SP: Ministério Público tenta interromper venda de aparelhos celulares

Ação movida contra grandes empresas pede para que sejam realizadas campanhas de conscientização para o descarte correto do lixo eletrônico

 O Ministério Público do Estado de São Paulo entrou com uma ação contra as principais fabricantes de aparelhos celulares, entre elas, a Nokia, a LG, a Sony Ericsson e a Motorola.

Segundo Roberto Lisboa, promotor que move a ação, o objetivo principal é cobrar das gigantes da telefonia móvel um melhor trabalho de conscientização, através de campanhas, sobre o descarte correto de aparelhos e baterias, o chamado lixo eletrônico. Estima-se que, hoje, o número de celulares em São Paulo tenha ultrapassado os 200 milhões.

O Ministério Público pede para que as vendas sejam interrompidas até que as grandes empresas se adequem as exigências impostas na ação.

http://www.revistabrasileiros.com.br/2012/05/14/ministerio-publico-tenta-interromper-venda-de-aparelhos-celulares/

Aos que falam sem nada dizer

Luiz Antonio Solda
Curitiba – PR

Notas sobre ortografia

Sírio Possenti

Nesta e nas próximas colunas, vou falar um pouco sobre ortografia. Começo com um fato que ilustra diversas questões. No livro As palavras (autobiografia que cobre apenas a infância do autor), Sartre narra um fato que a maioria dos leitores esquece, mas que chamou minha atenção.

“Meu avô decidira matricular-me no Liceu Montaigne. Certa manhã, conduziu-me à casa do diretor e lhe gabou os meus méritos; meu único defeito era ser adiantado demais para a minha idade. O diretor aceitou tudo: puseram-me no terceiro ano primário e cheguei a acreditar que ia me dar com as crianças de minha idade. Mas não: após o primeiro ditado meu avô foi convocado às pressas pela diretoria; voltou enfurecido, tirou de sua pasta um maldito papel coberto de garranchos, de manchas e jogou-o sobre a mesa: era a cópia que eu entregara. Haviam-lhe chamado a atenção para a ortografia – “le lapen çovache ême le ten” – e tentaram explicar-lhe que o meu lugar era no primeiro ano. Diante do “lapen çovache”, minha mãe caiu na gargalhada; meu avô a interrompeu com um olhar terrível. Começou por me acusar de má vontade e por me ralhar pela primeira vez em minha vida, depois declarou que me haviam menosprezado; na manhã seguinte, retirou-me do liceu e se indispôs com o diretor”.

Aos leitores que eventualmente não tenham percebido exatamente a questão, explico: a grafia oficial da frase francesa do ditado é “Le lapin sauvage aime le thym”. A pronúncia é mais ou menos [le lapã sovag éme lö tã].

Sartre, como qualquer garoto de sua idade e escolaridade – embora já tivesse lido muito – escreveu aquela frase mais ou menos com base na pronúncia corrente. O diretor quis rebaixá-lo por causa dessa “incompetência”. Uma decisão que é muito familiar: costuma-se avaliar a capacidade de escrever pelo domínio das regras ortográficas. Esquece-se (ou não se sabe) que, para uma criança, as irregularidades do sistema, por um lado, e as relações da escrita com as diversas pronúncias não são nada óbvias.

A mãe de Sartre achou graça nas inovações ortográficas de seu filhinho. Nenhuma novidade também nessa reação (ela não era do ramo). Mas o avô tirou Sartre da escola que o rebaixaria por não saber ortografia e o colocou em outra. Sua decisão pode ter sido tomada apenas por se tratar do neto, que ele tinha em alta conta. Mas também pode ser devida ao fato de ele se dar conta da diferença que existe entre saber ortografia e saber escrever.

Não estou defendendo o “erro” nem dizendo que a correção ortográfica não tem valor. Apenas digo que a questão é mais complexa.

Eleitores italianos rejeitam austeridade e esquerda se destaca nas eleições municipais

Eleições definirão os novos prefeitos de 941 cidades do país

Assim como a Grécia, a Itália rejeitou as medidas de austeridade impostas à população por conta da crise econômica e os eleitores provocaram uma grande derrota aos partidos de direita nas eleições municipais realizadas neste domingo (06/05) e segunda-feira (08).

Efe

Pierluigi Bersani, secretário do PD (Partido Democrata) vota na cidade de Piacenza; partido de esquerda ganhou destaque nas eleições

Além disso, ainda em semelhança aos gregos, os eleitores italianos preferiram os partidos de esquerda no primeiro turno das eleições que definirão os novos prefeitos de 941 cidades do país.

“Sofremos uma derrota”, afirmou o secretário geral do PDL (Povo da Liberdade), partido conservador do ex-premiê Silvio Berlusconi, Angelino Alfano, após a divulgação das primeiras projeções pela mídia local.

“Nos equivocamos ao escolher os candidatos. Temos a mania de eleger caras bonitas sem nos informarmos sobre a experiência deles, quando o que as pessoas querem são pessoas confiáveis”, completou Ignazio La Russa, coordenador nacional da legenda, em entrevista à agência AFP.

Efe

Eleitora vota na cidade de Turim

O PD (Partido Democrata), principal sigla de esquerda no país, no entanto, comemorou os resultados obtidos nas eleições dos últimos dois dias. Segundo informou Davide Zoggia, líder do partido, o PD lidera “em uma grande maioria dos municípios com mais de 15 mil habitantes”. “Em vários casos, a direita nem chegará ao segundo turno”, completou, também à AFP.

“Há uma forte crise no PDL, que em algumas cidades caiu em 10%, e da Liga Norte (de extrema-direita)”, afirmou Zoggia, em entrevista à Ansa. Em Parma, por exemplo, uma das maiores cidades a realizar a votação, o segundo turno das eleições será disputado pelo candidato Vincenzo Bernazzoli, que teve 40% dos votos, e Federico Pizzarotti, do Movimento 5 Estrelas, criado pelo comediante Beppe Grillo, com 19,9%.

Grillo afirma que está distante “dos políticos profissionais” e surpreendeu a Itália com bons resultados nas eleições municipais. Em Gênova, o candidato de centro-esquerda Marco Doria, sem filiação, também surpreendeu e conquistou a vitória ainda no primeiro turno.

Um dos únicos importantes resultados obtidos pela Liga Norte ocorreu em Verona, onde Flávio Tosi conquistou 57,2% dos votos e, assim, foi reeleito também no primeiro turno.

O resultado das eleições mostra o descontentamento da população italiana com as medidas de austeridade impostas pelo governo como tentativa de frear a crise econômica que atinge o país desde os últimos anos.

Outra prova do descontentamento dos italianos com suas autoridades pode ser expressa pela participação da população na votação, que neste ano chegou a 67,5% dos eleitores cadastrados. Em 2007, o índice havia chegado a 74%. O segundo turno acontece nos dias 20 e 21 de maio.

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/21697/eleitores+italianos+rejeitam+austeridade+e+esquerda+se+destaca+nas+eleicoes+municipais.shtml

Lição aos verdugos

Laerte Coutinho
São Paulo – SP

VENEZUELA TEM O MAIOR SALÁRIO MÍNIMO DA AMÉRICA LATINA

Desde o dia 01 de maio o país tem o maior salário mínimo do continente, o equivalente a 1.310 reais

Imagem NeoGaboX

A partir deste Primeiro de Maio a Venezuela terá o mais alto salário mínimo de toda a América Latina. Será equivalente a 1310 reais, contando com o ticket alimentação, obrigatório. Lá pagam-se, obrigatoriamente 15 salários anuais – o famoso “aguinaldo” -, assim, na média, o ganho mensal do trabalhador que recebe salário mínimo passa a ser de 1637 reais. O aumento beneficiará a 4 milhões de venezuelanos, incluindo cerca de 2 milhões de aposentados e pensionistas.

O aumento do mínimo terá impacto político importantíssimo na guerra que o imperialismo e a oligarquia venezuelana travam, sem cessar, contra Chávez. Apresentam a Venezuela como um país caótico, desordenado. Agora, agregam à guerra ideológica permanente uma overdose de veneno para explorar a doença de Chávez.

Até setores progressistas, distraídos, impressionam-se ante este dilúvio de mentiras e repetem que Chávez impediu o surgimento de novas lideranças ou que não resolveu o caos do abastecimento. Na realidade, a Revolução Bolivariana promove intensamente o florescimento de milhares e milhares de novas lideranças, estimula a politização das massas.

Segmentos antes avessos à política hoje andam com a Constituição no bolso, conscientes de seus direitos. A nova Lei do Trabalho vai formalizar conquistas quando na Europa se destrói o Estado do Bem-Estar Social. Foi ampliada a comunicação pública e estimulada a leitura de jornais e livros, com distribuição gratuita e pesquisas apontam a Venezuela como o terceiro país em que mais se lê na América Latina. E sem analfabetismo.

O uso da TV por Chávez é uma verdadeira escola de quadros a céu aberto estimulando o povo a pensar em política, ideologia, economia, história e cultura. Estimula, também, um controle popular para enfrentar a sabotagem ao abastecimento – a burguesia esconde toneladas de alimentos – já há filmes denunciando esta crime, também combatido com a criação de mercados estatais que vendem produtos a preços 70 % mais baixos.

Chávez enfrenta o câncer e a Revolução Bolivariana consolida-se para enfrentar os desafios que toda revolução enfrenta.

Beto Almeida é jornalista e membro da Junta Diretiva da Telesur.

Segunda Guerra Mundial: Dresden é destruída em poucas horas

A bela cidade de Dresden, na Alemanha, foi destruída em poucas horas. Foto: Walter Hahn/AFP

A bela cidade de Dresden, na Alemanha, foi destruída em poucas horas
Foto: Walter Hahn/AFP

VOLTAIRE SCHILLING
Há mais de meio século, no final da Segunda Guerra Mundial, a estupenda cidade de Dresden, na Alemanha, uma referência universal da cultura, foi varrida do mapa por um intenso e cruel bombardeio aéreo decretado pelos aliados anglo-saxões. Nesta ocasião, a Força Aérea Real (RAF, na sigla em inglês) e a Força Aérea americana rivalizaram durante três dias seguidos, entre 13 e 15 de fevereiro de 1945, para tocar fogo em tudo que era vivo ou representava arte e cultura. Desta forma, cometeram, além de um ato inumano, um dos maiores crimes de dano à cultura de todos os tempos.Maravilhas na beira do Elba
Coube ao príncipe-eleitor da Saxônia August der Starke (1670-1733), Augusto o Forte, conhecido como o “Cavaleiro Dourado”, que naqueles tempos empunhava também o cetro da Polônia, tornar Dresden um assombro arquitetônico. A disputa para tanto viera do seu vizinho e rival Pedro o Grande, o czar da Rússia conhecido como o “Cavaleiro de Bronze”, que em 1703 erguera a magnifica São Petersburgo, nos pântanos do Rio Neva.

A Paris de Luís XIV e a capital do czar Pedro, não se equiparavam à bela Dresden, onde o grande Palácio Zwinger, em estilo barroco tardio (obra de Pöppelmann), que fazia às vezes de galeria de arte, biblioteca, museu e orfeão musical, convertera-se num centro extraordinário de ebulição cultural.

Uma das suas outras maravilhas, abrigada no Palácio Real, era a Fürstenzug, um enorme mural externo com 24 mil azulejos expostos em 102 m que relatavam a crônica dos príncipes da Saxônia – exposição que visava mostrar a todos a excelência das fábricas de porcelana que atuavam no reino. Famosa igual também a Semperoper, a casa de ópera cuja celebrada acústica serviu para que Richard Wagner nela estreasse, entre 1842 e 1845, o seu Rienzi, o Navio Fantasma e o Tannhäuser, e regesse ainda a Nona Sinfonia de Beethoven.

Um estilo de vida
Décadas antes de Wagner estabelecer-se como Kapellemeister, o chefe da orquestra real, a cidade já havia assumido ser a protetora da escola romântica alemã quando, em 1798, por lá estiveram os irmãos Schlegel e o poeta Novalis. Com Praga, Viena e Budapeste, ela, com justa razão chamada de a “Florença do Elba”, formava no século 19 um quarteto de esplendidas cidades da Mitteleuropa, da Europa Central, onde cotidianamente podia-se usufruir o melhor da vida.

Repletas de cafés, de estupendos jardins, de academias de arte eletrizadas pelo vai e vem de pintores e músicos, de declamações de poetas e consertos de grandes solistas, na cidade misturavam-se a proletária cerveja e o nobre champanhe. Tudo isto, este entregar-se ao hedonismo, reduzia-se num estilo de vida que se consagrou pela expressão “boêmia”. Enquanto Berlim representava a coroa e o quartel e Frankfurt o cifrão do dinheiro, Dresden foi, por mais de dois séculos, a favorita da lira e do verso da Alemanha.

Uma noite apavorante
Tudo terminou em uma só noite. Às 21h30 de 13 de fevereiro de 1945, um barulho atordoante tomou conta dos céus da cidade. Quase mil aviões Lancasters da RAF, a mando de Winston Churchill, tido até então como homem da cultura, começaram a descarregar a primeira leva de bombas sobre a cidade. Choveram lá do alto 1.478 bombas explosivas e mais 1.182 incendiárias.

Em seguida, fortalezas voadoras dos americanos jogaram uma carga de mais de 1.8 mil bombas para por fogo em tudo. Dresden, em poucas horas, viu-se transformada na maior fogueira do mundo. Um calor que ultrapassou a 800°C incinerou ou asfixiou quase toda a população civil. Calcula-se que os mortos oscilaram de 35 a 135 mil vítimas – 80% delas eram mulheres, criança e idosos, visto que os homens estavam no fronte da guerra (o número de mortos ultrapassou a todas as baixas civis inglesas sofridas durante a Segunda Guerra Mundial, e foi quase equivalente aos de Hiroxima, abrasados em 6 de agosto daquele mesmo ano).

Nos dias seguintes, num arremate final do terror, aviões mosquitos da RAF, em voos rasantes, varreram à metralha as estradas vizinhas, atulhadas com os sobreviventes em fuga, para mostrar-lhes que o inferno os perseguia também ali. No final de tudo, impressionantes pilhas de cadáveres retorcidos, com duzentos mortos em cada uma e pirâmides humanas ainda fumegantes, espalhadas por toda a Dresden, disputavam em horror com os escombros de séculos de beleza e de história devoradas num par de horas.

Churchill, chamado “Cavaleiro da Rainha” e Prêmio Nobel de Literatura em 1953, foi quem ordenou a dizimação da cidade e arrasou de uma vez só mais prédios e objetos de arte do que todos os bárbaros do passado, de Atila a Gengis Kã. Ele justificou-se dizendo ao Marechal do Ar Arthur Harris, apelidado com todos os motivos de “Harris Bombardeador”, o executor da tétrica operação, que ele “preferia a devastação total das cidades alemãs do que a perda de um só osso de um granadeiro inglês”.

Debate na USP

Veja, como o crime organizado faz jornalismo

A aliança da revista Veja com o crime organizado rendeu denúncias que reverteram em ganhos econômicos para a organização criminosa de Carlinhos Cachoeira e seus aliados políticos

A Operação Monte Carlo, desencadeada pela Policia Federal (PF) para desbaratar a quadrilha comandada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, já é merecedora de um mérito: publicizou o conluio de setores da grande mídia com o crime organizado para alcançar objetivos econômicos e políticos.

As investigações da PF, com informações documentadas e já amplamente divulgadas, atestam que o bicheiro utilizava a revista Veja, do grupo Abril, para disseminar perseguições políticas, promover suas atividades econômicas ilegais, chantagear, corromper e arregimentar agentes públicos. A revista se prestava a esse esquema de coação e chantagem do bicheiro.

Em troca, a revista da família Civita recebia do contraventor informações, gravações e materiais – na maioria das vezes obtidas de formas criminosas – que alimentavam as páginas da publicação, para destilar seu ódio e preconceito contra seus adversários políticos, principalmente os do campo do PT.

A aliança da revista Veja com o crime organizado rendeu denúncias que reverteram em ganhos econômicos para a organização criminosa de Carlinhos Cachoeira e seus aliados políticos – os contratos da construtora Delta com governos estaduais precisam ser profundamente investigados – e se constituíram em instrumento de pressão e amedrontamento de autoridades públicas. Dessa forma, consolidaram um esquema criminoso, milionário, com ramificações privadas e públicas, nas três esferas da República.

O conluio, mais do que reportagens jornalísticas, rendia conspirações políticas e econômicas.

O acinte à democracia do país alcançou ao nível de planejar a desestabilização e queda do presidente Lula e da presidenta Dilma Rousseff. Enquanto Carlinhos Cachoeira e o senador Demóstenes (ex-Dem) gargalhavam por fogo no país, a revista projetava o senador como o prócer da moralidade pública, com perspectivas de vir a ser candidato à presidência da República. Era o crime organizado, com a participação do Grupo Abril, tramando desestabilizar governos e tomar conta da máquina estatal.

No entanto, a revista Veja era pequena e insignificante para os objetivos que o conluio se propunha alcançar. Precisava de ajuda. Os telejornais da Rede Globo se prestaram a dar a ajudava de que necessitavam. Com sua peculiar e esculachada crítica, o jornalista Paulo Henrique Amorim sintetiza a mútua ajuda que se estabeleceu: “o Jornal Nacional não tem produção própria. A revista Veja não tem repercussão nacional. O crime organizado se organiza na Veja e se expande no Jornal Nacional”. Em um jornalismo sem ética, sem compromisso com a verdade e interesses públicos, que se dane a verdade factual. O que interessa, para esse tipo de jornalismo, é a versão dos fatos que atendam aos interesses dos que mantém o monopólio da informação.

Sempre que é questionada por praticar esse tipo de jornalismo, a mídia se defende afirmando que tem a capacidade de se autorregulamentar. O conluio Veja-crime organizado sepultou essa tese. Até esse momento impera o silencio da mídia burguesa sobre os vínculos da revista com a organização criminosa do bicheiro.

O jornalista Jânio de Freitas, um dos mais renomados colunistas da Folha, fez uma detalhada radiografia da organização montada pelo contraventor e suas extensas ramificações. Não disse uma única palavra das suas ramificações com a mídia. Mais do que escreveu, a sabuja lacuna do seu artigo evidenciou o medo que impera entre o patronato da grande mídia e a capacidade desse lamaçal engolir, inclusive, jornalistas decentes.

Ao pacto de não noticiar a promiscuidade do grupo Abril com o crime organizado juntam-se, agora que a CPMI está instalada, os esforços para evitar que os que se beneficiaram com a organização criminosa do Carlinhos Cachoeira sejam convocados a dar explicações no Congresso Nacional e para sociedade.

O deputado federal Miro Teixeira (PDT/RJ) articula um pretexto jurídico para impedir a convocação de jornalistas e proprietários das empresas de comunicação envolvidas nas atividades criminosas do bicheiro.

Um dos mais altos executivos do grupo Abril já perambulou pelos corredores e gabinetes do Congresso numa tentativa de evitar que seu patrão, Robert Civita, tenha que prestar esclarecimentos na CPMI. A Globo, fato noticiado, enviou um mensageiro para informar (ou seria ameaçar?) o Palácio do Planalto: se o empresário Robert Civita for convocado pela CPMI, os meios de comunicação declaram uma guerra sem limites contra o governo.

É de lamentar que a Rede Globo não tenha a coragem de publicar essa posição política nos editoriais dos seus jornais e divulgá-la em seus telejornais.

Caso os parlamentares da CPMI se rendam às pressões dos grupos empresariais da mídia, estarão sendo coniventes com práticas criminosas e institucionalizado duas categorias de cidadãos nesse país: os que podem ser convocados para depor numa CPMI e os que não devem ser convocados.

Há um enorme volume de informações e provas que atestam que setores da mídia estão envolvidos com atividades de organizações criminosas e que atentaram contra a democracia do nosso país. É inadmissível que os que participaram ativamente na organização criminosa, e dela se beneficiaram, não sentem no banco dos réus alegando, unicamente, a condição de serem patrões.

O Congresso Nacional instalou, atendendo os anseios da sociedade, uma CPMI para investigar as atividades do crime organizado com suas ramificações na mídia e nas três esferas da estrutura do Estado. Os parlamentares que compõe essa CPMI tem a responsabilidade de não frustrar a sociedade, apurar os fatos com profundidade e criar as condições para que seus responsáveis prestem contas à justiça, além de legar ao país uma legislação que, ao menos, iniba essa prática de jornalismo associado com o crime organizado. A Lei dos Meios de Comunicação é cada vez mais necessária e inadiável.

Os presos políticos palestinos e o papel dos intelectuais

Soraya Misleh e Murched Taha

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Neste momento, mais de 2 mil presos políticos palestinos – de um total aproximado de 5 mil, incluindo nove mulheres, 350 menores de 18 anos e 22 parlamentares – encontram-se nos cárceres israelenses. Denominados “prisioneiros administrativos”, sem acusação formal, estão em greve de fome há mais de 15 dias. Eles iniciaram esse movimento em oposição às detenções arbitrárias praticadas pelas forças de ocupação de Israel e as péssimas condições de tratamento a que são submetidos nos cárceres, como o isolamento dentro das celas e o confinamento em solitárias – alguns há anos nessa situação -, a não permissão de estudar, receber visitas de parentes ou do próprio advogado de defesa. Prisioneiros originários da Faixa de Gaza estão proibidos de receber visitas dos parentes há mais de cinco anos. Humilhações, inclusive nas inspeções diárias, são praxe e a tortura, institucionalizada. Em clara violação das Convenções de Genebra e das leis internacionais, estão em prisões dentro de Israel, e não nos territórios palestinos ocupados. Alguns se encontram em situação crítica do ponto de vista da saúde.

As detenções arbitrárias vêm sendo utilizadas por Israel como forma de reprimir a população que se levanta contra a ocupação ilegal de suas terras e numa tentativa de silenciar a crítica desde a criação unilateral do estado sionista, em 15 de maio de 1948 – com a expulsão de cerca de 800 mil habitantes nativos árabes de suas terras e destruição de aproximadamente 530 aldeias, segundo escreve o historiador israelense Ilan Pappé em A história da Palestina moderna (Editorial Caminho, Lisboa, 2007).

Lamentavelmente, a mídia brasileira ou não dá qualquer notícia sobre o assunto ou, quando o faz, distorce totalmente a realidade. Neste último domingo (6 de maio), a Globonews veiculou reportagem em que classificava os palestinos detidos ilegalmente por Israel de terroristas. Nem as crianças, a maioria presa por participar de manifestações ou atirar pedras contra tanques quando tinha apenas dez ou 12 anos, escaparam.

A visão de um oriente repleto de bárbaros, incivilizados, incapazes de ter valores reais, que precisam ser dominados, ante um ocidente lógico e racional – denunciada pelo intelectual palestino Edward Said em sua obra Orientalismo – O Oriente como invenção do Ocidente (Companhia de Bolso, São Paulo, 2007) – está na raiz dessa cobertura. Como ocorre com os demais árabes, os palestinos são identificados com os “orientais”, enquanto Israel o é com os “ocidentais”. Os primeiros, portanto, ou são desumanizados ou invisibilizados.

Esse estilo de pensamento contribuiu para a limpeza étnica promovida na Palestina. É papel dos intelectuais que têm compromisso com a verdade denunciar esse estado de coisas e se colocar ao lado da justiça. Uma boa oportunidade de manifestar sua solidariedade é apoiar o movimento dos presos políticos palestinos, exigindo sua libertação imediata. Essa ação, somada a outras, como a adesão ao boicote acadêmico e cultural – aos moldes do que foi feito para pôr termo ao regime de apartheid na África do Sul -, pode pressionar Israel a cumprir as leis internacionais. Às vésperas da data que lembra a nakba (catástrofe) palestina de 1948, um passo importante rumo ao reconhecimento histórico fundamental para que se ponha fim a 65 anos de colonização e opressão em terras palestinas.

http://www.icarabe.org/artigos/os-presos-politicos-palestinos-e-o-papel-dos-intelectuais

A verdadeira controvérsia

Na Espanha, metade dos jovens está desempregada

Sílvio Guedes Crespo

Número do dia: 49%

É a taxa de desemprego entre jovens na Espanha

O desemprego na Europa está atingindo fortemente a população jovem, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Eurostat, o escritório oficial de estatísticas da região.

Enquanto a taxa geral de desocupação tem ficado em torno de 10% na zona do euro (em outubro, estava em 10,3%), entre os menores de 25 anos a proporção de desempregados está acima de 20% (21,4% na medição do mês passado). São 5,5 milhões de desempregados na União Europeia com menos de 25 anos, sendo 3,3 milhões deles na zona do euro.

Os jovens espanhóis são os que mais sentem o problema do desemprego, segundo o Eurostat. Praticamente metade deles (48,9%) está desempregada. Em Portugal, a taxa está em 30,4%.

Mesmo na França, segunda maior economia da zona do euro, o desemprego está alto entre jovens, atingindo 24,2%. De toda a Europa, apenas três países têm taxas abaixo de 10%: Alemanha, Holanda e Áustria.

Furada

Alcy Linares Deamo
São Paulo – SP

Não se fala sem gramática

Sírio Possenti

Talvez o preconceito linguístico mais óbvio seja uma afirmação corrente sobre a fala de algum grupo (jovem e/ou pouco escolarizado): eles falam de qualquer jeito (pretendo falar muito desse tema!). Trata-se de preconceito no sentido etimológico: um “pré-conceito”, ou seja, um conceito emitido antes da análise dos fatos.

As pessoas  têm, evidentemente, direito a seu gosto (musical, linguístico, culinário etc.). Assim, é legítimo que cada pessoa tenha sua preferência por sotaques (gostar mais de ouvir nordestinos do que de ouvir gaúchos ou mineiros, ou vice-versa) e por construções sintáticas (gostar mais de construções com cujo do que de construções que o contornam etc.).

Mas seria bom que ninguém pensasse simplesmente que seu gosto é o “certo”, porque esta posição, em geral, além de erro técnico, é prova de pouca cultura. Não é legítimo, do ponto de vista cultural, “falar mal” sem fundamento, desprezar sem analisar. Dou um exemplo radical, o emprego de “menas”.

A forma funciona como marca de pouca cultura. Além disso, foi associada a Lula, que a empregou em campanhas presidenciais. E foi critério para o julgamento de sua capacidade política. Muita gente teve ocasião de declarar que se tratava simplesmente de um erro, ou que “menas não existe”. Acontece que existe e só é erro em sentido não técnico, social.

A flexão está, por exemplo, registrada no dicionário Houaiss (que a analisa em termos duros):no Brasil, na linguagem coloquial desescolarizada, ocorre a forma deturpada menas (pron. indef.), em concordância de gênero com o subst. que se segue (menas confiança comigo, hein?)”.

Destaco a análise gramatical de Houaiss: menos concorda com o substantivo que a segue. Ou seja: ninguém diz, por exemplo, *menas dinheiro, *menas meninos, *menas gols. Só se ouvem expressões como menas maracutaia, menas comida, menas roupa etc. Em suma, sempre que a forma ocorre, cumpre-se rigorosamente a regra de concordância nominal.

A ciência, frequentemente, se debruça sobre casos selecionados. Não trata de tudo, mas de fatos exemplares. Eles comprovam, de certa forma, que as teses gerais são verdadeiras, ou, pelo menos, aceitáveis. Menas prova que os incultos também falam segundo regras rigorosas. A concordância mostra isso.

O caso menas, um dos mais marcados socialmente, deveria servir para que todos os preconceitos relativos à fala popular (desescolarizada) fossem combatidos. Pode-se continuar a não gostar da forma. O que não se pode – porque indica incapacidade de análise – é dizer que se trata de um erro. E que ele mostra que se fala de qualquer jeito.

Amigos do peito

Marcos Coelho Benjamin
Belo Horizonte – MG

Fatia da dívida atrelada à Selic cai a 27,8% é a menor desde 1997

Edna Simão e Thiago Resende

Valor Econômico – 23/03/2012

A dívida pública federal registrou, em fevereiro, a mais baixa participação de papéis atrelados à Selic e a mais elevada parcela de títulos atrelados à inflação e prefixados desde 1997. O prazo médio de vencimento da dívida também atingiu o período mais longo dos últimos sete anos, de 3,83 anos. O Tesouro Nacional deu um passo importante na desindexação da dívida à Selic, com a substituição de R$ 61,2 bilhões de Letras Financeiras do Tesouro (LFT) que estavam nas mãos de fundos extramercado (fundos de estatais e autarquias) por outros papéis.

Com isso, a parcela da dívida vinculada à taxa básica de juros recuou de 31,62% em janeiro para 27,84% no mês passado.

Na avaliação do coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Fernando Garrido, esse movimento continuou em março, fechando o mês entre 26% e 27%, ou seja, em linha com a meta do Plano Anual de Financiamento (PAF) de encerrar 2012 com uma participação entre 22% a 26%.

A contrapartida da substituição dos papéis atrelados à Selic foi o aumento da participação de prefixado (36,79%) e indexados aos índices de preços (31,36%) em fevereiro.

Para acentuar a redução dos títulos atrelados aos juros – cuja rentabilidade flutua ao sabor da política monetária – o Tesouro Nacional negocia com a Caixa e o Conselho Curador do FGTS a troca de cerca de R$ 40 bilhões em LFTs que estão na carteira do fundo com recursos do trabalhador. A ideia do governo é chegar a um acordo até o meio do ano.

A mudança na composição da dívida pública federal, conforme Garrido, provocou um alívio nos custos do Tesouro, seja porque a Selic está em queda, seja porque a inflação desacelera. O custo médio da dívida pública federal baixou no período de 12,44% ao ano para 12,20% ao ano.

O prazo médio da dívida pública também foi ampliado para 3,83 anos, o maior resultado da série do Tesouro Nacional, iniciada em 2005. Em janeiro, o prazo da dívida pública ficou em 3,78 anos.

Ao mesmo tempo em que acelera a substituição de títulos indexados à Selic por outros papéis, o Tesouro informou que nos dois primeiros meses do ano foram recomprados R$ 267,19 milhões (US$ 154,71 milhões) em títulos da dívida externa. O desembolso do governo foi de R$ 337,44 milhões (US$ 195,37 milhões).

No início de março, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, afirmou que poderia acelerar a antecipação de compra de dólares para pagamento de dívida externa para impedir uma valorização excessiva do dólar. Até 31 de dezembro, o governo tinha comprado antecipadamente US$ 7,4 bilhões, suficiente para pagar 49% da dívida externa total a vencer até 2015 (US$ 15,1 bilhões). Se quiser adquirir antecipadamente dólares para pagar dívida com vencimento superior a 1.500 dias, o Tesouro precisa alterar a resolução que fixou essa limitação.

No mês passado, a dívida aumentou 1,94%, a R$ 1,836 trilhão, sendo R$ 1,760 trilhão de dívida interna e R$ 75,85 bilhões (US$ 44,38 bilhões) de externa.

Após 75 dias em greve de fome, preso palestino corre risco de morte

EFE EM KHARAS (CISJORDÂNIA)

Dezenas de pessoas se aproximam diariamente da barraca da família Halahle, no povoado palestino de Kharas (perto de Hebron) para expressar apoio à greve de fome de seu filho Thaer, preso sem julgamento nem acusações em um centro de detenção israelense e que completa nesta sexta-feira 75 dias sem comer.

“Meu irmão Thaer está em uma situação crítica. Seu coração bate acelerado, seus músculos se contraíram e sangra pelas gengivas e lábios. Perdeu 30 quilos desde que parou de comer, pesava 85 e agora ficou com 55″, descreveu Maher Halahleh em entrevista à Agência Efe, rodeado de familiares e amigos que passam os dias na improvisada barraca recebendo visitas.

Manifestantes seguram cartazes com rostos dos presos palestinos Thaer Halahla e Bilal Thiab durante protesto em Jerusalém

Manifestantes seguram cartazes com rostos dos presos palestinos Thaer Halahla e Bilal Thiab em Jerusalém

A casa da família está repleta de bandeiras palestinas, fotos de Thaer e seu irmão Shaher (também preso e em greve há 25 dias) e uma grande bandeira da Jihad Islâmica que retiraram nesta sexta-feira para levá-la a uma marcha em apoio aos prisioneiros em Hebron.Mona Nedaf, advogada da associação de defesa dos prisioneiros Adamir, visitou nesta sexta-feira o detento, de 33 anos, e disse que ele está com pressão alta, febre e vomitando sangue. O médico da prisão lhe informou sobre uma infecção em parte do corpo e advertiu que “morrerá a qualquer momento” se não se alimentar.

A mãe de ambos, Fatima, diz estar “angustiada” com a situação e afirma se deitar a cada noite com o temor de perder algum de seus filhos.

“Só em Israel é permitido deixar alguém preso durante anos sem sequer acusá-lo de alguma coisa”, critica Fatima, referindo-se à “prisão administrativa” prevista pela legislação do Estado judaico, situação em que Thaer se encontra há dois anos e que o Exército israelense utiliza para deter palestinos por um prazo de seis meses prorrogável indefinidamente sem acusação formal.

PEDIDO DE VISITA

As autoridades israelenses rejeitaram os pedidos da família Halahle e das de outros grevistas para visitar os prisioneiros. Apesar da luta cansativa, os entes queridos buscam apoiar a causa que mais de mil presos palestinos promovem contra o Serviço de Prisões de Israel, já apelidado de “a batalha dos estômagos vazios”.

“Esta é sua única arma. A greve fará com que o mundo se dê conta de que nossos filhos devem ser libertados”, ressalta o patriarca dos Halahle, Ayish.

Thaer é, junto a Bilal Diab, o prisioneiro que está há mais tempo sem comer, mas há outros cinco que estão também em situação crítica: Hassan Safadi (68 dias), Omar Abu Shalal (66) Mohamad Taj (55), Mahmoud Sarsak (54) e Jaafar Azzedine (51), internados na enfermaria da prisão de Ramla, apesar dos apelos de organizações humanitárias para que sejam transferidos a um hospital civil.

Na mesma situação que estes sete, há entre 1.500l prisioneiros (segundo fontes israelenses) e 2.500 (segundo a Adamir) que iniciaram greve de fome no dia 17 de abril.

Alguns deles (muito poucos) alternam o jejum com a ingestão de alimentos de vez em quando, mas a maioria se nega a comer totalmente e recebe apenas água e sais minerais.

Alguns poucos rejeitam inclusive tomar água desde quarta-feira, segundo o jornal “Al Quds”, o que poderia provocar uma drástica e rápida piora de sua saúde.

O jornal informa que vários dos grevistas foram transferidos de suas prisões ao centro de confinamento solitário de Jalameh.

MAUS TRATOS

A Adamir denuncia represálias e maus-tratos das autoridades israelenses, como a cobrança de multas aos grevistas (de até R$ 200 diários), contínuas transferências de uma prisão a outra – durante as quais permanecem horas fechados em furgões -, agressões físicas, cortes de água corrente nas celas e a proibição de ver seus advogados e familiares. Israel, no entanto, nega as acusações.

Os grevistas exigem o fim das prisões administrativas e as penas de isolamento (que atingem 17 prisioneiros, alguns deles há uma década), uma melhora das condições de encarceramento, melhor atendimento de saúde e a possibilidade de receber visitas de familiares e de cursar estudos a distância, entre outros.

O último preso palestino falecido por causa de uma greve de fome foi Hassan Abidat, em 1992. De acordo com a Adamir, houve casos anteriores: um em 1984, três em 1980 e o primeiro em 1970.

Representantes dos prisioneiros se reuniram nesta quinta-feira com as autoridades israelenses para negociar uma solução ao conflito, informaram a agência de notícias palestina “Ma’an” e o jornal israelense “Ha’aretz”. Ambos indicam, no entanto, que o debate se limitou ao fim das penas de isolamento e a autorização de visitas de familiares de presos da faixa de Gaza, atualmente proibidas.

Outro recorte

Luiz Antonio Solda
Curitiba – PR

Povo Awá-Guajá: continuam as ameaças ao povo e a seu território

Em vista da recente campanha internacional em defesa do povo Awá-Guajá, lançada pela organização Survival Internacional, que conta com nosso apoio, vimos reiterar que persistem as ameaças ao povo Awá-Guajá e a seu território. Dentre estas, destacamos:

1. O desaparecimento acelerado de suas florestas e, consequentemente, da fauna, vem causando mudanças violentas na cultura e no modo de vida dos Awá-Guajá. Podemos imaginar como caçadores e coletores podem viver sem a floresta? As operações policiais até então realizadas só confirmam que as terras Araribóia, Awá, Caru, Turiaçu e a Reserva Biológica do Gurupi, são fontes de toda a madeira que abastece serrarias, localizada em municípios no entorno dessas terras. Isso prova também que planos permanentes de vigilância devem ser imediatamente implantados.

2. A ausência de políticas públicas específicas de saúde e de proteção de suas florestas, de apoio ao seu modo de economia tradicional de caça e coleta, como também a ausência de assistência diferenciada por parte da Funai, visto tratar-se de povo indígena de recente contato, são também ameaças à integridade dos Awá-Guajá;

3. O último ataque sofrido por este povo em 2011, sendo mundialmente divulgado e confirmado em janeiro de 2012 por uma equipe de defensores;

4. Pelas condições de vulnerabilidade de sua população contatada frente aos madeireiros e a ausência total do Estado. Vários idosos já morreram e muitos estão debilitados por doenças causadas por subnutrição, como a tuberculose. Mais de seis pessoas, em sua maioria jovens, são acometidos por uma doença que se assemelha a epilepsia. Um estudo técnico/cientifico poderá esclarecer as causas; que acreditamos, estejam relacionadas às violentas mudanças impostas ao povo;

5. A grande violência do Projeto Carajás. São verificados impactos sobre sua cultura, seu território e suas florestas. A ferrovia Ferro-Carajás, que corta o território indígena, está sendo ampliada o que resultará em mais lucros para a VALE. Já o povo Awá-Guajá continua sem atendimento mínimo na área de saúde. Mais um povo vítima do ‘progresso’ e do engodo dos programas compensatórios.

O processo de judicialização do procedimento demarcatório da terra indígena Awá teve início na década de 1980, e vinha impedindo a retirada de invasores do território indígena. Tal impedimento não mais existe. É urgente, portanto, empreender providências no sentido de retirar tais ocupantes para que a terra seja finalmente devolvida aos Awa-Guajá e, posteriormente, recomposta sua flora.

Os territórios habitados pelos Awá-Guajá são os mais desmatados na Amazônia Legal. Mas ainda é possível salvar e preservar o que resta dessa riqueza biológica presente no estado do Maranhão.

Diante de tal realidade, o Cimi convida toda a sociedade a solidarizar-se com esta causa e atender ao apelo da campanha, solicitando ao ministro da Justiça que seja imediatamente implantado um plano permanente de vigilância e proteção das terras habitadas pelos Awá-Guajá; e que os invasores sejam imediatamente retirados do território indígena.

Para maiores informações e participação na campanha, acesse: http://www.survivalinternational.org/pt/awa.

Brasília, DF, 27 de abril de 2012.

Cimi – Conselho Indigenista Missionário

Convite para lançamento do livro Patrimônio Natural 3 Roteiros em São Paulo

Caros amigos:

Segue convite para lançamento do livro Patrimônio Natural 3 Roteiros em São Paulo.

Dia 22 de maio, as 19:00 hs. Livraria Cultura do Bourbon Shopping.

Abraços.

Simone Scifoni

Profa. Depto de Geografia/FFLCH/USP

Palhaçada

Francisco Caruso
São Paulo – SP


Encare as adversidades

Estimule a mente e crie novas dinâmicas para enfrentar os desafios. determinação, perseverança e foco aliados ao autoconhecimento e à autoestima são primordiais para enfrentar as sensações negativas

Eduardo Shinyashiki

A tendência do cérebro é sempre buscar a rotina, pois ele é naturalmente configurado para gerar uma série de repetições. Por conta disso, em algumas situações de mudança, os medos são inevitáveis, como buscar um emprego, iniciar um relacionamento ou enfrentar um novo desafio na empresa em que já atuamos. Como, então, encarar essas sensações que surgem no cotidiano sem receios? Antes de tudo, precisamos entender que toda novidade traz sempre três sensações básicas negativas: inadequação, ridículo e desvalorização. Provavelmente você já passou por uma situação em que ficou exposto a essas sensações.

Mudar de emprego ou obter uma posição melhor na empresa é o objetivo de muitos, mas quantos realmente se dispõem a alcançar essa meta? Existem pessoas que, antes mesmo de tentar, focam nas dificuldades e duvidam da própria capacidade, ou seja, limitam a visão aos pontos negativos e desistem de antemão. Afinal, a atual situação transmite a sensação de maior estabilidade, pois não exige esforço necessário para romper barreiras de verdades aceitas.

A sensação de inadequação, por exemplo, é muito comum nos tímidos, que por medo da exposição e de se sentirem desvalorizados diante de outras pessoas, alimentam a postura reservada. É o mesmo caso daquele funcionário que se destaca por seus bons resultados, porém em uma reunião externa some. O medo de ser questionado, como “O que você acha disso?” ou “Quais são suas sugestões para que façamos isso?”, imediatamente faz o indivíduo ter a sensação de uma possível rejeição. Para evitar isso, por mais que domine o assunto, ele configura o seu pensamento para ficar invisível em situações consideradas de grande exposição. Afinal de contas, pensa, “é melhor passar despercebido do que ser exposto, pois o que importa são as metas batidas”.

 

COM ATENÇÃO DIRECIONADA E INTENÇÃO CONSCIENTE CRIAMOS UMA REPRESENTAÇÃO MENTAL TÃO REAL DAQUILO QUE QUEREMOS QUE COMEÇAMOS A FORMAR NO CÉREBRO NOVAS CONEXÕES

 

Outra consequência da inadequação é o receio frequente do abandono. Dentro da memória inconsciente encontramos traumas do passado, experiências dolorosas e limitadoras, feridas não cicatrizadas que precisamos trazer à consciência, cuidar e curar, às vezes, com a ajuda de um profissional especializado, pois são capazes de sugar nossa energia vital necessária para as mudanças. É como passar por um relacionamento que não deu certo e carregar apenas as lembranças ruins. Com esse cenário em mente, a pessoa cria barreiras que vão matando a intensidade do amor, até que ele deixe de existir. A trajetória faz você destruir aquilo que deseja por trazer à tona apenas os pontos negativos do relacionamento anterior.

A sensação é inevitável e involuntária. O importante é criar ferramentas que ajudarão a enfrentar as situações de frente, pois quando a pessoa não mantém o foco no objetivo, ela gera a desmotivação e esfria o ímpeto de atingir o resultado. Com isso, sem que perceba, aos poucos o compromisso com o sonho cai no esquecimento e deixa de ser uma prioridade. Quem opta por seguir esse caminho geralmente não evolui, pois não consegue interpretar o cenário e acaba por escolher apenas pelos padrões conhecidos, que o condiciona a encontrar aquilo que está habituado a enxergar, como, em muitos casos, as possibilidades de fracasso e sofrimento. Para mudar não há fórmulas mágicas, mas precisamos utilizar ao máximo a nossa vontade consciente, direcionar a nossa atenção para o novo comportamento e ter uma prática mental e física persistente, constante e repetitiva para deixar novos traços permanentes em nosso cérebro. Muitas vezes, fazemos poucas e fracas tentativas e, logo em seguida, desistimos.

Com atenção direcionada e intenção consciente criamos uma representação interna, uma imagem mental, daquilo que queremos, tão real que começamos a formar no nosso cérebro novas conexões, que serão depois arquivadas como lembranças e que ficam à disposição para ser utilizadas quando necessário. Nesse momento, a mudança visualizada na mente está fisicamente presente no cérebro. Do imaginar, passamos ao fazer e aos exercícios de atos voluntários que vão dirigir a pessoa ao início do caminho que quer realmente percorrer. E, finalmente, alcançar com mais naturalidade a transformação desejada. Como podemos ver, trata-se de um processo de transformação e não apenas uma mudança rápida e brusca de atitude.

A nossa memória inconsciente nos “obriga”, muitas vezes, a pensar e agir de forma automática. Por isso, não é fácil mudar. É importante estar disposto a se conhecer, desmontar a sensação de repetição que estamos condicionados e manter a motivação. Focar nos objetivos com a predisposição de enfrentar o desconhecido de forma positiva é o primeiro passo. Exercitando a nossa mente, focando a atenção nos pensamentos e nas imagens mentais que queremos, sentindo a emoção envolvida, modelamos e reorganizamos as nossas células cerebrais como se estivéssemos fazendo realmente aquelas ações. Invista mais no inesperado se quiser resultados diferentes para questões antigas, a resposta do que fazer estará sempre em você.

Eduardo Shinyashiki é consultor organizacional, escritor e especialista em Desenvolvimento das Competências de Liderança e Preparação de Equipes. Especializado em Preparação Psicológica de Equipes de Alto Rendimento com o dr. Octavio Rivas Solis e em Leitura Corporal com o dr. José Angelo Gaiarsa.
www.edushin.com.br

 

Em breve nas melhores cidades

Marcos Coelho Benjamin
Belo Horizonte – MG

Como preparar uma crise institucional

Luis Nassif*

No dia 1º de setembro de 2008, os ministros Gilmar Mendes, Cezar Peluso e Carlos Ayres Britto saíram da sede do STF (Supremo Tribunal Federal) atravessaram a Esplanada dos Ministérios e entraram no Palácio do Planalto para uma reunião com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Foi uma reunião tensa, a respeito da suposta conversa grampeada entre Gilmar e o senador Demóstenes Torres. Os três ministros chegaram sem nenhuma prova concreta sobre a autoria ou mesmo a existência do tal grampo. Mas atribuíam-no irresponsavelmente à Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e exigiam de Lula providências concretas.

No auge da reunião, Gilmar blasonou: “Não queremos apenas apuração, mas punição”.

Bastaria Lula ter perdido a paciência e endurecido o jogo para criar uma crise institucional sem precedentes, entre o Supremo e o Executivo. Sua habilidade afastou o risco concreto de uma crise institucional, à custa do sacrifício do diretor-geral da Abin, delegado Paulo Lacerda, afastado enquanto durassem as investigações.

Tanto no Palácio como na Polícia Federal e no Ministério Público Federal sabia-se que o grampo, se existiu, não havia partido da Abin nem da Operação Satiagraha, já que nenhum dos dois – Demóstenes e Gilmar – eram alvo de investigação.

Foi aberto um inquérito na PF que concluiu pela não existência de qualquer indício, por mínimo que fosse, de que o grampo tivesse existido.

O país esteve à beira da mais grave crise institucional pós-redemocratização devido a uma conspiração envolvendo Demóstenes Torres-Carlinhos Cachoeira, a revistaVeja e, direta ou indiretamente, o Ministro Gilmar Mendes.

Pouco antes do episódio, o assessor da presidência, Gilberto Carvalho, foi procurado por repórteres da revista com a informação de que ele também havia sido grampeado. Descreviam diálogos que teria tido com interlocutores.

A intenção era criar um clima de terror, passar ao governo a impressão de que a Abin e a Satiagraha haviam saído de controle e estavam espionando as próprias autoridades. E, com isso, obter a anulação da operação que ameaçava o banqueiro Daniel Dantas.

É bem possível que os tais diálogos de Gilberto tenham sido gravados pelo mesmo esquema Veja-Cachoeira que forjou um sem-número de dossiês, muitos deles obtidos de forma criminosa e destinados ou a vender revista, impor o medo nos adversários, ou a consolidar o império do crime do bicheiro.

Durante anos e anos foi um festival de assassinatos de reputação, de jogadas pseudo-moralistas visando beneficiar o parceiro Cachoeira.

A revista tentou se justificar, comparando essas jogadas ao instituto da “delação premiada” – pelo qual promotores propõem redução de pena a criminosos dispostos a colaborar com a Justiça. No caso de Cachoeira, suas denúncias serviam apenas para desalojar inimigos e reforçar seu poder e o poder da revista.

Esses episódios mostram o poder devastador do crime, quando associado a veículos de grande penetração.

É um episódio grave demais, para ser varrido para baixo do tapete.

(*) Jornalista. Publicado originalmente no site Carta Maior

Quem escolhe?

Ivan Fernandes
Rio de Janeiro – RJ

Polícia não quis investigar a fundo morte de Celso Daniel, diz promotor do caso

Guilherme Balza
Do UOL, em São Paulo

O júri de cinco acusados pela morte de Celso Daniel, um dos crimes mais misteriosos da história recente do país, será realizado nesta quinta-feira (10), no Fórum de Itapecerica da Serra (Grande São Paulo). Até agora, o único condenado pela morte do ex-prefeito de Santo André  foi Marcos Bispo dos Santos, que pegou 18 anos de prisão após condenação do júri em novembro de 2010.

Agora, serão julgados Elcyd Oliveira Brito, Itamar Messias da Silva Santos, Ivan Rodrigues da Silva, José Edison da Silva e Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira. Todos faziam parte de uma quadrilha da favela Pantanal, na divisa da capital com Diadema. Eles são acusados de homicídio duplamente qualificado e podem ser condenados de 12 a 30 anos de prisão.

Irmãs de Celso Daniel, Maria Elizabeth Daniel (à esq.) e Maria Clelia Daniel Barretos, participam de missa de sete anos da morte do prefeito, que foi assassinato em Santo André, no ABC Paulista, em 2002 Marlene Bergamo/Folhapress – 20.01.2009

O inquérito policial que levou os acusados ao banco dos réus concluiu que a morte do ex-prefeito de Santo André (SP), em 18 de janeiro de 2002, no município de Juquitiba (também na Grande SP) foi um crime comum, resultado de um sequestro mal executado pela quadrilha.

O promotor de Justiça Roberto Wider Filho, que investigou a morte de Daniel, contesta a versão da polícia e afirma que o assassinato do ex-prefeito foi encomendado por uma quadrilha responsável por um esquema de corrupção na Prefeitura de Santo André, cujo objetivo era levantar recursos para financiar campanhas eleitorais do PT (Partido dos Trabalhadores). Para ele, a investigação policial foi “incompleta” e deixou de apurar as “verdadeiras razões da morte”.

QUEM FOI CELSO DANIEL

Celso Daniel nasceu em 16 de abril de 1951 em Santo André. Foi professor de economia e ciências sociais da FGV e PUC e participou da fundação do PT. Foi eleito prefeito de Santo André em 1989, 1997 e 2000, um ano antes de sua morte.

Em 1994, elegeu-se deputado federal com 97 mil votos. Pouco antes de morrer, havia sido escolhido paracoordenar a campanha Lula à Presidência. Era cotado para ser um dos ministros do primeiro escalão do governo de Lula.

O Gaeco (Grupo de Atenção Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público do ABC sustenta que um dos mandantes do crime é o empresário Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”, amigo de Celso Daniel e uma das figuras mais importantes dentro da quadrilha de Santo André –ele deverá ir a júri popular ainda neste ano em um processo diferente, já que responderá por homicídio triplamente qualificado.

Segundo o MP, o grupo arrecadava dinheiro por meio da extorsão de empresas de transporte, coleta de lixo e obras públicas, que eram coagidas a pagar uma “caixinha” todo mês. Só com as empresas de ônibus a quadrilha estaria levantando R$ 100 mil por mês. Mas, a galinha dos ovos de ouro do esquema, diz Wider Filho, eram as empresas que operavam radares de trânsito, com as quais os corruptores arrecadavam até R$ 50 milhões por mês.

Para o Gaeco, a morte do ex-prefeito foi resultado de um “desarranjo” no interior da quadrilha: a tese da promotoria é que Daniel sabia e participava do esquema de corrupção em Santo André, mas decidiu impor limites ao perceber que os desvios tinham também como finalidade engordar as contas pessoais, e não só as do partido.

Por participação no esquema, o MP moveu uma ação civil pública contra Sombra, o então secretário de Serviços Municipais Klinger Luiz de Oliveira, os empresários Ronan Maria Pinto, Luiz Marcondes Júnior e Humberto Tarcísio de Castro. Até hoje eles não foram julgados pelas denúncias.

José Dirceu, na época presidente do PT, e Gilberto Carvalho, então secretário de governo em Santo André e braço direito de Celso Daniel, hoje secretário-geral da Presidência da República, não foram investigados pelo MP por força de uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de 2004, na qual o ex-ministro Nelson Jobim considerou que a promotoria não pode realizar investigações criminais.

Em entrevista ao UOL, Wider Filho falou sobre as investigações da morte de Celso Daniel e conta como funcionava o suposto esquema de corrupção em Santo André.

UOL – Qual a tese do Ministério Público para a morte de Celso Daniel?
Roberto Wider Filho - 
O que nós apuramos foi a participação do Sérgio Gomes da Silva [o Sombra, amigo de Celso Daniel], que já era apontado em Santo André como o encarregado por um esquema de corrupção e concussão na prefeitura. Identificamos um elo entre esse esquema e a morte do Celso Daniel. O Sérgio foi um dos mandantes da morte em decorrência de um desarranjo no esquema de corrupção. A morte do ex-prefeito foi a mando, não foi um homicídio aleatório, como diz a Polícia Civil. Para a polícia, o sequestro foi aleatório: escolheram qualquer um na rua e por azar pegaram o prefeito. Isso ficou completamente descaracterizado na investigação e na Ação Penal que se seguiu. Verificamos que o Sérgio participou e que o crime foi premeditado.

ENTENDA O CASO

Celso Daniel foi encontrado morto em 20 de janeiro de 2002, em uma estrada de terra de Juquitiba, após receber 11 tiros. A morte ocorreu dois dias depois de ter sido sequestrado no trajeto entre uma churrascaria na capital e Santo André.

No momento do sequestro, o ex-prefeito estava dentro de seu carro, que era blindado, acompanhado do empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, seu amigo e segurança, que dirigia o veículo. Os sequestradores fecharam o carro de Daniel com outros três veículos e levaram apenas o ex-prefeito, deixando Sombra no local. Antes de matar o ex-prefeito, os sequestradores o mantiveram em cativeiro na favela Pantanal, na divisa entre São Paulo e Diadema.

O caso já foi reaberto duas vezes, investigado pelo Ministério Público, pela Polícia Civil e até pela CPI dos Bingos, em Brasília. Investigação do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) concluiu que seis pessoas participaram do crime, entre elas um menor. Para a polícia, os acusados sequestraram Daniel por engano, já que estavam planejando o crime contra outra pessoa.

O Ministério Público contraria a versão policial e sustenta que a morte foi encomendada por uma quadrilha que atuava na Prefeitura de Santo André extorquindo empresários com objetivo de arrecadar dinheiro para campanhas eleitorais do PT. Para o MP, a investigação policial foi incompleta e não apurou quem foram os mandantes do crime, que para a promotoria foi Sombra, um dos líderes do esquema.

Segundo o MP, Daniel foi morto ao perceber que o dinheiro desviado pela quadrilha também estava sendo utilizado para o enriquecimento dos integrantes, e não só para fins partidários, e decidir impor limites à atuação da quadrilha.

Pelo menos sete pessoas, entre testemunhas e outros envolvidos no crime, morreram após a morte do ex-prefeito –sete delas vítimas de homicídio. O único condenado –a 18 anos de prisão– pela morte de Daniel foi Marcos Bispo dos Santos. O júri de Sombra deve ocorrer ainda este ano. O MP denunciou seis pessoas, entre empresários e secretários de governo, por participação no esquema de corrupção, mas a Justiça rejeitou as denúncias.

UOL – Por que, então, a investigação policial concluiu que ocorreu crime comum?
Wider Filho -
 A apuração policial foi muito útil porque identificou a quadrilha responsável pela morte, que é a da favela Pantanal [na divisa entre São Paulo e Diadema] –são os que vão ser julgados agora. Mas a investigação se encerrou prematuramente. Eles não avançaram na investigação até para verificar se a versão dos integrantes da quadrilha era correta –e não era. Os integrantes da quadrilha disseram que perseguiram o empresário desde o Ceagesp [zona oeste de São Paulo]. Quebramos o sigilo telefônico da quadrilha e verificamos que não houve essa perseguição, que os integrantes ficaram o tempo todo na avenida Dr. Ricardo Jafet [zona sul]. A Polícia Civil sequer analisou o exame necroscópico do prefeito. Um adolescente admitiu ter sido o executor da morte, e foi feita até reconstituição, mas sem que houvesse o exame de corpo de delito. Pedimos o exame do cadáver do prefeito, para confirmar se a versão do adolescente batia com as agressões no corpo do prefeito, e o laudo de exame necroscópico. Havia incoerências grandes. Ouvimos esse adolescente várias vezes, e, no final, ele admitiu que não foi o executor. A polícia aceitou passivamente a confissão dos integrantes da quadrilha. Não se aprofundou nos verdadeiros motivos e razões da morte.

UOL – Como foram as tentativas de reabertura das investigações policiais?
Wider Filho - 
Nós tentamos contar com o apoio da polícia durante todo o tempo. Fizemos uma investigação preliminar e, logo que essa investigação apontou novos elementos, fomos no DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa). Foi instaurado um inquérito complementar e nomeado um novo delegado, o Luiz Fernando. Começamos a fazer diligências em conjunto, mas o DHPP sempre mostrou uma resistência muito grande. Chegou ao ponto de testemunhas levadas pelo MP serem intimidadas no DHPP. Parece-me que a Polícia Civil insiste na tese de crime comum por uma questão de honra, para provar que a tese deles estava certa. Em nenhum momento dissemos que a investigação estava errada, mas ela foi interrompida antes da obtenção dos resultados mais importantes.

UOL – A investigação do MP detectou o envolvimento de pessoas ligadas ao PT no planejamento da morte de Celso Daniel?
Wider Filho - 
Identificamos o Sérgio [Sombra] como sendo um dos mandantes. Embora existam indícios da participação de outras pessoas na quadrilha de Santo André, não conseguimos aprofundar as provas e não tivemos elementos para oferecer denúncia contra elas. Se não consegui prova suficiente para oferecer denúncia, não posso imputar nada contra essas pessoas. Seria uma irresponsabilidade minha.

UOL – O senhor acha que essa investigação precisa ser retomada pela polícia?
Wider Filho - 
Existem algumas questões que podem ser investigadas. Depois da conclusão do inquérito complementar, fizemos outro pedido, tempos depois, para a retomada do caso. Foi indicada a delegada Elisabete Sato, na época do 78º DP (Jardins). Pedimos que fossem feitas nove diligências. Também a doutora Sato, prematuramente, relatou o inquérito –com uma posição surpreendente, cometendo vários erros no relatório, um trabalho que não é do histórico dela– reafirmando a tese do DHPP. Nós acreditamos que houve uma pressão do DHPP para que ela fizesse isso, porque a investigação dela caminhava num rumo bom. Entre outros elementos na investigação dela, colheu-se provas de que dinheiro de corrupção foi encontrado dentro do apartamento do Celso Daniel. Isso era uma prova relevante que demonstrava esse desarranjo no interior da quadrilha.

UOL – Como funcionava o esquema de corrupção em Santo André? Qual a ligação da quadrilha com a morte do ex-prefeito?
Wider Filho - 
Existia uma quadrilha que fazia arrecadação destinada a financiamento de campanhas eleitorais do PT. Em um determinado momento, Celso Daniel descobre que boa parte desses recursos eram desviados para o enriquecimento pessoal dos integrantes dessa quadrilha. Com isso, ele não concordava. Havia secretários do PT, filiados ao partido, que eram integrantes da quadrilha, mas a investigação para outros integrantes do partido foi cerceada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que impediu que a gente investigasse o José Dirceu, o Gilberto Carvalho e a destinação final desses recursos. Nós não podemos investigar, nem a Polícia Federal, que era a instância competente. Depois eu tentei retomar essa investigação e o ministro Eros Grau, também atendendo a uma reclamação do José Dirceu, impediu. Então a gente nunca conseguiu fazer essa investigação. Portanto, não posso falar nada sobre o que eu não investiguei. Mas existe uma reclamação nossa no STF para investigarmos o José Dirceu que ainda não foi julgada.

ENVOLVIDOS QUE MORRERAM AO LONGO DAS INVESTIGAÇÕES

Dionísio Aquino Severo - Suposto sequestrador de Celso Daniel e uma das principais testemunhas no caso, foi morto por uma facção rival antes de ser ouvido sobre o crime
Sergio ‘Orelha’ - Teria escondido Dionísio após o sequestro. Foi fuzilado em novembro de 2002
Otávio Mercier - Investigador da Polícia Civil que telefonou para Severo na véspera da morte de Daniel, foi morto a tiros em sua casa
Antonio Palácio de Oliveira - O garçom que serviu Celso Daniel na noite do crime morreu em fevereiro de 2003 após ser perseguido em sua moto
Paulo Henrique Brito - Testemunhou a morte do garçom e foi morto com um tiro nas costas, 20 dias depois
Iran Moraes Redua - O agente funerário foi o primeiro a identificar o corpo de Daniel e chamou a polícia. Morreu com dois tiros em novembro de 2004
Carlos Alberto Delmonte Printes - Médico-legista que constatou indícios de tortura ao examinar o corpo de Daniel

UOL – O que foi esse “desarranjo na quadrilha” que o senhor menciona?
Wider Filho - 
Quem levava o dinheiro da quadrilha para o partido era o Gilberto Carvalho. Quem arrecadava era o Ronan Maria Pinto [empresário do ramo de transportes e das comunicações] e o Sérgio [Sombra]. De repente, o dinheiro foi parar no próprio apartamento do Celso Daniel, o que demonstra como ele tinha desconfiança do funcionamento daquela quadrilha. Para ele, o dinheiro deveria ter como destinação exclusiva o financiamento de campanha eleitoral. Ele continuou arrecadando, mas o dinheiro não circulava como anteriormente. Essa investigação foi realizada pela Elisabete Sato, e, infelizmente, não teve prosseguimento. Existem outros elementos a serem investigados e aprofundados, inclusive com relação a outros mandantes, mas, fora o cerceamento que houve no Supremo, nós também tivemos problemas com a polícia.

UOL – Além do DHPP, mais alguém fez pressão sobre a Polícia Civil para não investigar o caso corretamente?
Wider Filho - 
Houve uma interferência muito grande do então deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT). Ele foi indicado pela Comissão de Direitos Humanos do Congresso para acompanhar a investigação. E o que ele desenvolveu na investigação não foi um acompanhamento passivo. Temos notícias de que, inclusive, ele orientava parentes de Celso Daniel a como prestar depoimento. Então isso é uma interferência censurável. Eu acho que o partido não deveria colocar um deputado para fazer um acompanhamento com o intuito de desviar o foco da investigação.

UOL – Sete testemunhas da morte de Celso Daniel foram mortas. Como foram as investigações desses crimes? Os autores foram presos?
Wider Filho - 
Algumas dessas mortes têm uma relação bem próxima do caso, principalmente a do Dionísio [Aquino Severo, um dos sequestradores do ex-prefeito], que fugiu da delegacia de Guarulhos em data próxima da morte do Celso Daniel. Depois do crime, ele foi recapturado em Taboão da Serra (SP) e declarou para o delegado Romeu Tuma Júnior que, sobre o caso Celso Daniel, só se manifestaria em juízo. Dias depois, ele foi assassinado no CDP (Centro de Detenção Provisória) da Penha enquanto estava no parlatório com o José Edison da Silva, um dos integrantes da quadrilha que nunca prestou depoimento para nós e é um elo importante do caso. Os dois estavam no parlatório, só os dois, quando os presos se rebelaram e mataram o Dionísio. Houve a identificação dos presos que participaram da morte dele –eu mesmo ofereci denúncia. A morte estava relacionada com uma organização criminosa [PCC], e a ordem vinha da facção, e a investigação da polícia não avançou, não foi para cima, só limitou a identificar entre os detentos aqueles que participaram. O curioso é que, uma semana depois da morte do Dioniso, ligaram para o Ivan Rodrigues da Silva, o chefe da quadrilha da favela do Pantanal, e perguntaram se era pra matar o José Edison também. É uma questão curiosa: por que o Ivan mataria um integrante da quadrilha dele, sendo que os dois participaram do homicídio do Celso Daniel? Acredito que essa morte tenha relação direta com a morte do ex-prefeito, mas não houve uma apuração nesse sentido.

UOL – A quadrilha da favela do Pantanal pertencia ao PCC (Primeiro Comando da Capital)?
Wider Filho - 
A quadrilha não era do PCC. O chefe [Ivan] tinha ligações com o PCC, mas não era integrante da facção.

UOL – E as outras mortes de testemunhas?
Wider Filho - 
A segunda morte que tem uma ligação é do Sergio “Orelha”, que foi quem recebeu o Dionísio logo após a fuga da prisão. O Dionísio participou de uma reunião em que ele mencionou que iria participar do sequestro do Celso Daniel e que o Sérgio [Orelha] iria colaborar. Ele disse, inclusive, que o pagamento seria feito no momento do sequestro, com uma bolsa de dinheiro. Essa referência da bolsa com dinheiro depois foi confirmada em uma diligência feita pela CPI dos Bingos. Os senadores Magno Malta e Eduardo Suplicy ouviram uma testemunha que narrou que depois do arrebatamento do prefeito alguém retornou até o carro, abriu a porta de trás, pegou a bolsa e saiu. O corpo do Sérgio Orelha foi colocado dentro de um veículo que foi queimado. Não se apurou a autoria desse crime. As outras mortes não tem um vínculo direto com a execução do crime. São mortes de testemunha, como um investigador de polícia que manteve um contato muito longo por telefone com o Dionísio na véspera do crime. Nós o ouvimos e ele disse que não tinha nenhuma relação com a morte do Celso Daniel. Ele foi morto um mês depois.

UOL – O senhor acha que nesse júri algum dos acusados pode revelar alguma novidade?
Wider Filho -
 Eles já foram ouvidos muitas vezes. Nós mesmos os ouvimos diversas vezes porque queríamos esclarecer detalhes. Quando eles confessaram o crime, havia coisas muito obscuras, controvertidas, na confissão. Depois eles foram ouvidas pela CPI mais de uma vez, assim como pela Polícia Civil. Acho muito pouco provável que elas tragam para o plenário uma questão nova. Até acho que eles têm informação, principalmente o José Edison, mas a vontade deles de falar sobre o caso já foi bem determinada nas oitivas que fizemos.

UOL – O MP investigou algo sobre a morte do perito Otávio Mercier, que disse que o Celso Daniel foi torturado antes de ser morto?
Wider Filho - 
O depoimento do perito foi muito importante para a instrução do processo. Em primeiro lugar, ele fez um laudo, e houve uma dificuldade enorme para obtermos o próprio laudo que ele produziu. Esse laudo só foi juntado ao processo depois que os promotores participaram da investigação e mesmo assim com muita insistência. O laudo menciona que o Celso Daniel sofreu torturas, mas não deixa bem claro a espécie de tortura que ele sofreu. Depois, ouvindo o perito, ele consegue descrever a dinâmica da tortura pelas lesões que o ex-prefeito foi submetido. Ele sofreu queimaduras circulares nas costas que provocaram marcas compatíveis com as produzidas por armas de fogo. O Celso Daniel também apresentava ferimentos de estilhaços de projéteis na região da axila e da perna direita. Provavelmente ele foi deitado de barriga para baixo e alguém o torturou o ameaçando de morte, efetuando disparos do lado do corpo dele e fazendo queimaduras com essa arma. Isso é uma tortura clássica, realizada para obter informação. Não é uma tortura natural de um crime de sequestro, como a Polícia Civil sustenta. Em um sequestro comum, o tipo de tortura é para que a vítima perca a vontade. Eles deixam a pessoa nua, fazem tortura psicológica para que a vítima não queria fugir, não grite, não dê trabalho no cativeiro. Quanto mais quieta, mais seguro é o cativeiro para os bandidos. Já essa tortura de simular a morte do sequestrado você deixa a pessoa irrequieta. Não tem nenhuma compatibilidade com o sequestro comum, porque isso não vai obter maior vantagem financeira para os sequestradores. Disso nós estamos certos: o Celso Daniel foi submetido uma tortura clássica destinada à obtenção de informações.

UOL – Por qual motivo ele foi torturado?
Wider Filho - 
Que informações a quadrilha queria e quem torturou, não conseguimos esclarecer. Não houve nenhum testemunha presencial e ninguém que tivesse indicado isso. Talvez um dos caminhos possíveis seria a investigação barrada pelo STF para descobrir que caminho tomaram os recursos obtidos por meio de corrupção em Santo André. Foi tudo gasto? Existia algum recurso em conta secreta? Quem tinha acesso a essa conta? São questões que não foram solucionadas que talvez explicassem a razão da tortura, mas infelizmente o MP foi cerceado da obtenção de várias informações que seriam muito úteis para a solução do homicídio e do esquema de corrupção.

UOL – Como o MP avalia a atuação da Polícia Federal nesse caso?
Wider Filho - 
A PF até trouxe uma testemunha pra gente, mas teve uma atuação muito tênue nesse caso. Fizeram uma coisa marcante, que foram as escutas da quadrilha e de outros integrantes do PT logo depois da morte do Celso Daniel. Mas essas escutas foram obtidas com um “vício”: em vez de a PF informar o Judiciário que as escutas foram feitas para investigar a morte do Celso Daniel, eles colocaram no pedido como se fosse para apurar tráfico de drogas e inseriram os telefones. Com isso, escutas foram consideradas viciosas e jamais puderam ser usadas pelo MP validamente. Nos não utilizamos, nem tomamos conhecimento num primeiro momento. Só depois que essas fitas foram localizadas nós tomamos conhecimento. A atuação da PF não foi abrangente e trouxe esse vício que nos causou prejuízo.

UOL – Essas fitas foram descartadas?
Wider Filho -
 Elas tiveram uma longa história. O juiz Rocha Mattos [preso na Operação Anaconda] mandou destruir essas fitas. Elas foram apreendidas no MP e destruídas. Mas ele tinha um segundo lote, com cópias, e essas fitas acabaram indo para a CPI dos Bingos. Depois tivemos acesso às fitas, mas não há como utilizá-las porque paira sobre elas dúvidas sobre a legalidade. Não tem porque usarmos uma prova ilícita que pode contaminar todo o processo. Além disso, não sabemos se o lote que foi apresentado é completo.

UOL – Essas gravações ajudariam a esclarecer algumas questões relacionadas ao crime e ao esquema de corrupção em Santo André?
Wider Filho - 
Algumas questões sim. Mas não sabemos nem se o lote divulgado traz o conteúdo completo das gravações, nem se elas estão inteiras. Teríamos que pegar as grades dos telefones interceptados, o histórico das chamadas e verificar se há correspondência do histórico, porque quem colheu essas provas pode muito bem ter separado um pedaço de outro. A escuta quando envolve oponente político é muito delicada. Acho que tudo deveria ser remetido para o Judiciário, que deveria ser o guardião do material. E depois a polícia trabalhar com o material fornecido pelo Judiciário. Nesse caso há suspeita de que nem todos os áudios tenham sido revelados. É uma questão muito controversa. A decisão do Rocha Mattos pela destruição imediata das fitas foi tomada antes que pudéssemos recolher. O MP recorreu com uma liminar, mas quando obteve a liminar ela já estava prejudicada porque ele já havia destruído as fitas. Mas não se sabe se as fitas que ele divulgou posteriormente são a totalidade das gravações.

Eleições na Grécia: grande derrota do FMI, e grande vitória da Auditoria Cidadã da Dívida

www.auditoriacidada.org.br

A grande mobilização social contra as rigorosas medidas neoliberais impostas à Grécia pela Tróika – FMI, Banco Central Europeu e Comitê de Bancos Privados -, justificadas na crise “da dívida” pública naquele País – levou a uma grande derrota eleitoral dos partidos que defenderam tais políticas nefastas.

Apurados 99,94% dos votos do povo grego, o principal partido do país – o PASOK,  “Partido Socialista” que venceu as últimas eleições, mas vinha implementando as políticas do FMI e União Européia – sofreu violenta derrota: de 160 deputados atuais, deve passar a ter apenas 41 parlamentares!

Por outro lado, o Syriza – coalizão de partidos da esquerda radical, que impulsionou a Auditoria Cidadã da Dívida na Grécia – passará a ser a segunda força no Parlamento Grego, e deve subir de 13 para 52 membros! Uma das grandes vitoriosas do Syriza é a Deputada Sofia Sakorafa, que foi a parlamentar mais votada de Atenas.

Sofia Sakorafa havia sido expulsa do PASOK devido à sua recusa em votar a favor do acordo com o FMI em 2009. A coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lucia Fattorelli, encontrou-se com a deputada Sofia Sakorafa quando esteve na Grécia em maio/2011 participando de grande evento em Atenas, no qual apresentou a proposta de realização de uma auditoria da dívida naquele País. Em outubro/2011, Sofia Sakorafa esteve em Brasília e abrilhantou o Seminário Internacional “Alternativas de Enfrentamento à Crise”, organizado pela Auditoria Cidadã da Dívida e pelo CADTM, bem como a Audiência Pública realizada no Congresso Nacional em 6/10/2011.

Com o resultado das eleições, o grupo de partidos à esquerda do PASOK (composto por Syriza, KKE e DIMAR) aumenta fortemente sua representação, subindo dos atuais 34 para 97 parlamentares.

Tal mudança na conformação política do parlamento grego já está provocando o “nervosismo dos mercados”, com grandes quedas nas bolsas asiáticas, pois a coalizão que hoje governa o país – PASOK e a “Nova Democracia” – perdeu a maioria no Parlamento, e deve ocupar apenas 149 das 300 cadeiras. Desta forma, será bem mais difícil a manutenção das políticas impostas pela “Troika”, tais como o corte de gastos sociais com saúde, educação, assistência, entre outros; as reformas da previdência, demissões em massa, ente outras, que têm levado o povo grego a tragédias inimagináveis, como suicídios em praça pública.

De acordo com Eric Toussaint, do Comitê pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo (CADTM), “o resultado da Syriza é muito positivo, pois esta coalizão apresentou como propostas a suspensão imediata dos pagamentos da dívida grega por 3 anos e o fim das medidas de austeridade impostas desde 2010, quebrando os acordos com a Troika (FMI/União Européia). Vários membros do Syriza apóiam ativamente a Auditoria Cidadã da Dívida grega.”

Geração de lixo cresce apesar de nova lei

Política Nacional de Resíduos Sólidos, em vigor desde 2010, ainda não produz efeito prático, diz estudo

Giovana Girardi

Apesar de a Política Nacional de Resíduos Sólidos estar em vigor desde o final de 2010, ela ainda não está produzindo efeitos práticos na destinação do lixo gerado no País. Essa é a principal conclusão do levantamento anual da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

Em 2011, das 55,5 milhões de toneladas de resíduos coletadas no ano, 58,06% (32,2 milhões) foram destinadas corretamente – em aterros sanitários -, enquanto o restante (23,3 milhões) permanece seguindo para lixões e os chamados aterros controlados, que não têm tratamento de chorume ou controle dos gases de efeito estufa produzidos em sua decomposição.

Em relação a 2010, houve uma melhora de meio ponto porcentual na destinação correta dos resíduos, mas, como os brasileiros aumentaram sua geração de lixo em 1,8% em relação ao ano anterior, na prática, 2011 observou um aumento na quantidade de resíduos jogados em lixões e afins. A geração per capita média do País foi de 381,6 quilos por ano, 0,8% superior ao do ano anterior.

Em termos de municípios, 60,5% do total de 5.565 deram destino inadequado a mais de 74 mil toneladas de resíduos por dia. Em todo o País, mais de 6,4 milhões de toneladas sequer foram coletadas no ano, indo parar em terenos baldios, córregos etc. Isso equivale a 45 estádios do Maracanã lotados.

Os dados, que serão lançados nesta terça-feira, 8, fazem parte da última edição do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil.

Meta até 2014. A produção de resíduos, porém, subiu menos na pesquisa atual – entre 2009 e 2010, o salto havia sido de 6,8%. “Mas ela continua crescendo. Foi o dobro do quanto cresceu a população no mesmo período”, afirma Carlos Silva Filho, diretor da Abrelpe.

“Esperávamos já ver algum reflexo da política. Mas, se continuar nesse ritmo de geração, não vamos conseguir acabar com os lixões até 2014”, diz.

A meta a que ele se refere é uma das estabelecidas pela política nacional, que também define que, do material coletado, somente os rejeitos devem ir para os aterros – o que exclui tudo o que possa ser reciclado ou reaproveitado como, por exemplo, com compostagem.

Mas nesse quesito também não houve muito avanço. Dentre os municípios brasileiros, 58,6% afirmaram ter iniciativas de coleta seletiva – somente 1% a mais que em 2010.

O problema é que as soluções para a questão do lixo demandam muito tempo. Para criar um aterro sanitário é preciso de espaço, de licenciamento ambiental. Segundo Silva Filho, leva, em média, uns três anos. “E mesmo eles sendo criados, se não mexer na quantidade de geração (de resíduos), a vida útil do aterro vai caindo. Mas há estimativas de que, para reverter a curva ascendente de geração, é preciso de um prazo de dez anos.”

Para ele, um dos gargalos ainda é a falta de investimento. Segundo o panorama, em 2011, a média mensal dos gastos dos municípios brasileiros com serviços de limpeza urbana foi de R$ 10,37 por habitante por mês – 4% maior na comparação com 2010.

Silva Filho estima, porém, que precisaria ser no mínimo o dobro para resolver o déficit na coleta e na destinação, considerando que metade dos resíduos têm destino inadequado (somando também o que não é coletado).

“Não dá mais para considerar que é possível resolver a custo zero, como acontecia ao simplesmente jogar os resíduos nos lixões. E isso envolve também cobrar o serviço da população. Uma taxa básica, que aumente, por exemplo, se a pessoa não separa os recicláveis, mas diminua se ela o fizer”, propõe.

Ninguém do Ministério das Cidades, responsável pela aplicação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, foi encontrado para comentar a pesquisa.

Brasil deixa de ter a maior taxa de juros reais do mundo; Rússia lidera

Do UOL, em São Paulo

O Brasil deixou de ter a maior taxa de juros reais do mundo, segundo levantamento feito pelo analista internacional da Apregoa.com – Cruzeiro do Sul, Jason Vieira, em colaboração com o analista de mercado da Weisul Agrícola, Thiago Davino. A Rússia agora é a campeã dos juros reais.

Com a redução dos juros nominais para 9% ao ano, decidida nesta quarta-feira (18) pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, a taxa de juros reais no Brasil cai para 3,4% ao ano

O primeiro lugar no ranking ficou com a Rússia, com taxa de 4,2%. Em terceiro, aparece a China, com 2,9%. Na outra ponta, com as menores taxas de juros reais do mundo, aparece a Venezuela, com taxa de juros reais de -6,9% ao ano, antecedida por Cingapura (-4,4%) e por Turquia (-4,2%)

A mudança de posições aconteceu com as últimas reduções de juros no Brasil, além de algumas projeções de inflação e ao aumento dos juros reais na Rússia. Os juros reais descontam a inflação projetada para os próximos 12 meses.

Falando de juros nominais (que não descontam a inflação), a Venezuela tem a maior taxa do mundo, com 15,65%.

O Brasil vem em segundo no ranking dos juros nominais, empatado com a Argentina, com 9%.

O ranking foi elaborado pelo analista internacional da Apregoa.com – Cruzeiro do Sul, Jason Vieira, com a colaboração do analista de mercado da Weisul Agrícola, Thiago Davino. A pesquisa de juros reais não inclui todos os países do mundo, mas 40 economias relevantes.

Onde mora a violência?

José Alberto Cornavaca
São Paulo – SP