precário se multiplica ampla e rapidamente no interior, sem apanhar o vento dos lucros e rendimentos da economia virada para o exterior. A redução do desemprego apresentada orgulhosamente só assenta em novos postos de trabalho a tempo inteiro, com emprego garantido, em poucos segmentos exportadores. A maior parte dos novos postos de trabalho é a prazo e paga abaixo das tabelas dos acordos colectivos. Mas, sobretudo, teve um crescimento explosivo o número de empregos de 400 euros, que em 2010 atingiu os 7,3 milhões. Cada vez mais postos de trabalho regulares são transformados em empregos desses, sendo o pagamento frequentemente inferior a metade das tabelas da contratação colectiva. E quase dois terços destes mini-empregos são ocupados por mulheres. De acordo com as leis da economia, uma conjuntura económica auto-sustentada teria de fazer subir o preço da força de trabalho em geral. O facto de, pelo contrário, a sua desvalorização continuar dramaticamente é um indício da falta de substância da retoma.

Efectivamente, grande parte do emprego precário situa-se em sectores improdutivos do ponto de vista capitalista. Eles têm de ser alimentados pela produção de mais-valia real, a qual, por sua vez, é apenas simulada; entretanto já só através da criação de dinheiro pelo Estado. O boom global de exportação assim alimentado é um evento de minoria na maior parte dos países desenvolvidos e especialmente na Alemanha. O dinheiro barato leva a novos investimentos apenas nestes sectores, faltando na indústria, no comércio e nos serviços. Em vez disso, a inundação de dinheiro dos bancos centrais flui, como de costume, para a superstrutura financeira. O reverso do "trabalho sem valor" é uma nova bolha nos mercados globais de acções, os quais, nestas condições, já não constituem certamente qualquer indicador de desenvolvimento económico real, sendo, pelo contrário, auto-referenciais e expressão duma miragem. Está programado o próximo choque de desvalorização nos mercados financeiros, juntamente com inflação e crises da dívida pública.

Fonte: http://o-beco.planetaclix.pt/

Quem quer parar o Brasil e por quê?

Na visão da economista Leda Paulani, da USP, em conversa com Carta Maior, o Brasil materializou nos últimos anos um pedaço da sociedade prevista na Constituição Cidadã de 1988.

Saul Leblon

Estavam delineados ali, no seu entender, alguns dos impulsos mais fortes à expansão do mercado interno, finalmente viabilizados nos últimos anos. No entanto, ressalta, "existe uma análise ortodoxa que acusa esse processo de conduzir a sociedade a um esgotamento de sua capacidade produtiva; como se a demanda avançasse além da oferta possível com o pleno emprego dos recursos e potencialidades disponíveis no sistema”. A terapia embutida nesse diagnóstico, critica, pode interromper esse processo.

O Brasil vive uma travessia crucial do seu desenvolvimento. Nos últimos anos, o país ativou potencialidades adormecidas. Algumas, deliberadamente asfixiadas. Contido por iníqua distribuição de renda e a omissão secular do Estado em relação à pobreza, o mercado interno, por exemplo, emergiu como um leão faminto.

Bastou uma fresta de tempo de avanços nas políticas sociais, no emprego, no crédito, mas sobretudo na recomposição de poder aquisitivo do salário mínimo e surgiu uma faixa de consumo de massa que já reúne 53% da população e 46% da renda nacional.

Na visão da economista Leda Paulani, da USP, em conversa com Carta Maior, foi como se o país materializasse um pedaço da sociedade prevista na Constituição Cidadã de 1988. Estavam delineados ali, no seu entender, alguns dos impulsos mais fortes à expansão do mercado interno, finalmente viabilizados nos últimos anos.

“Entre outras coisas”, diz ela, “a Constituição de 88 estabeleceu fortes ramificações entre as políticas de Estado e as camadas mais pobres da população, antes alijadas do mercado e da cidadania. Um desses elos mais importantes foi a estender o salário mínimo ao campo, bem como assegurar a plenitude do seu reajuste aos aposentados por idade e invalidez”, explica.

Esse contingente reúne hoje mais de 18 milhões de brasileiros.

“Multiplique isso por quatro dependentes. Teremos aí um universo de 70 milhões de pessoas. Pois bem”, frisa Paulani, que tem uma visão crítica da composição política do ciclo Lula, mas não tromba com as evidências dos seus avanços sociais. “Esse Brasil de 70 milhões de pessoas teve um aumento real de renda de 53% nos últimos oito anos” , resume escandindo as palavras para acentuar a importância da mutação que deseja exprimir. “Isso é muito importante, muito”, insiste a economista.

Há áreas de sobreposição entre esse universo e aqueles integrados por beneficiários de políticas sociais, como é o caso do Bolsa Família, por exemplo. Tudo somado o bolo se amplia ainda mais: a economista calcula que uma demanda equivalente a 80 milhões de brasileiros ingressou no mercado nessa composição.

“Nessa faixa de renda, o que entra no bolso sai em consumo. Ninguém poupa, nem investe em malabarismos financeiros. É demanda pura. A relevância macroeconômica dessa transformação é inegável”, observa.

No meio do caminho eclodiu uma crise mundial. O que avulta, porém, é a percepção de que quando a blindagem financeira e ideológica do sistema fraquejou, o país enxergou com maior nitidez esse ponto de mutação, cujas forças já não cabem mais no formato anterior do mercado.

As tensões decorrentes desse processo ocupam o centro do debate macroeconômico hoje.

Dois diagnósticos conflitam no seu interior. Um quer parar o país. “Grosso modo’, resume Leda Paulani, “existe uma análise ortodoxa que acusa esse processo de conduzir a sociedade a um esgotamento de sua capacidade produtiva; como se a demanda avançasse além da oferta possível com o pleno emprego dos recursos e potencialidades disponíveis no sistema”.

Leda não nega a existência de gargalos e nomeia alguns: energia, portos etc. Mas não perfila entre os que cobram um retorno a um equilíbrio pleno, “de resto inexistente fora dos modelos de laboratório”, acusa. Acima de tudo, recusa a terapia embutida nesse diagnóstico.

A receita é conhecida e tem sido martelada de forma estridente pela mídia conservadora. Choque de juros, arrocho nos salários,postergação do reajuste do salário mínimo em 2012, contração drástica do investimento público e amesquinhamento dos bancos públicos, – “decisivos na defesa do país durante o colapso internacional, quando injetaram crédito direto na veia do sistema, ao contrário da omissão da banca privada”, observa a economista.

A longa convalescença de uma crise mundial que, embora sistêmica, não gerou forças de ruptura – “no caso brasileiro, em parte, pela relação passiva dos movimentos sociais com o governo Lula”, diz Leda – vivencia agora uma ofensiva de restauração conservadora. Urbi et orbi.

Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, onde o ajuste não se fez com demissões maciças e recessão, a tentativa de recompor o status pré- 2007/2008 se expressa no velho idioma do terrorismo inflacionário.

“Há pressões inflacionárias”, adverte Paulani sem sancionar o diagnóstico conservador da transgressão ao PIB potencial. Vários segmentos – o de serviços, sempre citado – estão aquecidos. Ocorre ainda o efeito contaminação da alta das commodities, causado em proporção não desprezível pela especulação intrínseca à super-liquidez adotada nos países ricos. Agindo em benefício próprio, eles criaram efeitos paradoxais no Brasil, por exemplo. Não há descompasso entre oferta e demanda de alimentos no país que colhe uma safra recorde de 154 milhões de toneladas este ano. Todavia, a inflação ‘importada’ pela condição de grande exportador de alimentos serviu de gatilho a outras pressões altistas.

A macroeconomia do pós-crise fermenta em contradições. O câmbio sobrevalorizado que ajuda a controlar os preços (ao baratear importações), desloca vendas e empregos do mercado interno para o exterior. Controlar o câmbio sem gerar vapor inflacionário extra implicaria esfriar simultaneamente a demanda interna, que não contaria mais com a válvula de escape das importações baratas. Mas se isso for feito pelo canal dos juros altos – como quer o conservadorismo – a atratividade brasileira aos capitais especulativos aumentaria, pressionando de novo a variável cambial…

Há saídas? Leda chama a atenção para o peso do passado. “Entramos e saímos da crise com uma taxa de juros excessivamente alta”. Um erro seminal. Ele explica a reduzida margem de manobra nos dias que correm. “Se tivéssemos hoje uma Selic de 5%”, exemplifica, ‘o que daria uma taxa real em torno de um a um e meio por cento, não haveria grave problema em elevá-la a 6%, esfriando um pouco a demanda, sem causar alvoroço na atratividade a capitais especulativos”.

Em tempo: a mesma ortodoxia que agora advoga um choque monetário exigiu a alta irracional dos juros no passado. “As mesmas forças que denunciam a ausência de infra-estrutura adequada ao crescimento sempre se opuseram aos investimentos públicos nessa área”, completa e fuzila a economista da USP.

‘Na ausência de margem de manobra monetária, a saída é agir sobre a quantidade’, recomenda com certo desencanto ao defender a necessidade de um controle mais incisivo para o ingresso de capitais no mercado brasileiro.

O governo, em passos lentos, avança por aproximação. Tenta evitar ‘soluções finais’ que embutem o preço alto das ‘destruições criativas’ tão a gosto da ortodoxia.

É um delicado exercício de pontaria em noite de sombras. Algo como acionar a válvula da panela de pressão para impedir que o vapor ultrapasse limites não inteiramente conhecidos.

Se errar a dose na área cambial e monetária poderá interromper investimentos indispensáveis à expansão da musculatura do crescimento.

Se o cozido econômico demorar demais a chegar ao ponto, estoura o timming político do controle da inflação.

A única certeza é que o ponto de equilíbrio escapa a receitas exclusivamente técnicas.

A dimensão política do desenvolvimento, ou seja, a expressão ‘política econômica’, explicita sua pertinência histórica incontornável na travessia brasileira, lembra a economista.

“A presunção de um equilíbrio estável no processo de desenvolvimento é típica de uma visão de mundo dissociada da história”, dispara Paulani que também é professora da USP e testemunha pesarosa da hegemonia sufocante dessa visão no ambiente acadêmico na última década.

“Não se trata apenas de um equívoco teórico, mas de um arcabouço acadêmico de interesses poderosos’, alerta. “Se você trabalha com um sistema que traz intrinsecamente um ponto de equilíbrio, você não precisa do Estado. Decerto e tampouco de uma Constituição como a de 1988, que admite implicitamente o conflito social e não sanciona a autossuficiência dos mercados para construir uma sociedade que proteja seus idosos e aposentados, por exemplo”.

Se o oposto é verdade, é justo supor que o país não concluirá essa travessia sem um acirramento das disputas políticas. Para evitar que a materialização da Carta de 1988 alcançada até aqui se perca num moedor de carne ortodoxo, como teme Leda Paulani, os contingentes que passaram a consumir no governo Lula, talvez tenham que percorrer agora uma transição mais difícil. Depois de emergirem da pobreza para o mercado, tornarem-se protagonistas ativos dos seus interesses históricos na vida nacional.

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/

Hepatite C: a chegada das triterapias ampliará o acesso aos tratamentos

Quais serão as consequências, para o sistema de saúde, dos novos tratamentos contra o vírus da hepatite C (VHC), cuja autorização para entrada no mercado europeu está prevista para o fim do ano?

Catherine Vincent

Pesquisadores franceses tentaram, com o apoio da Agência Nacional de Pesquisa sobre a Aids e as Hepatites Virais (ANRS), estabelecer um modelo para essa evolução. Apresentado no início de abril, seu estudo prevê que o número de pacientes atendidos pelos serviços hospitalares para uma infecção pelo vírus de genótipo 1 (VHC1), responsável por mais de 50% das hepatites C, poderá triplicar ou quadruplicar em 2012 em relação a 2010.

Doença crônica e fator de risco elevado da cirrose, e até do câncer de fígado, a hepatite C atinge 170 milhões de pessoas no mundo, sendo 237 mil na França. Ela é a única doença viral crônica que pode ser curada atualmente por meio de medicamentos. O tratamento padrão (peginterferon e ribavirina) diminui a multiplicação do vírus e permite, na melhor das hipóteses, eliminar as células infectadas.

Mas esse tratamento não está livre de efeitos colaterais, e tem uma proporção elevada de pacientes que não respondem à terapia: mais de 50% no caso do VHC. Portanto, ele é administrado a somente uma pequena porcentagem de doentes, que apresentam uma fibrose hepática bastante avançada. É por isso que a chegada das triterapias causa expectativas. Elas associarão às duas moléculas atualmente administradas um inibidor de protease, que agirá no ciclo de multiplicação do vírus. A Agência Francesa de Segurança Sanitária e Produtos de Saúde (Afssaps) concedeu uma autorização temporária de utilização para duas dessas substâncias: o boceprevir e o telaprevir, desenvolvidos respectivamente pelos laboratórios Merck-Schering-Plough e Janssen-Vertex-Tibotec.

As triterapias conduzidas com um desses inibidores mostram ótimos resultados entre os portadores do VHC 1: “70% a 75% de resposta a um tratamento de primeira intenção, e 30% a 85% de resposta após a falha do tratamento padrão”, segundo a ANRS. Uma indicação confirmada, no “New England Journal of Medicine” de 31 de março, pelos resultados de um teste clínico conduzido em mais de mil pacientes de diversos países: a triterapia com o boceprevir aumentava de forma muito significativa o índice de erradicação permanente do vírus.

“Aumento substancial”

“Levando em conta o maior número de pessoas que se motivarão a serem testadas e se tratar, e o fato de que os médicos prescreverão com mais frequência do que antes esse tratamento contra o VHC 1, deve-se esperar até 2012 por um aumento substancial dos pacientes tratados”, prevê Yazdan Yazdanpanah (Inserm U 995, Universidade Lille-Nord de France), um dos coautores do estudo francês.

Considerando que os pacientes que recebem atualmente um tratamento padrão são cerca de 5.100, qual será o número de doentes que podem receber uma triterapia em 2012? Para responder a isso, a equipe do professor Yazdanpanah se baseou nos dados sobre o tratamento das infecções por VHC 2 e 3, contra os quais os medicamentos padrão são nitidamente mais eficazes que contra o VHC 1. Conclusão: o número de pacientes que podem ser tratados deverá se situar entre 15 mil e 19.400. Uma evolução que, segundo o diretor da ANRS, Jean-François Delfraissy, justifica lançar novos estudos, especialmente “sobre o impacto desses tratamentos na saúde pública e na economia da saúde”.

Tradução: Lana Lim

Fonte: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lemonde/

Dossiê comprova aumento da repressão a ativistas no Brasil

Um relatório lançado em abril pelo PAD – Processo de Articulação e Diálogo – apresenta casos graves de violação de direitos e confirma o aumento da violência contra organizações da sociedade civil e movimentos sociais.

Caros amigos

O relatório revela que opositores à construção da hidrelétrica de Belo Monte enfrentam ameaças e acusações há mais de duas décadas e que alguns sucumbiram diante da violência e abusos. Mostra ainda que pelo menos um milhão de pessoas sofrem por causa da construção de barragens, sem compensação real pelas perdas.

O dossiê indica também mecanismos que o Estado brasileiro cria para criminalizar organizações populares e destaca que dezenas de camponesas sofrem ainda por causa de manifestação contra o avanço do deserto verde e pela soberania alimentar no sul do país. Traz casos como de grampos telefônicos, apreensão ilegal de documentos e infiltração visando incriminar militantes do MST e também denuncia a violência contra os povos indígenas, especialmente aos Guarani-Kaiowá, sem terras demarcadas no Mato Grosso do Sul

O dossiê intitulado “A repressão aos defensores de direitos humanos e movimentos sociais no Brasil” foi entregue à ministra de Direitos Humanos Maria do Rosário, na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal, e divulgado simultaneamente no Brasil e Europa. A delegação que está denunciando os abusos é formada por lideranças camponesas, indígenas, sem-terra e atingidos por barragens que pertencem a entidades que compõem o PAD.

Fonte: http://carosamigos.terra.com.br/