O roubo institucionalizado: bancos

A verdade é sempre doída

Palestina livre

MANIFESTO CONTRA A VIOLÊNCIA DA PM NOS PROTESTOS DE JOVENS PELO TRANSPORTE PÚBLICO

A ação da Polícia Militar do estado de São Paulo em protesto de jovens contra o aumento das tarifas da passagem do ônibus, metrô e trem na capital paulista é mais um episódio na história de violência e desrespeito ao direito de organização e manifestação.

O direito de manifestação sofre permanente ameaça no país, mesmo depois de 25 anos de promulgação da Constituição Federal, o que demonstra que a democracia ainda não está consolidada no país. A PM do Estado de São Paulo, controlada pelo PSDB, mantém os métodos que desenvolveu na ditadura militar, reprimindo manifestações, efetuando prisões políticas de cidadãos e estimulando tumultos, inclusive com infiltrações para desmoralizar a luta e organização popular.

Não podemos esperar um comportamento democrático de uma PM liderada pelo PSDB que, em janeiro de 2012, mobilizou helicópteros, carros blindados e 2 mil soldados do Batalhão de Choque para fazer a reintegração de posse violenta de 1600 famílias que viviam desde 2004 no bairro Pinheirinho, em São José dos Campos (97 km de SP).

A legitimidade do protesto dos jovens contra o aumento das tarifas não pode ser desmoralizada por causa de ações equivocadas de uma minoria, que infelizmente não compreende que a sociedade está do lado daqueles que querem transporte barato e de qualidade para a população de São Paulo.

Apesar desses acontecimentos pontuais, a responsabilidade pela violência nos protestos é da Polícia Militar, que tem provocado o conjunto dos manifestantes, promovido o caos e agredido cidadãos que estão nas ruas exercendo o seu direito de manifestar de forma pacífica.

Esses protestos são importantes porque colocam em xeque uma questão central para a população da cidade, que é a mobilidade urbana. Os paulistanos perdem horas e horas todos os dias dentro de um carro ou ônibus parados no trânsito ou de um vagão de metrô e trem lotados. Horas que poderiam ser destinadas para ficar com a família ou para cultura, esporte e lazer, das quais são privados por causa de uma clara opção que privilegia o transporte privado e individual em detrimento do público e coletivo.

O histórico crescimento desordenado da cidade, o trânsito causado pelo número de carros nas horas de pico, a falta de linhas de metrô/trem, a baixa qualidade do sistema e a chantagem das empresas privadas concessionárias de ônibus, as altas tarifas do transporte público representam um problema social, que prejudica o conjunto da população, especialmente os mais pobres, que moram na periferia.

A lentidão da expansão do metrô é uma questão crônica da gestão do PSDB, que construiu apenas 21,6 Km de linhas do metrô, o que representa uma média de 1,4 km por ano. Com isso, São Paulo tem a menor rede metroviária entre as grandes capitais do mundo (apenas 65,9 km).

A gravidade dessa questão fez com que a mobilidade urbana fosse um dos temas centrais da campanha eleitoral para a prefeitura no ano passado. E o candidato Fernando Haddad, que acabou eleito, prometeu dar respostas que tocassem na raiz do problema.

A movimentação da prefeitura para adiar e realizar um aumento da passagem do ônibus abaixo da inflação do último período, dentro de um quadro de pressão das empresas concessionárias, não atende os anseios criados com a derrota dos setores conservadores nas eleições em São Paulo.

A resolução da questão urbana exige medidas estruturais, como a efetivação de um modelo de desenvolvimento, que prescinda o estímulo à indústria automobilística, e a implementação do controle direto sobre as tarifas por meio da municipalização dos transportes. Com isso, se evita soluções paliativas como a subvenção das concessionárias, financiando setores cujo interesse em lucrar se choca com a possibilidade de um sistema de transporte que atenda as necessidades da população.

Por isso, os protestos realizados pelos jovens ganham importância, uma vez que representam um sintoma do problema e constituem uma força social que pode apontar e sustentar mudanças estruturais na organização territorial e na mobilidade urbana. Essas mobilizações são um instrumento de pressão sobre as autoridades, para sustentar um processo de negociação, especialmente com a prefeitura, que esperamos que possa render conquistas para a população e acumular forças para novas lutas que virão.

Nesse processo, a mídia burguesa e os setores conservadores colocam uma cortina de fumaça sobre as soluções estruturais para as quais apontam os protestos, com a execração pública dos atos realizados por uma minoria. Esse tipo de cobertura coloca luz sobre os vínculos dos meios de comunicação da burguesia com as empresas automobilísticas (interessadas em vender mais carros), com as empresas privadas concessionárias de transporte (que lucram com a chantagem sobre a prefeitura) e com a especulação imobiliária (contrária à reorganização territorial).

Assim, manifestamos nosso apoio aos protestos dos jovens em defesa do transporte público, dos quais queremos contribuir para garantir a massificação e manifestação organizada e pacífica, condenamos a ação violenta da Polícia Militar, cobramos a libertação dos presos políticos e rechaçamos o aumento das tarifas de ônibus, metrô e trem.

ABGLT- Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais

ANEL – Assembleia Nacional de Estudantes – Livre

Centro de Estudos Barão de Itararé

Consulta Popular

CMP

FNDC

Fora do Eixo

JCUT- Juventude da Central Única dos Trabalhadores

JPT/SP- Juventude do Partido dos Trabalhadores da cidade de São Paulo

JSOL – Juventude Socialismo e Liberdade

JUNTOS!

Levante Popular da Juventude

MAB- Movimento dos Atingidos por Barragens

MNU- Movimento Negro Unificado

MST- Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

PJ- Pastoral da Juventude

PJMP- Pastoral da Juventude do Meio Popular

Quilombo

PSTU- Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado

REJU- Rede Ecumênica da Juventude

UBES- União Brasileira dos Estudantes Secundaristas

UJR- União da Juventude Rebelião

UJS- União da Juventude Socialista

UNE- União Nacional dos Estudantes

*Coleta de assinaturas continua: organizações/entidades que aderirem devem enviar e-mail para nacional@levante.org.br

E o mundo se abriu

Sentido da vida

Consciência da opressão

12 razões que nos impedem de amadurecer de forma plena

Como buscar a individualidade e conciliar as necessidades pessoais com os desejos

Cristina Balieiro

Por que é tão difícil tornar-se adulto?

1ª) Porque é muito mais fácil culparmos os outros do que nos responsabilizarmos por nossas escolhas e atitudes.

2ª) Porque é muito mais fácil vivermos com nossas ilusões do que encararmos a realidade.

3ª) Porque é muito mais fácil buscarmos alguém que cuide de nós, que aceitarmos que cabe só a nós cuidarmos de nós mesmos.

4ª) Porque precisamos aceitar que não controlamos a vida e que cabe a nós somente aceitar e responder ao que ela nos traz.

5ª) Porque precisamos ter clareza que não somos “donos” dos outros e o que nos cabe é aceitar e viver com aquilo que eles decidem sobre a vida deles.

6ª) Porque é muito difícil aceitar que a vida não está contra ou a nosso favor, ela é somente a vida e acontece sem que o que pensamos ou queremos seja levado em conta.

7ª) Porque é muito mais fácil nos sentirmos vítimas do que protagonistas da nossa história.

8ª) Porque é muito difícil perceber que o mundo não “gira ao redor do nosso umbigo”.

9ª) Porque não é fácil aceitar que a vida não nos deve nada, que ela não é justa ou injusta e que sermos “bonzinhos” não nos garante um passaporte contra o sofrimento.

10ª) Porque é difícil lidar com a constatação que existe um “espaço vital” existencial em que somos absolutamente sós, e nesse, ninguém pode nos fazer companhia.

11ª) Porque precisamos aceitar, sem reclamação ou revolta (que são absolutamente inócuas, ou pior, contraproducentes) que a vida é feita de luz e sombra; de perdas e ganhos.

12ª) Porque precisamos aceitar que não existe essa coisa de verdade absoluta e que cabe a nós decidirmos nossas escolhas em uma “nuvem” de ambiguidade e incertezas.

São inúmeras as razões; sim, é difícil tornar-se adulto. E, claro que adulto no sentido pleno, em termos não só físico, que todos se tornam, mas do ponto de vista psicológico, social, ético e espiritual.
Tornar-se adulto no seu sentido completo parece, de fato, algo muito difícil, penoso, sofrido e coisa rara hoje em dia: nossa cultura infantilizada e massificada não ajuda em nada. É por isso que vemos tanta gente com 30, 40, 50 anos agindo como adolescentes ou até mesmo como bebês, emocionalmente falando!

Tornar-se de fato um ser humano adulto é uma escolha, uma busca, um processo e uma conquista. É ao aceitarmos a vida nos seus próprios termos e de nos tornarmos pessoas de fato maduras, que adquirimos a posse da liberdade de buscar sermos nós mesmos em nossa plenitude. É ao dizermos SIM à nossa condição humana e a nosso processo de crescimento e maturidade que tomamos a vida em nossas mãos e podemos usufruir a aventura de estarmos realmente VIVOS.

46 museus virtuais para você visitar de graça

O Brasil conta com mais de 3.000 museus e você já visitou pelo menos 5% deles? Pensando nisso alguns museus digitalizaram seus acervos para espelhar a cultura e informação pela internet. Confira os 46 museus virtuais que você pode visitar:

(Crédito: Tupungato / Shutterstock.com)

Visite os museus virtuais. Eles representam a História e se comunicam com o internauta por meio de acervos, informações e arte. Infelizmente com a correria do cotidiano ficamos impossibilitados de visitar todos os museus disponíveis.

Digitalizar e disponibilizar itens de acervo pode ser apenas uma das etapas que um planomuseológico prevê para disseminar a informação e cultivar a memória, portanto, se você não puder visitar pessoalmente navegue por eles e divirta-se. É sempre um bom passeio turístico, informa, diverte, educa. Confira a seguir os 46 museus virtuais disponíveis na rede:

» American Museum of Natural History

» My studios

» Museu Virtual Gentileza

» RTP Museu Virtual

» Museu Virtual de Brasília

» Museu Virtual de Ouro Preto

» Museu Virtual UnB

» Museu Virtual do Transporte

» Igreja do Santo Sepulcro

» Capela Sistina

» Van Gogh Museum

» Museu do Louvre

» British Museum

» Museu Virtual Memória da Propaganda

» Museu da Pessoa

» Museu Virtual do Futebol

» Museu Encantado da Barvbie

» Museu Virtual do Iraque

» Museu Virtual de Parelha

» Museu Virtual Aristides Sousa Mendes

» Art-Bonobo

» Museu Mazzaropi

» Museu Virtual da Imprensa

» Museu Virtual de Informática

» Visitas Virtuais 3D

» Museu Virtual da Água

» Museu Virtual de Artes Plásticas

» Museu da Faculdade de Medicina UFRJ

» Museu Virtual do Cartoon

» Virtual Museum of Canada

» National Museum of US Air Force

» The virtual museum of Japanese Arts

» Museum with no frontiers

» Virtual Egyptian Museum

» Museu do Instituto Geográfico Português

» Museu Virtual da Coca-cola

» Museu da Bactéria

» Museu de Arte do Uruguai

» Museu Bizantino

» Museu Virtual FEB

» Museu da Contabilidade

» Museu Nacional de Arquiologia

» Fundación Gala-Salvador Dalí

» Museu Virtual do Sintetizador

» Museu da Infância

Domingo demorado…

Falsa polarização?

A força das reformas

Venda de armas no Brasil cresceu 378% em cinco anos, diz jornal

Do UOL, em São Paulo

Um levantamento da Polícia Federal apontou que a venda de armas no Brasil cresceu 378% desde 2007 e já supera os níveis anteriores a entrada em vigor do Estatuto do Desarmamento em 2003.

Só em 2012, foram feitos 31.500 cadastros, um número bem superior aos 22 mil registros feitos em 2003, ano de início da nova legislação. As informações foram divulgadas pelo jornal “O Globo” deste domingo (12).

Especialistas ouvidos falam que as causas disso foram a falta de campanhas contra o armamento e o aumento da violência nas metrópoles brasileiras.


Feira Internacional de Defesa e Segurança exibe armas de guerra no Rio28 fotos
 

Visitantes manuseiam armas em exibição na Feira Internacional de Defesa e Segurança LAAD Defence & Security, no Rio de Janeiro, a maior exposição de equipamentos militares da América Latina.

Logo após o surgimento do estatuto, a comercialização legal de armas caiu. Em 2004, por exemplo, foram 5.161. Isso se manteve até 2008, quando houve uma explosão nas vendas, um crescimento registrado até hoje.

Com a lei recente, o processo para tirar o porte legal chega a custar até R$ 1.000, entre a burocracia, teste psicológico, curso de tiro e registro na Polícia Federal. E a arma deve ser recadastrada a cada três anos pelo proprietário. Caso contrário, há pena de detenção de um a três anos.

Mesmo com essas restrições, segundo dado apresentado pelo jornal, o Brasil é o país no mundo onde mais se mata com arma de fogo –boa parte dessa estatística é devida às armas ilegais que circulam pelo país.

Argentina e Brasil: grandes diferenças

Grandes macacos surgiram há 25 mi de anos

Dois fósseis foram achados na Tanzânia

REINALDO JOSÉ LOPES

Dois fósseis –uma mandíbula e um único dente– podem ajudar os cientistas a traçar um quadro mais claro da origem do grupo de primatas ao qual pertence o homem.

Ambos os fósseis têm 25 milhões de anos. O primeiro representa o mais antigo hominoide, ou grande macaco. O segundo é o mais velho entre os macacos com rabo do Velho Mundo. Os dois bichos viviam na Tanzânia.

A pesquisa descrevendo os fósseis está na revista “Nature”. O maior dos bichos, o hominoide Rukwapithecus fleaglei, devia ter uns 12 kg. O outro, o Nsungwepithecus gunnelli, um pouco menos.

Na época em que viviam, já estava começando a surgir o imenso vale que caracteriza a África Oriental, formado pelo afastamento de duas placas tectônicas. E isso pode explicar por que os macacões ancestrais do homem surgiram nesse momento.

“Antes, havia ali primatas pequenos. Mais tarde, quando a África se encontra com a Ásia, surgem primatas maiores e eles podem ter evoluído para se adaptar à competição com a fauna asiática”, disse a autora do estudo Nancy Stevens, da Universidade de Ohio (EUA), à Folha.

    Uma charge e muitas reflexões

    Stephen Hawking boicota Conferência Acadêmica israelense

    A decisão de não participar do evento foi em protesto ao tratamento de Israel aos palestinos

    Carlos Latuff

    Expulso por um bom motivo!

    Eu cresci como filho de gente abastada.
    Meus pais puseram-me a usar colarinho branco,
    e educaram-me no hábito de ser servido.
    Ensinaram-me a dar ordens.
    Mas quando já crescido, olhei à minha volta
    Não me agradaram as pessoas da minha classe
    e juntei-me à gente mais humilde.
    Assim eles criaram um traidor,
    ensinaram-lhe a sua arte,
    e ele denunciou-os ao inimigo.
    Sim, eu conto-lhes os seus segredos.
    Fico entre o povo e explico
    Como eles trapaceiam, e digo o que virá,
    pois estou a par dos seus planos.
    E o latim dos seus clérigos corruptos
    Traduzo palavra por palavra em linguagem comum,
    Então Deus revela-se uma farsa.
    Tomo a balança da sua justiça
    e mostro os pesos falsos.
    Os seus informadores relatam
    que me encontro entre os despossuídos,
    quando tramam a revolta.
    Eles me advertiram e apropriaram-se do
    Que ganhei com meu trabalho.
    E quando me corrigi eles tentaram caçar-me, mas
    Em minha casa encontraram apenas escritos
    que expunham as suas tramóias contra o povo.
    Então enviaram-me uma ordem de prisão
    Acusando-me de ter idéias baixas, isto é
    As idéias da gente baixa.
    Aonde vou sou marcado
    Aos olhos dos proprietários.
    Mas os espoliados lêem a ordem de prisão
    E me oferecem abrigo. Você, dizem,
    Foi expulso por um bom motivo

                                                                                        Brecht

    Primavera árabe na Turquia

    A defesa do óbvio – Brecht

    Facebook: babel completa

    Manifesto defende manutenção da maioridade penal em 18 anos de idade

    Texto com 150 assinaturas de cidadãos e organizações afirma que “reduzir maioridade penal é inconstitucional e representa decreto de falência do Estado”

    Um conjunto de movimentos sociais, centrais sindicais, entidades estudantis, organizações da juventude, pastorais, organizações não-governamentais, intelectuais e especialistas na área do Direito divulgou, nesta terça-feira (28), um manifesto contra a redução da maioridade penal.

    O documento, lançado com 150 assinaturas de cidadãos e organizações sociais, afirma que “reduzir a maioridade penal é inconstitucional e representa um decreto de falência do Estado brasileiro, por deixar claro à sociedade que a Constituição é letra-morta e que as instituições não têm capacidade de realizar os direitos civis e sociais previstos na legislação”.

    Entre os signatários do manifesto estão o professor emérito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), Fábio Konder Comparato; a filósofa Marilena Chauí; o desembargador Tribunal de Justiça de São Paulo, Alberto Silva Franco; o bispo emérito de São Félix do Araguaia, Pedro Casaldáliga; e o presidente do PT, Rui Falcão.

    O documento é assinado também pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN) e Associação dos Juízes pela Democracia (AJD).

    “Somos contrários à redução da maioridade penal e defendemos, para resolver os problemas com a segurança pública, que o Estado brasileiro faça valer o que está na Constituição, especialmente os artigos relacionados aos direitos sociais”, defendem no texto.

    Os signatários denunciam ainda a postura dos grandes meios de comunicação para impor uma mudança na legislação. “A grande mídia tem feito uma campanha baseada na criação de um clima de medo e terror, para construir um apoio artificial das famílias brasileiras à liberação da prisão de seus filhos e netos como solução para a segurança pública. Autoridades aproveitam esse clima para, de forma oportunista, se colocarem como pais e mães dessas propostas”, afirma o documento.

    O manifesto está aberto para adesões pelo endereço

    http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2013N40858.

    Abaixo, leia o manifesto e saiba quem assinou:

    Manifesto contra a redução da maioridade penal

    Nós, cidadãos brasileiros e organizações sociais, manifestamos preocupação com as declarações de autoridades e com a campanha dos grandes meios de comunicação em defesa de projetos de lei que visam reduzir a maioridade penal ou prolongar o tempo de internação de crianças e adolescentes em medida socioeducativa.

    A grande mídia tem feito uma campanha baseada na criação de um clima de medo e terror, para construir um apoio artificial das famílias brasileiras à liberação da prisão de seus filhos e netos como solução para a segurança pública. Autoridades aproveitam esse clima para, de forma oportunista, se colocarem como pais e mães dessas propostas.

    Dados da ONU apontam que uma minoria de países definem o adulto como pessoa menor de 18 anos. De acordo com a Unicef, de 53 países, sem contar o Brasil, 42 adotam a maioridade penal aos 18 anos ou mais, o que corresponde às recomendações internacionais de existência de um sistema de justiça específico para julgar, processar e responsabilizar autores de delitos abaixo dos 18 anos. Ou seja, a legislação brasileira é avançada por ser especializada para essa faixa etária.

    Não existe uma solução mágica para os problemas na área de segurança pública que nosso País vivencia. A redução da maioridade penal ou o prolongamento do tempo de internação não passam de uma cortina de fumaça para encobrir os reais problemas da nossa sociedade.

    A universalização da educação de qualidade em todos os níveis e o combate à violenta desigualdade social, somados a programas estruturantes de cidadania, devem ser utilizados como instrumentos principais de ação em um País que se quer mais seguro e justo.

    Os dados do sistema carcerário nacional – em que 70% dos presos reincidem na prática de crimes – demonstram que essas mesmas “soluções mágicas” só fizeram aumentar os problemas. O encarceramento das mulheres cresce assustadoramente e, com relação às crianças e adolescentes, o que se vê são os mesmos problemas dos estabelecimentos direcionados aos adultos: superlotação, práticas de tortura e violações da dignidade da pessoa humana.

    Reduzir a maioridade penal é inconstitucional e representa um decreto de falência do Estado brasileiro, por deixar claro à sociedade que a Constituição é letra-morta e que as instituições não têm capacidade de realizar os direitos civis e sociais previstos na legislação.

    Às crianças, adolescentes e jovens brasileiros, defendemos o cuidado, pois são eles que construirão a Nação brasileira das próximas décadas. Cuidar significa investimento em educação, políticas sociais estruturantes e, sobretudo, respeito à dignidade humana.

    Por isso, somos contrários à redução da maioridade penal e defendemos, para resolver os problemas com a segurança pública, que o Estado brasileiro faça valer o que está na Constituição, especialmente os artigos relacionados aos direitos sociais.

    Cidadãos brasileiros:

    Fábio Konder Comparato- Professor Emérito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo

    Marilena Chauí, Professora titular de Filosofia Política e História da Filosofia Moderna da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP)

    Alberto Silva Franco – desembargador TJSP e membro-fundador do IBCRIM – Instituto Brasileiro de Ciências Criminais

    Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia

    Rui Falcão, presidente do PT

    Altamiro Borges, jornalista e membro do Comitê Central do PCdoB

    Eric Nepomuceno, jornalista e escritor

    Dora Martins – Juíza de direito

    José Henrique Rodrigues Torres – Juiz de Direito, Presidente da AJD

    Kenarik Boujikian – Juíza de Direito

    Severine Carmen Macedo, Secretária Nacional de Juventude.

    Adriana Del Compari Maia da Cunha advogada

    Aldimar de Assis, Presidente do Sindicato dos Advogados de São Paulo

    Alessandro da Silva, Juiz do trabalho em Santa Catarina, membro da AJD

    Alexandre Bizzotto – Juiz de Direito Criminal – Goiás

    Alexandre Morais da Rosa. Professor Adjunto da UFSC. Membro da AJD.

    Alexandre T. Mandi – especialista em Direito Constitucional pela PUC-Campinas e mestrando em Economia Social e do Trabalho na UNICAMP

    Ana Paula Alvarenga Martins – Juíza do Trabalho – TRT

    Ana Paula Costa Gamero – advogada

    Andre Augusto Salvador Bezerra- Juiz de Direito da Comarca da Capital, São Paulo

    André Vaz Porto Silva – Juiz da 1ª Vara Criminal de

    Andreza Lima de Menezes – advogada

    Ângela Konrath – Juíza do Trabalho – Santa Catarina

    Antonio V. Barbosa de Almeida – Advogado

    Arthur Henrique da Silva Santos- Presidente do Instituto de Cooperação da CUT e Diretor da Fundação Perseu Abramo.

    Bruno Vinicius Stoppa Carvalho

    Carlos Augusto Abicalil- Assessor Parlamentar e Deputado Federal PT-MT 2003-2011

    Carlos Eduardo Oliveira Dias – Juiz do Trabalho – TRT,

    Cassiana Tormin- Jornalista e Vereadora de Luziânia-GO

    Célia Regina Ody Bernardes – Juíza Federal Substituta/SJDF

    Claudia da Cruz Simas de Rezende – advogada

    Comarca de Pedro Afonso -TO.

    Didi Viana, Vice-Prefeito de Luziânia-GO do Trabalho de Jaciara – MT

    Douglas Belchior – Professor da Rede Pública Estadual de SP e Membro do Conselho UNEafro-Brasil

    Eduardo Guimarães, blogueiro

    Eduardo Manzano, médico, Presidente de honra da ONG Comsaúde, e vereador em Porto Nacional

    Emiliano José, Bahia, jornalista e escritor

    Erenay Martins, Professor da Rede Municipal de Educação de São Paulo

    Erick Le Ferreira – advogado

    Fabio Prates da Fonseca, juiz de direito, são Paulo

    Fernanda Afonso – Juíza de Direito – São Paulo

    Fernanda Menna Peres – Juíza de Direito – São Paulo

    Fernando Antônio de Lima – juiz de direito no Juizado Especial de Jales-SP

    Flora Vaz Cardoso Pinheiro – advogada

    Gabriel Medina, coordenador de Juventude da Prefeitura de São Paulo

    Geraldo Prado – Juiz de Direito – Rio de Janeiro

    Gerivaldo Neiva – Juiz de Direito. membro da AJD e LEP-BR. – Bahia

    Gilberto Maringoni – professor na Universidade Federal do ABC (UFABC)

    Guilherme Panzenhagen – advogado

    Igor Fuser – professor na Universidade Federal do ABC (UFABC)

    Iole Ilíada, Vice-Presidente da Fundação Perseu Abramo

    Isabel Teresa Pinto Celho – Juíza de Direito – Rio de

    Ivani Martins Ferreira Giuliani _ Juíza do Trabalho

    Jardel Lopes – Escola de Formação Política e Cidadania do Vale do Aço-MG

    Jefferson Lima, Secretário Nacional de Juventude do Partido dos Trabalhadores

    João Marcos Buch – Juiz de Direito – Joinville – Santa Catarina

    Joaquim Palhares, diretor da Agência Carta Maior

    Jorge Luiz Souto Maior, Juiz do trabalho, titular da 3ª. Vara do Trabalho de Jundiaí. Professor livre-docente da Faculdade de Direito da USP.

    José dos Santos Costa – Juiz de Direito da Comarca de São Luís

    Jose Edilson Caridade Ribeiro – Juiz de Direito – São Luiz – Maranhão

    José Roberto Lino Machado – Desembargador do TJ de S.Paulo

    Jose Ulisses Viana – Juiz de Direito – Recife/PE

    Juliano Marold – Advogado OAB/PR 51.182

    Lauro Gondim Guimarães – Advogado.

    Leopoldo Antunes de Oliveira Figueiredo – Juiz da Vara

    Ligia Maria de Godoy Batista Cavalcanti – Juíza de Direito – Natal/RGN

    Liliane Mageste Barbosa – Servidora Pública

    Lívia Martins Salomão Brodbeck – advogada

    Luana Barbosa Oliveira – advogada

    Luís Carlos Valois – Juiz da Vara de Execuções Penais do Amazonas

    Marcelo Semer – Juiz de Direito – São Paulo, Ex-presidente da Associação Juízes para a Democracia

    Marcio Sotelo – ex-procurador geral do Estado de São Paulo

    Marcus Orione – Juiz de Direito – São Paulo

    Margarida Cavalheiro, Secretaria Executiva da Comissão Regional de Justiça e Paz do Mato Grosso do Sul

    Maria da Conceição Carneiro Oliveira, educadora, blogueira e mãe

    Maria Guilhermina Cunha Salasário. Bibliotecária, conselheira do Conselho Nacional contra a Discriminação LGBT da SDH, Vice presidenta Lésbica – ABGLT. Conselheira do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Fpolis/SC

    Mariana Martins Nunes – advogada

    Martina Reiniger Olivero – advogada

    Matilde Ribeiro, Secretária Adjunta da Secretaria Municipal de Igualdade Racial de São Paulo

    Mauricio Brasil – Juiz de Direito – Salvador/Bahia

    Milton Lamenha de Siqueira, Juiz da Vara Criminal da Comarca de Pedro Afonso-TO.

    Monia Regina Damião Serafim RG 44.216.064-1 Advogada

    Nize Lacerda Araújo Bandeira – advogada

    Patrícia Mendes – advogada

    Patrick Mariano Gomes- Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares-RENAP

    Paulo Cinquetti Neto – advogado

    Paulo Kliass, Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10.

    Pietro Dellova, Professor

    Regina Novaes, Antropóloga, Rio de Janeiro

    Reinaldo Cintra Torres de Carvalho – Juiz da Vara da

    Renan Thomé de Souza Vestina

    Renato Rovai – Revista Fórum

    Renato Simões, secretário de movimentos sociais do PT

    Rosivaldo Toscano Junior, juiz de direito,

    Rubens R R Casara, juiz de direito do TJ/RJ e professor de processo penal do IBMEC/RJ.

    Sayonara Grillo Coutinho Leonardo da Silva – Juíza de Direito – TRT 1 e UFRJ

    Sérgio Mazina Martins, Juiz de Direito da 2a Vara, Especial da Infância e Juventude de São Paulo, Prof. de Direito Penal na UNIFIEO/SP, Membro da AJD

    Silvio Luiz de Almeida – presidente do Instituto Luiz Gama

    Silvio Mota – Juiz de Direito – Fortaleza/CE

    Siro Darlan Oliveira – Desembargador do TJ Rio de Janeiro

    Wagner Hosokawa – Mestre em Serviço Social pela PUC/SP e Coordenador de Juventude da Prefeitura de Guarulhos

    Wisley Rodrigo dos Santos – advogado

    Yasmin Oliveira Mercadante Pestana – advogada

    Organizações:

    Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST

    Central Única dos Trabalhadores – CUT

    Força Sindical

    Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC)

    UNE

    UBES

    CONEN – Coordenação Nacional de Entidades Negras

    AJD – Associação dos Juízes pela Democracia

    ABEEF – Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia F’ lorestal

    ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais

    Abong- Associação Brasileira de Ongs

    Ação Educativa

    ADERE-MG – Articulação dos Empregados Rurais do Estado de Minas Gerais

    Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs)

    AMPARAR -Associação de Amigos e Familiares de Presos de São Paulo

    ANPG

    APIB – articulação dos povos indígenas do brasil

    Articulação Popular e Sindical de Mulheres Negras do Estado de São Paulo-APSMNSP

    CAPINA – Cooperação e Apoio a Projetos de Inspiração Alternativa

    CEBI – Centro de Estudos Bíblicos;

    CENARAB- Centro Nacional de Africanidade e Religiosidade Afro-Brasileiro

    Centro de Ação Cultural – CENTRAC

    Centro de Estudos Barão de Itararé

    CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço;

    CIMI – Conselho Indigenista Missionário

    Círculo Palmarino

    Comunicação e Cultura

    CONAQ – coordenação nacional das comunidades quilombolas

    Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI)

    Consulta Popular

    Enegrecer- Coletivo Nacional de Juventude Negra

    FASE

    FEAB – federação nacional dos estudantes de agronomia do brasil

    Fora do Eixo

    Fórum Ecumênico ACT Brasil;

    Fórum Nacional de Democratização das Comunicações

    Fundação Fé e Alegria do Brasil

    Fundação Luterana de Diaconia (FLD)

    Fundo Brasil de Direitos Humanos

    INESC

    Instituto Paulo Freire-IPF

    Instituto Terra, Trabalho e Cidadania- ITTC

    KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço

    Levante Popular da Juventude

    MAM – Movimento dos Atingidos pela Mineração

    MNU – Movimento Negro Unificado

    Movimento Camponês Popular – MCP

    Movimentos dos Atingidos Por Barragens

    MPA- Movimento dos Pequenos Agricultores

    MPP, Movimento dos Pescadores e Pescadoras

    Nação Hip-Hop Brasil

    Núcleo Cultural Niger Okan

    Pastoral Carcerária Nacional

    Pastoral da Juventude – PJ

    PJR – Pastoral da Juventude Rural

    PÓLIS – Instituto de Estudos, Formação e assessoria em Políticas Sociais

    Rede Ecumênica da Juventude- REJU

    Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde

    SINPAF – Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário

    UJS- União da Juventude Socialista

    UNEfro-Brasil

    UNEGRO

    Via Campesina Brasil

    IBGE: Síntese de Indicadores Sociais 2012

    Concentração de renda no Brasil caiu nos últimos 10 anos, mas continua abissal, aponta pesquisa do IBGE

    Vladimir Platonow

    Pobrea

    A diferença, no Brasil, entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres ainda é grande, mas tem apresentado uma queda considerável nos últimos dez anos. Entre 2001 e 2011 o rendimento familiar per capita da fatia mais rica caiu de 63,7% do total da riqueza nacional para 57,7%. No mesmo período, os 20% mais pobres apresentaram crescimento na renda familiar per capita, passando de 2,6% do total de riquezas do país em 2001 para 3,5% em 2011.

    Os dados fazem parte da pesquisa Síntese de Indicadores Sociais 2012, divulgada hoje (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para Leonardo Athias, pesquisador da Divisão de Indicadores Sociais do instituto, a redução da desigualdade no período deve ser atribuída às políticas de redistribuição de renda no país, com valorização do salário mínimo, expansão do Bolsa Família e ganhos educacionais, que permitem ao trabalhador almejar postos mais altos.

    “Nós tivemos um duplo fenômeno. Uma diminuição da desigualdade, por um lado alavancada pelas políticas de renda, valorização do salário mínimo e programas sociais, direcionados à base da pirâmide de rendimentos, além de ganhos educacionais, tornando a população um pouco mais homogênea e ela pode almejar postos mais altos.”

    O pesquisador também destacou o crescimento econômico ao longo da década passada como indutor das melhorias sociais. Outro fator importante foi o controle da inflação, iniciado na década de 90 e mantido após 2000, responsável por preservar o salário das classes mais pobres, que não tinham proteção via aplicações no sistema financeiro.

    Outro índice mostrado na pesquisa do IBGE que demonstra a redução da desigualdade no país é o coeficiente de Gini, que vem apresentando uma redução constante a cada ano, desde a década de 90, quando atingiu o nível mais alto, de 0,602, chegando a 2011 com 0,508. Quanto menor o número, menos desigual é o país. Os extremos do coeficiente para o ano de 2011, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), foram de 0,586 para Angola e 0,250 para a Suécia.

    Vladimir Platonow é repórter da Agência Brasil



    Rendimento do trabalhador brasileiro cresce 16% na última década

    Nielmar de Oliveira

    Rio de Janeiro, 28/11/2012 (Agência Brasil) – O rendimento médio no trabalho principal das pessoas com mais de 16 anos de idade registrou aumento real de 16,5% de 2001 a 2011. No período, as mulheres e os trabalhadores do mercado informal foram os que apresentaram os maiores ganhos reais, de 22,3% e 21,2%, respectivamente.

    Os dados constam da pesquisa Síntese de Indicadores Sociais: Uma Análise das Condições de Vida da População Brasileira 2012, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) está divulgando hoje (28).

    No caso das mulheres, o maior aumento foi observado na Região Nordeste (39,6%) e, entre os trabalhadores informais, na Região Centro-Oeste (31,1%). Segundo o IBGE, a desigualdade de rendimentos entre homens e mulheres tem se reduzido nos últimos anos, mas as mulheres ainda recebem menos que os homens – em média 73,3% do rendimento deles.

    Outra constatação da pesquisa do IBGE é a de que, entre trabalhadores com maior nível de escolaridade (12 anos ou mais de estudo), a desigualdade de rendimentos por gênero é mais elevada, já que as mulheres recebem apenas 59,2% do rendimento referente aos homens.

    Na Região Nordeste, a desigualdade de rendimentos por gênero neste grupo de escolaridade é ainda mais elevada e as mulheres chegam a receber apenas 57,4% do rendimento dos homens. No Piauí, por exemplo, as mulheres com nível superior completo ou incompleto chegam a receber menos da metade (47,5%) do rendimento dos homens com a mesma escolaridade.

    A desigualdade por cor ou raça também é visível a partir dos dados do estudo. O rendimento médio dos trabalhadores pretos ou pardos com mais de 16 anos equivale a 60% do rendimento médio da população branca nessa mesma faixa etária. A situação, no entanto, já foi mais grave. Em 2001, o rendimento de pretos ou pardos era 50,5% menor do que o recebido pelos trabalhadores de cor branca.

    Nielmar de Oliveira é repórter da Agência Brasil



    População brasileira envelhece e chega a 23,5 milhões de idosos em 2011

    Akemi Nitahara

    Rio de Janeiro, 28/11/2012 (Agência Brasil) – O numero de idosos na população brasileira passou de 15,5 milhões, em 2001, para 23,5 milhões em 2011, segundo a pesquisa Síntese de Indicadores Sociais: Uma Análise das Condições de Vida da População Brasileira 2012, divulgada hoje (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As pessoas com 60 anos ou mais já correspondem a 24,5% da população.

    Segundo a pesquisadora do IBGE Cíntia Simões Agostinho, a maior parte dos idosos é mulher (55,7%) e está na área urbana (84,1%).

    “Normalmente eles são considerados a pessoa de referência no domicílio, 32% não têm nem um ano de estudo, quase 60% são aposentados, 49% deles tinham rendimento, de todas as fontes, de até um salário mínimo, 24,5% estão inseridos em domicílios com renda de até um salário mínimo per capita, o que é um valor bastante elevado no caso do Brasil”, avalia a pesquisadora.

    Os dados mostram ainda que apenas 4,6% dos idosos estão no nível mais baixo de renda. “O que indica uma melhor condição de renda, em média, principalmente se comparada ao grupo dos jovens”, analisa a pesquisadora. Além disso, tem crescido o número de pessoas com mais de 60 anos que vivem sozinhas. Dos domicílios onde vive apenas uma pessoa, 42,3% são ocupados por idosos.

    Akemi Nitahara é repórter da Agência Brasil



    Analfabetismo cai no país, mas ainda atinge um quarto dos brasileiros com mais de 60 anos, aponta IBGE

    Vladimir Platonow

    Rio de Janeiro, 28/11/2012 (Agência Brasil) – Os índices de analfabetismo vêm caindo no Brasil nos últimos dez anos, mas ainda são altos na camada da população com mais de 60 anos, que registra 24,8% de analfabetos, praticamente um quarto do total nessa faixa etária. O dado faz parte da pesquisa Síntese de Indicadores Sociais 2012, divulgada hoje (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), comparando-se o intervalo de dez anos, entre 2001 e 2011.

    De acordo com os dados da pesquisa, a proporção de pessoas com 15 anos ou mais que não sabia ler nem escrever caiu de 12,1%, em 2001, para 8,6% em 2011. No ano passado, 8,8% dos homens nessa faixa etária eram analfabetos. Entre as pessoas de cor preta ou parda, 11,8% não sabiam ler nem escrever, enquanto entre as de cor branca, esse percentual cai para menos da metade: 5,3%. Na Região Nordeste, do total da população acima de 15 anos, 16,9% eram analfabetos. Na Região Norte, o índice chegou a 10,2%, e nas áreas rurais do país, a 21,2%.

    Para o educador Mozart Neves Ramos, que foi reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e já ocupou a secretaria de Educação do estado, a queda nas taxas de analfabetismo precisa ser mais expressiva. “De fato, o analfabetismo pleno vem caindo, mas não na velocidade que o país precisa para alcançar a meta de chegar a 6,7% na faixa de 15 anos ou mais em 2015. Na proporção que vem caindo, na base de 0,3% a 0,4%, nos últimos anos, a gente observa que o esforço tem sido grande, mas ainda é insuficiente.”

    Membro do conselho de governança da organização civil Todos pela Educação, Mozart diz que é necessário haver um investimento maior em professores especializados em alfabetização, principalmente para ensinar o público adulto, que não tem a mesma facilidade de aprendizado de um estudante jovem.

    “No percentual de 15 anos de idade para baixo, o Brasil vem atingindo resultados expressivos. As crianças de hoje estão muito mais alfabetizadas do que as de 20 ou 30 anos atrás. O problema é no grupo de 45 anos ou mais, nas regiões Norte e Nordeste, e nos grotões. É dificílimo pegar o homem do campo, que trabalha durante o dia, e fazer com que ele se desloque para a escola. É um grande desafio alfabetizar essas pessoas adultas. Qualquer que seja o método, é preciso ter um professor bem formado.Mas é difícil recrutar bons alfabetizadores, porque o salário pago é muito baixo.”

    Outro dado demonstrado na pesquisa do IBGE é a queda na inadequação da relação idade-série. Em 2001, 36,9% dos jovens de 15 a 17 anos estavam na série correspondente à faixa etária. Dez anos depois, em 2011, o percentual teve um forte crescimento, chegando a 51,6%. O avanço foi maior justamente entre a população de menor renda, que registrava apenas 13% de adequação idade-série em 2001 e praticamente triplicou em uma década, saltando para 36,8% em 2011.

    Vladimir Platonow é repórter da Agência Brasil



    Quase metade das crianças vive em domicílios onde falta pelo menos um serviço de saneamento

    Flávia Villela

    MisériaRio de Janeiro, 28/11/2012 (Agência Brasil) – Em 2011, 48,5% das pessoas até 14 anos de idade (21,9 milhões) residiam em domicílios em que pelo menos um serviço de saneamento (água, esgoto ou lixo) era inadequado. O dado faz parte da Síntese de Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados hoje (28).

    Cerca de 4,8 milhões de crianças (10,7%) viviam em casas em que mais de um desses serviços eram inadequados, sendo que 17,2% delas eram da Região Nordeste e 3,7%, da Sudeste. Segundo o IBGE, a maior parte da população até 14 anos de idade faz parte de famílias com menor poder aquisitivo: 60,8% vivem com rendas até meio salário mínimo.

    A pesquisa chama a atenção ainda para o déficit de creches no país, sobretudo, para as crianças da camada mais pobre e as mães que precisam trabalhar e/ou estudar, mas não têm com quem deixar os filhos. Entre as mulheres com filhos até 3 anos de idade cujos filhos frequentam creche, 71,7% estavam ocupadas em 2011. No mesmo período, apenas 21% das crianças até 3 anos tinham acesso à creche.

    De acordo com o conselheiro do Movimento Todos pela Educação, Mozart Neves Ramos, a primeira etapa da educação básica é determinante para o desenvolvimento dessas crianças. Ele informou que o custo per capita da fase pré-escolar é o mais alto entre todas as etapas da educação, mas que o retorno compensa.

    “A meta número 1 do Plano Nacional de Educação é ampliar o acesso às creches, mas o Brasil evoluiu muito pouco em relação à demanda. A meta estabelecida era chegar a 50% em 2010 e o desafio é tão grande que a meta foi mantida para 2020.”

    O estudo ressalta ainda que a fecundidade costuma atrasar e, em muitos casos, interromper o processo de escolarização da mulher e que deve haver políticas públicas para dar suporte às mães que não desejam parar de frequentar a escola ou que pretendem estudar ou trabalhar.

    Entre as crianças brasileiras de 4 e 5 anos de idade, a taxa de escolarização é melhor do que entre as crianças mais novas. Em 2011, quase 77,4% das crianças nessa faixa etária frequentavam a escola, enquanto em 2001 esse percentual era 55,4%. Entretanto, a média brasileira ainda está baixo da dos países-membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é 90%.

    Flávia Villela é repórter da Agência Brasil



    Idosos e jovens predominam no mercado de trabalho informal

    Nielmar de Oliveira

    Rio de Janeiro, 28/11/2012 (Agência Brasil) – A informalidade é uma característica da população idosa com mais de 60 anos e também da população jovem de 16 a 24 anos. A constatação é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e está na pesquisa Síntese de Indicadores Sociais: Uma Análise das Condições de Vida da População Brasileira 2012, que o instituto está divulgando nesta quarta-feira (28).

    O estudo indica que 71,7% da população idosa ocupada com mais de 60 anos encontra-se na informalidade e que 46,5% da população jovem de 16 a 24 anos estão na mesma situação. Na avaliação do IBGE, o fenômeno ocorre principalmente porque, no caso dos idosos, por já terem passado pelo mercado de trabalho, o retorno geralmente constitui uma forma de se manterem ativos, seja por gozarem de boa saúde, para complementarem a renda ou ainda como meio de socialização.

    “Sendo assim, a Carteira de Trabalho assinada não é o aspecto que mais atrai esse grupo para o retorno ao mercado, já que grande parte recebe aposentadoria ou pensão”, ressalta o instituto. Já no caso dos jovens, que muitas vezes buscam o primeiro emprego, o maior interesse é obter alguma experiência no mercado de trabalho. “Logo, este grupo populacional é mais propenso a aceitar emprego sem Carteira de Trabalho assinada ou a inserir-se em ocupações com baixa taxa de formalização”.

    O IBGE ressalta porém que, nos últimos anos, foram exatamente os jovens de 16 a 24 anos de idade que mais contribuíram para o aumento na formalização do mercado de trabalho, com redução de 12,7 pontos percentuais na taxa de informalidade, no período de 2006 a 2011. Numa análise por gênero, dentro dessa faixa etária, os dados mostram que as mulheres apresentaram aumento superior ao dos homens no que diz respeito à formalização do trabalho.

    “Entretanto, este aumento ocorreu de forma diferenciada, segundo a cor ou raça. De 2001 a 2011, as mulheres pretas ou pardas registraram aumento de 13,3 pontos percentuais no trabalho formal, enquanto entre as brancas houve crescimento de 11,9 pontos percentuais”, destaca o estudo.

    Nielmar de Oliveira é repórter da Agência Brasil



    Em uma década, índice de trabalhadores com carteira assinada aumenta, mas 44% ainda estão na informalidade

    Nielmar de Oliveira

    Rio de Janeiro, 28/11/2012 (Agência Brasil) – Os sucessivos períodos de crescimento econômico na década de 2000 levaram à expansão da formalidade no mercado de trabalho. A proporção de pessoas de 16 anos ou mais no trabalho formal aumentou “significativamente” passando de 45,3% para 56%, entre 2001 e 2011 – um aumento de 10,7 pontos percentuais. Entre as mulheres esse aumento foi ainda maior: 11,6 pontos percentuais, passando de 43,3% em 2001 para 54,8%, em 2011.

    Os dados fazem parte da pesquisa Síntese de Indicadores Sociais: Uma Análise das Condições de Vida da População Brasileira 2012, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga hoje (28).

    O estudo indica que, em 2011, foram gerados 1,94 milhão de empregos com Carteira de Trabalho assinada. Segundo o levantamento, o aumento de 10,7 pontos percentuais no número de pessoas com emprego formal concentrou-se, principalmente, na segunda metade do período (2006 a 2011), com 8,6 pontos percentuais. Ainda levando em consideração o período 2006 a 2011, o aumento da formalidade do emprego entre as mulheres também foi maior: 9,9 pontos percentuais.

    O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Neri, disse que os dados ratificam o que ele considera as duas principais características da década: a redução da desigualdade e o aumento da formalidade, do emprego com carteira assinada.

    “Os dados do Caged [Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho e do Emprego] já indicavam um crescimento contínuo do emprego formal, que vem acumulando saldo positivo desde 2003, variando de 700 mil a 1,5 milhão de novos empregos formais por ano.”

    Para Neri, o crescimento do emprego formal e a segurança de ter a Carteira de Trabalho assinada é, sem dúvida, o principal símbolo da nova classe média. “E ela [a Carteira de Trabalho] é também o símbolo do produtor, do trabalho, do consumo. É o que está transformando essa classe média em um bom consumidor: o fato de que não só está crescendo a geração de renda, mas a geração de renda advinda do emprego formal – que garante estabilidade, seguro-desemprego, FGTS [Fundo de Garantia do Tempo de Serviço].”

    Do ponto de vista regional, o maior percentual de empregados com Carteira de Trabalho assinada encontra-se na Região Sudeste (52,1% no caso da população ocupada masculina e 42,9% para a feminina), sendo o valor mais elevado observado na região metropolitana de São Paulo (57,8% e 51,7%, para homens e mulheres, respectivamente).

    Apesar dos avanços, o país ainda continua registrando, segundo o IBGE, “um contingente expressivo de sua mão de obra (masculina e feminina) na informalidade: 44,2 milhões de pessoas.”

    A expansão da formalidade indica que, no caso da população masculina, o percentual de empregados com Carteira de Trabalho assinada chegava a 33,7% em 2001, avançou 2,3 pontos percentuais em 2006 e, em 2011, já correspondia a 42,5%.

    Para a população ocupada feminina, o percentual de trabalhadoras nesta categoria é um pouco menor, 35,1%, contudo, houve um aumento de 1,8 ponto percentual na primeira metade do período considerado (2001 a 2006) e de 7,5 pontos percentuais na segunda, 2006 a 2011.

    Nielmar de Oliveira é repórter da Agência Brasil



    Mulheres dedicam mais do que o dobro de horas a trabalhos domésticos em relação aos homens

    Nielmar de Oliveira

    Rio de Janeiro, 28/11/2012 (Agência Brasil) – Em 2011, as mulheres destinavam, em média, 27,7 horas semanais a afazeres domésticos, mais do que o dobro do tempo dedicado pelos homens (11,2 horas). Na população ocupada, de 16 anos ou mais de idade, as jornadas se reduzem a 22,3 horas e 10,2 horas, para mulheres e homens, respectivamente.

    Os dados fazem parte da pesquisa Síntese de Indicadores Sociais: Uma Análise das Condições de Vida da População Brasileira 2012, divulgada hoje (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O instituto também ressalta o aumento da jornada com afazeres domésticos em relação a 2006, com maior expansão para as mulheres (1,3 hora). O resultado pode ser atribuído à menor oferta de trabalhadores domésticos e ao aumento real do rendimento da categoria, acima do verificado em outras atividades, o que dificulta a contratação desse tipo de serviço.

    “Com efeito, pode-se afirmar que, apesar da participação conjunta de homens e mulheres no mercado de trabalho, não há uma divisão equânime das tarefas domésticas, cabendo às mulheres a responsabilidade pela maior parte desse tipo de trabalho”, constata o estudo.

    A pesquisa mostra ainda que o trabalho doméstico informal vem caindo gradativamente, mas ainda é uma realidade para 6 milhões de mulheres. Em 2006, essas trabalhadoras somavam 6,2 milhões. Segundo o IBGE, essa redução do número de trabalhadoras domésticas “é resultado de vários fatores, como o aumento da escolaridade das mulheres e da oferta de postos de trabalho no setor de serviços”.

    Nielmar de Oliveira é repórter da Agência Brasil



    Expectativa de vida do brasileiro chega a 74 anos e 29 dias

    Isabela Vieira

    Rio de Janeiro, 29/11/2012 (Agencia Brasil)- A expectativa de vida dos brasileiros chegou a 74 anos e 29 dias em 2011, revelou hoje (29) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nos últimos 11 anos, a taxa avançou em média 4 meses por ano.

    Com base no Censo, o órgão constatou que o brasileiro ganhou 3 meses e 21 dias de esperança de vida em 2011, em relação à taxa verificada no ano anterior, de 73,76 anos. Na comparação com 2000, o ganho foi de três anos, sete meses e 29 dias.

    Isabela Vieira é repórter da Agencia Brasil



    Taxa de homicídios de negros cresce 5,6% em oito anos, enquanto a de brancos cai 24,8%

    Thais Leitão

    Brasília, 29/11/2012 (Agência Brasil) – Enquanto a taxa de homicídios de brancos no país caiu 24,8% de 2002 a 2010, a da população negra cresceu 5,6% no mesmo período. Em 2002, morriam assassinados, proporcionalmente, 65,4% mais negros do que brancos. Oito anos depois, foram vítimas de homicídio no Brasil 132,3% mais negros do que brancos.

    Os dados fazem parte do Mapa da Violência 2012: A Cor dos Homicídios no Brasil, divulgado hoje (29), em Brasília, pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela), a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir).

    De acordo com o estudo, morreram assassinados no país 272.422 negros entre 2002 e 2010, com uma média anual de 30.269 mortes. Somente em 2010, foram 34.983 registros.

    Para fazer o levantamento, foram considerados os dados do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde.

    Thais Leitão é repórter da Agência Brasil

    Luta de classes?

    “Revolução conservadora”

    Pensar e agir

    Avanço para tráz

    Bancos ou bibliotecas?

    Sobre a rebeldia

    O papel da mídia – Chomsky